sábado, 12 de junho de 2010

Ano Sacerdotal - encerramento

Missão do sacerdote é mostrar que Deus não está longe do homem

Palavras do Papa na homilia de encerramento do Ano Sacerdotal

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 11 de junho de 2010 (ZENIT.org).- "Deus quer que nós, como sacerdotes, em um pequeno ponto da história, compartilhemos das suas preocupações pelos homens."



Assim afirmou o Papa Bento XVI durante a solene Concelebração Eucarística com mais de 15 mil sacerdotes do mundo inteiro, realizada hoje na Basílica de São Pedro, como conclusão do Ano Sacerdotal.



O Papa centrou sua extensa homilia, ao explicar a figura do Bom Pastor, em falar sobre a missão do sacerdote, que não é outra a não ser levar Deus aos homens, em um momento histórico no qual Deus parece distante e inalcançável.



Este "afastamento" de Deus não é novo na história do homem: "As religiões do mundo, pelo que podemos ver, sempre souberam que, em última instância, só existe um Deus. Mas este Deus era distante".



Esse Deus "abandonava aparentemente o mundo a outras potências e forças, a outras divindades. Era preciso chegar a um acordo com elas. O Deus único era bom, mas distante. Não constituía um perigo, mas tampouco oferecia ajuda. Portanto, não era necessário ocupar-se d'Ele. Ele não dominava", explicou o Papa.



Curiosamente, "esta ideia ressurgiu no Iluminismo. Aceitava-se, no entanto, que o mundo pressupõe um Criador. Esse Deus, porém, teria construído o mundo para depois retirar-se dele".



"Agora o mundo tem um conjunto de leis próprias segundo as quais se desenvolve e nas quais Deus não intervém, não pode intervir."



No entanto, afirmou o Papa, o cristianismo supõe a boa notícia de que "Deus cuida pessoalmente de mim, de nós, da humanidade. Não me deixou sozinho, extraviado no universo e em uma sociedade diante da qual a pessoa se sente cada vez mais desorientada".



Esse Deus, como bom pastor, "mostra o caminho correto aos que lhe são confiados. Ele os precede e os guia. Dito de outra maneira: o Senhor mostra como se realiza de forma justa nosso ser homens. Ensina-nos a arte de ser pessoa".



Em sua missão de pastorear, prosseguiu o Papa, a Igreja "deve usar o bastão do pastor, o bastão com o qual protege a fé contra os farsantes, contra as orientações que são, no fundo, desorientações".



"Justamente o uso do bastão pode ser um serviço de amor. Hoje vemos que não se trata de amor quando se toleram comportamentos indignos da vida sacerdotal. Bem como não se trata de amor quando se deixa proliferar a heresia, o desvio e o esfacelamento da fé, como se nós autonomamente inventássemos a fé."



Ao mesmo tempo, acrescentou, "o bastão continuamente deve se transformar no cajado do pastor, cajado que ajude os homens a poder caminhar por sendas difíceis e seguir Cristo".



"Cada cristão e cada sacerdote deveriam se transformar, a partir de Cristo, em fontes que comunicam vida aos demais. Deveríamos dar a água da vida a um mundo sedento."



"Como sacerdotes, queremos ser pessoas que, em comunhão com seu amor pelos homens, cuidemos deles e os façamos experimentar concretamente esta atenção de Deus", concluiu.



No final da celebração, o Santo Padre cumprimentou os sacerdotes em vários idiomas. Em português, disse:



"Queridos sacerdotes dos países de língua oficial portuguesa, dou graças a Deus pelo que sois e pelo que fazeis, recordando a todos que nada jamais substituirá o ministério dos sacerdotes na vida da Igreja. A exemplo e sob o patrocínio de Santo Cura d'Ars, perseverai na amizade de Deus e deixai que as vossas mãos e os vossos lábios continuem a ser as mãos e os lábios de Cristo, único Redentor da humanidade."

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