sábado, 19 de dezembro de 2009

4o. DOMINGO DO ADVENTO

Evangelho de domingo: tentar Deus?


Por Dom Jesús Sanz Montes, arcebispo eleito de Oviedo
HUESCA; 2009 (ZENIT.org). Publicamos o comentário do Evangelho deste domingo (Lucas 1, 39-45) quarto do Advento, escrito por Dom Jesús Sanz Montes, bispo de Huesca e de Jaca, arcebispo eleito de Oviedo (Espanha).

Estamos chegando mais perto do verdadeiro Acontecimento que marcou a história dos homens, esse dia em que Deus deixou de nos enviar mensageiros para se fazer Ele mesmo mensagem e mensageiro por sua vez. Portador e porta-voz de um plano de amor que se manifestava em meios a sonhos truncados e falidos pelo mau uso da liberdade dos homens. Essa foi a festa de seu nascimento, real articulação entre a páscoa da Criação e a páscoa da Ressurreição.

Mas, neste quarto domingo do Advento, o último antes do Natal, Maria é apresentada como um contraponto de obediência e de fidelidade. Existem várias maneiras de "respeitar" a Deus, que no fundo são maneiras elegantes de tê-lo sob controle, para que não influencie ou modifique nossa vida real. Esta era a pretensão do rei Acaz: não queria "tentar" a Deus, nem importuná-lo, deixando-o onde estava, entre as nuvens e seus divinos labores. Entretanto, o profeta na verdade não aplaudirá este respeito que no fundo deprecia, esta veneração que termina ignorando.

A nós também é anunciada esta boa notícia prometida: Deus sem deixar de ser o Altíssimo, será um Deus presente em nossas vidas, um Deus que deseja permanecer em nosso solo, falar nossa língua, sofrer com nossas dores e brindar em nossas alegrias.

Se fosse Deus, mas não estivesse conosco, seria uma divindade distante, opressiva ou ineficaz. Se estivesse conosco, mas não fosse Deus, estaríamos diante de alguém bondoso, porém incapaz de acessar os segredos de nossos corações e de nossa história, onde nossa felicidade se faz e se desfaz. Ele é Deus e é necessário estar junto dele Ele para que possamos estar conosco mesmos, sem censura e sem traição. Neste horizonte aparece Maria, como alguém que confiou em Deus e que deixou Deus ser (um mistério de nossa liberdade humana e da condescendência divina), consentindo que sua Palavra eterna se fizesse biográfica na entranha de sua história de mulher crente. Maria co-protagonizou o primeiro Advento e recebeu a missão ao pé da cruz de co-estrelar todos os Adventos desde sua intercessão maternal para os irmãos de seu Filho.

Devemos descobrir que jamais incomodamos a um Deus que quis nos amar até ser e estar conosco. E pedimos que nos conceda nos tratar entre nós como somos tratados por Ele: que acolhendo e contemplando o Deus-conosco, possamos obter a nossa volta um tratamento de irmão para irmão.

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