sábado, 5 de junho de 2010

Viagem do Papa à Chipre

As três dimensões da viagem do Papa Bento XVI a Chipre

Encontro com o núncio apostólico, Antonio Franco
Por Michaela Koller, enviada especial a Chipre
Nicósia, quinta-feira, 3 de junho de 2010 (ZENIT.org).- A torre estreita e quadrada da igreja católica da Santa Cruz no Chipre, na capital Nicósia, se destaca sobre os edifícios vizinhos. Desta forma, converte-se em um sinal muito visível da presença católica no ambiente ortodoxo, caracterizado normalmente por cúpulas arredondadas. Esta igreja está construída da mesma pedra amarela que predomina em Jerusalém. Isto não é nenhuma coincidência, dizem os padres desta paróquia franciscana, pertencentes ao Patriarcado Latino de Jerusalém.



No sábado, o Papa Bento XVI se reunirá, na Igreja de Santa Cruz, com os sacerdotes, religiosos, diáconos, catequistas e representantes de movimentos eclesiais do Chipre para celebrar uma Missa.



Pela estrada que conduz até a igreja, de repente, aparece um carro carregado com flores frescas e vasos, que provavelmente serão colocados rapidamente para enfeitar a área da entrada da igreja com cor e alegria. O pé do motorista no acelerador obriga os outros a desviarem: os últimos preparativos serão feitos rapidamente. Dentro se encontra uma igreja com decoração relativamente pobre, mas também se difere do esplendor do interior dourado ortodoxo.



Há somente de 2 a 3 mil fiéis católicos no total, vivendo na ilha mediterrânea, calcula o arcebispo e núncio Dom Antonio Franco. ZENIT o entrevistou perto da paróquia de Santa Cruz, onde existe uma representação formal diplomática da Santa Sé na República de Chipre.



O primeiro presidente de Chipre, arcebispo ortodoxo Makarios III, iniciou as relações diplomáticas com o Vaticano em 1973, um ano antes da invasão dos turcos na parte norte do país. A nunciatura não vê aqui o núncio todos os dias, pois ele também é responsável por Israel, Jerusalém e os territórios palestinos, e reside na maior parte do tempo em Jaffa, Israel.



Entre os católicos, existem muitos filipinos e filipinas que têm a sorte de não estar trabalhando na Arábia Saudita, mas sim neste país de origem cristã. "Também há um número considerável de camaroneses aqui. Se você vier aqui no domingo, encontrará diversas pessoas das Filipinas e Camarões."



"Há três dimensões nesta viagem", explica o núncio apostólico com uma voz tranquila, falando lentamente, em meio aos agitados preparativos.



"Chipre é um dos lugares centrais na história do cristianismo", disse na entrevista concedida a ZENIT. O antecessor do Papa Bento XVI, João Paulo II, havia planejado uma estadia em Chipre, que nunca se realizou. "Isso mostra ainda mais a dimensão missionária da jornada, para caminhar seguindo os passos de São Paulo neste espírito, para apoiar as atividades missionárias, para encorajar-nos a difundir sua mensagem", afirmou.



Além disso, há também uma dimensão pastoral que traz o Pontífice até a ilha do Chipre, no sudeste do Mediterrâneo, dirigido aos católicos, mas que evidentemente também se refere à região do Oriente Médio, esta região traumatizada, mas na qual se encontra o berço do cristianismo: aos sete patriarcas unidos a Roma, que em outubro participarão no próximo Sínodo especial do Oriente Médio, foi fácil a chegada ao Chipre. O Pontífice apresentará no domingo, no Palácio dos Esportes Eleftheria de Nicósia, o Instrumentum laboris do Sínodo.



"E também existe uma dimensão ecumênica - continua o núncio. A Igreja Ortodoxa de Chipre é uma igreja importante no diálogo ecumênico, e está tradicionalmente muito próxima da Igreja Católica."



Desta forma, foi muito significativa a reunião, em 2007, entre o Papa Bento XVI e o arcebispo Crisóstomo, na qual escreveram uma declaração conjunta: "Na feliz circunstância de nosso encontro fraterno junto aos túmulos de São Pedro e São Paulo, queremos declarar de comum nosso acordo sincero e firme desejo, na obediência à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo, de intensificar a busca da unidade plena entre todos os cristãos, realizando todos os esforços possíveis e que consideremos úteis para a vida de nossas comunidades".



Enfatiza-se, na cerimônia ecumênica que acontecerá no começo da visita, a área arqueológica da igreja de Agia Kyriaki Chrysopolitissa em Paphos, onde se encontra o famoso pilar de São Paulo. "Lá, o apóstolo dos gentios foi açoitado uma vez, segundo a tradição. À luz dos desafios da evangelização, que ambos têm em comum, de fato, este evento é simbólico".



Especificamente em Chipre, os católicos estão preocupados por seu futuro destino. Como Dom Antonio Franco explica com toda clareza, "muitas paróquias e mosteiros na parte norte, sejam católicos ou ortodoxos, sofrem pela situação de ocupação".



Para os maronitas em particular, uma igreja, "a Marina de Ayaia", contudo, não estava disponível, porque se encontra na zona restringida pelos militares turcos.



"Esta é uma das feridas pela qual nosso mundo continua sangrando", destacou metaforicamente o prelado. A Santa Sé continuará exigindo mais respeito pelos lugares e personagens que são sinais da presença e patrimônio dos cristãos em Chipre.



Por último, ele se dirige mais uma vez os cristãos em toda região: "Qual é a nossa missão aqui e o que devemos fazer para realizá-la?", pergunta Dom Franco pensativamente. "Esta presença é significativa no lugar onde nasceu o cristianismo", conclui.



Desde sexta-feira, Chipre, que começou sendo uma ilha no oeste da Terra Santa da Bíblia, se converterá no foco da opinião católica do mundo.

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