quarta-feira, 30 de junho de 2010

A PEDRA SOBRE A PEDRA

28/06/2010
Em duas das minhas viagens pelo Espírito Santo, encantei-me com uma pequena pedra pousada em posição precária sobre uma enorme pedra, como se estivesse para cair a qualquer momento. Mas está lá, equilibrando-se há séculos. Até agora ninguém a derrubou. Um dia algum vândalo o fará! Infelizmente! Já sabemos que eles existem e adoram demolir, pichar e implodir. É sua marca registrada: passam destruindo e emporcalhando o que podem e como podem!



Mas, mesmo que seja derrubada, o mero fato de aquela pedra ter estado lá há tanto tempo, enfrentando a ação do vento e os tremores de terra, já terá sido uma catequese. Ruim será para o vândalo que a derrubar. Terá derrubado um monumento e não sei se haverá mérito ou justificativa para tamanho desequilíbrio.



A cúpula



Das mais de quinze vezes que passei por Roma, penso que pelo menos nove delas me levaram à basílica de São Pedro. Filmei, fotografei e meditei diante da colunata de Bernini e daquela cúpula. As colunas externas ao templo parecem dois braços abertos a acolher o povo católico e quem mais vier orar com o papa. Sobre elas repousam as imagens de inúmeros santos, como a dizer que eles nos abraçam e acolhem com a Igreja Católica.



Mas o que filmei e olhei diversas vezes foi a inscrição com letras de 1,80m que dão a volta na base da cúpula. Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam et dabo tibi claves regni caelorum. (cf Mt 16,18-19 ) Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus. Sendo católico é claro que acredito e dou valor ao significado daquela inscrição. Respeito quem discorda, assim como espero ser respeitado na minha visão de católico.



Que pedra, que nada!



Alguns questionam e outros aceitam que a basílica está construída sobre o túmulo de Pedro. Também há irmãos que questionam o papel do papa e da Igreja católica como pedras erguidas sobre a pedra fundamental que é Jesus. Mas para mim, que sou católico, esta é a leitura!



Simão filho de Jonas, Pedro, rocha, pedra, repousa equilibrando-se sobre a rocha forte que é Jesus. ( Mc 14,72) A base não é Pedro, nem é a Igreja, é Jesus:





E assim para vós, crentes, é preciosa, mas, para os rebeldes ela é a pedra que os edificadores reprovaram. Mas foi a pedra angular e pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra ( 1 Pd 2,7-8)



Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi escolhida como pedra fundamental; pelo Senhor foi feito isto, E é maravilhoso aos nossos olhos? (Mt 21, 42)



E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. (I Cor 10, 4)



Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; (Ef 2, 20)



Como católico leio e vejo que, na basílica de São Pedro, o importante não o possível túmulo debaixo dela, mas o sacrário no lugar central. É lá que os católicos se reúnem. Muitas vezes à frente da basílica. O centro não é o túmulo. É o altar!



Mas na basílica o simbolismo é claro: sobre Cristo ergueu-se a Igreja que nele se equilibra fragilmente, há séculos. Somos humanos e em todas as missas pedimos no Kyrie e no Cordeiro de Deus, a piedade do Senhor. Para nós, o homem chamado Simão e apelidado Pedro teve que fazer isso. Errou, mas achou sua força e seu equilíbrio em Cristo e por ele deu a vida; segundo reza a Tradição, morreu crucificado de cabeça para baixo, por entender que não mereceria morrer de cabeça erguida como seu Senhor!



É desse Jesus, pedra angular do Reino de Deus ( Ef 2,20; 1 Cor 3,12) rocha sólida e sobre o qual equilibram-se precariamente as comunidade de fé, que se ocupa a cristologia católica. Não é bom que balancemos ao saber do vento sobre o Cristo que nos sustenta, porque, como no caso da pedra sobre pedra, corremos o risco de rolar colina abaixo.



Outros conceitos



Outras igrejas têm suas interpretações. Não seriam outras igrejas se não as tivessem. Para elas, Pedro não é pedra e os católicos não se assentam sobre a pedra Jesus. Eles, sim! O discurso é de confronto! Para muitas, nós católicos já rolamos ladeira abaixo. Mal sabem elas que cada nova igreja nasce portadora desse frágil equilíbrio e que, se não sossegar o facho e não achar seu ponto de equilíbrio em Jesus, vai rolar mais depressa do que nós. A história do cristianismo é inconteste. Milhares de novas pedras não conseguiram ficar muito tempo sobre a rocha Cristo... Valeu mais o carisma e a palavra de algum ousado pregador do que Jesus, o fundamento!



A teologia da Pedra Viva e das pedras sobre a pedra viva passa pelo ecumenismo. Se não o fizer, acabará rolando para alguma fenda da História. A palavra é solidariedade, que vem de solidez: sólidos em grupos, solidários em Cristo!


http://www.padrezezinhoscj.com/

Jornada Mundial do Turismo 2010 - Mensagem da Igreja

Com o tema Turismo e biodiversidade, proposto pela competente Organização Mundial, o Dia Mundial do Turismo quer oferecer sua contribuição a este 2010, declarado pela Assembléia Geral das Nações Unidas "Ano Internacional da Diversidade Biológica".




Tal proclamação nasce da profunda preocupação "pelas repercussões sociais, econômicas, ambientais e culturais da perda da diversidade biológica, incluídas as conseqüências adversas que entranha para a consecução dos objetivos de desenvolvimento do Milênio, e destacando a necessidade de adotar medidas concretas para inverter esta perda".1



A biodiversidade, ou diversidade biológica, faz referência à grande riqueza de seres que vivem na Terra, assim como ao delicado equilíbrio de interdependência e interação que existe entre eles e com o meio físico que os acolhe e condiciona. Esta biodiversidade se traduz nos diferentes ecossistemas, dos quais são um bom exemplo os bosques, os pantanais, as savanas, as selvas, o deserto, os recifes de corais, as montanhas, os mares, ou as zonas polares.



Perante isto se pairam três grandes perigos, que requerem uma solução urgente: a mudança climática, a desertificação e a perda da biodiversidade. Esta última está se desenvolvendo nos últimos anos a um ritmo sem precedentes. Estudos recentes indicam que, a nível mundial, estão ameaçados ou em perigo de extinção 22% dos mamíferos, 31% dos anfíbios, 13.6% das aves e 27% dos recifes.2



Existem numerosos setores de atividade humana que contribuem grandemente a estas mudanças, e um deles é, sem dúvida alguma, o turismo, o qual se situa entre os que têm experimentado um maior e rápido crescimento. Ao respeito, podemos recordar as cifras que nos oferece a Organização Mundial do Turismo (OMT). Os turistas internacionais foram de 534 milhões em 1995, e 682 milhões em 2000 e as previsões que apareciam no informe Turism 2020 Vision são de 1006 milhões para o ano de 2010, e que chegariam a 1561 milhões em 2020, com um crescimento médio anual de 4.1%.3 E a estas cifras de turismo internacional teria que acrescentar as mais importantes do turismo interno. Tudo isto nos mostra o forte crescimento deste setor econômico, o que comporta alguns importantes efeitos na conservação e uso sustentável da biodiversidade, com o conseqüente perigo de que se transforme num sério impacto meio ambiental, especialmente pelo consumo desmedido de recursos limitados (como a água potável e o território) e pela grande geração de contaminação e resíduos, superando as quantidades que seriam assumíveis por uma determinada zona.



A situação se agrava pelo fato de que a procura turística se dirige cada vez mais aos destinos da natureza, atraída pelas suas inumeráveis belezas, o que supõe um impacto importante nas populações locais, na sua economia, no seu meio ambiente e em seu patrimônio cultural. Este fato pode ser um elemento prejudicial ou, ao contrário, contribuir significativamente e em modo positivo à conservação do patrimônio. O turismo vive assim um paradoxo. Se por um lado surge e cresce graças à atração de paisagens naturais e culturais, por outro lado estes podem chegar a ser deteriorados e inclusive destruídos pelo mesmo turismo, o que significa ser rejeitados como destinos e não gozar da atração que era na origem.



Por tudo isso, devemos afirmar que o turismo não pode eximir-se de sua responsabilidade na defesa da biodiversidade, pelo contrário, deve assumir um papel ativo na mesma. O desenvolvimento deste setor econômico deverá ser acompanhado inevitavelmente dos princípios de sustentabilidade e respeito à diversidade biológica.



De tudo isto se preocupou seriamente a comunidade internacional, e sobre o tema realizaram-se reiterados pronunciamentos.4 A Igreja quer juntar a sua voz, a partir do espaço que lhe é próprio, partindo da convicção que ela mesma "sente o seu peso de responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também na esfera pública. Ao fazê-lo, não tem apenas de defender a terra, a água e o ar, como dons da criação que pertencem a todos, mas deve sobretudo proteger o homem da destruição de si mesmo".5 Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas concretas, a Igreja, se preocupa de chamar a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação.6 O Magistério reitera insistentemente a responsabilidade do ser humano na preservação de um ambiente integro e sadio para todos, a partir do convencimento que "a tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo".7



Como foi indicado pelo Papa Bento XVI na sua encíclica Caritas in veritate, "o crente reconhece o resultado maravilhoso da intervenção criadora de Deus, de que o homem se pode responsavelmente servir para satisfazer as suas legítimas exigências — materiais e imateriais — no respeito dos equilíbrios intrínsecos da própria criação",8 e cujo uso representa para nós "uma responsabilidade que temos para com os pobres, as gerações futuras e a humanidade inteira".9 Por isso, o turismo deve respeitar o meio ambiente, procurando alcançar uma perfeita harmonia com a Criação, de modo que, garantindo a sustentabilidade dos recursos de que depende, não origine irreversíveis transformações ecológicas.



O contato com a natureza é importante e, portanto, o turismo deve esforçar-se para respeitar e valorizar a beleza da criação, a partir do convencimento de que "muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto direto com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós".10



Todavia há um elemento que torna ainda mais exigente este esforço, isto é, na sua busca de Deus, o ser humano descobre algumas vias para aproximar-se ao Mistério, que tem como ponto de partida a criação.11 A natureza e a diversidade biológica nos falam do Deus Criador, o Qual se faz presente na sua criação, "de fato, partindo da grandeza e beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, o seu Criador" (Sb 13,5), "pois foi o Principio e Autor da beleza quem as criou" (Sb 13, 3). É por isso que o mundo na sua diversidade, "oferece-se ao olhar do homem como rasto de Deus, lugar no qual se desvela a sua força criadora, providente e redentora".12 Por este motivo, o turismo, aproximando-se à criação em toda a sua variedade e riqueza, pode ser ocasião para promover ou acrescentar a experiência religiosa.



É urgente e necessário encontrar um equilíbrio entre o turismo e a biodiversidade biológica, em que ambos se apóiem mutuamente, de modo que desenvolvimento econômico e proteção do ambiente não apareçam como elementos opostos e incompatíveis, mas tenda a conciliar as exigências de ambos.13



Os esforços de proteger e promover a diversidade biológica na sua relação com o turismo passam, em primeiro lugar, por desenvolver estratégias participativas e partilhadas, nas quais se comprometem os diversos setores envolvidos. A maioria dos governos, instituições internacionais, associações profissionais do setor turístico e organizações não governamentais defendem, com uma visão a longo prazo, a necessidade de um turismo sustentável, como única forma possível para que o seu desenvolvimento seja ao tempo economicamente rentável, proteja os recursos naturais e culturais, e sirva de ajuda real na luta contra a pobreza.



As autoridades públicas devem oferecer uma legislação clara, que proteja e potencie a biodiversidade, reforçando os benefícios e reduzindo os custos do turismo, e também vigiar para o cumprimento das normas.14 Para que isto aconteça devem prever certamente uma importante inversão em planejamento e em educação. Os esforços governamentais deverão ser maiores nos lugares mais vulneráveis e onde a degradação tenha sido maior. Quiçá em alguns deles, o turismo deveria ser restrito ou, até mesmo evitado.



Pede-se ao setor empresarial do turismo de "planejar, desenvolver e conduzir seus empreendimentos minimizando impactos e contribuindo para a conservação de ecossistemas sensíveis, do meio ambiente em geral e levando benefícios às comunidades locais e indígenas.15 Por isso, seria conveniente realizar estudos prévios da sustentabilidade de cada produto turístico, evidenciando os aportes positivos reais com os riscos potenciais, a partir da convicção de que o setor não pode buscar o objetivo do máximo benefício a qualquer custo.16



Finalmente, os turistas devem ser conscientes de que a sua presença em alguns lugares nem sempre é positiva. Com este fim, devem ser informados sobre os benefícios reais que comporta a conservação da biodiversidade, e ser educados em modo compatível ao turismo sustentável. Assim mesmo deveriam reclamar às empresas turísticas propostas que contribuam realmente ao desenvolvimento do lugar. Em nenhum caso, nem o território nem o patrimônio histórico-cultural dos destinos devem sair prejudicados em favor do turista, adaptando-se aos seus gostos e desejos. Um esforço importante, que de modo especial deve realizar a pastoral do turismo, é a educação à contemplação, que facilite aos turistas descobrir os rastos de Deus na grande riqueza da biodiversidade.



Assim, graças a um turismo que se desenvolve em harmonia com a criação, facilitar-se-á no coração do turista o louvor do salmista: "ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso teu nome em toda a terra!" (Sal 8,2).



Cidade do Vaticano, 24 de junho de 2010



+ Antonio Maria Vegliò

Presidente



+ Agostino Marchetto

Arcebispo Secretário



[00965-06.01] [Texto original: Português]
[B0431-XX.01]

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cristãos redescobrem Roma como símbolo de comunhão

Porta-voz da Santa Sé na festa de São Pedro e São Paulo
ROMA, segunda-feira, 28 de junho de 2010 (ZENIT.org). - Como há dois mil anos, Roma volta a ser um símbolo de comunhão para católicos e cristãos de outras confissões, afirma o porta-voz vaticano.



O Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, comentou o significado da "mais romana de todas as festas" no editorial do último número do Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano.



"Efetivamente - disse o Pe. Lombardi -, Roma é o que é para a Igreja universal por ter sido o local do martírio e no qual se encontram os túmulos dos grandes apóstolos."



"Nesta festa vêm a Roma os nove arcebispos, nomeados durante o ano, para receber das mãos do Papa o ‘pálio' que usarão nas celebrações litúrgicas, como símbolo de sua união na condução de suas Igrejas."



"Os pálios são conservados no nicho mais próximo ao túmulo de Pedro, sob o altar central da Basílica, exatamente abaixo do vértice da cúpula, que indica o coração da comunhão da Igreja."



"Nesta festa - acrescentou -, comparece a Roma também uma delegação do Patriarca ecumênico de Constantinopla, para expressar a fraternidade entre as Igrejas Ortodoxa e Católica, na esperança de uma comunhão mais plena."



"A forte fé do Sucessor de Pedro e sua leitura dos eventos, guiada pelo Espírito, permanecem como a referência mais segura para quem deseja seguir Jesus Cristo, junto dos demais crentes", concluiu.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Criação de um novo Conselho Pontifício

Ortodoxos e católicos devem prosseguir diálogo sobre figura do Papa

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 28 de junho de 2010 (ZENIT.org) - O Papa Bento XVI insistiu hoje na importância do diálogo empreendido com os ortodoxos sobre o primado petrino, frente ao alcance da unidade entre os cristãos.



Assim manifestou à delegação enviada pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que se encontra em Roma para celebrar a solenidade de São Pedro e São Paulo, uma das festas mais antigas da cristandade, comum ao Oriente e ao Ocidente.



A delegação está encabeçada pelo metropolita de Sassima, Genadio (Limouris), que é também co-secretário da comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em seu conjunto.



Também participam nela o bispo de Arianzós, Bartolomeu (Ioannis Kessidis), e o diácono Theodoros Meimaris, da sede patriarcal do Fanar.



Dirigindo-se diretamente ao metropolita Genadio, o Papa afirmou que a comissão mista "se encontra em um ponto crucial, depois de ter começado a discutir, no último mês de outubro, em Paphos, sobre o papel do bispo de Roma na comunhão da Igreja no primeiro milênio".



O Papa desejou que os membros da comissão "continuem por este caminho durante a próxima reunião plenária que se realizará em Viena, e dediquem o tempo necessário para o estudo profundo deste assunto tão delicado e importante".



"Para mim, é um sinal alentador que o patriarca ecumênico Bartolomeu I e o Santo Sínodo de Constantinopla compartilhem nossa firme convicção da importância deste diálogo", afirmou o Papa.



Por outro lado, aludiu à próxima celebração do Sínodo Especial para o Oriente Médio, no qual "o tema da cooperação ecumênica entre os cristãos desta região voltará a receber grande atenção".



Este tema, explicou, "destaca-se no Instrumentum laboris, que entreguei aos bispos católicos do Oriente Médio durante minha recente visita a Chipre, onde fui recebido com grande cordialidade fraterna por Sua Beatitude Crisóstomo II, o arcebispo de Nova Justiniana e de todo Chipre".



Neste sentido, valorizou muito o fato de que haverá uma delegação fraterna enviada pelo patriarca ecumênico Bartolomeu I.



"As dificuldades que os cristãos do Oriente Médio estão experimentando são, em grande medida, comuns a todos: viver como uma minoria, e o desejo de uma autêntica liberdade religiosa e de paz."



"O diálogo é necessário com as comunidades islâmica e judaica", sublinhou Bento XVI.



O Papa concluiu reconhecendo que as relações entre ortodoxos e católicos "se caracterizam por sentimentos de confiança mútua, estima e fraternidade, como foi amplamente testemunhado nas numerosas reuniões que aconteceram ao longo deste ano".



"Tudo isso dá motivos para a esperança de que o diálogo católico-ortodoxo também continuará progredindo em bom ritmo", acrescentou.

domingo, 27 de junho de 2010

13 Domingo do Tempo Comum - meditação

Evangelho do domingo: o escândalo hipócrita

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 25 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lc 9, 51-62), 13º do Tempo Comum.


No Evangelho deste domingo, agrupam-se várias cenas de Jesus com seus discípulos, enquanto vão se dirigindo a Jerusalém – um caminho que conduzia a uma meta muito difícil, mas insuperável, porque era o final da vida humana do Senhor. Como refrão deste final de trajeto, aparece o que na verdade foi a constante de toda a existência do Senhor: ser anunciador e inaugurador do Reino de Deus.



A vida de todo discípulo de Jesus sempre será um caminho, um subir a Jerusalém, em cuja andança o determinante e decisivo será o seguimento de Alguém, a pertença a Ele, a adesão à sua Pessoa, a escuta da sua Palavra, a vivência da sua própria Vida. A vida cristã não é, portanto, uma organização, uma estratégia, uma programação moralista nem um marketing religioso. A vida cristã foi e é o pertencimento a Jesus Cristo, vivido como peregrinos e caminhantes, enquanto vamos subindo à Jerusalém eterna. Por esta razão, era improcedente por parte dos discípulos mandar ao fogo os que não acolheram Jesus, quando eles, por sua vez, também o rejeitavam, ao estar adiando seu seguimento quando os convidou a segui-lo.



Nós, discípulos, podemos cair igualmente em uma vivência cristã intolerante dos outros, quando tantas vezes temos pretextos diante da experiência de um seguimento de Jesus que se torne pertença real do nosso coração ao Seu. Tomara que não permaneçamos indiferentes diante de tantas rejeições do Senhor (as que lhe fazem ou as que lhe possam fazer os que Ele vinculou ao seu destino: pobres, marginalizados, doentes, idosos, qualquer pessoa nascida ou não-nascida); mas a melhor maneira de mostrar nossa dor por estas rejeições não é a vingança em qualquer uma das suas formas – como aconteceu com os que acompanhavam Jesus nesta passagem –, e sim nosso acolhimento cordial e grande do Senhor e daqueles que Ele ama. Seria hipócrita nos escandalizarmos e nos indignarmos por tantas desordens em nosso mundo, se, à nossa medida e em nossa proporção, isso também nos acontece.



A atitude justa de quem vê em outros a fuga e o desprezo pelo Senhor não é pedir fogo sobre eles, mas segui-lo aonde Ele for e disser “segue-me”, pertencer-lhe cada vez mais, do nosso lugar na Igreja e no mundo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Artigo interessante do Padre Zezinho...leiam

26/06/2010

A ERA DOS PSEUDO-ESPECIALISTAS


Deu a entender que era literato e citou algumas obras de autores russos, árabes e norte-americanos. Um especialista em literatura o rebateu; citara oito autores fora de contexto. Deu a entender que entendia de medicina, mas quando falou em cloridrato de ciclosforinamida e amido-estearato de sódio para tratamento de dores musculares, o professor de medicina quis saber onde ele estudara. Deu a entender que sabia filosofia e teologia, mas quando falou em espiritossantogênese e do capítulo 27 de Lucas, onde se lia que a “filha” do centurião romano estava enferma, não imaginava que entre aquelas pessoas simples havia uma senhora, de Bíblia em punho, que sabia achar todas as passagens; ela protestou. Nos três casos, alguém fingiu saber o que não sabia.



Admitir que sabemos alguma coisa faz sentido, mas agir como se soubéssemos o que não sabemos é coisa de impostor. Profeta que é profeta, prova sem alardear. A comunidade percebe por sua vida e pela constância e linearidade de seu comportamento e de suas palavras que ele tem algo a dizer. Assumir ares de pessoa culta porque lemos alguns livros, de médico porque lemos alguns artigos em revistas de consultório médico, de pregador com o dom de cura porque curamos doenças pouco conhecidas que por acaso lemos em algumas bulas, passar por filósofos e teólogos quando lemos alguns resumos é perigoso para quem nos ouve e para nós mesmos.



Uma coisa é citar alguns livros que realmente conhecemos e mostrar que o assunto nos interessa e outra é posar de doutores. Mas é o que tem acontecido na mídia, rádio e televisão. Há entrevistados e pregadores falando como se soubessem, como se fossem revelados e como se conhecessem do assunto. Melhor seria se admitissem que não conhecem e levassem quem conhece a falar.



Não faz muito tempo um entrevistado no rádio falava da África do Sul, país onde se realizaria a copa, como nação extremamente pobre, violenta e com guerrilha urbana, com 97% de negros e com cerca de 34 % da população com HIV. Alguém ao telefone interferiu, dizendo que morava lá e que os dados eram totalmente falsos. Corrigiu os dados e falou das cidades que caberiam em qualquer país europeu. Mostrou o lado moderno da África do Sul, que não perde para vastas regiões do Brasil. De repente o telefone silenciou...



Foi Jesus quem disse para tomarmos cuidado com os falsos profetas:Mt 7,15 e Mt 24,11. Falava dos pseudo-especialistas...Há muitos deles nos templos e na mídia. E pensar que bastaria se aterem ao que sabem!

Catequese do Papa Bento XVI - Quarta

Catequese do Papa: São Tomás, mestre de vida também agora

Intervenção na audiência geral de hoje
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 23 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.




Queridos irmãos e irmãs:



Hoje eu gostaria de completar, com uma terceira parte, minhas catequeses sobre São Tomás de Aquino. Apesar dos mais de 700 anos de distância da sua morte, podemos aprender muito dele; isso foi recordado também pelo meu predecessor, o Papa Paulo VI, quem, em um discurso pronunciado em Fossanova, no dia 14 de setembro de 1974, por ocasião do 7º centenário da morte de São Tomás, perguntava-se: "Mestre Tomás, o que você pode nos ensinar?". E respondia assim: "A confiança na verdade do pensamento religioso católico, como ele defendeu, expôs, abriu à capacidade cognoscitiva da mente humana" (Ensinamentos de Paulo VI, XII[1974], p. 833-834). E, no mesmo dia, em Aquino, referindo-se sempre a São Tomás, afirmava: "Todos nós, que somos filhos fiéis da Igreja, podemos e devemos, ao menos em alguma medida, ser seus discípulos" (ibid., p. 836).



Participemos, também nós, da escola da São Tomás e da sua obra prima, a Summa Theologiae. Esta ficou incompleta e, contudo, é uma obra monumental: contém 512 questões e 2669 artigos. Trata-se de um raciocínio compacto, no qual a aplicação da inteligência humana aos mistérios da fé procede com clareza e profundidade, concatenando perguntas e respostas, nas quais São Tomás aprofunda o ensinamento que vem da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, sobretudo de Santo Agostinho. Nesta reflexão, no encontro com verdadeiras perguntas da sua época, que frequentemente são perguntas nossas também, São Tomás, utilizando o método e o pensamento dos filósofos antigos, em particular Aristóteles, chega assim a formulações precisas, lúcidas e pertinentes das verdades de fé, nas quais a verdade é dom da fé, resplandece e se torna acessível a nós, à nossa reflexão. Este esforço, no entanto, da mente humana - recorda o Aquinate com sua própria vida - está sempre iluminado pela oração, pela luz que vem do alto. Só quem vive com Deus e com os mistérios pode também compreender o que dizem.



Na Summa de teologia, São Tomás parte do fato de que existem três formas diferentes do ser e da essência de Deus: Deus existe em si mesmo, é o princípio e fim de todas as coisas, razão pela qual as criaturas procedem e dependem d'Ele; depois, Deus está presente através da sua graça na vida e na atividade do cristão, dos santos; finalmente, Deus está presente de modo totalmente especial na pessoa de Cristo, unido aqui realmente com o homem Jesus e operante nos sacramentos, que brotam da sua obra redentora. Por isso, a estrutura dessa monumental obra (cf. Jean-Pierre Torrell, La "Summa" di San Tommaso, Milano 2003, p. 29-75), uma busca com "olhar teológico" da plenitude de Deus (cf. Summa Theologiae, Ia, q. 1, a. 7), está articulada em três partes e ilustrada pelo próprio Doctor Communis - São Tomás - com estas palavras: "O principal fim da sagrada doutrina é o de dar a conhecer Deus e não somente em si mesmo, mas também enquanto princípio e fim das coisas, especialmente da criatura racional. Na tentativa de expor esta doutrina, trataremos, em primeiro lugar, de Deus; em segundo lugar, do movimento da criatura até Deus; e em terceiro lugar, de Cristo, o qual, enquanto homem, é para nós caminho para ir a Deus" (ibid., I, q. 2). É um círculo: Deus em si mesmo, que sai de si mesmo e nos conduz pela mão, de modo que, com Cristo, voltamos a Deus, estamos unidos a Deus e Deus será tudo em todos.



A primeira parte da Summa Theologiae indaga, portanto, sobre Deus em si mesmo, sobre o mistério da Trindade e sobre a atividade criadora de Deus. Nesta parte, encontramos também uma profunda reflexão sobre a realidade autêntica do ser humano enquanto que saiu das mãos criadoras de Deus, fruto do seu amor. Por um lado, somos um ser criado, dependente, não procedemos de nós mesmos; por outro, temos uma verdadeira autonomia, de modo que somos não só algo aparente - como dizem alguns filósofos platônicos -, mas uma realidade querida por Deus como tal e com valor em si mesma.



Na segunda parte, São Tomás considera o homem, conduzido pela graça, em sua aspiração a conhecer e amar a Deus para ser feliz no tempo e na eternidade. Em primeiro lugar, o autor apresenta os princípios teológicos do agir moral, estudando como, na livre escolha do homem de realizar atos bons, integram-se a razão, a vontade e as paixões, às quais se une a força que a graça de Deus dá através das virtudes e dons do Espírito Santo, como também a ajuda que é oferecida pela lei moral. Portanto, o ser humano é um ser dinâmico que busca a si mesmo, tenta ser ele mesmo e procura, neste sentido, realizar atos que o constroem, o tornam verdadeiramente homem; e aqui entra a lei moral, entra a graça e a própria razão, a vontade e as paixões. Sobre este fundamento, São Tomás delineia a fisionomia do homem que vive segundo o Espírito e que se converte, assim, em um ícone de Deus. Aqui, o Aquinate se detém a estudar as três virtudes teologais - fé, esperança e caridade -, seguidas pelo agudo exame de mais de cinquenta virtudes morais, organizadas em torno das quatro virtudes cardeais - prudência, justiça, fortaleza e temperança. Termina depois com a reflexão sobre as diversas vocações na Igreja.



Na terceira parte da Summa, São Tomás estuda o mistério de Cristo - o caminho e a verdade - por meio do qual podemos voltar a unir-nos a Deus Pai. Nesta seção, escreve páginas até agora não superadas sobre o mistério da Encarnação e da Paixão de Jesus, acrescentando depois um amplo tratado sobre os sete sacramentos, porque neles o Verbo divino encarnado estende os benefícios da Encarnação para a nossa salvação, para o nosso caminho de fé rumo a Deus e à vida eterna, permanece materialmente quase presente com as realidades da criação, nos toca assim no mais íntimo.



Falando dos sacramentos, São Tomás se detém de modo particular no mistério da Eucaristia, pelo qual teve uma grandíssima devoção, até o ponto de que, segundo seus antigos biógrafos, costumava aproximar sua cabeça do tabernáculo, como para ouvir pulsar o Coração divino e humano de Jesus. Em uma obra sua de comentário à Escritura, São Tomás nos ajuda a entender a excelência do sacramento da Eucaristia, quando escreve: "Sendo a Eucaristia o sacramento da Paixão do nosso Senhor, contém em si Jesus Cristo que sofreu por nós. Portanto, tudo o que é efeito da Paixão do nosso Senhor, é também efeito deste sacramento, não sendo este outra coisa a não ser a aplicação em nós da Paixão do Senhor" (In Ioannem, c.6, lect. 6, n. 963). Compreendemos bem por que São Tomás e outros santos celebravam a Santa Missa derramando lágrimas de compaixão pelo Senhor, que se oferece em sacrifício por nós, lágrimas de alegria e gratidão.



Queridos irmãos e irmãs: na escola dos santos, enamoremo-nos deste sacramento! Participemos da Santa Missa com recolhimento, para obter seus frutos espirituais! Alimentemo-nos do Corpo e do Sangue do Senhor, para ser incessantemente alimentados pela graça divina! Entretenhamo-nos com prazer e com frequência, de igual para igual, em companhia do Santíssimo Sacramento!



O que São Tomás ilustrou com rigor científico em suas obras teológicas maiores, como na Summa Theologiae, também a Summa contra Gentiles, ele expôs também em sua pregação, dirigida aos estudantes e aos fiéis. Em 1273, um ano antes da sua morte, durante toda a Quaresma, pregou na igreja de São Domingos o Maior, em Nápoles. O conteúdo desses sermões foi recolhido e conservado: são os Opúsculos, nos quais explica o Símbolo dos Apóstolos, interpreta a oração do Pai Nosso, ilustra o Decálogo e comenta a Ave Maria. O conteúdo da pregação do Doctor Angelicus corresponde quase totalmente à estrutura do Catecismo da Igreja Católica. De fato, na catequese e na pregação, em uma época como a nossa, de renovado compromisso pela evangelização, não deveriam faltar nunca estes temas fundamentais: o que nós cremos, e aí etá o Símbolo da Fé; o que nós oramos, e aí está o Pai Nosso e a Ave Maria; o que nós vivemos como nos ensina a Revelação Bíblica, e aí está a lei do amor a Deus e ao próximo e os Dez Mandamentos, como explicação desse mandato do amor.



Eu gostaria de propor um exemplo do conteúdo, simples, essencial e convincente, do ensinamento de São Tomás. Em seu Opúsculo sobre o Símbolo dos Apóstolos, ele explica o valor da fé. Por meio dela, diz, a alma se une a Deus e se produz uma espécie de gérmen da vida eterna; a vida recebe uma orientação segura e nós superamos agilmente as tentações. A quem objeta que a fé é uma necedade, porque faz cair em algo que não cai sob a experiência dos sentidos, São Tomás oferece uma resposta muito articulada e recorda que esta é uma dúvida inconsistente, porque a inteligência humana é limitada e não pode conhecer tudo. Somente se pudéssemos conhecer perfeitamente todas as coisas visíveis e invisíveis, então seria uma autêntica necedade aceitar as verdades por pura fé. No demais, é impossível viver, observa São Tomás, sem confiar na experiência dos demais, lá onde não chega o conhecimento pessoal. É razoável, portanto, ter Deus que se revela e no testemunho dos Apóstolos: estes eram poucos, simples e pobres, aflitos por causa da crucifixão do seu Mestre; e, no entanto, muitas pessoas sábias, nobres e ricas se converteram à escuta da sua pregação. Trata-se, de fato, de um fenômeno historicamente prodigioso, ao qual dificilmente se pode dar outra resposta razoável, a não ser a do encontro dos Apóstolos com o Senhor ressuscitado.



Comentando o artigo do Símbolo sobre a encarnação do Verbo divino, São Tomás faz algumas considerações. Afirma que a fé cristã, considerando o mistério da Encarnação, chega a reforçar-se; a esperança se eleva mais confiada ao pensamento de que o Filho de Deus veio entre nós, como um de nós, para comunicar aos homens sua própria divindade; a caridade se reaviva, porque não existe sinal mais evidente do amor de Deus por nós que ver o Criador do universo tornar-se criatura, um de nós. Finalmente, considerando o mistério da Encarnação de Deus, sentimos inflamar-se nosso desejo de alcançar Cristo na glória. Dando um simples, mas eficaz exemplo, São Tomás observa: "Se o irmão de um rei estivesse longe, certamente ansiaria poder viver perto dele. Pois bem, Cristo é nosso irmão: devemos, portanto, desejar sua companhia, ser um só coração com Ele" (Opúsculos teológico-espirituais, Roma 1976, p. 64).



Apresentando a oração do Pai Nosso, São Tomás mostra que esta é em si perfeita, tendo as cinco características que uma oração bem feita deveria ter: abandono confiado e tranquilo; conveniência do seu conteúdo, porque - observa São Tomás - "é muito difícil saber exatamente o que é oportuno pedir ou não, desde o momento em que temos dificuldade frente à seleção dos desejos" (ibid., p. 120); e, depois, ordem apropriada das petições, fervor de caridade e sinceridade da humildade.



São Tomás foi, como todos os santos, um grande devoto de Nossa Senhora. Ele a definiu com um apelativo estupendo: Triclinium totius Trinitatis, triclínio, isto é, lugar onde a Trindade encontra seu repouso, porque, pela Encarnação, em nenhuma criatura, como n'Ela, as três divinas pessoas inabitam e encontram delícia e alegria em viver em sua alma cheia de graça. Por sua intercessão, podemos obter toda ajuda.



Com uma oração, que tradicionalmente se atribui a São Tomás e que, em todo caso, reflete os elementos da sua profunda devoção mariana, também nós dizemos: "Ó beatíssima e dulcíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, (...) confio ao vosso coração misericordioso toda a minha vida (...). Alcançai, dulcíssima Senhora minha, caridade verdadeira, com a que possa amar com todo o coração vosso santíssimo Filho e a vós, depois d'Ele, sobre todas as coisas, e ao próximo em Deus e por Deus".



[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]



Queridos irmãos e irmãs:



Esta é a terceira catequese que dedico a São Tomás de Aquino, de quem todos nós - como dizia o Papa Paulo VI - podemos e devemos ser discípulos. A obra-prima do Doutor Angélico é a Summa Theologiae, dividida em três partes: na primeira, trata de Deus; na segunda, ocupa-se do movimento da criatura para Deus; e na última, fala de Cristo, o qual, enquanto homem, é o caminho para chegarmos a Deus. Aquilo que São Tomás ilustrou, com rigor científico, nas suas obras teológicas maiores, anunciou-o pregando aos estudantes e aos fiéis. Explicava-lhes o Credo, ou seja, o que acreditamos; mas também o Pai-nosso e a Ave-Maria, isto é, o que rezamos; e ainda os Dez Mandamentos, a vida que a Revelação bíblica nos pede marcada pelo amor de Deus e do próximo.



Amados peregrinos língua portuguesa, que viestes junto do túmulo de São Pedro renovar a vossa profissão de fé eclesial, reconhecendo e adorando o Deus Uno e Trino, que vos escolheu para seu Povo Santo. Para todos vós, particularmente para o grupo brasileiro de Piracicaba, a minha saudação agradecida, com votos de abundantes dons de graça e paz divina, que imploro para vós e vossos queridos com a minha bênção apostólica.
[Tradução: Aline Banchieri
©Libreria Editrice Vaticana]

quinta-feira, 24 de junho de 2010

São João Batista, intercedei por nós!

Hoje é dia de São João Batista. Um grande santo para a Igreja e que se tornou popularíssimo nesse período entre nós. Festa que não será jamais esquecida e talvez retirada do calendário. Entre lendas e histórias sabemos da importância dessa grande personalidade que foi João, o Batista. Aquele que veio preparar os caminhos para a chegada do Senhor Jesus. Figura forte e destemida. Vamos nesse seu dia pedir que no céu interceda por todas as pessoas que nesses últimos dias estão sofrendo com o problema das chuvas em nosso país. Ontem foi o sul, hoje somos nós aqui no Nordeste. A fraternidade e a solidariedade, princípios terminantemente cristãos, sejam as palavras de ordem nesses dias e sempre. São João Batista, intercedei por nós que muito vos amamos e festejamos, agora e sempre! Trago essa belíssima arte de Raphael: A Virgem com o Menino Jesus e João Batista.

terça-feira, 22 de junho de 2010

A vocação vem de Deus

Bento XVI aos sacerdotes (V): vocação vem de Deus

Diálogo entre o Papa e os sacerdotes do mundo inteiro
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de junho de 2010 (ZENIT.org) - A falta de vocações hoje é um "problema doloroso" que aflige a Igreja, reconheceu o Papa Bento XVI, na última pergunta durante a vigília realizada em São Pedro no dia 10 de junho, durante o encerramento do Ano Sacerdotal.



A questão apresentada por Anthony Denton, da Austrália, em nome dos sacerdotes da Oceania, supõe "um problema grande e doloroso da nossa época", admitiu Bento XVI.



É "a falta de vocações, razão pela qual as igrejas locais estão em perigo de tornar-se áridas, porque falta a Palavra da vida, falta a presença do sacramento da Eucaristia e dos demais sacramentos".



No entanto, advertiu o Papa, diante desse problema existe uma "grande tentação", que consiste em "transformar o sacerdócio - o sacramento de Cristo, o ser escolhidos por Ele - em uma profissão normal, em um emprego que tem suas horas e que, no resto do tempo, a pessoa pertence somente a si mesma; e fazer isso como qualquer outra vocação: torná-lo acessível e fácil".



Mas - sublinhou - esta "é uma tentação, não resolve o problema".



A propósito disso, citou a história bíblica de Saul, que realiza um sacrifício no lugar do profeta Samuel porque este não se apresenta a tempo antes de uma batalha.



Este rei, explicou o Papa, "pensa em resolver assim o problema, que naturalmente não se resolve, porque tenta fazer o que não pode fazer sozinho; considera-se Deus ou quase Deus; e não se pode esperar que as coisas aconteçam do jeito que Deus quer".



"Assim também nós, se exercêssemos somente uma profissão como as demais, renunciando à sacralidade, à novidade, à diversidade do sacramento que só Deus dá, que pode vir somente da sua vocação e não do nosso fazer, não resolveríamos nada."



O único que é preciso fazer, insistiu, é "rezar com grande insistência, com grande determinação, com grande convicção também", clamar "ao coração de Deus, para que nos dê sacerdotes".



Três conselhos



O Papa indicou três "receitas" para promover as vocações. A primeira: cada sacerdote "deveria fazer o possível para viver seu próprio sacerdócio de tal maneira que este se tornasse convincente".



"Acho que nenhum de nós teria chegado a ser sacerdote se não tivesse conhecido sacerdotes convincentes, nos quais ardia o fogo do amor de Cristo", sublinhou.



A segunda: oração; e a terceira: "ter o valor de falar com os jovens sobre o possível chamado de Deus, porque com frequência uma palavra humana é necessária para abrir a escuta da vocação divina".



"O mundo de hoje é tal que quase parece excluído o amadurecimento de uma vocação sacerdotal; os jovens precisam de ambientes nos quais se viva a fé, nos quais apareça a beleza da fé, nos quais apareça que este é um modelo de vida."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pensamento de hoje

Agradecimento interesseiro.
"Quando você presenteia para obter favores está errando e duvidando de sua competência." (Maria H. Izzo)

Utilitarismo X Economia de mercado

Igreja condena a lógica utilitarista, não a economia de mercado

ROMA, sexta-feira, 18 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Visando a aprofundar o tema da Doutrina Social da Igreja Católica e suas implicações na economia, publicamos parte da conferência proferida pelo professor Giovanni Bazoli na ocasião da cerimônia de lançamento do livro "Chiesa e capitalismo" ("Igreja e capitalismo", Morcelliana 2010), realizada em 8 de junho no Centro Congressi Europa da Universidade Católica de Roma.

Em seus pronunciamentos, o Magistério da Igreja Católica tem sempre demonstrado grande atenção, e por vezes até mesmo preocupação, em assumir uma linha de continuidade, de não ruptura, entre os novos ensinamentos e os precedentes, isto é, a tradição. Isto pode ser compreendido pelo papel crucial desempenhado pela tradição no âmbito da história do catolicismo. Veja por exemplo a história e as reações referentes à publicação da encíclica Humanae Vitae.



Mesmo quando a leitura dos "sinais dos tempos" sugere à Igreja uma virada, esta é apresentada como uma "renovação" na continuidade. E a nova impostação é sempre suportada e acompanhada de uma referência aos ensinamentos precedentes. Este aspecto de continuidade está claramente presente na Caritas in Veritate.



Permitam-me sublinhar o grande significado que deve ser reconhecido nesta atenção especial por parte de Bento XVI ao magistério de Paulo VI, na medida em que evidencia uma aproximação do ensinamento de Bento XVI em relação ao pensamento do grande Papa da Bréscia.



Cumpre-me ressaltar a ligação - que não é explicitada na Caritas in Veritate, mas que, como demonstrarei, não é menos essencial - com a Centesimus Annus. O fato é que a Populorum Progressio, ainda que antecedendo à Caritas in Veritate em quarenta anos, inspirou-a em vários aspectos (na antecipação de uma visão global do desenvolvimento econômico, bem como na abordagem histórico-humanística do ensinamento social), mas a Centesimus Annus representa o pressuposto sem o qual a Caritas in Veritate não poderia ter sido elaborada: uma passagem crucial na evolução da Doutrina Social da Igreja. A Centesimus Annus constituiu o marco de uma virada: uma daquelas viradas que mencionei no início, que são apresentadas pelo Magistério como renovações na continuidade. Até então, de fato - ou talvez até o colapso do império soviético - a linha da Doutrina social tinha seu fio argumentativo baseado num método predominantemente dedutivo, que obrigava a remontar aos princípios originários de cada sistema, assumindo, ao longo do século XX, um olhar crítico distanciado, tanto do sistema capitalista quanto do coletivista.



Com a Centesimus Annus, ao contrário, passa a ser plenamente reconhecida a capacidade, historicamente demonstrada pela economia de mercado, de obter melhores resultados no que se refere à eficiência e à elevação das condições de vida dos povos. A livre iniciativa econômica privada e o papel do mercado e da livre concorrência recebiam, com o documento de João Paulo II, plena legitimação.



Foram muitos, então, os que saudaram tal virada, convencidos de que desta forma abria-se à Igreja uma porta à estrada fecunda de uma reflexão crítica sobre o sistema de mercado, conduzida, por assim dizer, do seu interior: isto é, dirigida não mais ao questionamento dos princípios teóricos dos quais o sistema é derivado, mas a uma denúncia construtiva, destinada a corrigir algumas de suas disfunções.



É precisamente isto o que se verifica agora com a nova Encíclica de Bento XVI. É exatamente o que esperávamos: que a Igreja evidenciasse as deficiências do modelo de desenvolvimento econômico adotado ao longo das últimas décadas, que algumas vozes dissonantes já denunciavam há tempos. Isto demonstra, como sustentei no início, a estreita ligação entre a Caritas in Veritate e a Centesimus Annus. Gostaria de afirmar, de maneira irresoluta, que isto serve também para fazer justiça a algumas interpretações distorcidas do texto, segundo as quais as instabilidades recentemente demonstradas pelo sistema atual e as questões por ele impostas colocariam em cheque a economia de mercado, ao invés de propor sua revisão ou correção.



Ao contrário, o que se pede é que se saiba "distinguir com clareza e objetividade os aspectos positivos das implicações negativas do capitalismo experimentado ao longo dos últimos anos".



De fato, é indiscutível que o vertiginoso desenvolvimento econômico recentemente registrado em algumas regiões, com a abertura internacional dos mercados, produziu resultados importantes e positivos - não apenas para "os mais ricos" -, mas se mostrou igualmente incapaz de realizar o objetivo de uma distribuição mais equitativa da riqueza. As desigualdades econômicas, não apenas entre países, mas também internas, não foram atenuadas.



Estudos recentes mostram que, mesmo nos EUA, às vésperas da crise, verificava-se uma enorme disparidade na distribuição de renda - exatamente como nos momentos que antecederam a crise de 1929. Na China, ao poder econômico e bem-estar de uma minoria se contrapõe à condição de pobreza na qual vive um bilhão de seus habitantes.



As palavras da Caritas in Veritate denunciam os limites de uma economia global totalmente subordinada a uma lógica utilitarista, que legitima e favorece a priorização dos interesses individuais em detrimento do bem comum, que concentra seus objetivos todos no presente e no imediato, comprometendo a exigência de se planejar um desenvolvimento sustentável.



Por estes motivos, o Pontífice manifestou a expectativa de uma "nova e aprofundada reflexão sobre o significado da economia e de seus fins, bem como uma revisão profunda do modelo de desenvolvimento, para que sejam corrigidas as deficiências e distorções".

domingo, 20 de junho de 2010

PALAVRAS DO PAPA - Oração do Angelus

No final da Missa celebrada na Basílica de São Pedro para a ordenação sacerdotal de 14 diáconos da Diocese de Roma, o Papa Bento XVI olha pela janela do seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos Praça de São Pedro.


Estas palavras do Papa introduzir a oração mariana:


Queridos irmãos e irmãs!

Esta manhã, na Basílica de São Pedro conferi a ordenação sacerdotal a quatorze diáconos da Diocese de Roma. O sacramento da Ordem manifesta por Deus, seu carinho e proximidade para a humanidade, pelo beneficiário, a disponibilidade para se tornar um instrumento do bairro, com um amor radical a Cristo e à Igreja. No Evangelho deste domingo, o Senhor pede a seus discípulos: "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" (Lc 9.20). Para esta questão, o apóstolo Pedro responde prontamente: "Tu és o Cristo de Deus, o Messias de Deus" (Ibid.), Acima, portanto todas as opiniões terrena Jesus acreditava que um dos profetas. De acordo com Ambrósio, com essa profissão de fé, Peter "adotou todas as coisas, porque ele expressa a natureza e" nome do Messias (Exp em Lucam VI, 93, CCL 14, 207). E Jesus, quando confrontado com esta profissão de fé renovada a Pedro e outros discípulos a seguir a chamada em rua movimentada da Cruz. Mesmo nós, podemos conhecer a Deus através da fé em sua Palavra e dos Sacramentos, Jesus se dirige a proposta de acompanhar todos os dias e também nos lembra que, para ser seus discípulos é necessário para se apropriar do poder da sua cruz, no topo de nossos ativos ea coroa da nossa esperança.



São Máximo o Confessor, observa que "a marca do poder de nosso Senhor Jesus Cristo é a cruz que ele carregava em seus ombros" (Ambiguum 32, PG 91, 1284 C). Na verdade, "todo mundo disse:" Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me "(Lc 9:23). Tomar a cruz significa que se esforça para vencer o pecado que impede o caminho para Deus, o Senhor vai acolher uma base diária, o aumento da fé, especialmente antes dos problemas, dificuldades e sofrimento. O santo carmelita Edith Stein tem testemunhado em um tempo de perseguição. Ele escreveu que, no Carmelo de Colônia, em 1938: "... Hoje eu entendo o que significa ser casada com o Senhor no sinal da cruz, apesar de não entender completamente desde então é um mistério ... Quanto mais se escurece em torno de nós e precisamos de mais abrir os nossos corações com a luz vinda de cima. " (A escolha de Deus Cartas (1917-1942), Roma 1973, 132-133). Mesmo neste momento há muitos cristãos no mundo, inspirado pelo amor de Deus, tomar a cruz a cada dia, e que dos ensaios diários, que é obtido a partir de barbárie humana, que às vezes exige a coragem do sacrifício extremo. O Senhor concede a cada um de nós para sempre colocar a nossa esperança nele forte, confiante de que, após a realização a nossa cruz, que vêm com ele, à luz da Ressurreição.



Confiamos à materna proteção da Virgem Maria, os novos sacerdotes ordenados hoje, para além das fileiras daqueles a quem o Senhor chamou pelo nome sempre vai ser discípulos fiéis, corajosos anunciadores da Palavra de Deus e mordomos dos seus dons da salvação.
[00917-01.01] [Texto original: Italiano]

Ficha limpa - vitória do povo!!!

Brasil: aplicação da Ficha Limpa é vitória da democracia

Secretário da CNBB comemora decisão do Tribunal Superior Eleitoral
BRASÍLIA, sexta-feira, 18 de junho de 2010 (ZENIT.org) – A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que as regras da lei da Ficha Limpa deverão ser aplicadas nas Eleições 2010 no Brasil, inclusive para os casos de condenação anteriores à vigência da lei, “foi mais uma vitória da democracia”, afirmou o secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).



Dom Dimas Lara Barbosa considera que, além de uma vitória da democracia, foi ainda uma vitória “do povo brasileiro, que se mobilizou para manifestar sua vontade”, tendo em vista que a Ficha Limpa é fruto de um projeto de lei de iniciativa popular.



O secretário geral da CNBB se manifestou sobre a aplicabilidade da nova lei nessa quinta-feira, após o TSE dar sua resposta a uma Consulta formulada pelo deputado federal Ilderlei Cordeiro.



A polêmica em torno da aplicabilidade e abrangência da lei surgiu após o Senado, por meio de uma emenda do senador Francisco Dornelles, mudar o texto da lei aprovado pela Câmara dos Deputados.



Com a alteração no projeto, o texto passou a dizer que aqueles "que forem" condenados estariam inelegíveis. O texto original dizia: os que "tenham sido" condenados. Assim, passou-se a entender que apenas políticos condenados após a sanção e publicação da lei estariam inelegíveis.



Mas, segundo explica o site do TSE, a tese vencedora na Consulta foi a do relator ministro Arnaldo Versiani, para quem não se trata de retroatividade e sim de aplicação da lei conforme aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República.



A lei da Ficha Limpa estabelece que candidatos que tiverem condenação criminal por órgão colegiado, ainda que caiba recurso, ficarão impedidos de obter o registro de candidatura, pois serão considerados inelegíveis.

12 Domingo Comum - meditação

Evangelho do domingo: junho, época de provas

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 18 de junho de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo (Espanha), administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 9,18-24), 12º do Tempo Comum.


Estamos quase terminando junho, mês de provas em muitos centros escolares. O Evangelho deste domingo é precisamente um grande exame, no qual Jesus põe seus discípulos à prova. O Senhor, após as últimas correrias apostólicas com os seus, retira-se, como tantas outras vezes, a um lugar afastado para orar com eles. Verdadeiro exemplo para todo discípulo, seja qual for nossa vocação cristã: ação e contemplação, falar aos homens sobre Deus e a Deus sobre os homens. Jesus se encontra com seus amigos e então lhes faz uma espécie de pesquisa de mercado: “Quem diz o povo que eu sou?”.



Podemos imaginar o assombro ou talvez a paixão em responder entre aqueles homens que conviviam com o Mestre. Então apareceu o leque acostumado: um profeta, um personagem estranho, uma espécie de OVNI religioso, João Batista, Elias... Sei, sei... “E vós, quem dizeis que eu sou?”



Esta é a grande pergunta à qual, em algum momento da vida, um verdadeiro cristão deve saber responder ou deve começar a saber responder. Porque o risco consiste em ter ideias sobre Cristo, em conhecer d’Ele o que dizem os manuais de história das religiões, o que dizem as pesquisas, a mídia ou qualquer poder dominante. E então, nós nos tornamos repetidores de uma ideia sobre Jesus completamente de fora, totalmente alheia a esses centros da nossa vida: o amor amável, a dor inesperada, a lembrança imensa, o caminho cotidiano, a morte irmã, a espera certa. Porque dizer com a minha vida e a partir da minha vida quem é Jesus para mim supõe dizê-lo a partir de todas essas realidades, com todas essas situações que são as que constroem a minha existência.



A melhor resposta à pergunta de Jesus é a que se diz e se narra seguindo-O cada dia, perdendo a vida por Ele e pelos irmãos, que é a melhor maneira de ganhar a vida... Mais ainda: é a única maneira: quem quiser ganhar sua própria vida (isto é, quem se apropriar das suas poucas coisas e dos seus poucos dias) a perderá, enquanto quem perder sua vida por Ele (isto é, quem se entregar a Jesus com todo o coração e com todas as forças) a salvará. Quem sabe disso é quem alguma vez já o fez, acreditando totalmente na Palavra do Senhor.

sábado, 19 de junho de 2010

Para pensar!

Tudo lhe parece chato?

"O segredo mágico da infância é permanecer aberto para todas as coisas da vida e ter o poder criativo e imaginário de torná-las interessantes e divertidas. Quem colocou um breque nesta brincadeira?" (Maria Helena Brito Izzo)

Visita dos Bispos do Brasil - zelo atencioso com a Eucaristia

VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM" DEGLI ECC.MI PRESULI DELLA CONFERENZA EPISCOPALE DEL BRASILE (REGIONE LESTE II)




Às 12h desta manhã, na Sala del Concistoro del Palazzo Apostolico Vaticano, o Santo Padre Benedetto XVI encontra os Bispos da Conferência Episcopal do Brasil (Regional LESTE II), recebidos nesse dia, em audiências separadas, em ocasião da Visita "ad Limina Apostolorum".

DISCURSO DO SANTO PADRE



Queridos Irmãos no Episcopado,

«chamados a ser santos, junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (1 Cor 1, 2-3). Com estas palavras, acolho a todos vós, amados Pastores do Regional Leste 2 em Visita ad Limina, e vos saúdo com grande afeto na consciência do laço colegial que une o Papa com os Bispos no vínculo da unidade, da caridade e da paz. Agradeço a Dom Walmor as amáveis palavras com que interpretou os vossos sentimentos de homenagem à Sé de Pedro e ilustrou os desafios e problemas que são objeto do vosso empenho a bem da grei que Deus vos confiou nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais.



Vejo que amais profundamente as vossas dioceses e também eu participo intimamente deste vosso amor, acompanhando-vos com a oração e a solicitude apostólica. A nossa é uma bela história com início palpável nas Bulas expedidas pelo Sucessor de Pedro para a ordenação episcopal e naquele «Eis-me aqui» proferido por cada um no início da cerimônia da sua sagração e conseqüente ingresso no Colégio dos Bispos. Dele começastes a fazer parte «em virtude da sagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a Cabeça e com os membros» (Nota Explicativa Prévia, anexa à Const. dogm. Lumen gentium), tornando-vos sucessores dos Apóstolos com a tríplice função de ensinar, santificar e governar o povo de Deus.



Enquanto mestres e doutores da fé, tendes a missão de ensinar com audácia a verdade que se deve crer e viver, apresentando-a de forma autêntica. Como vos disse em Aparecida, «a Igreja tem a grande tarefa de conservar e alimentar a fé do povo de Deus, e recordar também aos fiéis (…) que, em virtude do seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 13/V/2007, 3). Ajudai, pois, os fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais a descobrirem a alegria da fé, a alegria de serem pessoalmente amados por Deus, que entregou o seu Filho para nossa salvação. Como bem sabeis, crer consiste sobretudo em abandonar-se a este Deus que nos conhece e ama pessoalmente, aceitando a Verdade que Ele revelou em Jesus Cristo com a atitude que nos leva a ter confiança nele como revelador do Pai. Queridos irmãos, tende grande confiança na graça e sabei infundir esta confiança no vosso povo, para que a fé sempre seja guardada, defendida e transmitida na sua pureza e integridade.



Como administradores do supremo sacerdócio, haveis de procurar que a liturgia seja verdadeiramente uma epifania do mistério, isto é, expressão da natureza genuína da Igreja, que ativamente presta culto a Deus por Cristo no Espírito Santo. De todos os deveres do vosso ministério, «o mais imperioso e importante é a responsabilidade pela celebração da Eucaristia», competindo-vos «providenciar para que os fiéis tenham a possibilidade de aceder à mesa do Senhor, sobretudo ao domingo que é o dia em que a Igreja – comunidade e família dos filhos de Deus – descobre a sua peculiar identidade cristã ao redor dos presbíteros» (João Paulo II, Exort. ap. Pastores gregis, 39). O múnus de santificar que recebestes impõe-vos ainda ser promotores e animadores da oração na cidade humana, freqüentemente agitada, rumorosa e esquecida de Deus: deveis criar lugares e ocasiões de oração, onde no silêncio, na escuta de Deus, na oração pessoal e comunitária, o homem possa encontrar e fazer a experiência viva de Jesus Cristo que revela o rosto autêntico do Pai. É preciso que as paróquias e os santuários, os ambientes de educação e sofrimento, as famílias se tornem lugares de comunhão com o Senhor.



Enfim, como guias do povo cristão, deveis promover a participação de todos os fiéis na edificação da Igreja, governando com coração de servo humilde e pastor afetuoso tendo em vista a glória de Deus e a salvação das almas. Em virtude do múnus de governar, o Bispo está chamado também a julgar e disciplinar a vida do povo de Deus confiado aos seus cuidados pastorais, através de leis, diretrizes e sugestões, como previsto na disciplina universal da Igreja. Este direito e dever é muito importante para que a comunidade diocesana permaneça unida no seu interior e caminhe em sincera comunhão de fé, de amor e de disciplina com o Bispo de Roma e com toda a Igreja. Para isso, não vos canseis de alimentar nos fiéis o sentido de pertença à Igreja e a alegria da comunhão fraterna.



Entretanto o governo do Bispo só será pastoralmente proveitoso «se gozar do apoio duma boa credibilidade moral, que deriva da sua santidade de vida. Tal credibilidade predisporá as mentes para acolherem o Evangelho anunciado por ele na sua Igreja e também as normas que ele estabelecer para o bem do povo de Deus» (Ibid., 43). Por isso, plasmado interiormente pelo Espírito Santo, cada um de vós faça-se «tudo para todos» (cf. 1 Cor 9, 22), propondo a verdade da fé, celebrando os sacramentos da nossa santificação e testemunhando a caridade do Senhor. Acolhei de coração aberto quantos batem à vossa porta: aconselhai-os, confortai-os e apoiai-os no caminho de Deus, procurando guiar a todos para aquela unidade na fé e no amor da qual, por vontade do Senhor, deveis ser princípio e fundamento visível nas vossas dioceses (cf. Const. dogm. Lumen gentium, 23).



Queridos Irmãos no Episcopado! Ao concluir este nosso encontro, desejo renovar a cada um de vós os meus sentimentos de gratidão pelo serviço que prestais à Igreja com viva dedicação e amor. Por intercessão da Virgem Maria, «exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens» (Ibid., 65), invoco de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, sobre o vosso ministério a abundância dos dons e consolações celestes e concedo-vos, extensiva aos sacerdotes e diáconos, aos consagrados e consagradas, aos seminaristas e aos fiéis leigos das vossas comunidades diocesanas, uma particular Bênção Apostólica.
[00913-06.01] [Texto original: Português]
[B0403-XX.01]

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Razão humana: antídoto contra relativismo e totalitarismo

Catequese sobre São Tomás de Aquino
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 16 de junho de 2010 (ZENIT.org).- A razão humana "é capaz de discernir a lei moral natural". No entanto, quando se nega esta possibilidade, abra-se a porta ao relativismo e ao totalitarismo.



O Papa Bento XVI quis dedicar sua segunda catequese sobre São Tomás de Aquino - após o parêntese da viagem apostólica a Chipre - a aprofundar em uma das maiores contribuições do santo à teologia e à cultura ocidentais, que é, segundo explicou, o ter separado a filosofia e a teologia, sem que uma negue a outra.



Com sua incorporação do pensamento de Aristóteles, frente ao sistema precedente baseado em Platão, São Tomás introduziu uma autonomia na razão, afirmando que, por si mesma, poderia chegar à existência de Deus - ainda que, sem a Revelação, este conhecimento seria insuficiente para chegar a Ele.



São Tomás, explicou o Papa, "estava firmemente convencido da compatibilidade" entre a filosofia de Aristóteles e a teologia. "Mais ainda, estava convencido de que a filosofia elaborada sem conhecimento de Cristo quase esperava a luz de Jesus para ser completa".



"Esta foi a grande ‘surpresa' de São Tomás, que determinou seu caminho de pensador. Mostrar essa independência entre filosofia e teologia e, ao mesmo tempo, sua recíproca racionalidade, foi a missão histórica do grande mestre."



A diferença entre ambas é que "a razão acolhe uma verdade em virtude da sua evidência intrínseca, mediata ou imediata; a fé, no entanto, aceita uma verdade com base na autoridade da Palavra de Deus que se revela".



Mas esta autonomia "não equivale à separação, e sim implica em uma colaboração recíproca e vantajosa".



"Toda a história da teologia é, no fundo, o exercício deste empenho da inteligência, que mostra a inteligibilidade da fé, sua articulação e harmonia internas, sua racionabilidade e sua capacidade de promover o bem do homem."



Lei natural



Uma das principais consequências desta relação entre a natureza e a graça, explicou o Papa, é precisamente que a razão "é capaz de discernir a lei moral natural".



"A razão pode reconhecê-la considerando o que é bom fazer e o que é bom evitar para alcançar essa felicidade que está no coração de cada um e que implica também em uma responsabilidade com relação aos demais e, por conseguinte, à busca do bem comum."



Neste sentido, afirmou, a graça divina "acompanha, sustenta e conduz o compromisso ético, mas, em si mesmos, segundo São Tomás, todos os homens, crentes ou não, estão chamados a reconhecer as exigências da natureza humana expressas na lei natural e a inspirar-se nela na formulação de leis positivas, isto é, as formuladas pelas autoridades civis e políticas para regular a convivência humana".



No entanto, "quando a lei natural e a responsabilidade que esta implica se negam, abre-se dramaticamente o caminho ao relativismo ético no âmbito individual e ao totalitarismo do Estado no âmbito político".



Por isso, explicou, a doutrina da Igreja, com a contribuição de São Tomás, continua ensinando que "a defesa dos direitos universais do homem e a afirmação do valor absoluto da dignidade da pessoa postulam um fundamento".



Citando a encíclica Evangelium vitae, de João Paulo II, o Papa recordou que ,"para bem do futuro da sociedade e do progresso de uma sã democracia, urge, pois, redescobrir a existência de valores humanos e morais essenciais e congênitos, que derivam da própria verdade do ser humano, e exprimem e tutelam a dignidade da pessoa".



Por isso, convidou os fiéis a conhecerem a obra do Aquinate, seguindo as "indicações explícitas" do Concílio Vaticano II, no decreto Optatam totius, sobre a formação para o sacerdócio, e a declaração Gravissimum educationis, que trata sobre a educação cristã.



"Não surpreende que a doutrina sobre a dignidade da pessoa, fundamental para o reconhecimento da inviolabilidade dos direitos do homem, tenha amadurecido em ambientes de pensamento que recolheram a herança de São Tomás de Aquino, que tinha um conceito altíssimo da criatura humana", concluiu.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Nova Diocese foi criada em Pernambuco - DIOCESE DE SALGUEIRO

EREÇÃO da Diocese de Salgueiro (BRASIL) ea nomeação do Primeiro Bispo


Papa Bento XVI erigiu a diocese de Salgueiro (Brasil), com território tomado da Diocese de Petrolina e Floresta, tornando-se um sufragânea da Igreja Metropolitana de Olinda e Recife.



O Santo Padre nomeou o primeiro bispo da Diocese de Salgueiro (Brasil) Rev.do P. Magnus Henrique Lopes O.F.M. Cap, vigário do convento e, agora, tesoureiro do Convento "Santo Antônio" em Natal.



Rev.do P. Magnus Henrique Lopes O.F.M. Cap



O Rev.do P. Magnus Henrique Lopes O.F.M. Cap, nasceu 31 de julho de 1965 em ACU, na diocese de Mossoró no Estado do Rio Grande do Norte.



Entrou na Ordem franciscana dos Capuchos, emitidos os votos religiosos 06 de janeiro de 1989. Estudou Filosofia na Faculdade de Filosofia do Recife e os de Teologia no Instituto de Teologia de Olinda Francisco. Obteve a licenciatura em Psicologia na Centro de Estudos Superiores de Maceió e uma licenciatura em Teologia Moral na Pontifícia Academia Alfonsiana em Roma.



Em 21 de dezembro de 1996 foi ordenado sacerdote em sua cidade natal. Como o padre segurou os seguintes cargos: Promover as vocações da Província dos Capuchinhos Nossa Senhora da Penha do Nordeste do Brasil (1991-1995), Mestre dos postulantes em Maceió (1997-1999), tesoureiro provincial dos Capuchinhos em fraternidade diversos (1989-1998), sacerdote assistente em diversas paróquias e vigário do convento de Capuchinhos Fraternidade Maceió (1996-2001), Definidor Provincial (1996-2001); Ministro Provincial (2001-2007), Vice-Presidente da Conferência dos Capuchinhos do Brasil (2001-2007).

Atualmente é Vice-Tesoureiro do Conventual e Convento Santo Antônio Natal, no Rio Grande do Norte.

Lista dos municípios que compõem o território da nova diocese de Salgueiro, no Estado de Pernambuco (Brasil): Salgueiro, Araripina, Bodocó, Cabrobó, Citron, Exu, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Parnamirim, Serra, Terra Nova, Trindade, Verdejante.


[00903-01.01]

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mais um brasileiro num posto importante no Vaticano

Papa nomeia novo subsecretrário para Textos Legislativos

O oficial do Conselho Pontifício José Aparecido Gonçalves de Almeida
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 14 de junho de 2010 (ZENIT.org).- Bento XVI nomeou Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida subsecretário do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, informou nessa segunda-feira a Sala de Imprensa da Santa Sé.



Dom Gonçalves de Almeida, da diocese brasileira de Santo Amaro, já era oficial desse dicastério e substitui no cargo Dom Bernard A. Hebda.



Atualmente presidido por Dom Francesco Cocopalmeiro, o Conselho Pontifício dos Textos Legislativos desenvolve suas atividades no âmbito das funções interpretativa (sobretudo das leis da Igreja) e de ajuda técnico-jurídica aos demais dicastérios.



Também tem as funções de examinar sob o aspecto jurídico os decretos gerais dos organismos episcopais e de juízo conforme as leis particulares e os direitos gerais que emanam dos legisladores inferiores à Autoridade Suprema, com as leis universais da Igreja.



Este Conselho Pontifício também desenvolve outras atividades por mandato do Papa, como debater com os bispos em visita ad limina sobre a situação da Igreja nos respectivos países e ocupar-se das relações com instituições de ciências jurídicas.

domingo, 13 de junho de 2010

Dia de Santo Antonio

Santo Antonio, rogai por nós! Hoje é dia do grande Santo Antonio. Padroeiro das causas impossíveis e também dos namorados, dentre outras coisas. Que Santo Antonio interceda e proteja a todos os cristãos.

11 Domingo do Tempo Comum - meditação

Evangelho do domingo: a misericórdia é convidada

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 11 de junho de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 7, 36 - 8,3), 11º do Tempo Comum.

Convidar para almoçar é um dos sinais de amizade mais comuns, em todas as culturas. O Evangelho de hoje nos narra o episódio de um fariseu que pedia a Jesus que fosse à sua casa porque queria almoçar com Ele. E assim foi. Mas uma mulher conseguiu entrar de penetra - uma mulher bem conhecida na cidade pelos seus pecados; e, discretamente, começou a chorar aos pés de Jesus, a beijá-los, enxugá-los com seus cabelos e perfumá-los com o frasco de perfume que havia levado. O fariseu, vendo aquilo, começou a murmurar contra o Mestre, ou seja, convidou Jesus para almoçar como quem convida uma pessoa ilustre, talvez para exibir-se como anfitrião do famoso Mestre que estava na boca de todos.



É impressionante essa mania de esperar Deus nos lugares que Ele não frequenta ou teimar em sair por cima quando vemos que Ele chega por caminhos que nem sequer imaginávamos. Nesta cena, no entanto, o mais importante não era a frustração do fariseu, mas o ensinamento de Jesus diante do comportamento daquela pobre mulher. Ela fez o que faltou ao fariseu na mais elementar cortesia oriental: acolher lavando os pés, secá-los e perfumá-los. Mas ela não fez isso como gesto de educação refinada, pois não estava em sua casa nem era ela que havia convidado Jesus, e sim como gesto de conversão, como petição de perdão e como espera de misericórdia. Certamente, o Senhor responderia com acréscimo: não banalizaria o pecado da mulher, mas valorizaria infinitamente mais o perdão que ela suplicava com aquele gesto. O fariseu só viu nela o erro, enquanto Jesus acertou em ver sobretudo o amor: a quem muito ama, muito lhe é perdoado.



O fariseu e aquela mulher haviam pecado, cada um de uma maneira. O primeiro não reconheceu isso, enquanto ela soube pedir perdão, que é um gesto de amor.



A vida é como um banquete. Nele podemos estar murmurando inutilmente sobre os erros alheios, como o fariseu, ou ser perdoados amorosamente, como a mulher. Além de evitar os erros, temos de aprender a amar, acreditando que maior que a nossa lentidão é a misericórdia do Senhor.

sábado, 12 de junho de 2010

Ano Sacerdotal - encerramento

Missão do sacerdote é mostrar que Deus não está longe do homem

Palavras do Papa na homilia de encerramento do Ano Sacerdotal

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 11 de junho de 2010 (ZENIT.org).- "Deus quer que nós, como sacerdotes, em um pequeno ponto da história, compartilhemos das suas preocupações pelos homens."



Assim afirmou o Papa Bento XVI durante a solene Concelebração Eucarística com mais de 15 mil sacerdotes do mundo inteiro, realizada hoje na Basílica de São Pedro, como conclusão do Ano Sacerdotal.



O Papa centrou sua extensa homilia, ao explicar a figura do Bom Pastor, em falar sobre a missão do sacerdote, que não é outra a não ser levar Deus aos homens, em um momento histórico no qual Deus parece distante e inalcançável.



Este "afastamento" de Deus não é novo na história do homem: "As religiões do mundo, pelo que podemos ver, sempre souberam que, em última instância, só existe um Deus. Mas este Deus era distante".



Esse Deus "abandonava aparentemente o mundo a outras potências e forças, a outras divindades. Era preciso chegar a um acordo com elas. O Deus único era bom, mas distante. Não constituía um perigo, mas tampouco oferecia ajuda. Portanto, não era necessário ocupar-se d'Ele. Ele não dominava", explicou o Papa.



Curiosamente, "esta ideia ressurgiu no Iluminismo. Aceitava-se, no entanto, que o mundo pressupõe um Criador. Esse Deus, porém, teria construído o mundo para depois retirar-se dele".



"Agora o mundo tem um conjunto de leis próprias segundo as quais se desenvolve e nas quais Deus não intervém, não pode intervir."



No entanto, afirmou o Papa, o cristianismo supõe a boa notícia de que "Deus cuida pessoalmente de mim, de nós, da humanidade. Não me deixou sozinho, extraviado no universo e em uma sociedade diante da qual a pessoa se sente cada vez mais desorientada".



Esse Deus, como bom pastor, "mostra o caminho correto aos que lhe são confiados. Ele os precede e os guia. Dito de outra maneira: o Senhor mostra como se realiza de forma justa nosso ser homens. Ensina-nos a arte de ser pessoa".



Em sua missão de pastorear, prosseguiu o Papa, a Igreja "deve usar o bastão do pastor, o bastão com o qual protege a fé contra os farsantes, contra as orientações que são, no fundo, desorientações".



"Justamente o uso do bastão pode ser um serviço de amor. Hoje vemos que não se trata de amor quando se toleram comportamentos indignos da vida sacerdotal. Bem como não se trata de amor quando se deixa proliferar a heresia, o desvio e o esfacelamento da fé, como se nós autonomamente inventássemos a fé."



Ao mesmo tempo, acrescentou, "o bastão continuamente deve se transformar no cajado do pastor, cajado que ajude os homens a poder caminhar por sendas difíceis e seguir Cristo".



"Cada cristão e cada sacerdote deveriam se transformar, a partir de Cristo, em fontes que comunicam vida aos demais. Deveríamos dar a água da vida a um mundo sedento."



"Como sacerdotes, queremos ser pessoas que, em comunhão com seu amor pelos homens, cuidemos deles e os façamos experimentar concretamente esta atenção de Deus", concluiu.



No final da celebração, o Santo Padre cumprimentou os sacerdotes em vários idiomas. Em português, disse:



"Queridos sacerdotes dos países de língua oficial portuguesa, dou graças a Deus pelo que sois e pelo que fazeis, recordando a todos que nada jamais substituirá o ministério dos sacerdotes na vida da Igreja. A exemplo e sob o patrocínio de Santo Cura d'Ars, perseverai na amizade de Deus e deixai que as vossas mãos e os vossos lábios continuem a ser as mãos e os lábios de Cristo, único Redentor da humanidade."

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Jesus manso e humilde!


Hoje é Festa do Sagrado Coração de Jesus. Pela manhã tivemos missa na nossa casa mãe, chamada casa provincial, no bairro da Várzea - Recife. Depois seguido de um momento de confraternização. Muitas pessoas ligadas a nós se fizeram presentes. É sempre um momento de reavivamento. Hoje também, em Roma, é a conclusão do Ano Sacerdotal, convocado pelo Papa Bento XVI. Toda a Igreja rezou pelos seus sacerdotes. E nesse ano vivenciamos também muitos momentos delicados na Igreja, mas não serão esses acontecimentos nem nenhum outro que irão derrubar a Igreja de Cristo. Contudo, rezemos uns pelos outros e pelo Papa e a Igreja.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Momento de leitura aplicada para tod@s

Final de semestre é hora de colocar algumas coisas em ordem e dar uma ajeitada no quarto, principalmente porque estou indo para uma paróquia. Vou voltar às minhas origens, ou seja, colaborar mais diretamente numa comunidade. Viver mais de perto. Fiz essa magnifíca experiência em Fortaleza, onde vivi momentos de profunda alegria e entusiasmo. Adoro o povo de lá, pois foram os primeiros que me acolheram com muito carinho. Claro que também gosto demais do meu povo pernambucano. Pois bem, e assim estou começando a organizar aos poucos minhas coisas novamente. E achei um texto bem interessante sobre a boa leitura, que partilho com todos. Não tem dito quem é o autor, mas com certeza também é uma pessoa inspirada. Espero que apreciem e gostem.

PARA LER BEM

1. Ler o texto sozinho e em voz alta (antes de ler em público)
2. Pronunciar todas as sílabas das palavras
3. Acentuar as sílabas finais das palavras trissílabas e polissílabas
4. Dar vida ao texto
5. Fazer pausas
6. Ter rítmo na leitura
7. Levantar a voz onde tem vírgula e ponto e vírgula
8. Baixar a voz onde tem ponto e dois pontos
9. Ouvir a própria voz, lendo o texto em voz alta no canto da parede
10. Não emendar o final das palavras
11. Não engolir o esse (s) do final das palavras
12. Ler com os olhos antes de ler com os lábios
13. Emitir sempre as palavras com a parte da frente da boca (M)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Catequese do Papa Bento XVI - site do Vaticano (09 de junho)

○ Síntesi da catequese em língua portuguesa


Queridos irmãos e irmãs,
Regressei há três dias da minha visita a Chipre, ilha abençoada com a fé cristã pela pregação dos apóstolos Paulo e Barnabé. Lá pude ver a obra apostólica das diversas tradições e ritos da única Igreja de Cristo, quase sentindo pulsar os seus corações em uníssono ou – segundo a leitura proclamada ao início – como se formassem «um só coração e uma só alma». Estas palavras são o lema do Sínodo para o Médio Oriente, que terá lugar no próximo mês de Outubro aqui no Vaticano. Objectivo da minha visita era a entrega do Instrumentum laboris, de certo modo a «ordem de trabalhos» da referida assembleia sinodal, que verá reunida a Comunidade Católica procurando aperfeiçoar a comunhão tanto no seu interior como nas suas relações com os ortodoxos e demais expressões cristãs e fortalecer o seu testemunho do Evangelho no meio do mundo.



Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para o grupo de sacerdotes da diocese de Santo André com o seu Bispo, Dom Nélson Westrupp. Agradecido pela visita, desejo que ela reforce a vossa fidelidade sacerdotal reproduzindo a fidelidade de Cristo. Sobre vós e grupos de Brasília, Mação e Santa Cruz e da paróquia de Milagres e Bidoeira, desça a minha Bênção.
[00861-06.01] [Texto original: Português]

terça-feira, 8 de junho de 2010

Bom êxito da visita do Papa ao Chipre

Visita de Bento XVI ao Chipre convence meios de comunicação

Viagem supera as expectativas
Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de junho de 2010 (ZENIT.org).- As viagens de Bento XVI, incluída sua última visita apostólica, ao Chipre, entre 4 e 6 de junho, converteram-se em instrumentos para que seu magistério possa penetrar nos meios de comunicação.



Para os jornalistas, já não será possível pôr em dúvida sua posição e compromisso a favor da unidade entre os cristãos, do diálogo com o Islã, ou da paz e da reconciliação no cenário internacional, após a peregrinação apostólica internacional número 16 deste pontificado, continuação da realizada à Terra Santa no ano passado.



Os números falam por si. A missa a que o pontífice presidiu nesse domingo em Nicosia converteu-se em um dos encontros mais populares da história deste país, e o acontecimento mais importante da Igreja Católica no Chipre (participaram mais de 10 mil católicos).



O interesse da imprensa foi também evidente, e a entrega do “Documento de trabalho” (Instrumentum laboris) para a assembleia do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio aparecia na maioria das primeiras páginas dos jornais europeus na internet nesse domingo. A grande maioria dos artigos era de tom positivo.



O padre Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, constata como Bento XVI, com suas três últimas viagens – Malta, Portugal e Chipre –, mudou decididamente a percepção que se tinha criado nos meios de comunicação com a crise dos abusos sexuais.



“O que impressiona é que em algo mais de um mês e meio tivemos três viagens do Papa ao exterior, todas coroadas com um enorme êxito, a respeito dos objetivos que se podiam esperar”, explica o porta-voz vaticano.



Avanço ecumênico



Como reconhece Lombardi, o grande êxito da viagem ao Chipre foi ecumênico, em particular no avanço nas relações com a Igreja Ortodoxa, majoritária na ilha.



“O abraço da paz durante a missa de domingo, entre o Papa e Crisóstomos II, é o símbolo deste encontro que marca um passo mais no longo caminho do ecumenismo, com uma Igreja, a do Chipre, que apesar de ser numericamente pequena, é muito significativa no movimento ecumênico, sobretudo no âmbito ortodoxo, e muito rica de iniciativas”, afirma o padre Lombardi.



Giovanni Maria Vian, diretor de L'Osservatore Romano, é também categórico: “o alcance da viagem, em um país ortodoxo, é histórico, pela aproximação a uma autorizada e venerável Igreja irmã, que sob a guia do arcebispo Crisóstomos II comprometeu-se com decisão no caminho ecumênico”.



Relação com o Islã



O avanço do diálogo com o Islã é precisamente outra das conquistas decisivas desta viagem de Bento XVI ao Chipre. Serviu para desmentir os que continuam apresentando o Papa como um “inimigo” do Islã, baseando-se na polêmica gerada por uma frase tirada de contexto em Ratisbona em setembro de 2006.



Quando o Papa viajava de Roma a Pafos, em seu encontro com os jornalistas, ele deu provas de sua vontade “de diálogo com os irmãos muçulmanos, que são nossos irmãos, apesar das diferenças”. Suas palavras foram estampadas em jornais do Oriente Médio e de todo o mundo. Ao deixar a ilha, na despedida do aeroporto de Larnaca, expressou sua “esperança e oração para que juntos, cristãos e muçulmanos, convertam-se em levedura de paz e reconciliação”.



Por causa do conflito entre Turquia e Chipre, não pôde acontecer um encontro do Papa com algumas das mais elevadas autoridades muçulmanas do Norte do Chipre. Mas comoveu (a imprensa deu amplo espaço a isso) o abraço do Papa a um ancião representante sufi, junto à nunciatura apostólica.



Reconciliação e paz



Nenhum líder internacional em geral se atreve a viajar ao Chipre, pois tem medo das consequências que isso poderia provocar em suas relações com a Turquia ou a Grécia (e a Europa em geral), por causa da divisão que a ilha sofre desde 1974.



Bento XVI, que já visitou a Turquia entre novembro e dezembro de 2006, teve o valor de visitar o Chipre e o fez em circunstâncias sumamente difíceis, após a morte de cidadãos turcos que formavam parte da frota que buscava romper o embargo a Gaza atacada pelo Exército de Israel.



Além disso, na véspera da viagem, foi assassinado pelas mãos de seu motorista Dom Luigi Padovese, presidente da Conferência Episcopal da Turquia, que deveria se reunir com o Papa no Chipre.



“Do Chipre, o Papa lançou à comunidade internacional um novo e intenso apelo à razão. Com um objetivo que pode ser compreendido e aceito por todos, para além da divisão: servir o bem comum”, explica Vian, comentando o discurso que o Papa dirigiu às autoridades civis e ao corpo diplomático.



Em Malta, em abril passado, Bento XVI surpreendeu os media, em meio a uma campanha contra sua pessoa. Em Portugal, em maio, abriu uma nova fase de seu pontificado, quando alguns meios de comunicação internacionais começaram a declinar de seus ataques, ao ver a ação e escutar as palavras do Papa. No Chipre, Bento XVI convenceu os media. A próxima etapa deste itinerário será em setembro, quando ele visitar a Grã-Bretanha.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

América Latina X Aborto

América Latina está fortemente contra o aborto

Um estudo desmistifica que este tema seja um “clamor social”
CIDADE DO MÉXICO, segunda-feira, 7 de junho de 2010 (ZENIT.org–El Observador).- Um estudo de opinião pública realizado pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO) revelou que em quatro países da região a maioria dos cidadãos se opõe à legalização do aborto. No Brasil, Chile, México e Nicarágua não há apoio da opinião pública para a legalização total do aborto.



Entre 66% e 81% dos entrevistados rejeitaram a legalização do aborto em seus países. Foi-lhes pedido para escolher de 1 a 10, onde o 1 era a lei mais restritiva e o 10, a liberação total. A média em todos os países foi de 4.5, uma resposta que se inclina a uma oposição à interrupção da gravidez.



Fazendo uma análise mais acurada, vê-se que 56% a 69% dos habitantes destas nações consideram que a vida do feto está acima de todas as coisas. Os que consideram que o aborto deixa traumas psicológicos e sequelas físicas na mulher são 64,4% a 80%.



Também foram solicitados os seus pontos de vista sobre a objeção de consciência. A maioria das pessoas de todos os países está de acordo em que os profissionais de saúde devem fazer uso da objeção de consciência. Nas quatro nações pesquisadas, as mulheres se manifestaram contra legalizar o aborto com as seguintes porcentagens: México (50%), Brasil (58%), Chile (62%) e Nicarágua (53%).



O estudo teve uma amostragem média de 1.200 pessoas maiores de 18 anos, com uma margem de erro de 2 pontos, e um nível de confiança de 95%.



Em uma pergunta aberta sobre se está de acordo ou contra a legalização do aborto, no México, 70,8% disseram não estar de acordo; o mesmo aconteceu na Nicarágua, com 81,6%; no Brasil, com 72,7% e Chile, 66,2%. Esta investigação foi patrocinada por um instituto de pesquisa com tendências pró-abortistas.

domingo, 6 de junho de 2010

Viagem do Papa à Chipre - parte 2

Abraço entre Papa e líder muçulmano na “área verde” de Chipre

ROMA, sábado, 5 de junho de 2010 (ZENIT.org). - Nesta tarde de sábado, Bento XVI encontrou-se, em Nicósia, com um representante da comunidade islâmica, Mohammed Nazim Abil Al-Haqqani, de 89 anos, líder espiritual de um movimento sufi, comprometido com o diálogo inter-religioso.



O breve encontro se deu na área externa da Nunciatura, antes da Missa na igreja da Santa Cruz, na assim chamada "área verde" sob controle da ONU e que divide a comunidade grego-cipriota daquela turco-cipriota.



Segundo a Rádio Vaticana, o líder sufi disse ter vindo da parte norte de Chipre para saudar o Pontífice, pedindo desculpas pelo fato de ter esperado por ele sentado. "Sou muito idoso", disse. E o Papa respondeu: "Sou também idoso!".



Nazim presenteou o Papa com um bastão ricamente adornado, uma placa com mensagens de paz e um terço muçulmano.



O Pontífice, por sua vez, ofereceu-lhe uma medalha; e em seguida, abraçaram-se, num gesto de afeto fraterno.



Finalmente, Nazim pediu a Bento XVI que orasse por ele. "Certamente o farei - respondeu o Papa; rezaremos um pelo outro".

sábado, 5 de junho de 2010

Viagem do Papa à Chipre

As três dimensões da viagem do Papa Bento XVI a Chipre

Encontro com o núncio apostólico, Antonio Franco
Por Michaela Koller, enviada especial a Chipre
Nicósia, quinta-feira, 3 de junho de 2010 (ZENIT.org).- A torre estreita e quadrada da igreja católica da Santa Cruz no Chipre, na capital Nicósia, se destaca sobre os edifícios vizinhos. Desta forma, converte-se em um sinal muito visível da presença católica no ambiente ortodoxo, caracterizado normalmente por cúpulas arredondadas. Esta igreja está construída da mesma pedra amarela que predomina em Jerusalém. Isto não é nenhuma coincidência, dizem os padres desta paróquia franciscana, pertencentes ao Patriarcado Latino de Jerusalém.



No sábado, o Papa Bento XVI se reunirá, na Igreja de Santa Cruz, com os sacerdotes, religiosos, diáconos, catequistas e representantes de movimentos eclesiais do Chipre para celebrar uma Missa.



Pela estrada que conduz até a igreja, de repente, aparece um carro carregado com flores frescas e vasos, que provavelmente serão colocados rapidamente para enfeitar a área da entrada da igreja com cor e alegria. O pé do motorista no acelerador obriga os outros a desviarem: os últimos preparativos serão feitos rapidamente. Dentro se encontra uma igreja com decoração relativamente pobre, mas também se difere do esplendor do interior dourado ortodoxo.



Há somente de 2 a 3 mil fiéis católicos no total, vivendo na ilha mediterrânea, calcula o arcebispo e núncio Dom Antonio Franco. ZENIT o entrevistou perto da paróquia de Santa Cruz, onde existe uma representação formal diplomática da Santa Sé na República de Chipre.



O primeiro presidente de Chipre, arcebispo ortodoxo Makarios III, iniciou as relações diplomáticas com o Vaticano em 1973, um ano antes da invasão dos turcos na parte norte do país. A nunciatura não vê aqui o núncio todos os dias, pois ele também é responsável por Israel, Jerusalém e os territórios palestinos, e reside na maior parte do tempo em Jaffa, Israel.



Entre os católicos, existem muitos filipinos e filipinas que têm a sorte de não estar trabalhando na Arábia Saudita, mas sim neste país de origem cristã. "Também há um número considerável de camaroneses aqui. Se você vier aqui no domingo, encontrará diversas pessoas das Filipinas e Camarões."



"Há três dimensões nesta viagem", explica o núncio apostólico com uma voz tranquila, falando lentamente, em meio aos agitados preparativos.



"Chipre é um dos lugares centrais na história do cristianismo", disse na entrevista concedida a ZENIT. O antecessor do Papa Bento XVI, João Paulo II, havia planejado uma estadia em Chipre, que nunca se realizou. "Isso mostra ainda mais a dimensão missionária da jornada, para caminhar seguindo os passos de São Paulo neste espírito, para apoiar as atividades missionárias, para encorajar-nos a difundir sua mensagem", afirmou.



Além disso, há também uma dimensão pastoral que traz o Pontífice até a ilha do Chipre, no sudeste do Mediterrâneo, dirigido aos católicos, mas que evidentemente também se refere à região do Oriente Médio, esta região traumatizada, mas na qual se encontra o berço do cristianismo: aos sete patriarcas unidos a Roma, que em outubro participarão no próximo Sínodo especial do Oriente Médio, foi fácil a chegada ao Chipre. O Pontífice apresentará no domingo, no Palácio dos Esportes Eleftheria de Nicósia, o Instrumentum laboris do Sínodo.



"E também existe uma dimensão ecumênica - continua o núncio. A Igreja Ortodoxa de Chipre é uma igreja importante no diálogo ecumênico, e está tradicionalmente muito próxima da Igreja Católica."



Desta forma, foi muito significativa a reunião, em 2007, entre o Papa Bento XVI e o arcebispo Crisóstomo, na qual escreveram uma declaração conjunta: "Na feliz circunstância de nosso encontro fraterno junto aos túmulos de São Pedro e São Paulo, queremos declarar de comum nosso acordo sincero e firme desejo, na obediência à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo, de intensificar a busca da unidade plena entre todos os cristãos, realizando todos os esforços possíveis e que consideremos úteis para a vida de nossas comunidades".



Enfatiza-se, na cerimônia ecumênica que acontecerá no começo da visita, a área arqueológica da igreja de Agia Kyriaki Chrysopolitissa em Paphos, onde se encontra o famoso pilar de São Paulo. "Lá, o apóstolo dos gentios foi açoitado uma vez, segundo a tradição. À luz dos desafios da evangelização, que ambos têm em comum, de fato, este evento é simbólico".



Especificamente em Chipre, os católicos estão preocupados por seu futuro destino. Como Dom Antonio Franco explica com toda clareza, "muitas paróquias e mosteiros na parte norte, sejam católicos ou ortodoxos, sofrem pela situação de ocupação".



Para os maronitas em particular, uma igreja, "a Marina de Ayaia", contudo, não estava disponível, porque se encontra na zona restringida pelos militares turcos.



"Esta é uma das feridas pela qual nosso mundo continua sangrando", destacou metaforicamente o prelado. A Santa Sé continuará exigindo mais respeito pelos lugares e personagens que são sinais da presença e patrimônio dos cristãos em Chipre.



Por último, ele se dirige mais uma vez os cristãos em toda região: "Qual é a nossa missão aqui e o que devemos fazer para realizá-la?", pergunta Dom Franco pensativamente. "Esta presença é significativa no lugar onde nasceu o cristianismo", conclui.



Desde sexta-feira, Chipre, que começou sendo uma ilha no oeste da Terra Santa da Bíblia, se converterá no foco da opinião católica do mundo.