sábado, 13 de março de 2010

Rezemos pela Igreja e pelo Papa...

Papa não decidiu reintegrar pastoralmente sacerdote pederasta em Munique

O vigário-geral da arquidiocese naquele então assume a responsabilidade
Por Gisèle Plantec e Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI não esteve envolvido na reintegração pastoral de um sacerdote pederasta na arquidiocese de Munique, no início da década de 80, quando era arcebispo dessa diocese, esclarece a Santa Sé.



Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgado na tarde desta sexta-feira, esclarece antecipações do jornal alemão Süddeutsche Zeitung “sobre um sacerdote da diocese de Essen, com precedentes de abuso sexual, transferido à diocese de Munique e, após um período de tratamento, integrado à atividade pastoral na época em que o arcebispo era Joseph Ratzinger”.



A nota vaticana faz referência a um comunicado emitido também hoje pela arquidiocese de Munique, que “explica os fatos, pelos quais assume responsabilidade total o vigário-geral da diocese nesse então, Gerhard Gruber”.



A arquidiocese de Munique explica que pode esclarecer os fatos, pois o vigário-geral, Peter Beer, criou um grupo de trabalho para revisar a maneira como foram enfrentadas, no passado, as acusações de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes.



Em particular, este grupo de trabalho constatou que o sacerdote em questão, de quem não se revela a identidade – fala-se dele com a inicial “H” –, por solicitação da diocese de Essen, foi acolhido, em janeiro de 1980, pela arquidiocese de Munique para ser submetido a uma terapia lá.



Segundo o dossiê, o grupo de trabalho da arquidiocese deduziu que o sacerdote deveria submeter-se a esta terapia provavelmente porque havia tido relações sexuais com jovens. Em 1980, continua explicando a arquidiocese no comunicado, decidiu-se permitir ao sacerdote que se hospedasse em uma casa paroquial durante o tratamento.



“Esta decisão foi tomada pelo arcebispo”, que então era o cardeal Ratzinger. Esta foi, no entanto, a primeira e última decisão que envolvia Ratzinger neste caso, pois, como continua esclarecendo a diocese, “apesar desta decisão, o então vigário-geral designou a H. a assistência pastoral de uma paróquia de Munique, sem nenhum limite”.



A decisão, portanto, não foi de Ratzinger, a quem o Papa João Paulo II nomeou, em 25 de novembro de 1981, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.



O sacerdote foi afastado do ministério depois, em 1985, quando a diocese teve conhecimento de denúncias de abuso sexual contra ele e ao constatar que havia sido incluído em uma investigação policial.



Em junho de 1986, foi condenado pelo Tribunal do Distrito de Ebersberg, por abuso sexual de menores, a 18 meses de privação de liberdade, em regime de liberdade condicional, e a uma multa de 4 mil marcos. O acusado também recebeu a ordem de submeter-se a terapia.



De novembro de 1986 a outubro de 1987, o sacerdote foi capelão em um asilo. Depois foi reintegrado em uma paróquia de Garching, por causa de dois elementos decisivos, segundo explica o comunicado arquidiocesano: a sentença relativamente leve do tribunal do distrito de Ebersberg e o parecer da psicóloga encarregada do seu tratamento.



Desde a sentença do tribunal, em 1986, as autoridades diocesanas não tiveram conhecimento de nenhum outro caso de abuso atribuído ao sacerdote.



Em 6 de maio de 2008, o sacerdote foi afastado das suas funções como administrador de uma paróquia em Garching e, desde outubro de 2008, foi integrado à Pastoral do Turismo. Foi-lhe imposta como condição que não tivesse nenhum contato com crianças, jovens ou coroinhas. Um informe legal preparado a pedido do novo arcebispo, Reinhard Marx, confirmou que o sacerdote não deveria ter sido reintegrado na paróquia.



Segundo explica em um comunicado o antigo vigário-geral, Gerhard Gruber: “A reintegração de H. foi um grave erro. Assumo toda a responsabilidade. Lamento profundamente que esta decisão tenha podido acarretar prejuízo aos jovens e peço perdão a todos os que sofreram algum dano”.

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