quarta-feira, 31 de março de 2010

Recordando João Paulo II

João Paulo II: movido pelo amor, recorda Bento XVI
O Papa polonês que se converteu em companheiro de viagem para o homem de hoje
Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 29 de março de 2010 (ZENIT.org).- O que movia João Paulo II era o amor a Cristo, explicou Bento XVI na Missa presidida hoje por ocasião do 5º aniversário do seu falecimento.
Em um ambiente de grande recolhimento, na Basílica Vaticana, seu sucessor sintetizou a vida de Karol Wojtyla (1920-2005) como um caminho “de caridade, da capacidade de doar-se de forma generosa, sem reservas, sem medidas, sem cálculos”.
Roma reviveu a emoção do dia 2 de abril de 2005 – neste ano a data coincide com a Sexta-Feira Santa, motivo pelo qual a lembrança litúrgica foi antecipada –, quando a multidão acompanhou, sob a janela do Papa polonês, seu último alento.
Para esta ocasião, entre os purpurados que estavam ao redor do Altar da Confissão, encontrava-se seu fiel secretário durante 40 anos, o atual cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, assim como peregrinos dos 5 continentes, especialmente da Polônia, muitos dos quais fizeram fila durante o dia para visitar o túmulo nas grutas vaticanas.
Durante a homilia, em meio a um grande silêncio, o Papa explicou o segredo de João Paulo II: “O que o movia era o amor a Cristo, a quem havia consagrado sua vida, um amor sobreabundante e incondicional”.
“Foi precisamente porque se aproximou cada vez mais de Deus no amor que ele pôde tornar-se companheiro de viagem para o homem de hoje, derramando no mundo o perfume do Amor de Deus”, acrescentou.
Seu sucessor e íntimo colaborador recordou os últimos dias do seu sofrimento: “A progressiva fraqueza física, de fato, não corroeu jamais sua fé rochosa, sua luminosa esperança, sua fervente caridade”.
“Ele se deixou consumir por Cristo, pela Igreja, pelo mundo inteiro: seu sofrimento foi vivido até o final por amor e com amor”, sublinhou, acrescentando: “esse amor de Deus, que vence tudo”.
O Papa falou em italiano durante a homilia. O único momento em que utilizou a língua polonesa foi para assegurar aos seus compatriotas que “a vida e a obra de João Paulo II, grande polonês, pode ser um motivo de orgulho para vós”.
“Mas é preciso que recordeis que esta é também um grande convite a ser testemunhas fiéis da fé, da esperança e do amor, que ele nos ensinou ininterruptamente”, acrescentou na língua vernácula de Wojtyla.
Durante a oração dos fiéis, elevou-se em polonês esta súplica: “Pelo venerável Papa João Paulo II, que serviu a Igreja até o limite das suas forças, para que, do céu, interceda para infundir a esperança que se realiza plenamente participando da glória da ressurreição”.
Também se rezou em alemão por Bento XVI, “para que continue, seguindo os passos de Pedro, desempenhando o seu ministério com perseverante mansidão e firmeza, para confirmar os irmãos”.
Bento XVI aprovou, no dia 19 de dezembro de 2009, o decreto que reconhece as virtudes heroicas de Karol Wojtyla. O estudo do suposto milagre experimentado por uma religiosa francesa que padecia de Parkinson, atribuído à intercessão de João Paulo II, continua o processo estabelecido pela Congregação para as Causas dos Santos, segundo foi confirmado no mês passado.
Ainda que Bento XVI tenha permitido que não esperassem os 5 anos exigidos para começar a causa de beatificação de João Paulo II, o processo está sendo submetido a todas as exigências requeridas para qualquer outro caso, entre as quais se encontra o reconhecimento de uma cura inexplicável por parte de uma comissão médica, reconhecida depois como “milagre” por parte de uma comissão teológica, uma comissão de cardeais e bispos e do próprio Papa.

terça-feira, 30 de março de 2010

Liturgia e liturgias - algo a se pensar

Reforma de Bento XVI: inovação e tradição na liturgia

Entrevista com o teólogo e liturgista Nicola Bux
Por Antonio Gaspari

ROMA, segunda-feira, 29 de março de 2010 (ZENIT.org).- Em julho de 2007, com o motu proprio “Summorum Pontificum”, Bento XVI restabeleceu a celebração da Missa segundo o rito tridentino.



O fato suscitou uma agitação. Elevaram-se vibrantes vozes de protesto, mas também aclamações valentes.



Para explicar o sentido e a prática da reforma litúrgica de Bento XVI, Nicola Bux, sacerdote e especialista em liturgia oriental, além de consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, publicou o livro La riforma di Benedetto XVI. La liturgia tra innovazione e tradizione (Piemme, Casale Monferrato 2008), com prólogo de Vittorio Messori.



No livro, o especialista explica que a recuperação do rito latino não é um retrocesso, uma volta à época anterior ao Concílio Vaticano II, mas sim um olhar adiante, recuperando da tradição passada o mais belo e significativo que esta pode oferecer à vida presente da Igreja.



Segundo Bux, o que o Pontífice pretende fazer em sua paciente obra de reforma é renovar a vida do cristão, os gestos, as palavras, o tempo cotidiano, restaurando na liturgia um sábio equilíbrio entre inovação e tradição, fazendo surgir, com isso, a imagem de uma Igreja sempre em caminho, capaz de refletir sobre si mesma e de valorizar os tesouros dos quais é rico seu depósito milenar.



Para tentar aprofundar no significado e no sentido da liturgia, em suas mudanças, na relação com a tradição e no mistério da linguagem com Deus, Zenit entrevistou Nicola Bux.



-O que é a liturgia e por que ela é tão importante para a Igreja e para o povo cristão?



Bux: A sagrada liturgia é o tempo e o lugar no qual certamente Deus vai ao encontro do homem. Portanto, o método para entrar em relação com Ele é precisamente o de dar-lhe culto: Ele nos fala e nós lhe respondemos; agradecemos e Ele se comunica conosco. O culto, do latim colere – cultivar uma relação importante –, pertence ao sentido religioso do homem, em toda religião, desde os tempos mais remotos.



Para o povo cristão, a sagrada liturgia e o culto divino realizam, portanto, a relação com tudo o que existe de mais querido, Jesus Cristo Deus. O atributo “sagrada” significa que nela tocamos sua presença divina. Por isso, a liturgia é a realidade e a atividade mais importantes para a Igreja.



-Em que consiste a reforma de Bento XVI e por que ela suscitou tantas reações?



Bux: A reforma da liturgia, segundo a constituição litúrgica do Concílio Vaticano II, como instauratio, isto é, como restabelecimento no lugar correto da vida eclesial, não começa com Bento XVI, mas com a própria história da Igreja, desde os apóstolos à época dos mártires, do Papa Dâmaso até Gregório Magno, de Pio V e Pio X a Pio XII e Paulo VI.



A instauratio é contínua, porque o risco de que a liturgia decaia do seu lugar, que é o de ser fonte da vida cristã, existe sempre; a decadência chega quando o culto divino é submetido ao sentimentalismo e ao ativismo pessoais de clérigos e leigos que, penetrando-o, transformam-no em obra humana e entretenimento espetacular: um sintoma hoje é, por exemplo, o aplauso na Igreja, que sublinha indistintamente o batismo de um recém-nascido e a saída de um caixão em um funeral.



Uma liturgia convertida em entretenimento não precisa de uma reforma? Isso é o que Bento XVI está fazendo: o emblema da sua obra reformadora será o restabelecimento da cruz no centro do altar, para fazer compreender que a liturgia está dirigida ao Senhor e não ao homem, ainda que este seja ministro sagrado.



A reação existe sempre em cada mudança na história da Igreja, mas não é preciso assustar-se.



-Quais são as diferenças entre os chamados inovadores e os tradicionalistas?



Bux: Estes dois termos devem antes ser esclarecidos. Se inovar significa favorecer a instauratio da qual falávamos, é precisamente o que está faltando; assim também quanto à traditio, que significa proteger o depósito revelado, sedimentado também na liturgia. Se, no entanto, inovar significa transformar a liturgia de obra de Deus em ação humana, oscilando entre um gosto arcaico, que quer conservar dela somente os aspectos que agradam, e um conformismo segundo a moda do momento, estaríamos no mau caminho. Ou ao contrário: ser conservadores de tradições meramente humanas, que se sobrepuseram como incrustação na pintura e não permitem que percebamos a harmonia do conjunto.



Na verdade, os dois opostos acabam coincidindo, revelando sua contradição. Um exemplo: os inovadores sustentam que a Missa antigamente era celebrada dirigida ao povo. Os estudos demonstram o contrário: a orientação ad Deum, ad Orientem, é a própria do culto do homem a Deus. Pensemos no judaísmo. Ainda hoje, todas as liturgias orientais conservam isso. Como é possível que os inovadores, amantes da restauração dos elementos antigos na liturgia pós-conciliar, não o tenham conservado?



-Que significado tem a tradição na história e na fé cristãs?



Bux: A tradição é uma das fontes da Revelação: a liturgia, como diz o Catecismo (n. 1124), é seu elemento constitutivo. Bento XVI, no livro “Jesus de Nazaré”, recorda que a Revelação se tornou liturgia. Depois, temos as tradições de fé, de cultura, de piedade que entraram e revestiram a liturgia, de maneira que conhecemos várias formas de ritos no Oriente e no Ocidente. Todos compreendem, portanto, por que a constituição sobre liturgia, no n. 22, § 3, afirma peremptoriamente: “Ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica”.



-Você acha que seria possível voltar à Missa em latim hoje?



Bux: O Missal Romano renovado por Paulo VI está em latim e constitui a edição chamada típica, porque a ela devem se referir as edições em línguas atuais preparadas pelas conferências episcopais nacionais e territoriais, aprovadas pela Santa Sé. Portanto, a Missa em latim continuou sendo celebrada também com o novo Ordo, ainda que raramente. Isso acabou contribuindo para a impossibilidade de uma assembleia composta de línguas e nações participar de uma Missa celebrada na língua sagrada universal da Igreja Católica de rito latino. Assim, em seu lugar, nasceram as chamadas Missas internacionais, celebradas de forma que as partes da celebração sejam recitadas ou cantadas em muitas línguas; assim, cada grupo entende somente a sua!



Havia-se mantido que o latim não era entendido por ninguém; agora, se a Missa em um santuário é celebrada em quatro idiomas, cada grupo acaba compreendendo apenas 25% dela. Além de outras considerações, como desejou o sínodo de 2005 sobre a Eucaristia, é preciso voltar à Missa em latim: pelo menos uma dominical nas catedrais e nas paróquias. Isso ajudará, no convite à sociedade multicultural atual, a recuperar a participação católica, seja quanto a sentir-se Igreja universal, seja quanto a unir-se a outros povos e nações que compõem a única Igreja. Os cristãos nacionais, ainda dando espaço às línguas nacionais, conservaram o grego e o eslavo eclesiástico nas partes mais importantes da liturgia, como a anáfora e as procissões com as antífonas para o Evangelho e o ofertório.



Para instaurar tudo isso, contribui enormemente o antigo Ordo do Missal Romano anterior, restabelecido por Bento XVI com o motu proprio “Summorum Pontificum”, que, simplificando, chama-se Missa em latim: na verdade, é a Missa de São Gregório Magno, enquanto sua estrutura básica se remonta à época desse pontífice e permaneceu intacta através dos acréscimos e simplificações de Pio V e dos demais pontífices até João XXIII. Os padres do Vaticano II a celebraram diariamente, sem advertir nenhuma oposição com relação à modernização que estavam realizando.



-Bento XVI falou do problema dos abusos litúrgicos. De que se trata?



Bux: Para dizer a verdade, o primeiro em lamentar as manipulações na liturgia foi Paulo VI, poucos anos depois da publicação do Missal Romano, na audiência geral de 22 de agosto de 1973. Paulo VI, por outro lado, estava certo de que a reforma litúrgica realizada após o Concílio verdadeiramente havia introduzido e sustentado firmemente as indicações da constituição litúrgica (cf. Discurso ao Colégio dos Cardeais, 22 de junho de 1973). Mas a experimentação arbitrária continuava e exacerbava, no entanto, a saudade do rito antigo. O Papa, no consistório de 27 de junho de 1977, admoestava os “rebeldes” pelas improvisações, banalidades, frivolidades e profanações, pedindo-lhes severamente que se ativessem à norma estabelecida para não comprometer a regula fidei, o dogma, a disciplina eclesiástica, lex credendi e orandi; e também aos tradicionalistas, para que reconhecessem a “acidentalidade” das modificações introduzidas nos ritos sagrados.



Em 1975, a bula Apostolorum Limina, de Paulo VI, para a convocação do ano santo, a propósito da renovação litúrgica, observava: “Consideramos extremamente oportuno que esta obra seja reexaminada e receba novas evoluções, de forma que, baseando-se no que foi firmemente confirmado pela autoridade da Igreja, possa-se observar em todos os lugares os que são verdadeiramente válidos e legítimos e continuar sua aplicação com zelo ainda maior, segundo as normas e métodos aconselhados pela prudência pastoral e por uma verdadeira piedade”.



Omito as denúncias de abusos e sombras na liturgia por parte de João Paulo II em muitas ocasiões, em particular na carta Vicesimus quintus annus, desde a entrada em vigor da constituição sobre liturgia. Bento XVI, portanto, pretendeu voltar a examinar e dar novo impulso precisamente abrindo uma janela com o motu proprio, para que, pouco a pouco, mude o ar e encarrilhe tudo o que foi além da intenção e da letra do Concílio Vaticano II, em continuidade com toda a tradição da Igreja.



-Você afirmou diversas vezes que, em uma liturgia correta, é necessário respeitar os direitos de Deus. Você poderia explicar isso?



Bux: A liturgia, termo que em grego indica a ação ritual de um povo que celebra, por exemplo, suas festas, como acontecia em Atenas ou como acontece ainda hoje com a inauguração das olimpíadas e outras manifestações civis, evidentemente é produzida pelo homem. A sagrada liturgia ostenta este atributo porque não está feita à nossa imagem – em tal caso, o culto seria idolátrico, isto é, criado pelas nossas mãos –, mas pelo Senhor onipotente: no Antigo Testamento, com sua presença, indicava a Moisés como ele deveria dispor, nos seus mínimos detalhes, o culto ao Deus único, junto ao seu irmão Aarão. No Novo Testamento, Jesus defendeu o verdadeiro culto, expulsando os vendedores do templo, e deu aos apóstolos as disposições para a Ceia pascal.



A tradição apostólica recebeu e relançou o mandato de Jesus Cristo. Portanto, a liturgia é sagrada, como diz o Ocidente, e é divina, como diz o Oriente, porque é instituída por Deus. São Bento a define como opus dei, obra de Deus, à qual nada deve ser anteposto. Precisamente a função mediadora entre Deus e o homem, própria do sumo sacerdócio de Cristo e exercida na e com a liturgia pelo sacerdote ministro da Igreja, testifica que a liturgia descende do céu, como diz a liturgia bizantina, baseada na imagem do Apocalipse. É Deus quem a estabelece e, portanto, indica como devemos adorá-lo “em espírito e em verdade”, isto é, em Jesus, seu Filho, e no Espírito Santo. Ele tem o direito de ser adorado como Ele quer.



Sobre tudo isso, é necessária uma profunda reflexão, porque seu esquecimento está na origem dos abusos e das profanações, já descritas admiravelmente em 2004 pela instrução Redemptionis Sacramentum, da Congregação para o Culto Divino. A recuperação do Ius divinum na liturgia contribui muito para respeitá-la como coisa sagrada, como prescreviam as normas; mas também as normas devem voltar a ser seguidas com espírito de devoção e obediência por parte dos ministros sagrados, para edificação de todos os fiéis e para ajudar muitos dos que buscam Deus a encontrá-lo vivo e verdadeiro no culto divino da Igreja.



Os bispos, sacerdotes e seminaristas devem voltar a aprender e realizar os sagrados ritos com este espírito, e assim contribuirão para a verdadeira reforma querida pelo Vaticano II e, sobretudo, para reavivar a fé que, como escreveu o Santo Padre na carta aos bispos, de 10 de março de 2009, corre o risco de apagar-se em muitos lugares do mundo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Textos oficiais da Santa Sé

Aos pesquisadores e àqueles que se interessam por assuntos referentes à Igreja já está disponibilizado pela internet documentos de grande importância para todos nós. Eis o comunicado:

ON LINE OS DOCUMENTOS OFICIAIS DA SANTA SÉ E A COLECÇÃO DE DOCUMENTOS DO PERÍODO DA II GUERRA MUNDIAL




Textos importantíssimos, até agora só disponíveis em forma impressa, nas bibliotecas, passam a estar acessíveis no site oficial da Santa Sé, www.vatican.va, na Secção "Textos fundamentais".



Trata-se das colecções completas da Acta Sanctae Sedis (ASS) e da Acta Apostolicae Sedis (AAS), ou seja, os textos oficiais da Santa Sé, desde 1865 até 2007, em formato pdf. Para além, a colecção dos 12 volumes dos Actes et Documents du Saint-Siège relatifs à la Seconde Guerre Mondiale, publicados a partir de 1965, por vontade de Paulo VI, preparados por uma equipa especializada de quatro historiadores jesuítas.



Trata-se de uma mina documental de inestimável valor, agora gratuitamente colocada à disposição de todos os estudiosos e das pessoas interessadas. Um grande contributo para a investigação e informação sobre a Santa Sé, sua história e actividade.
[00405-06.01] [Texto original: Italiano]
[B0173-XX.02]

domingo, 28 de março de 2010

Domingo de Ramos - meditação

Evangelho do domingo: “Por mim”

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 26 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho do Domingo de Ramos, 28 de março (Lucas 22, 14-23, 56).



Chegamos às portas da Semana Santa. Passo a passo, fomos nos aproximando do cenário no qual Outro pagou a nossa conta. Estamos, também nós, nessa multidão amontoada naquele dia de festa judaica.



Eles e nós temos, sempre, certas escuridões que pedem para ser iluminadas, certas mortes que esperam ser ressuscitadas. Nós estávamos lá. E o que aconteceu lá, para nós acontece hoje. Em Jerusalém existia o costume de dar as boas-vindas aos peregrinos que chegavam para celebrar a Páscoa com as palavras do salmo 118: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”. Jesus não foi exceção. Ele enviou previamente dois discípulos para que trouxessem um jumentinho e, se alguém estranhasse e perguntasse o porquê, deveriam responder: “O Senhor precisa dele”. Um humilde portador de quem vem como rei em nome de Deus. A tradição iconográfica mostra mais vezes um jumento junto a Jesus: na viagem de Nazaré a Belém, quando Maria levava em seu seio Aquele que nasceria sem o abrigo de uma pousada; na cova do nascimento; e na fuga ao Egito.



O Senhor precisava de... um jumentinho! Detalhe carregado de humanidade e simplicidade, oposto à cavalgadura do poderio. São as necessidades de um Deus que escolhe sempre o fraco e aquele que não vale nada para confundir os prepotentes (1 Cor 1,26-28); e assim se reconhecerá a imagem do Servo tomando a condição de escravo, que não faz do ser igual a Deus uma usurpação (Flp 2,6-11), para saber dizer palavras de conforto à pessoa abatida (Is 50,4-7).



É o estremecedor relato do que custou a nossa redenção. Nesse drama está a resposta de amor extremo por parte de Deus. Nossa felicidade, o acesso à graça, teve um preço: Ele pagou por nós.



Devemos nos situar nesse cenário, pois é o nosso, e nele Deus, em seu Filho, obterá para nós a condição de filhos diante d’Ele e irmãos entre nós. É o estupor que experimentava a mística franciscana Ângela de Foligno ao contemplar a Paixão: “Tu não me amaste de brincadeira”; ou o realismo com que Paulo agradecerá a doação do seu Senhor: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).



Sem este realismo que personaliza, estaríamos como espectadores ausentes, que, no máximo, acompanham o desenvolvimento do processo de Deus lá da plateia do dó ou da indiferença. Por isso, posso dizer realmente que eu estava lá, que tudo isso foi por mim.



Só quem reconhece esse por mim adorará o Senhor com um coração agradecido.

sábado, 27 de março de 2010

Rezemos pelo Papa e Igreja

Vaticano: New York Times publica especulações contra o Papa

Santa Sé e arquidiocese de Munique desmentem as acusações
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de março de 2010 (ZENIT.org).- As novas acusações do New York Times contra Bento XVI não passam de “mera especulação”, esclarece a Santa Sé, confirmando que o Papa é alheio à reintegração pastoral na arquidiocese de Munique de um sacerdote condenado por atos de pederastia.
O jornal nova-iorquino repetiu hoje, em um artigo, informações publicadas pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung (cf. ZENIT, 12 de março de 2010), nas quais se acusava o cardeal Joseph Ratzinger de ter designado o sacerdote conhecido como “H.” à assistência pastoral em uma paróquia de Munique, sem nenhum limite.
Este é o segundo artigo consecutivo publicado pelo New York Times com o objetivo de atacar Bento XVI diretamente. Ambos os artigos foram categoricamente desmentidos pelo Vaticano.
Hoje, o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, referiu-se a um novo comunicado da arquidiocese bávara no qual se repete que o cardeal Ratzinger não teve participação alguma na decisão de reintegrar pastoralmente este sacerdote; tal decisão foi tomada pelo então vigário-geral, Gerhard Gruber, que assumiu plena responsabilidade por ela.
Segundo a arquidiocese, Ratzinger havia se limitado a acolher o presbítero na própria arquidiocese; ele chegou da diocese de Essen, em janeiro de 1980, para ser submetido à psicoterapia em Munique, devido aos seus transtornos sexuais, e precisava de uma residência.
“Mais especulações” é o título da breve nota na qual o L’Osservatore Romano informa sobre esta questão, em sua edição italiana de amanhã.
Segundo as informações da arquidiocese de Munique, apresentadas pelo Pe. Lombardi aos jornalistas, que no Vaticano solicitaram um esclarecimento hoje, “o artigo do New York Times não contém nenhuma nova informação, além das que a diocese já comunicou sobre os conhecimentos do então arcebispo acerca da situação do sacerdote H.”.
“A arquidiocese confirma, portanto, sua suposição segundo a qual o então arcebispo não conhecia a decisão de reinserir o sacerdote H. na atividade pastoral paroquial – prossegue o comunicado. A arquidiocese desmente qualquer outra versão, considerando-a mera especulação.”
“O então vigário geral, Dom Gerhard Gruber, assumiu plena responsabilidade na decisão, própria e equivocada, de reinserir H. na pastoral da paróquia”, conclui a arquidiocese de Munique.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Aos acompanhadores desse blog - reflexão

Convido a todos para intensificarmos nossas orações pela Igreja. Tanto pelo Papa quanto pela Igreja em geral. Num quero fazer uma defesa cega e sem sentido das coisas que andam acontecendo, mas é dever cristão rezar por ela e pelo Sucessor de Pedro. Os casos de pedofilia que todos estão acompanhando são abomináveis e reprováveis. É algo que temos que repensar e punir realmente essas pessoas envolvidas, porém não podemos também deixar de ver outros inúmeros casos da sociedade civil que acontecem desmedidamente. O mundo midiático e/ou os que querem buscar a verdade devem, por dever de ofício, também ir em busca e chamar a atenção da sociedade moderna. Eles e nós envolvidos por tantos escândalos emergentes dessa natureza podemos cometer faltas irreparáveis com tantos outros indefesos e esquecidos de uma sociedade que se diz "solidária", mas que faz vistas grossas aos outros casos da mesma espécie. Portanto, mesmo com esses pecados emergindo no seio da Igreja não desanimemos em nossa caminhada e não baixemos a cabeça, pois fazemos e estamos inseridos dentro da sociedade. Se temos esses problemas e que devem ser tratados seriamente, tanto quanto a sociedade em que vivemos atualmente deve começar o mais urgente possível ir em busca dos afetados por este e outros males. Quais? Vocês não sabem? Então comecem a pesquisar e se informar com seriedade e na caridade, para ajudar na construção de um mundo verdadeiramente justo, solidário e fraterno. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Momento esperado por muitos: Igreja X Segunda Guerra Mundial

Já na internet: documentos do Vaticano sobre 2ª Guerra Mundial
Por iniciativa da Fundação “Pave The Way”
Por Inma Álvarez
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 25 de março de 2010 (ZENIT.org).- A Santa Sé anunciou hoje a publicação de importantes documentos pontifícios, especialmente os que se referem à 2ª Guerra Mundial, digitalizados e disponíveis na internet.
Estes documentos são as Acta Sanctae Sedis (ASS) e as Acta Apostolicae Sedis (AAS), isto é, as Atas Oficiais da Santa Sé de 1865 a 2007, assim como os 12 volumes da coleção Atos e documentos da Santa Sé relativos ao período da 2ª Guerra Mundial.
“Trata-se de um fundo de documentação de incalculável valor, disponível agora para os especialistas e para todas as pessoas interessadas. Uma grande contribuição para a pesquisa e informação sobre a Santa Sé, sua história e sua atividade”, afirma o comunicado divulgado hoje.
A publicação na internet dos documentos oficiais relativos à 2ª Guerra Mundial, que já existiam em formato impresso desde 1981, foi solicitada pela Pave the Way Foundation (PTWF), que se dedica a trabalhar para “eliminar os obstáculos” que impedem o diálogo entre as religiões.
No último dia 11 de fevereiro, a PTWF agradeceu à Secretaria de Estado e à Livraria Editora Vaticana por sua “confiança em nós, ao permitir-nos este privilégio sem precedentes”.
Em um novo comunicado ao qual a Zenit teve acesso, a PTWF explica que o trabalho de digitalização foi levado a cabo graças a um dos melhores fotógrafos digitais do mundo, o israelense Ardon Bar-Hama.

Bar-Hama é muito conhecido por ter levado a cabo a digitalização dos Manuscritos do Mar Morto e do Codex Vaticanus, entre outros trabalhos.
Gary Krupp, presidente da Fundação, manifesta o orgulho da instituição que representa “por ter ajudado a tornar possível esta importante pesquisa”.
“Até agora, muitas pesquisas realizadas nesta área foram seletivas por natureza. Abrindo estes documentos para seu estudo no mundo inteiro, esperamos levar a luz da verdade sobre este controvertido período.”
Esta instituição trabalhou muitos anos na investigação sobre as atuações do Papa Pio XII com relação aos judeus durante a 2ª Guerra Mundial, já que a imagem desse papado “é um motivo de atritos e incompreensão que afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo inteiro”.
A coleção Atos e documentos da Santa Sé relativos ao período da 2ª Guerra Mundial consiste em mais de 9 mil páginas que recolhem 5.125 documentos, uma pequena parte da documentação sobre esta época, contida no Arquivo Secreto Vaticano (cerca de 16 milhões de documentos), cuja catalogação ainda não terminou.
Segundo Elliot Hershberg, presidente da Junta da PTWF, “sentíamos que era necessário abrir estes arquivos, os quais certamente não são um substituto da plena abertura dos arquivos dos anos da guerra. No entanto, junto com a ordem do Papa Bento XVI de abrir os Arquivos Secretos até 1939, agora temos um quadro histórico mais claro das ações secretas do Papa Pio XII e da sua postura com relação ao povo judeu, sua aversão a Hitler e seu secreto trabalho para derrotar o regime nazista”.
A coleção está disponível, sem custo algum, no site oficial da Santa Sé (www.vatican.va), no link Acta Santae Sedis (www.vatican.va/archive/actes/index_po.htm).

quarta-feira, 24 de março de 2010

Carta do Papa sobre os abusos sexuais e a imprensa mundial

Imprensa e carta do Papa sobre abusos sexuais
“Sem precedentes”, concordam os jornais de diferentes tendências
Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 23 de março de 2010 (ZENIT.org).- Favoráveis, contrários ou internamente divididos, os meios de comunicação do mundo inteiro acolheram a Carta pastoral de Bento XVI aos católicos da Irlanda como um documento “sem precedentes”, não somente por ser o primeiro texto de um papa sobre o tema dos abusos sexuais por parte do clero, mas também pela dor com que foi escrito.



O interesse superou amplamente as costas da ilha irlandesa, como demonstrou o fato de que, poucos minutos depois da publicação no Vaticano, ao meio-dia do sábado, 20 de março, já era possível ler a carta em sites de jornais como Süddeutsche Zeitung, The New York Times, Le Monde, The Telegraph, El Mundo, Le Figaro, El Universal, Los Angeles Times, The Washington Post e El País.



As primeiras manchetes se concentraram na petição de perdão que o Papa dirige, em nome da Igreja, às vítimas de abusos cometidos por clérigos: “Sofrestes tremendamente e por isso sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade”.



Respostas das vítimas



Após a apresentação do documento, os primeiros comentários publicados pela imprensa se centraram em declarações de associações de vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes, entre as quais também houve diferenças de opinião.



Entre as organizações criticadas, destacam-se, por exemplo, o comentário negativo de Maeve Lewis, diretora executiva de One in Four, e o comunicado divulgado no mesmo sábado às redações dos jornais pela Survivors Network of those Abused by Priests (SNAP).



Em particular, esta nota critica dura e ironicamente o fato de que Bento XVI não tenha tomado, neste documento, medidas concretas para enfrentar os escândalos, particularmente por não exigir nele a renúncia de mais pessoas que, de alguma maneira, possam ter estado envolvidas nos escândalos. Críticas semelhantes foram feitas por outras associações de vítimas, em geral com tons duros.



A esta crítica já havia respondido o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, na apresentação do documento aos jornalistas, ao explicar que se trata de uma carta pastoral e, portanto, não indica medidas administrativas e jurídicas, como, por exemplo, a renúncia de outros bispos irlandeses. Tais decisões, de qualquer maneira, competem ao Pontífice e aos interessados.



Em algumas ocasiões, estas mesmas associações reconheceram que não compreendem o alcance dos anúncios que o Papa faz na carta, por abordarem questões técnicas do Direito Canônico: a convocação de uma visita apostólica, isto é, uma espécie de auditoria nas dioceses da Irlanda, assim como nos seminários e congregações religiosas, com a ajuda de expoentes da Cúria Romana.



O próprio Papa compreende, no documento, a dificuldade que supõe para as vítimas destes abusos aceitar suas palavras: “É compreensível que vos seja difícil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome, expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos”.



Por sua parte, a Irish Survivors of Child Abuse Organization (Irish-SOCA) considerou que a carta contém “um reconhecimento evidente de que a Igreja na Irlanda pecou da maneira mais grave contra jovens durante muitas décadas”.



O porta-voz vaticano, em sua apresentação aos jornalistas, também respondeu à crítica lançada por jornais alemães, que esperavam alusões por parte do Papa à situação do seu país. Cada país, segundo o Pe. Lombardi, tem sua especificidade. O Santo Padre decidirá quando e como intervir no caso da sua pátria, garantiu.



Culpados diante de Deus e diante dos tribunais



Outro trecho muito citado pelos jornais e pelas vítimas, particularmente por Irish-SOCA, foi o dirigido “aos sacerdotes e religiosos que abusaram dos jovens”, para garantir-lhes que “traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus onipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos”.



Ao sublinhar estes trechos, a imprensa insistiu em que, para a Igreja, não é possível aceitar nunca mais o encobrimento: “A justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas ações sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça”, assegura o Papa aos clérigos manchados por estas culpas.



Por este motivo, uma das manchetes mais comuns para ilustrar a carta foi “Os sacerdotes pedófilos devem responder diante de Deus e dos tribunais”.



Uma carta sem precedentes



No entanto, há um aspecto em que o Papa obteve o consenso entre as associações de vítimas e a imprensa em geral: as “desculpas sem precedentes” que aparecem na carta, com tons sinceros e humildes.



“Não posso deixar de partilhar o pavor e a sensação de traição que muitos de vós experimentastes ao tomar conhecimento destes atos pecaminosos e criminais e do modo como as autoridades da Igreja na Irlanda os enfrentaram”, reconhece o Pontífice em sua missiva.



“Papa sente ‘vergonha’ pelos casos de pederastia” foi a manchete de alguns jornais.



O que a imprensa não abordou: a penitência



Foi interessante constatar que os meios de informação deixaram de lado a primeira medida adotada pelo Papa, totalmente excepcional para um documento com estas características: a penitência comunitária que a Igreja propõe para esse país.



O Pontífice convida os católicos irlandeses a oferecerem “as vossas penitências da sexta-feira, durante todo o ano, de agora até à Páscoa de 2011, (...) para obter a graça da cura e da renovação para a Igreja na Irlanda”.



Tampouco ocupou espaço nos jornais o trecho no qual o Bispo de Roma incentiva a “redescobrir o sacramento da Reconciliação”, assim como a “adoração eucarística”, e aquele em que convoca “uma Missão a nível nacional para todos os bispos, sacerdotes e religiosos”.



O descuido destes trechos levou a imprensa a ignorar a frase central da carta do Papa, frente ao futuro: “Tenho esperança em que este programa levará a um renascimento da Igreja na Irlanda na plenitude da própria verdade de Deus, porque é a verdade que nos torna livres”.

terça-feira, 23 de março de 2010

Antipapas...

Antipapas e perigos do magistério paralelo
Por Dom Giampaolo Crepaldi
ROMA, segunda-feira, 22 de março de 2010 (ZENIT.org).- A tentativa da imprensa de envolver Bento XVI na questão da pedofilia é só o mais recente dos sinais de aversão que muitos nutrem com relação ao Papa. É necessário perguntar-se como este Pontífice, apesar de sua mansidão evangélica e da sua honradez, da clareza das suas palavras unida à profundidade do seu pensamento e dos seus ensinamentos, suscita em alguns lugares sentimentos de antipatia e formas de anticlericalismo que pareciam superadas. E – isso é preciso dizer – suscita ainda mais assombro e inclusive dor quando aqueles que não seguem o Papa e denunciam seus supostos erros são homens de Igreja, sejam teólogos, sacerdotes ou leigos.
As inusitadas e claramente forçadas acusações do teólogo Hans Küng contra a pessoa de Joseph Ratzinger, teólogo, bispo, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e agora Pontífice, por ter causado, segundo ele, a pedofilia de alguns eclesiásticos mediante sua teologia e seu magistério sobre o celibato nos entristecem profundamente. Nunca havia acontecido que a Igreja fosse atacada dessa maneira. Às perseguições contra muitos cristãos, crucificados em sentido literal em muitas partes do mundo, às múltiplas tentativas de desarraigar o cristianismo nas sociedades antes cristãs, com uma violência devastadora no âmbito legislativo, educativo e dos costumes, que não pode encontrar explicações no bom senso, acrescenta-se há tempos uma ferocidade contra este Papa, cuja grandeza providencial está diante dos olhos de todos.
Estes ataques, tristemente, são ecoados por aqueles que não escutam o Papa, também eclesiásticos, professores de teologia nos seminários, sacerdotes e leigos. Os que não acusam abertamente o Pontífice, mas silenciam seus ensinamentos, não leem os documentos do magistério, escrevem e falam sustentando exatamente o contrário do que ele diz, dão vida a iniciativas pastorais e culturais, por exemplo, no campo da bioética ou do diálogo ecumênico, em aberta divergência com relação ao que ele prega. O fenômeno é muito grave, já que está muito difundido.
Bento XVI ofereceu ensinamentos sobre o Vaticano II que muitíssimos católicos rebatem abertamente, promovendo formas de magistério paralelo sistemático, guiados por muitos “antipapas”; ele ofereceu ensinamentos sobre os “valores não-negociáveis”, que muitíssimos católicos minimizam ou reinterpretam, e isso acontece também por parte de teólogos e comentaristas da fama hospedados na imprensa católica, além da leiga; ele ofereceu ensinamentos sobre a primazia da fé apostólica na leitura sapiencial dos acontecimentos e muitíssimos continuam falando da primazia da situação, da práxis, dos dados das ciências humanas; ele ofereceu ensinamentos sobre a consciência e sobre a ditadura do relativismo, mas muitíssimos antepõem a democracia ou a Constituição ao Evangelho. Para muitos, Dominus Iesus, a nota sobre os católicos na política, de 2002, o discurso de Ratisbona, de 2006, e a Caritas in veritate são como se nunca houvessem existido.
A situação é grave, porque esta brecha entre os fiéis que escutam o Papa e aqueles que não o escutam se difunde por todos os lados, até nos seminários diocesanos e nos institutos de ciências religiosas, e incentiva duas pastorais muito diferentes, que já quase não se entendem, como se fossem expressão de duas Igrejas diversas, e provocam insegurança e extravio em muitos fiéis.
Neste momento muito difícil, nosso observatório sente o dever de expressar sua filial proximidade de Bento XVI. Oramos por ele e permaneceremos fiéis em seu seguimento.
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Dom Giampaolo Crepaldi é arcebispo de Trieste e presidente do Observatório Internacional Cardeal Van Thuân.

domingo, 21 de março de 2010

Semana Santa

Estamos chegando praticamente no final da Quaresma. O que mudou em nossas vidas? Qual o esforço que fizemos para melhorar nossa vida cristã? Nesse Domingo somos convidados pelo Senhor a deixar de apontar o dedo para os outros, de condenar e atirar pedras. É fácil?! Cada um reflita e pense. Contudo, é o convite e o apelo feito pelo Senhor. Jesus não absolve simplesmente a atitude da mulher, mas faz ela refletir e lhe concede uma nova oportunidade de vida, que talvez a própria sociedade não o fez e nunca pensou fazer. Vivamos bem essa Semana Santa que está se aproximando, e peçamos ao Senhor que a nossa fé cresça a cada dia. Bom domingo a todos e todas.

sábado, 20 de março de 2010

Quinto Domingo da Quaresma...

Evangelho do domingo: palavra derradeira
Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, quinta-feira, 18 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 8, 1-11), 5º da Quaresma.
Temos de reconhecer que aquele grupo de letrados e fariseus foi hábil em planejar mais uma vez sua estratégia de colocar Jesus contra a parede. A resposta não era fácil, pois conduziria ou ao escândalo diante da banalização da Lei ou à impopularidade diante do destino de uma mulher, vítima e cliente dos seus acusadores.
Mas tal artimanha se encontrou com a reposta mais inteligente e sábia que se pode imaginar: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Todos foram saindo, um a um, como quem vai embora na ponta dos pés para não ser notado. Foi como um tiro que saiu pela culatra. No fundo, aquela mulher era simplesmente um pretexto para poder lapidar Jesus, que era quem verdadeiramente incomodava o poder dominante. Mas aqueles que tentaram atirar-lhe pedras, saíram arruinados no adultério da sua hipocrisia.
O erro daqueles fariseus não foi indicar que o adultério da mulher estava mal, mas no porquê de o sinalizarem. O Senhor não cai nem na aplicação dura da lei, nem nas liquidações de verão do pecado. Jesus não se importa com o que vão dizer e jamais falou fazendo poses diante da platéia. Tampouco teve uma inclinação jurista diante das tradições, nem uma calculada ambiguidade diante do pecado.
Jesus não fazia o papel de reacionário antifariseu pelas ruas. A estes, Ele dirá: não coloquem contra a parede as vítimas das suas diversões; não queiram lavar sua culpabilidade com quem vocês mancham a inocência mútua... “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Tampouco era um progressista liberal, e por isso dirá à mulher: não brinque com a sua fidelidade nem com a alheia, porque isso é trapacear com a sua felicidade e com a dos demais... “De agora em diante não peques mais”.
A última palavra não foi dos fariseus hipócritas, nem da mulher equivocada, mas de Jesus, portador e porta-voz da misericórdia do Pai. E como nós talvez também participemos, em alguma medida, da atitude dos fariseus e da mulher, por isso, na reta final desta Quaresma, precisamos escutar essa palavra que é maior que o nosso pecado, para que a última palavra não seja nem das nossas hipocrisias e endurecimentos, nem dos nossos tropeços e erros, mas d’Aquele que disse: levante-se, ande, não peque mais.
E que, tendo esta experiência real do perdão de Deus, possamos, assim, oferecê-lo aos que nos ofendem. É precisamente isso que pedimos cada dia no Pai Nosso.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Absurdos do mundo...

Paquistão: menina cristã é queimada viva para que não denunciasse estupro






ROMA, quarta-feira, 17 de março de 2010 (ZENIT.org). – Uma menina cristã paquistanesa foi queimada viva para que não denunciasse um estupro pelo filho de seu empregador, para quem trabalhava como empregada doméstica.



A jovem Kiran George teve 80% de seu corpo queimado e veio a morrer após agonizar por dois dias no hospital, de acordo com a agência AsiaNews. Após ter sido violentada, ameaçou denunciar seu agressor à polícia, que decidiu então matá-la.



O crime ocorreu em Sheikhupura, um vilarejo na província de Punjab, e lembra os eventos trágicos ocorridos recentemente com Shazia Bashir, uma menina cristã de 12 anos violentada e morta por seu empregador, um rico advogado muçulmano, que ainda não foi formalmente acusado.



Num primeiro momento, Kiran relatou as violências que havia sofrido apenas para algumas amigas, temendo perder o emprego de empregada doméstica na casa de seu agressor, Mohammad Ahmda Raza. Mais tarde, entretanto, ameaçou o rapaz de contar o ocorrido à polícia. Este, então, com a ajuda de sua irmã, atirou gasolina e ateou fogo ao corpo da menina.



O pai do rapaz, embora tenha socorrido Kiran e levado-a ao hospital, disse à família de Kiran que esta teria sofrido um acidente ao trabalhar na cozinha. Antes de morrer, no entanto, a menina contou a polícia o que realmente havia ocorrido.



Ainda em Punjab, a 10 de março, uma multidão de muçulmanos enfurecidos saqueou e incendiou a casa de uma família cristã. Ao que tudo indica, o ataque teria sido motivado pelo suposto envolvimento de um cristão no assassinato de latifundiário da região.



Um suspeito de envolvimento nos ataques, Yasir Abid, encontra-se em “prisão preventiva”. A família alega que cópias da Bíblia encontradas em sua casa teriam sido “deliberadamente incineradas”. A polícia investiga a possibilidade de abrir um inquérito de “crime de blasfêmia”. Peter Jacob, secretário executivo da Comissão Nacional por Justiça e Paz, disse não acreditar que os tribunais aplicarão esta lei neste caso. “O Código Penal Paquistanês prevê até mesmo a pena de prisão perpétua com trabalhos forçados para quem profana o Alcorão, mas não contempla os livros sacros de outras religiões", disse ele.



“Somos contrários a essa lei”, declarou Peter Jacobs, “independentemente de qual livro sagrado se trate”. Mas, de qualquer modo, “esperamos que sejam realizadas investigações detalhadas que levem aos culpados de terem incendiado a casa da família cristã”.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Festejos de São José

Estamos nos aproximando da grande festa de São José, Patrono da Igreja. José, o homem justo, é assim que vem descrito nas Sagradas Escrituras. Muitas são as comunidades em todo o mundo, e especialmente no Brasil, que tem como padroeiro São José. Inclusive em uma comunidade que trabalhamos. Percebemos nesses dias que, mesmo sendo pouco tratado na Bíblia, São José é muito amado e querido por todos os cristãos. O carinho e entusiasmo do povo nesses dias é contagiante e encantador. Os louvores ao Patrono da Santa Igreja é realizado com todo vigor e amor por tríduos, novenários etc. Que São José interceda por nosso povo brasileiro, e os mais necessitados. São José, Patrono da Igreja, intercedei por nós.

terça-feira, 16 de março de 2010

Rezemos pela Igreja e pelo Papa...(2)

Brasil: Igreja em Alagoas enfrenta episódio de pedofilia






SÃO PAULO, terça-feira, 16 de março de 2010 (ZENIT.org).- A diocese de Penedo (Alagoas) afastou das atividades eclesiásticas dois monsenhores e um padre do município de Arapiraca, a 130 km de Maceió (nordeste do Brasil).



Trata-se dos monsenhores Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes e do padre Edílson Duarte, responsáveis por paróquias na cidade de Arapiraca. Diferentemente do que noticiaram alguns veículos internacionais, não há envolvimento de bispos no episódio, já que “monsenhor” no Brasil é um título honorífico e não se refere ao episcopado.



Os clérigos, segundo diferentes meios de comunicação brasileiros, são acusados de participar de esquema de pedofilia e vão responder a um inquérito policial por conta de denúncias feitas por ex-coroinhas e familiares. ZENIT entrou em contato com o bispo local, Dom Valério Breda, que por razão de outros compromissos não pôde atender.



A decisão do afastamento teria sido anunciada durante celebração no último sábado, à noite, pelo próprio bispo.



De acordo com reportagem de UOL Notícias, a Polícia Civil já instalou inquérito para investigar o caso. Duas delegadas foram designadas para apurar as denúncias. O pedido de investigação partiu do Ministério Público Estadual.



O escândalo de pedofilia foi denunciado na última quinta-feira, pelo programa Conexão Repórter, do SBT. A reportagem apresentou vídeos que implicariam os clérigos afastados.



Ainda de acordo com UOL Notícias, em nota nesta segunda-feira, a diocese regional lamentou as denúncias.



“Reprovamos, de forma irrestrita e com o coração despedaçado pela vergonha e pela tristeza, os fatos, mesmo que ainda não provados, veiculado na referida reportagem, que revoltam a são consciência humana e cristã”, diz o texto.

domingo, 14 de março de 2010

A pedofilia é condenável em todos os aspectos...

“Não há desculpas” para abuso de menores por parte do clero

Intervenção de Dom Tomasi na ONU
GENEBRA, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).- “Não há desculpas” para os abusos sexuais a menores por parte de membros do clero e este gravíssimo comportamento é enfrentado com decisão porque deve “ser resolvido definitivamente”.

Esta foi a declaração do arcebispo Silvano Maria Tomasi, representante permanente da Santa Sé nas Nações Unidas e em outros organismos internacionais de Genebra.

Dom Tomasi interveio ontem na 13ª sessão do Conselho para os Direitos Humanos, sobre direitos das crianças.

Os abusos sexuais a menores constituem “um crime odioso”, afirmou, como informa a Rádio Vaticano.

A uma “claríssima condenação da violência sexual contra as crianças e os jovens”, explicou, o Papa “acrescentou a dimensão religiosa, recordando que o abuso também é um grave pecado, que ofende Deus e a dignidade humana”.

“A integridade física e psicológica dos menores é violada com consequências destrutivas”, indicou.

E recordou que vários estudos demonstraram que as crianças que sofreram abusos depois estiveram mais expostas a problemas como “gravidez na adolescência, ociosidade, toxicomania e alcoolismo”.

“A proteção contra as agressões sexuais permanece em primeiro lugar na lista das prioridades de todas as instituições eclesiásticas que lutam para pôr fim a esse sério problema”, destacou.

“As medidas concretas para assegurar a transparência e a assistência às vítimas e seus familiares são o modo para aliviar a pena, a dor e o desalento provocado pelos abusos”, acrescentou.

Dom Tomasi constatou que, nos últimos anos, “sacerdotes, religiosos e agentes leigos católicos foram acusados de abusos contra menores e muitos deles foram condenados”.

“Não há desculpas para esse comportamento”, afirmou.

Neste contexto, “a comunidade católica continua nos seus esforços para resolver definitivamente o problema”, garantiu.

O representante da Santa Sé explicou que “os culpados por tais crimes são imediatamente suspensos do exercício das suas funções e tratados segundo a normativa civil e o Direito Canônico”.

Segundo Dom Tomasi, a prevenção é “o melhor remédio”.

Por isso, são necessários “educação e promoção da cultura do respeito pelos Direitos Humanos e pela dignidade de cada criança, especialmente mediante a utilização de métodos eficazes para a seleção dos funcionários das escolas”.

Quarto Domingo da Quaresma - meditação

Evangelho do domingo: misericórdia sem fim

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 15, 1-3.11-32), 4º da Quaresma.

Era uma cena complicada, que Jesus resolverá com uma parábola impressionante. Em volta dele aparecem os publicanos e pecadores, por um lado (o filho mais novo), e os fariseus e letrados por outro (o filho mais velho). Mas o protagonismo não recai nos filhos nem naqueles que os representam, mas no pai e em sua misericórdia.

A breve explicação da vida desenfreada do filho menor, a forma como ele cai em si e o resultado final da sua frívola fuga têm um término feliz. É surpreendente a atitude do pai no encontro com seu filho, descrita com intensidade nos verbos que desarmam os discursos do seu filho, indicando a tensão do coração misericordioso desse pai: “Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos”.

O erro que o conduziu à fuga rumo às miragens de uma falsa felicidade e de uma escravizante independência será transformado pelo pai em encontro de alegria inesperada e desmerecida. A última palavra dita por esse pai sobressai a todas as penúltimas ditas pelo filho, é o triunfo da misericórdia, da graça e da verdade.

Triste é a atitude do outro filho, cumpridor, sem escândalos, mas ressentido e vazio. Se ele não pecou como seu irmão, não foi por amor ao pai, mas por amor a si mesmo. Quando a fidelidade não produz felicidade, não se é fiel por amor, mas por interesse ou por medo. Ele havia permanecido com seu pai, mas sem ser filho, colocando um preço ao seu gesto. Pôde ter mais do que exigia sua mesquinha fidelidade, mas seus olhos lerdos e seu coração duro foram incapazes de ver e de se alegrar. “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu”, disse-lhe o pai. Tendo tudo, ele se queixava da falta de um cabrito.

Quem vive calculando, não consegue entender, nem sequer consegue ver o que lhe é oferecido gratuitamente, em uma quantidade e qualidade infinitamente maiores que sua atitude tacanha pode esperar.

A trama desta parábola é a trama da nossa possibilidade de ser perdoados. Como disse Péguy, Deus, com esta parábola, foi aonde nunca antes se havia atrevido, acompanhando-nos com esta palavra muito além do que nos acompanha com outras palavras também suas. O sacramento da Penitência, que recebemos especialmente nestes dias quaresmais, é o abraço desse Pai que, vendo-nos em todas as nossas distâncias, aproxima-se de nós, nos abraça, nos beija e nos convida à festa do seu perdão, com uma misericórdia sem fim.

sábado, 13 de março de 2010

Rezemos pela Igreja e pelo Papa...

Papa não decidiu reintegrar pastoralmente sacerdote pederasta em Munique

O vigário-geral da arquidiocese naquele então assume a responsabilidade
Por Gisèle Plantec e Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI não esteve envolvido na reintegração pastoral de um sacerdote pederasta na arquidiocese de Munique, no início da década de 80, quando era arcebispo dessa diocese, esclarece a Santa Sé.



Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgado na tarde desta sexta-feira, esclarece antecipações do jornal alemão Süddeutsche Zeitung “sobre um sacerdote da diocese de Essen, com precedentes de abuso sexual, transferido à diocese de Munique e, após um período de tratamento, integrado à atividade pastoral na época em que o arcebispo era Joseph Ratzinger”.



A nota vaticana faz referência a um comunicado emitido também hoje pela arquidiocese de Munique, que “explica os fatos, pelos quais assume responsabilidade total o vigário-geral da diocese nesse então, Gerhard Gruber”.



A arquidiocese de Munique explica que pode esclarecer os fatos, pois o vigário-geral, Peter Beer, criou um grupo de trabalho para revisar a maneira como foram enfrentadas, no passado, as acusações de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes.



Em particular, este grupo de trabalho constatou que o sacerdote em questão, de quem não se revela a identidade – fala-se dele com a inicial “H” –, por solicitação da diocese de Essen, foi acolhido, em janeiro de 1980, pela arquidiocese de Munique para ser submetido a uma terapia lá.



Segundo o dossiê, o grupo de trabalho da arquidiocese deduziu que o sacerdote deveria submeter-se a esta terapia provavelmente porque havia tido relações sexuais com jovens. Em 1980, continua explicando a arquidiocese no comunicado, decidiu-se permitir ao sacerdote que se hospedasse em uma casa paroquial durante o tratamento.



“Esta decisão foi tomada pelo arcebispo”, que então era o cardeal Ratzinger. Esta foi, no entanto, a primeira e última decisão que envolvia Ratzinger neste caso, pois, como continua esclarecendo a diocese, “apesar desta decisão, o então vigário-geral designou a H. a assistência pastoral de uma paróquia de Munique, sem nenhum limite”.



A decisão, portanto, não foi de Ratzinger, a quem o Papa João Paulo II nomeou, em 25 de novembro de 1981, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.



O sacerdote foi afastado do ministério depois, em 1985, quando a diocese teve conhecimento de denúncias de abuso sexual contra ele e ao constatar que havia sido incluído em uma investigação policial.



Em junho de 1986, foi condenado pelo Tribunal do Distrito de Ebersberg, por abuso sexual de menores, a 18 meses de privação de liberdade, em regime de liberdade condicional, e a uma multa de 4 mil marcos. O acusado também recebeu a ordem de submeter-se a terapia.



De novembro de 1986 a outubro de 1987, o sacerdote foi capelão em um asilo. Depois foi reintegrado em uma paróquia de Garching, por causa de dois elementos decisivos, segundo explica o comunicado arquidiocesano: a sentença relativamente leve do tribunal do distrito de Ebersberg e o parecer da psicóloga encarregada do seu tratamento.



Desde a sentença do tribunal, em 1986, as autoridades diocesanas não tiveram conhecimento de nenhum outro caso de abuso atribuído ao sacerdote.



Em 6 de maio de 2008, o sacerdote foi afastado das suas funções como administrador de uma paróquia em Garching e, desde outubro de 2008, foi integrado à Pastoral do Turismo. Foi-lhe imposta como condição que não tivesse nenhum contato com crianças, jovens ou coroinhas. Um informe legal preparado a pedido do novo arcebispo, Reinhard Marx, confirmou que o sacerdote não deveria ter sido reintegrado na paróquia.



Segundo explica em um comunicado o antigo vigário-geral, Gerhard Gruber: “A reintegração de H. foi um grave erro. Assumo toda a responsabilidade. Lamento profundamente que esta decisão tenha podido acarretar prejuízo aos jovens e peço perdão a todos os que sofreram algum dano”.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ecologia e clima

Bom dia a todos e todas. E o "dia" como vai? Talvez a pergunta seria: e a "temperatura" como vai? Cada dia o dia ta mais quente, fatigante, insuportável etc. As temperaturas estão assustando em todo o país. Os famosos raios UV estão chegando às alturas. Preocupante?! Outro dia refletia com algumas pessoas que, do jeito que vamos, teremos que colocar em nossas casas uma central de ar. Na europa as casas são equipadas com aquecedores para o inverno; e nós aqui mais dia menos dia iremos ter que colocar uma central para os dias de verão. Isso não falo exclusivamente, embora em especial, no Nordeste brasileiro, mas em todo o Brasil. Ressurge a pergunta: em que posso contribuir, para que isso não aumente cada vez mais? Ou melhor ainda, o que estou fazendo agora para ajudar o planeta? Os tsunames da vida não estão acontecendo mais somente na Ásia, mas já chegou perto de nós. Os terremotos igualmente. Pois bem, um copo descartável que apanho do chão, já é uma pequena contribuição para se evitar algo maior no futuro. Vamos tomar consciência e ajudar o nosso planeta terra.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Mais uma vez o problema da pedofilia...Rezemos pela Igreja

Santa Sé: não focalizar só na Igreja as acusações de abusos

Apoia a forma como a Igreja na Europa está enfrentando esta ampla questão
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 9 de março de 2010 (ZENIT.org).- Os abusos a menores por parte de responsáveis eclesiais são especialmente reprováveis, mas a questão é mais ampla e focalizar as acusações na Igreja falseia a perspectiva.
Esta foi a advertência do porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, SJ, em uma nota lida diante dos microfones da Rádio Vaticano, com relação ao debate sobre os abusos sexuais a menores de idade.
“Certamente, os erros cometidos nas instituições e por responsáveis eclesiais são particularmente reprováveis, dada a responsabilidade educativa e moral da Igreja”, indicou.
“Mas todas as pessoas objetivas e informadas sabem que a questão é muito mais ampla e concentrar as acusações somente na Igreja leva a falsear a perspectiva”, acrescentou.
O Pe. Lombardi ilustrou esta realidade com um exemplo dado recentemente pelas autoridades da Áustria.
Segundo estas, “em um mesmo período, os casos encontrados em instituições vinculadas à Igreja foram 17, enquanto se produziram outros 510 em outros ambientes”, explicou o porta-voz vaticano, acrescentando que “seria bom preocupar-se também com estes”.
A nota indica que, contra os abusos, a Igreja elabora as respostas apropriadas, que se inserem “em um contexto e em uma problemática mais ampla, que se refere à proteção – das crianças e jovens – dos abusos sexuais na sociedade”.
O Pe. Lombardi se referiu à iniciativa, promovida pelo Ministério da Família da Alemanha, de convocar uma mesa redonda das diversas realidades educativas e sociais para enfrentar a questão a partir de uma perspectiva complexa e adequada.
“A Igreja está naturalmente disposta a participar e comprometer-se – indicou. Provavelmente, sua dolorosa experiência pode ser uma contribuição útil também para os demais.”
“A chanceler, Sra. Merkel, reconheceu justamente a Igreja na Alemanha pelo seu compromisso sério e construtivo”, acrescentou.
O porta-voz vaticano também destacou que “a Igreja vive inserida na sociedade civil e nela assume sua responsabilidade, ainda que também tenha seu ordenamento específico diverso, o ‘canônico’”.
Federico Lombardi iniciou sua nota com uma referência aos abusos sexuais a menores cometidos em instituições gestionadas por entidades eclesiásticas e por pessoas com responsabilidade na Igreja, particularmente sacerdotes, na Irlanda.
E explicou que o Papa, após reunir-se com os mais altos representantes do episcopado e depois com todos os bispos ordinários da Irlanda, “prepara a publicação de uma carta sobre o tema para a Igreja na Irlanda”.
Logo depois, o sacerdote abordou o debate sobre abusos sexuais a menores que, nas últimas semanas, está envolvendo a Igreja na Alemanha, Áustria e Holanda.
Sobre estes casos, o porta-voz avaliou as atuações para enfrentar os abusos, levadas a cabo pelas principais instituições eclesiásticas envolvidas: as conferências episcopais da Alemanha, Áustria e Holanda e a província alemã dos jesuítas.
A Santa Sé considera que estas “decidiram manifestar-se sobre o problema de maneira oportuna e com decisão”.
“Demonstraram sua vontade de transparência – continua a nota; de certa forma, aceleraram o surgimento do problema convidando as vítimas a falarem, também quando se tratava de casos antigos.”
O Pe. Lombardi prosseguiu destacando que “agindo assim, enfrentaram os problemas ‘com o pé direito’, porque o ponto de partida correto é o reconhecimento do que ocorreu e a preocupação pelas vítimas e as consequências dos atos cometidos contra elas”.
“Além disso – acrescentou –, levaram em consideração as ‘Diretivas’ já existentes ou previram novas indicações operativas para levar a cabo também a estratégia de prevenção.”
Federico Lombardi afirmou que “não se pode negar a gravidade da aflição que a Igreja está atravessando”.
E concluiu destacando que “não se pode renunciar a fazer tudo o que for possível para obter finalmente também resultados positivos, de melhor proteção da infância e da juventude na Igreja e na sociedade, e de purificação da própria Igreja”.

terça-feira, 9 de março de 2010

Igreja e as mulheres...

Santa Sé reafirma seu compromisso a favor das mulheres

Intervenção do observador permanente na ONU
Por Roberta Sciamplicotti
NOVA YORK, segunda-feira, 8 de março de 2010 (ZENIT.org).- A melhoria da condição feminina e a luta pelo reconhecimento da dignidade e dos direitos das mulheres e meninas é uma prioridade da Santa Sé, recordou hoje Dom Celestino Migliore em Nova York.
O prelado, núncio apostólico e observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, interveio na 54ª sessão da Comissão sobre o Status das Mulheres, do Conselho Econômico e Social, por ocasião da discussão sobre o item 3, “Seguimento da 4ª Conferência Mundial sobre o tema ‘Mulher 2000: igualdade de gênero, desenvolvimento e paz para o século XXI’”.
Segundo o arcebispo, o debate sobre a questão do status feminino não é inteiramente positivo, pois recolhe algumas luzes, “mas também algumas sombras inquietantes”.
Os progressos alcançados no mundo dos últimos 15 anos incluem, entre outros fatores, “melhorias na instrução das meninas, promoção das mulheres como fundamentais para desarraigar a pobreza e promover o desenvolvimento, crescimento da participação na vida social, reformas políticas dirigidas a derrogar formas de discriminação contra as mulheres e leis específicas contra a violência doméstica”.
Em particular, sublinhou, manifestou-se em muitos lugares “o papel indispensável da sociedade civil em todos os seus componentes, sublinhando a dignidade das mulheres, seus direitos e suas responsabilidades”.
Apesar disso, “as mulheres continuam sofrendo em muitas partes do mundo”.
“Não podem ser ignorados, de fato, fenômenos arrepiantes, como o aborto de meninas, o infanticídio e o abandono, assim como as discriminações no âmbito da assistência sanitária e da alimentação”.
“A desnutrição afeta as meninas mais que os meninos, bloqueando seu crescimento físico e mental”, denunciou. Da mesma forma, as mulheres, dos 15 anos em diante, representam mais de 65% dos analfabetos do mundo.
Cerca de 75% das pessoas afetadas pelo HIV são meninas e jovens entre os 15 e os 24 anos, prosseguiu o prelado, recordando que, no tráfico internacional de seres humanos, 50% das vítimas são menores de idade e 70% são meninas e mulheres.
“Em todo o planeta, meninas e mulheres são vítimas de violência física, sexual e psicológica, incluindo o estupro como arma de guerra, sem contar a exploração econômica.”
As razões desta situação são numerosas, segundo explicou o representante vaticano, citando “dinâmicas sociais e culturais”, “atrasos e lentidões das políticas”.
“Faríamos bem observando também os princípios, prioridades e políticas de ação das organizações internacionais, especialmente nas motivações, valores, linhas-guia e metodologias que orientam a ação das Nações Unidas com relação às mulheres.”
Ainda que a consecução da igualdade entre homens e mulheres na instrução, no trabalho, na defesa geral e nos direitos sociais e políticos seja considerada “no contexto da igualdade de gênero”, “os fatos demonstram que a manipulação deste conceito está cada vez mais dirigida no âmbito ideológico e atrasa o verdadeiro desenvolvimento das mulheres”.
Junto a isso, constatou Dom Migliore, nos documentos oficiais recentes há interpretações do gênero que “dissolvem toda especificidade e complementaridade entre homens e mulheres”, teorias que “não mudarão a natureza das coisas, mas certamente já estão ofuscando e obstaculizando todo sério o oportuno progresso no reconhecimento da dignidade e dos direitos das mulheres”.
Quase todos os documentos de conferências internacionais ou comitês, além disso, sublinham o vínculo entre “a consecução dos direitos pessoais, sociais, econômicos e políticos e uma noção de saúde e de direitos reprodutivos violenta com relação aos concebidos e prejudicial para as necessidades integrais das mulheres e dos homens dentro da sociedade”.
Ao mesmo tempo, no entanto, “raramente se mencionam os direitos políticos, econômicos e sociais das mulheres como condição e compromisso ineludíveis”.
Este aspecto, sulinha o prelado, é “particularmente doloroso” considerando a difundida mortalidade materna nas regiões em que os sistemas de saúde são inadequados.
“Uma solução respeitosa da dignidade das mulheres não nos permite passar por cima do direito à maternidade, mas nos empenha em promovê-la, investindo nos sistemas de saúde locais e melhorando-os, proporcionando também serviços obstetrícios essenciais.”
Em 1995, recordou Dom Migliore, “a Plataforma para a Ação de Pequim proclamou os direitos humanos das mulheres como parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos universais. Isso é fundamental, não somente para compreender a dignidade inerente das mulheres e das meninas, mas também para fazer dela uma realidade concreta no mundo inteiro”.
Por isso, a Santa Sé reafirma seu compromisso pela melhoria da condição feminina.
“Seu convite às instituições católicas, por ocasião da Conferência de Pequim, a uma estratégia concertada e urgente dirigida a meninas e mulheres jovens, sobretudo as mais pobres, produziu ao longo dos anos muitos resultados significativos e permanece como um compromisso forte a realizar e promover esta tarefa no futuro.”

sábado, 6 de março de 2010

Preparem-se...

A todos e todas que acompanham esse blog, gostaria de dizer que meu livro está indo para impressão.  A data de lançamento ainda não foi marcada, mas deve ser nesses dias. Avisarei a todos. Prometi colocar aqui a capa, mas não sei ainda como fazer. Quando souber farei com prazer. Um abraço e bom fim de semana a todos.

Terceiro Domingo da Quaresma - meditação

Evangelho do domingo: a outra oportunidade

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 5 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 13, 1-9), 3º da Quaresma.

No Evangelho deste domingo, Jesus leva em consideração duas notícias da atualidade de então: um grupo de galileus, de alguma facção independentista, havia sido reprimido por Pilatos, para lição e castigo a todo aquele que ousasse atentar contra a ocupação romana. E em segundo lugar, a queda da torre de Siloé, cujo infortúnio causou a morte de 18 vítimas, que pereceram esmagadas.

Naquele então, como agora, houve muitas mortes, cujo desenlace nem sempre tem a ver com a vida que levavam normalmente. Jesus faz uma advertência: o verdadeiro risco de arruinar uma vida não está em um acidente infeliz ou em uma revolta repressiva, mas em não converter-se, isto é, em viver com o olhar e o coração distraídos, descentrados: “Se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.

Para Jesus, fazer o papel de agitador revolucionário não supõe um motivo de diferença exemplar com relação aos demais galileus. E assumir o papel pacífico de transeunte, como ocorreu com as vítimas da torre de Siloé, tampouco torna as pessoas boas por sua neutralidade pacifista. Uns morrem na briga, outros no acidente. Todos igualmente pecadores, diz Jesus. Ele não elogia o guerrilheiro manifesto nem o pacífico cidadão anônimo, mas exalta quem dirige seu coração e tudo o que cabe nele a Deus. O que realmente importa para Jesus não é o que se faz ou se deixa de fazer, mas em nome de quem e por qual motivo.

Jesus propõe uma parábola que enche de misericórdia seu convite à conversão. Diante da desproporção entre a vida a que somos chamados e a realidade nossa de cada dia, podemos ver-nos refletidos nessa história que Jesus conta da figueira que não dava o fruto esperado. É a imagem da nossa lerdeza e distância do desígnio de Deus. Mas também Jesus é imagem do vinhateiro bom, com cuja paciência chegará a salvar a vida da sua vinha.

Converter-se é aceitar esse cuidado, essa espera e essa atenção. Converter-se é deixar-se levar por Outro, falar em seu Nome, continuar sua Boa Notícia, dar a vida por, com e como Ele. A conversão não é tanto protagonizar nossos gestos salvadores, e sim permitir ser visto, permitir ser conduzido e assistir ao milagre de que, na convivência misericordiosa com Ele, nossa vinha perdida pode ser salva e dar o devido fruto.

Esta é a esperança que Cristo nos anuncia e que em sua Igreja nos reserva.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ciência e fé

Ciência e fé: diálogo necessário e possível

Seminário permanente na Universidade Pontifícia do México
CIDADE DO MÉXICO, terça-feira, 2 de março de 2010 (ZENIT.org).- A Universidad Pontificia de México realizou a primeira sessão do “Seminário permanente sobre o diálogo entre ciência e fé”, em coordenação com a Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla, a Anáhuac, a Iberoamericana, a Intercontinental, a Panamericana e o Colegio de Posgraduados de la Universidad de Chapingo.
O evento foi inaugurado no dia 20 de fevereiro por Dom Felipe Arizmendi Esquivel, presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral da Cultura no México, informa a Zenit José Felix García, da universidade pontifícia.
Com este seminário, as instituições participantes se unem a um movimento internacional que promove o diálogo entre a religião e a ciência e que já conta, por exemplo, nos Estados Unidos, com mais de 50 associações, e na Europa, com instituições universitárias como o Center for Theology and Natural Sciences de Berkely, além da European Society for the Study of Science and Theology e a Fundação Templeton.
“Favorecer o intercâmbio entre a perspectiva crente e científica é urgente e necessário, particularmente nesta era global, na qual o protagonismo da ciência e da tecnologia constitui o marco de referência que configura os valores da sociedade atual”, afirmou-se.
Dada a dispersão e a falta de inter-relação entre as diversas áreas do saber especializado, o seminário permanente tem como objetivo “oferecer uma plataforma institucional que possa favorecer o intercâmbio de recursos científicos, pedagógicos, humanos e de infraestrutura, a fim de promover e enriquecer a análise dos problemas sociais, a análise e discussão sobre os novos enfoques éticos e políticos suscitados pelas técnicas biomédicas, o diálogo entre os principais atores dos diversos setores da sociedade mexicana”.
O calendário programado para este ano inclui temas como: “Ciência e fé: um diálogo necessário e possível”; “Humanismo e transumanismo”; “Origem, estrutura e evolução do universo e sua relação com a física, a filosofia e a teologia”; “Relações ciência-fé: marcos históricos relevantes”.
Este seminário permanente está dirigido principalmente à comunidade universitária, docentes e estudantes das universidades participantes, mas em geral, a todos os profissionais dos diversos ramos do saber, aos membros das diferentes confissões religiosas e a todos os homens e mulheres interessados no progresso da cultura do diálogo.
Esta abertura indiferenciada se funda na convicção, segundo os organizadores, “de que o conhecimento não é resultado do trabalho de uma elite, mas o produto de um esforço colaborativo”.
Neste sentido, sublinham que “o conhecimento, genuinamente benéfico, progride somente dentro de uma comunidade científica. Dessa forma, a atitude crítica, própria da ciência, fica aberta à busca de uma verdade da qual é possível aproximar-se a partir de diversas perspectivas e na proximidade do encontro pessoal e amigável”.
Para mais informações: www.pontificia.edu.mx.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sacerdócio - Dom de Deus

Sacerdócio é um dom, não um direito

Mensagem do secretário da Congregação para o Clero aos sacerdotes
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 2 de março de 2010 (ZENIT.org).- O sacerdócio é um dom de Deus e, portanto, não pode ser exigido como um direito, esclarece o secretário da Congregação para o Clero.
No coração do Ano Sacerdotal, o arcebispo Mauro Piacenza enviou aos sacerdotes do mundo uma mensagem para refletir sobre a oração consagratória que o bispo pronunciou sobre eles um dia, durante a ordenação sacerdotal.
Guiado por esta oração, Dom Piacenza mostra como “o sacerdócio é essencialmente um dom” de Deus e, portanto, possui “uma dignidade que todos – fiéis, leigos e clero – devem reconhecer”.
“Trata-se de uma dignidade que não provém dos homens, mas que é puro dom da graça, ao qual a pessoa foi chamada e que ninguém pode exigir como um direito”, esclarece o prelado.
“A dignidade do presbiterado, doada pelo Pai todo-poderoso, deve aparecer na vida dos sacerdotes, em sua santidade, em sua humanidade disposta a acolher, em sua humildade e caridade pastoral, na luminosidade da fidelidade ao Evangelho e à doutrina da Igreja, na sobriedade e solenidade das celebrações dos mistérios divinos, no hábito eclesiástico.”
“Todo sacerdote deve recordar – a ele mesmo e ao mundo – que foi objeto de um dom sem merecê-lo e que não se pode merecer, que o converte em presença eficaz do Absoluto no mundo para a salvação dos homens.”
“O sacerdote, revestido do Espírito do Pai todo-poderoso, foi chamado a ‘guiar’, com o ensinamento e a celebração dos sacramentos e, sobretudo, com a própria vida, o caminho de santificação do povo que lhe foi confiado, com a certeza de que é este o único fim pelo qual o próprio presbiterado existe: o Paraíso.”

A mensagem de Dom Piacenza pode ser lida em http://www.annussacerdotalis.org/.

terça-feira, 2 de março de 2010

Muçulmanos e Cristãos - Declaração histórica

Declaração histórica católico-muçulmana contra justificação da violência

Emitida por representantes vaticanos e da voz acadêmica mais prestigiosa para o mundo sunita
Por Jesús Colina
CAIRO, segunda-feira, 1º de março de 2010 (ZENIT.org).- Representantes muçulmanos e católicos do mundo assinaram uma histórica declaração comum para rejeitar a manipulação da religião com o objetivo de justificar interesses políticos, a violência ou a discriminação.

O documento recolheu as conclusões da reunião anual realizada no Cairo, nos dias 23 e 24 de fevereiro, do Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo entre as Religiões Monoteístas e o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso da Santa Sé.

A declaração está assinada pelos presentes no encontro: o xeique Muhammad Abd al-Aziz Wasil, wakil (representante nos assuntos jurídicos) de Al-Azhar e presidente do Comitê para o Diálogo de Al-Azhar, assim como pelo cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho vaticano.

Al-Azhar, fundada em 975, é considerada a universidade mais antiga com funcionamento ininterrupto e é vista pela maioria dos muçulmanos sunitas como a escola mais prestigiosa.

O comitê, com a ajuda de documentos apresentados por Dom Bernard Munono Muyembe e pelo professor Abdallah Mabrouk al-Naggar, analisou o tema “O fenômeno da violência confessional: compreender o fenômeno e suas causas e propor soluções, fazendo referência particular ao papel das religiões neste sentido”.

No final do encontro, os participantes concordaram em oferecer estas recomendações: “prestar maior atenção ao fato de que a manipulação da religião com objetivos políticos ou de outro caráter pode ser fonte de violência; evitar a discriminação em virtude da identidade religiosa; abrir o coração ao perdão e à reconciliação recíprocos, condições necessárias para uma convivência pacífica e fecunda”.

Muçulmanos e católicos pediram “reconhecer as semelhanças e respeitar as diferenças como requisito de uma cultura de diálogo, baseada em valores comuns; afirmar que ambas as partes se comprometem novamente no reconhecimento e no respeito da dignidade de todo ser humano, sem distinção de pertença étnica ou religiosa; opor-se à discriminação religiosa em todos os campos (leis justas deveriam garantir uma igualdade fundamental); promover ideais de justiça, solidariedade e cooperação para garantir uma vida pacífica e próspera para todos”.

O encontro bilateral concluiu com o compromisso de “opor-se com determinação a qualquer ato que tenda a criar tensões, divisões e conflitos nas sociedades; promover uma cultura do respeito e do diálogo recíprocos através da educação na família, na escola, nas igrejas e nas mesquitas, difundindo um espírito de fraternidade entre todas as pessoas e a comunidade; opor-se aos ataques contra as religiões por parte dos meios de comunicação social, particularmente nos canais de satélite, levando em consideração o efeito perigoso que estas declarações podem ter na coesão social e na paz entre as comunidades religiosas”.

Por último, católicos e muçulmanos exigiram “assegurar que a pregação dos responsáveis religiosos, assim como o ensino escolar e os livros de texto não emitam declarações ou referências a eventos históricos que, direta ou indiretamente, possam suscitar uma atitude violenta entre seguidores das diferentes religiões”.

O comitê estabeleceu que sua próxima reunião será em Roma, no dias 23 e 24 de fevereiro de 2011.