quarta-feira, 31 de março de 2010

Recordando João Paulo II

João Paulo II: movido pelo amor, recorda Bento XVI
O Papa polonês que se converteu em companheiro de viagem para o homem de hoje
Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 29 de março de 2010 (ZENIT.org).- O que movia João Paulo II era o amor a Cristo, explicou Bento XVI na Missa presidida hoje por ocasião do 5º aniversário do seu falecimento.
Em um ambiente de grande recolhimento, na Basílica Vaticana, seu sucessor sintetizou a vida de Karol Wojtyla (1920-2005) como um caminho “de caridade, da capacidade de doar-se de forma generosa, sem reservas, sem medidas, sem cálculos”.
Roma reviveu a emoção do dia 2 de abril de 2005 – neste ano a data coincide com a Sexta-Feira Santa, motivo pelo qual a lembrança litúrgica foi antecipada –, quando a multidão acompanhou, sob a janela do Papa polonês, seu último alento.
Para esta ocasião, entre os purpurados que estavam ao redor do Altar da Confissão, encontrava-se seu fiel secretário durante 40 anos, o atual cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, assim como peregrinos dos 5 continentes, especialmente da Polônia, muitos dos quais fizeram fila durante o dia para visitar o túmulo nas grutas vaticanas.
Durante a homilia, em meio a um grande silêncio, o Papa explicou o segredo de João Paulo II: “O que o movia era o amor a Cristo, a quem havia consagrado sua vida, um amor sobreabundante e incondicional”.
“Foi precisamente porque se aproximou cada vez mais de Deus no amor que ele pôde tornar-se companheiro de viagem para o homem de hoje, derramando no mundo o perfume do Amor de Deus”, acrescentou.
Seu sucessor e íntimo colaborador recordou os últimos dias do seu sofrimento: “A progressiva fraqueza física, de fato, não corroeu jamais sua fé rochosa, sua luminosa esperança, sua fervente caridade”.
“Ele se deixou consumir por Cristo, pela Igreja, pelo mundo inteiro: seu sofrimento foi vivido até o final por amor e com amor”, sublinhou, acrescentando: “esse amor de Deus, que vence tudo”.
O Papa falou em italiano durante a homilia. O único momento em que utilizou a língua polonesa foi para assegurar aos seus compatriotas que “a vida e a obra de João Paulo II, grande polonês, pode ser um motivo de orgulho para vós”.
“Mas é preciso que recordeis que esta é também um grande convite a ser testemunhas fiéis da fé, da esperança e do amor, que ele nos ensinou ininterruptamente”, acrescentou na língua vernácula de Wojtyla.
Durante a oração dos fiéis, elevou-se em polonês esta súplica: “Pelo venerável Papa João Paulo II, que serviu a Igreja até o limite das suas forças, para que, do céu, interceda para infundir a esperança que se realiza plenamente participando da glória da ressurreição”.
Também se rezou em alemão por Bento XVI, “para que continue, seguindo os passos de Pedro, desempenhando o seu ministério com perseverante mansidão e firmeza, para confirmar os irmãos”.
Bento XVI aprovou, no dia 19 de dezembro de 2009, o decreto que reconhece as virtudes heroicas de Karol Wojtyla. O estudo do suposto milagre experimentado por uma religiosa francesa que padecia de Parkinson, atribuído à intercessão de João Paulo II, continua o processo estabelecido pela Congregação para as Causas dos Santos, segundo foi confirmado no mês passado.
Ainda que Bento XVI tenha permitido que não esperassem os 5 anos exigidos para começar a causa de beatificação de João Paulo II, o processo está sendo submetido a todas as exigências requeridas para qualquer outro caso, entre as quais se encontra o reconhecimento de uma cura inexplicável por parte de uma comissão médica, reconhecida depois como “milagre” por parte de uma comissão teológica, uma comissão de cardeais e bispos e do próprio Papa.

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