segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A história das Jornadas Mundiais da Juventude

Jornada Mundial da Juventude - Espanha

É simplesmente imperdível uma Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Próximo ano vai ser em Madri, Espanha. Momento de grande fraternidade, revigoramento e entusiasmo da fé. Vamos animar e estimular nossos jovens. Infelizmente nossos jovens ainda não alcançaram a importância desse momento. Serveria para uma boa animação paroquial. Contudo, comecemos a rezar desde agora para esse momento maravilhoso. Vejam o site oficial: http://pt.madrid11.com/JMJ2011PT/REVISTA/cabecerasypies/PortadaHome.asp?vmenu=HOME

domingo, 29 de agosto de 2010

Domingo da Humildade

É com essas palavras que poderíamos descrever a Liturgia desse Domingo. O Senhor Jesus nos chama a atenção para nosso orgulho e egoísmo. Não estamos sozinhos no mundo e não vivemos sozinhos. Temos pessoas ao nosso redor, junto de nós. Somos "convidados" necessariamente à olharmos para os lados. Com isso, podemos ser ou não ser os convidados especiais para a "festa de casamento", como nos fala o Senhor no Evangelho de hoje. No entanto, isso não quer dizer também que não sejamos inseridos na lista dos "convidados especiais". Urge, portanto, entendermos que precisamos nos abandonar totalmente nas mãos de Deus, como sinal da verdadeira humildade. Bem nos ensinou nossa Mãe Santíssima. Aprendamos com Ela, com o seu Magnificat. Ela, mais do que ninguém, sabe nos conduzir até seu Filho, Jesus Cristo. Bom domingo a todos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Bento XVI: cristãos devem ser reflexo do amor de Deus

Em uma mensagem aos católicos argentinos para a coleta nacional “Mais por Menos”
BUENOS AIRES, quinta-feira, 26 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Os cristãos estão chamados a "amar a todos com o mesmo amor com que Deus nos ama, manifestando assim que a caridade deve ser o sinal distintivo da sua vida".



Esta é a mensagem de Bento XVI aos fiéis argentinos por ocasião da coleta nacional "Mais por Menos", que chega este ano à sua 44ª edição. A carta foi enviada por meio do secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, e publicada no L'Osservatore Romano.



O Papa convida os católicos do país a participarem com generosidade da iniciativa, uma grande "obra que busca ajudar os menos favorecidos e pedir a solidariedade".



O Pontífice exorta os crentes a "cultivarem cada dia a escuta da Palavra divina, a oração perseverante, a participação assídua nos sacramentos e a união fraterna, como alimento de uma caridade cada vez mais intensa e para dar vida nova aos valores universais da convivência humana".



A coleta "Mais por Menos" é promovida pela comissão episcopal para a ajuda às regiões mais carentes da Argentina.



A edição deste ano está centrada no tema "Construiremos uma história sem excluídos" e será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, em todas as paróquias do país.



Os fundos recolhidos na campanha serão distribuídos entre 25 dioceses especialmente necessitadas, subdivididas em 5 níveis de prioridade, nos quais se concentram as intervenções de ajuda a favor da infância.



Em concreto, o dinheiro se destina à construção de alojamentos e refeitórios comunitários, e a favorecer a abertura de pequenas empresas que possam oferecer oportunidades de emprego aos jovens.



Segundo explica L'Osservatore Romano, o bispo de Goya e membro da comissão revelou que a campanha do ano passado registrou um aumento de 35% com relação à do ano anterior. Foi arrecadado 1,7 milhão de euros, depois distribuído entre as 25 dioceses em dificuldade.



"A coleta ‘Mais por Menos' - destacou o prelado - não é a solução para a pobreza; é um bom meio para ir diminuindo a distância entre a realidade e este desafio histórico; meio concreto, eficaz, ao alcance de todos."



Outra iniciativa caritativa promovida pela Igreja na Argentina, que o próprio Papa apoiou, foi o Dia Nacional da Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária, realizada no domingo, 22 de agosto, em todas as igrejas do país.



O Dia esteve inserido no mês missionário, dirigido a sensibilizar os jovens e crianças na solidariedade frente aos seus contemporâneos mais carentes. O tema escolhido para este ano foi "Por Asia y el mundo entero, cada día misioneros".



Para a ocasião, Bento XVI enviou uma mensagem com o desejo de "que o dia de oração e reflexão contribua eficazmente para a renovação da fé e da vida cristã, de maneira que o zelo missionário, especialmente nos jovens e nas crianças, floresça no âmbito da diocese e desperte no coração de cada membro das igrejas locais o desejo de compartilhar a missão perene, que Cristo confiou à Igreja, de anunciar o Evangelho ao mundo inteiro".

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Esclarecimento de Dom Dimas Lara sobre informações distorcidas da imprensa

Secretário da CNBB: aborto é um crime que clama aos céus

Dom Dimas esclarece informações de imprensa
BRASÍLIA, segunda-feira, 23 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – O secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Dimas Lara Barbosa, reafirmou a “posição inegociável” da Igreja “de defesa intransigente da dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”.



O bispo divulgou uma nota em que contesta o jornal O Estado de S. Paulo, que publicou matéria afirmando que Dom Dimas “admitiu que os católicos votem em candidatos que são favoráveis ao aborto”.



“Foi com desagradável surpresa que vi estampada minha fotografia no topo da página A7 da Edição de hoje, sexta-feira, 20 de agosto, com a nota de que eu teria admitido que os católicos votem em candidatos que são favoráveis ao aborto”, afirma o bispo na nota.



“O aborto é um crime que clama aos céus, um crime de lesa humanidade”, afirmou. Segundo Dom Dimas, os católicos “jamais poderão concordar com quaisquer programas de governo, acordos internacionais, leis ou decisões judiciais que venham a sacrificar a vida de um inocente, ainda que em nome de um suposto estado de direito”.



De acordo com o bispo, o contexto que deu origem à manchete em questão é uma reflexão que ele fazia em torno da diferença entre eleições majoritárias e proporcionais.



“No caso da eleição de vereadores e deputados (eleições proporcionais), o eleitor tem uma gama muito ampla para escolher. São centenas de candidatos, e seria impensável votar em alguém que defenda a matança de inocentes, ainda mais com dinheiro público”, explica.



“No caso de eleições majoritárias (prefeitos, senadores, governadores, presidente), a escolha recai sobre alguns poucos candidatos. Às vezes, sobretudo quando há segundo turno, a escolha se dá entre apenas dois candidatos. O que fazer se os dois são favoráveis ao aborto? Uma solução é anular o próprio voto. Quais as conseqüências disso? O voto nulo não beneficiaria justamente aquele que não se quer eleger?”



Segundo Dom Dimas, trata-se de “uma escolha grave, que precisa ser bem estudada, e decidida com base numa visão mais ampla do programa proposto pelo candidato ou por seu Partido, considerando que a vida humana não se resume a seu estágio embrionário”.



“Na luta em defesa da vida, o problema nunca é pontual. As agressões chegam de vários setores do executivo, do legislativo, do judiciário e, até, de acordos internacionais. E chegam em vários níveis: fome, violência, drogas, miséria...”



“São as limitações da democracia representativa. Meu candidato sempre me representa? Definitivamente, não! Às vezes, o candidato é bom, mas seu Partido tem um programa que limita sua ação.”



Por isso – prossegue o bispo –, o exercício da cidadania “não pode se restringir ao momento do voto. É preciso acompanhar, passo a passo, os candidatos que forem eleitos”.



Dom Dimas deseja “que o Senhor da Vida inspire nossos eleitores, para que, da decisão das urnas nas próximas eleições, nasçam governos dignos do cargo que deverão assumir. E que o cerne de toda política pública seja a pessoa humana, sagrada, intocável, desde o momento em que passa a existir, no ventre de sua própria mãe”.

Pensamento de hoje

"A ironia é uma forma elegante de ser mau". (Maria Helena B. Izzo) Procuremos nos afastar dessa forma de maldade. Por um mundo unido e fraterno, nós vos pedimos e queremos nos esforçar Senhor!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E a vida continua...

Boa noite a todos e todas. E a vida continua...E é preciso saber viver, como diz a letra de uma música. O ano de 2010 já está quase indo. Estamos praticamente no fim de agosto. Talvez seja muito cedo, mas acredito que já seria interessante começarmos a rever nossos propósitos para esse ano, e avaliarmos até aqui o que já fizemos ou deixamos de fazer e o que ainda precisa ser feito. Tudo isso para não chegarmos ao final do ano e olharmos para trás e bater em nossa porta a famosa sensação de frustração. Que isso não nos acontece! É o que desejo a todos e todos. Reavaliemos desde agora.

Visita do Papa ao Reino Unido -

O Vaticano revelou nesta quarta-feira o programa oficial da viagem do papa Bento XVI à Grã-Bretanha, de 16 a 19 de setembro, no qual visitará Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham e se reunirá com a rainha Elizabeth II.




No dia 16, o Papa celebrará uma missa em Glasgow, em Bellahouston Park, depois irá para Londres.



Na sexta, 17, iniciará sua estada na capital inglesa com uma missa privada na capela da nunciatura apostólica, em Wimbledon, seguida de uma reunião com representantes do mundo da educação católica em Twickenham e de um encontro com líderes de outras religiões no palácio de Lambeth.



À tarde, fará uma visita de cortesia ao arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, a mais alta autoridade da Igreja anglicana.



Em seguida, em Westminster Hall, tem programado reunir-se com representantes da sociedade civil, do mundo acadêmico, cultural e empresarial, assim como o corpo diplomático.



A jornada será concluída com uma celebração ecumênica na abadia de Westminster, onde fará um discurso.



No sábado, 18, iniciará o dia com vários encontros de caráter político. Pela manhã, no palácio do arcebispado de Westminster, se reunirá com o primeiro-ministro David Cameron, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg e o líder trabalhista da oposição.



Durante a tarde, celebrará a santa missa em Westminster e visitará a casa de repouso de São Pedro, no bairro de Lambeth. Depois, participará de uma vigília de oração pela beatificação do cardeal John Henry Newman no Hyde Park.



No domingo, viajará de Londres a Birmingham, onde presidirá a cerimônia de beatificação do cardeal Newman no Parque Cofton de Rednal e rezará o Angelus Dominical.



Depois, fará uma visita ao oratório de São Filippo Neri, seguida de um encontro com os bispos da Inglaterra, Escócia e País de Gales.



Por fim, fará um discurso durante a cerimônia de despedida no aeroporto de Birmingham.

sábado, 21 de agosto de 2010

Evangelho do domingo: a lista de Cristo

Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 20 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 13, 22-30 ), 21º do Tempo Comum.


Lembro de uma vinheta antiga do genial Antonio Migote: ele se apresentava a duas senhoras muito elegantes que comentavam: "No final nos salvaremos... as de sempre". Mas quem são os de sempre? E são eles realmente os que se salvarão? Por que causa ou razão? São as perguntas que o Evangelho deste domingo nos apresenta, quando um espontâneo seguidor de Jesus pergunta ao Mestre: "Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?" (Lc 13, 23). Jesus dá um exemplo e, com notável ironia, apresenta o típico crente "de sempre", o "da vida inteira", que volta para casa depois da sua última correria, com a certeza de que vale tudo com tal de entrar pela porta grande, com tal de que não o vejam.



Mas eis que a tal porta grande, a da religião a la carte, não coincide com o acesso oferecido por Jesus. Ele fala mais de uma porta estreita, na qual, para entrar, é preciso chegar a ela e depois caber nela, deixando que Outro o conduza para dentro por pura graça, como presente inesperado e desmerecido.



Certamente, não basta ser conterrâneo do Senhor, colega dele, ser do bairro, como parece desprender-se da parábola desse Evangelho, que é, no fundo, uma aguda crítica à atitude de alguns judeus que pensavam que a salvação era algo relacionado não com a vida de cada um, mas com o passaporte ou a nacionalidade: como eram judeus, tinham o passaporte do povo escolhido: então tudo era válido.



"Senhor, abre-nos a porta, somos do seu bairro, da sua cidade, do seu grupo...". E Ele responde: "Não os conheço". Mas eles insistem: "Mas se estivemos juntos nas refeições, se passeamos pelas mesmas praças, se somos conterrâneos seus!". E Ele novamente responde: "Não sei de onde vocês vêm nem aonde vão, porque podemos passar pela mesma praça, mas vir de lugares bem diversos e, sobretudo encaminhar-nos a lugares muito diferentes... Não os conheço". Que frase tremenda nos lábios de Jesus!



Esta reflexão não é válida somente para os judeus daquela época, mas também hoje. Para nós, cristãos, esta passagem é uma grande advertência: nós nos salvaremos se entrarmos no caminho de Jesus, se seguirmos os seus passos, se amarmos o que Ele ama e como Ele ama, se tivermos o Pai e os irmãos bem no fundo do coração, se nossa vida tiver sabor de bem-aventurança.



Somente então nos sentaremos à mesa do Reino de Deus, ainda que tenhamos chegado mais cedo ou mais tarde, ainda que sejamos do Oriente ou do Ocidente. O novo povo de Deus - a Santa Mãe Igreja - não tem passaporte, mas tem identidade; não vive de renda, mas tem história. A graça do Senhor faz nossa equipagem ser leve, torna ágil o caminhar e, sobretudo, Ele mesmo é para nós o caminho e o companheiro caminhante. Entremos pela sua porta, pois Ele a fez para a nossa pequenez, segundo a medida da sua misericórdia.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ministério da Palavra - nova luz para a Igreja

Ministério da Palavra oficializado, força para Igreja missionária

Entrevista com Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte
Por Alexandre Ribeiro
BELO HORIZONTE, domingo, 24 de maio de 2009 (ZENIT.org).- “Não encontrar com rapidez um modo de fazer com que a Palavra de Deus chegue mais rápido através de ministros para isto constituídos é deixar de usar a força maior para o que nós queremos ser: uma Igreja em estado permanente de missão”, afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil).



No Sínodo da Palavra, em outubro de 2008, Dom Walmor Oliveira de Azevedo –responsável na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela Comissão de Doutrina da Fé–, propôs o estudo e a oficialização do ministério da Palavra. Ele explica a ideia nesta entrevista a ZENIT.



–No Sínodo o senhor defendeu a oficialização do ministério da Palavra. Em que consiste?



–Dom Walmor Oliveira de Azevedo: Quando fiz minha intervenção durante o Sínodo, quis focalizar que a Igreja, na sua missionariedade, precisa contar com muitos ministros para garantir presença em todos os lugares e chegar a todos os corações. Ao considerar a Palavra de Deus, como diz São Jerônimo, verdadeira comida e verdadeira bebida, propus que se torna importante o estudo e a oficialização do ministério da Palavra. Este é um caminho que a Igreja já está percorrendo. São muitas experiências ao redor do mundo de ministros da Palavra, em alguns lugares até chamados de delegados da Palavra. Mas é preciso fazer com que este ministério ou este serviço não seja apenas de suplência; digamos, se o sacerdote não pode estar presente, então por suplência alguém exerce o ministério da Palavra, no culto da Palavra. Penso que se torna importante estudar e aprofundar a perspectiva de que, numa Igreja toda ministerial, de muitos ministros, o ministro da Palavra, portanto instituído, oficialmente enviado, possa ser uma presença congregando comunidades de fé, grupos de pessoas em diferentes ambientes, para que a Palavra de Deus possa ser repartida como verdadeira comida e verdadeira bebida, como verdadeiro e indispensável alimento.



Nesse sentido, nós na Igreja sentimos necessidade de fazer com que a Palavra de Deus tenha na vida de cada cristão católico uma centralidade, seja uma fonte de referência permanente. Eu gosto de dizer que não podemos viver um só dia sem a Palavra de Deus. Assim como nós não podemos viver sem o alimento, nós não podemos viver um só dia sem a Palavra de Deus. É preciso multiplicar a repartição, a oferta do serviço da Palavra de Deus. Ora, nós vemos outros grupos religiosos crescendo a partir deste anúncio e deste serviço da Palavra de Deus. Nós que temos essa missão, e a Igreja que é depositária desta Palavra de Deus, e que tem este tesouro inesgotável, não pode demorar muito para multiplicar a rede de servidores e de anunciadores da Palavra de Deus. Penso que essa compreensão pode trazer uma força missionária nova, pois a experiência com o encontro pessoal com Cristo, que é núcleo central da missionariedade para a Igreja, tem na Palavra de Deus uma grande alavanca e uma grande força.



Ao ouvir os relatórios dos bispos durante o Sínodo, outros também tocaram nessas perspectivas, para mim isso se tornou cada vez mais evidente. Não encontrar com rapidez um modo de fazer com que a Palavra de Deus chegue mais rápido através de ministros para isto constituídos, instituídos, é deixar de usar a força maior para o que nós queremos ser: uma Igreja em estado permanente de missão.



–Como se poderia estruturar este ministério?



–Dom Walmor Oliveira de Azevedo: A oficialização como ministério supõe, e eu disse isso no Sínodo, um estudo por parte dos dicastérios competentes da Santa Sé, como a Congregação para a Doutrina da Fé, a Congregação para a Educação Católica, para a Liturgia e a Disciplina dos Sacramentos. Supõe este estudo para clarear uma compreensão teológica e a configuração ministerial. Também supõe uma preparação adequada. É preciso uma formação básica boa, consistente, profunda, incluindo a dimensão doutrinal, incluindo a dimensão da compreensão da própria Palavra de Deus, uma compreensão que dê aos ministros da Palavra a condição de por si cavar desta fonte, tirar água desta fonte, que é inesgotável. E incluir ainda uma preparação muito específica no âmbito da comunicação. Durante o Sínodo, houve um momento em que cristalizou toda a discussão em torno disso. Até mesmo se fez uma proposição ao Santo Padre de que haja um diretório próprio para a preparação daqueles que comunicam a Palavra de Deus, daqueles que são os pregadores, para a homilia. Esse aspecto da comunicação é fundamental. Do contrário, nós não falaremos com uma linguagem que neste tempo atual abre caminhos para que as pessoas possam entender, ser interpeladas, tocadas.



Penso que são dois movimentos importantes. O de clarear o sentido teológico, pastoral, canônico do ministério da Palavra, na direção de dar mais oficialidade a ele. E, ao mesmo tempo, este trabalho que nós já podemos fazer com nossos padres e com os que já são ministros da Palavra e que estão exercendo este serviço. Uma preparação de modo que nós tenhamos uma força de comunicação maior através deles e se possa ter uma linguagem, como diz o Santo Padre, com força performativa, isto é, ao comunicarem, tocam profundamente o coração das pessoas com a força da Palavra de Deus.



–Qual a repercussão de sua proposta?



–Dom Walmor Oliveira de Azevedo: A primeira repercussão disso nós vamos sentir quando vier a exortação pós-sinodal, que é um trabalho próprio do Santo Padre Bento XVI, e que se espera possa vir até um ano no máximo depois do acontecimento do Sínodo. A exortação pós-sinodal vai nos mostrar a repercussão e as indicações que o Santo Padre vai fazer nesta direção. Nós temos grande expectativa sobre a exortação. Esperamos que ela chegue logo. Temos certeza de que ela trará muitas perspectivas interessantes.



–Este ministério da Palavra seria também uma maneira concreta e positiva de enfrentar o avanço das seitas?



–Dom Walmor Oliveira de Azevedo: Coloquei isso exatamente lá. Muitos cristãos que até deixam a Igreja católica e se engajam em outras confissões religiosas dizem: agora encontrei Jesus, agora minha vida tem sentido. Temos certeza de que esses testemunhos, no que pesam sua consistência e sua autenticidade, estes testemunhos se devem ao contato direto e permanente com a Palavra de Deus. E por isso as pessoas são tocadas. Porque o contato com a Palavra de Deus é experiência de graça que toca o coração das pessoas. Nós precisamos repartir a Palavra de Deus de maneira mais aberta, mais forte, mais constante, congregando muitas pessoas e motivando-as ao encontro pessoal com Cristo.



–Isso não dividiria a Igreja entre Eucaristia e Palavra?



–Dom Walmor Oliveira de Azevedo: Isso seria impossível acontecer porque nossa Igreja é eucarística. É uma Igreja que nasce e vive da Eucaristia, assim como é uma Igreja que nasce e vive da Palavra de Deus. A nossa tradição, a nossa experiência eclesial não permitiria que se fosse numa direção quase polarizadora. Pelo contrário, isto nos daria uma força maior, enriquecedora, enquanto a Eucaristia e a Palavra nos sustentam e são para nós indivisíveis. Nós não seríamos uma Igreja simplesmente como outras Igrejas que usam da Palavra mas não vivem e não celebram a grandeza do mistério inesgotável da Eucaristia. A tradição da nossa Igreja num caminho como esse de muitos ministros distribuindo a Palavra não nos desligaria de uma fonte que dá força e consistência a nossa identidade católica.

Leigos e a Pastoral

Cristãos leigos não são apenas os que realizam atividades pastorais

Cardeal Scherer enfatiza missão de testemunhar o Reino de Deus no mundo secular
SÃO PAULO, quinta-feira, 19 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, afirma que os chamados “cristão leigos” não são apenas aqueles que trabalham nas pastorais da Igreja Católica. Ele recorda que todos os batizados são convidados a testemunhar o Evangelho no ambiente em que atuam.



Os cristãos leigos e leigas “são todos os membros da Igreja que vivem sua fé e sua consagração batismal nas condições ordinárias da vida: na família, nas profissões, no mundo da cultura ou exercendo responsabilidades sociais”, explica o arcebispo, em artigo publicado na edição desta semana do jornal O São Paulo.



“É esse imenso povo de Deus presente em todo o tecido social, permeando-o com o sal e fermento do Evangelho e irradiando sobre as realidades deste mundo a luz de Cristo, que ilumina sua própria vida.”



Segundo Dom Odilo, com frequência se consideram como “‘cristãos leigos’ apenas aqueles que realizam atividades pastorais no ambiente eclesial propriamente dito”. A estes, a Igreja “agradece a sua colaboração generosa nas diversas responsabilidades das comunidades eclesiais”, já que eles desempenham atividades de “suma importância”, afirma o arcebispo.



No entanto, “nem todos os fiéis leigos poderiam estar empenhados em alguma pastoral”. “De fato, porém, a vocação primordial dos fiéis leigos é testemunhar a novidade do Reino de Deus no ‘mundo secular’, lá onde a Igreja não está presente de forma institucional”.



Segundo o cardeal, trata-se de “um vastíssimo e desafiador campo para a ação missionária da Igreja, a ser atingido sobretudo através dos leigos”.



“A vida na comunidade eclesial, as celebrações litúrgicas e as organizações eclesiais são momentos e espaços necessários para o cultivo e a alimentação da fé, para o suporte e o preparo para a ação no mundo; toda a vida do cristão leva à Eucaristia e, dela, tira sua força toda a fecundidade para a vivência apostólica diária.”



O mesmo pode ser dito, de acordo com o arcebispo, da Palavra de Deus: “dela parte todo impulso para a missão e, ao mesmo tempo, toda ação cristã no mundo requer constante retorno à Palavra de Deus para iluminar, discernir, encorajar e sustentar a vivência da fé. Mas a vida cristã não se restringe a esses momentos e espaços”.



“A comunidade cristã, Igreja viva, e cada um de seus membros, deve irradiar o reino de Deus no mundo; pela ação missionária da Igreja, a cidade dos homens, edifica-se em cidade de Deus, até que chegue o grande ‘dia do Senhor’. Esta missão cabe, de maneira especial, aos cristãos leigos e leigas, que estão em contato direto com as ‘realidades terrestres’ e atuam no ‘mundo secular’”, afirma o cardeal.



“O Concílio indica que é lá que os leigos são chamados por Deus ‘para que, exercendo seu próprio ofício guiados pelo espírito evangélico, como o fermento na massa, de dentro contribuam para santificar o mundo. E assim manifestem Cristo aos outros, especialmente pelo testemunho de sua vida resplandecente de fé, esperança e caridade’ (Lumen Gentium, 31), cita o arcebispo.

Ainda sem net e sem perspectiva de chegar

Bom dia a todos. Estou em uma de nossas casas para ver se consigo me conectar. Graças a Deus que consegui sem problemas. Como já falei, onde estou morando é tudo difícil, pois não tem futuro economicamente para as empresas de telecomunicação. Acho que, de fato, não há possibilidade de chegar a net fixa. Vou ter que mudar o modem, pois também até agora num consigo me conectar com o que tenho no momento. Com tudo isso, esse espaço acaba ficando também comprometido. Peço minhas sinceras desculpas aos que aqui passam e deixam carinhosamente suas mensagens e leem as postagens. Espero, em breve, voltar 100%.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Abuso do judiciário da Bélgica contra a Igreja

Vítimas de abusos sexuais denunciam justiça belga na Europa

Processo investigatório aos bispos da arquidiocese de Bruxelas foi “irregular”
BRUXELAS, segunda-feira, 16 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes apelaram ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos para denunciar a Justiça da Bélgica por violação do direito às decisões judiciais.



O recurso de urgência foi anunciado pelo advogado das vítimas, Walter Van Steenbrugge, em declarações publicadas em 14 de agosto pela imprensa belga.



A decisão foi tomada depois de que a promotoria de Bruxelas decidiu, na sexta-feira passada, que as buscas realizadas no final de junho na sede do arcebispado de Malinas-Bruxelas e na catedral de Malinas foram "irregulares".



A investigação procurava discernir se membros da hierarquia católica haviam protegido clérigos autores de abusos sexuais.



A promotoria não anunciou esta decisão porque o juiz de instrução, Wim de Troy, pediu confidencialidade, mas o advogado do cardeal Godfried Danneels, arcebispo emérito de Bruxelas, convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que a resolução considerava as buscas irregulares, razão pela qual não considerava que o caso pudesse ser arquivado.



"O fato de não podermos conhecer o conteúdo da decisão demonstra uma arrogância inédita. A justiça cospe sobre as vítimas, que têm direito à informação", afirma o advogado Van Steenbrugge em suas declarações.



O recurso perante o Tribunal de Estrasburgo se deve a que a legislação europeia "estipula que temos direito a um juiz. Esse direito nos foi tirado e por isso peço a condenação do Estado belga, que deve velar para que os direitos das vítimas sejam respeitados".



Segundo explicou o cardeal Danneels na semana passada, as buscas "foram muito gerais e sobrepassaram a responsabilidade do juízo de instrução".



No dia 24 de junho, policiais e funcionários judiciais examinaram durante horas a sede do arcebispado de Malinas-Bruxelas, a catedral de Sint-Rombouts e a casa de Danneels, em busca de possíveis documentos incriminatórios de ocultação de pederastia.



A investigação do arcebispado, a maior circunscrição administrativa da Igreja Católica belga, foi realizada de forma simultânea a uma reunião da Conferência Episcopal Nacional, a qual assistia o núncio apostólico.



Os responsáveis eclesiásticos foram retidos durante horas, enquanto a investigação era levada a cabo. Por outro lado, os investigadores violaram dois túmulos de antigos cardeais, situadas na catedral.



A Santa Sé emitiu um protesto oficial que comunicou ao embaixador da Bélgica e manifestou sua "indignação" e "estupor" pela forma como as investigações foram feitas.



Este último escândalo de pederastia na Igreja belga saiu à luz no último mês de abril, quando o bispo da diocese de Bruges, Roger Vangheluwe, foi afastado pelo Papa, após reconhecer ter abusado sexualmente de um menor quando era sacerdote.

Iniciando mais uma semana

Mais uma semana está iniciando. Todos estamos no batente. É sempre um recomeço e uma oportunidade de começar algo novo. Não percamos as oportunidades que a vida nos oferece. Costumo dizer que cada dia é uma oportunidade que Deus nos dá para vivermos segundo Sua vontade. Boa semana a todos.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Eleições 2010 - FIQUEM ATENTOS!

Eleições 2010 – Vida Limpa

Artigo do bispo auxiliar do Rio de Janeiro
RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 13 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos artigo do bispo auxiliar do Rio de Janeiro Dom Antonio Augusto Dias Duarte, sobre o tema da Vida nas Eleições 2010 no Brasil, texto enviado a ZENIT nesta sexta-feira.

O direito à vida é o primeiro dos direitos naturais, é um dos direitos supra-estatais (como ensinava o eminente jurista Pontes de Miranda – Comentários à Constituição de 1946, 3ª ed., Tomo IV, pg. 242-243: “não existem conforme os cria ou regula a lei; existem a despeito das leis que os pretendem modificar ou conceituar. Não resultam das leis, precedem-nas; não têm o conteúdo que elas lhes dão, recebem-no do direito das gentes”), porque diz respeito à própria natureza humana e daí o seu caráter inviolável, intemporal e universal (cf. Manoel Gonçalves Filho, Comentários à Constituição Brasileira de 1988, Saraiva 1990, vol. I, p. 23).



Direito originário, condicionante dos demais direitos da personalidade – direito fundamental absoluto – o direito à vida é um direito-matriz, explicitamente mencionado no artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988 (“à inviolabilidade do direito à vida” é gratuito ‘petreamente’, isto é, qualquer ação contra a vida, toda medida que permite interrompê-la em seu desenvolvimento intra-uterino ou em qualquer fase da existência, seja qual for a justificação, é, inequivocamente, inconstitucional e anticonstitucional e, portanto, um ato de lesa-sociedade).



Convém considerar que desde a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, o caráter laical do Estado Brasileiro marcou profundamente a legislação do país, e nas Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988, tutelaram, e atualmente continua tutelando, os direitos humanos fundamentais: “à liberdade, à segurança individual e à propriedade” (Constituições de 1891, 1934, 1937), “à inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade” (Constituições de 1946, art. 141 e de 1967, art. 150), “à inviolabilidade do direito à vida” (Constituição de 1988, art. 5º).



Certamente esse Estado brasileiro laical, desvinculado logicamente da religião, mas respeitando todas as crenças existentes no Brasil, não se inspirou em princípios e em sentimentos religiosos ao redigir esses artigos que assegura constitucionalmente os direitos fundamentais dos seus cidadãos e certamente fundamentaram-se somente na dignidade da pessoa humana e não apenas na fé religiosa.



A ordem jurídica repetindo, – não só a religiosa – é quem socialmente exige o respeito e a proteção ao bem supremo da pessoa, que é a vida humana em todas as fases de suas manifestações. Reconhece assim que a vida humana jamais é uma concessão jurídico-estatal e, inclusive, o direito a ela transcende ao direito da pessoa sobre si mesma, mas é um direito natural anterior à constituição do Estado e da própria sociedade.



A pessoa humana não vive só para si, mas também, para a sociedade, e para o bem do Estado, já que ela não só é portadora de humanidade, mas é patrimônio da humanidade.



Nelson Hungria, conhecido e afamado jurista brasileiro, afirmava que quem pratica o aborto não opera ‘in materiam’, mas atua contra um ser humano na ante-sala da vida civil, o que acaba acarretando com esse ato homicida numa civilização da violência e da morte.



O titular da vida humana é unicamente a própria pessoa, que desde a sua concepção tem seus direitos garantidos (conforme o artigo 2º do Código Civil Brasileiro de 2002, o artigo 41 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o preâmbulo da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança), e tem personalidade jurídica formal, desde seu momento inicial na fecundação, embora adquira só com o nascimento a sua personalidade jurídica material.



Ainda que não nascida tem capacidade de direito, não de exercício, devendo aos pais ou o curador zelar pelos interesses como são amparados pelo sistema jurídico brasileiro.



Não é válido portanto o argumento de que cabe à mulher o direito absoluto de dispor livremente da sua saúde reprodutiva, pois uma vez que há uma vida semelhante à sua no seu útero e em desenvolvimento, esse caráter absoluto deixa de existir. Uma vez que é mãe a sua saúde reprodutiva continuará sendo um direito associado a deveres constitucionais básicos: assistir socialmente ao filho (cf., art. 203), proporcionar-lhes alimento (cf., art. 5º, LVII), cuidar do filho se tem anomalias físicas ou psíquicas (cf, art. 227, § 1º, II). Inclusive se corre o risco de vida estando grávida ou se o filho resultou de um estupro, deve saber que a vida humana concebida é um bem jurídico maior e qualquer ação contra ela é um crime horrendo, ainda que não se aplique uma pena contra ele (caput do artigo 128, do Código Penal Brasileiro). A exclusão da culpabilidade não significa a exclusão da juridicidade, já que o aborto sempre é um crime contra a pessoa humana (conforme o Título I – “Dos crimes contra a Pessoa”, parte especial do Código Penal Brasileiro).



O crime do aborto existe sempre e mesmo que haja discussão acadêmicas, política-partidárias, legislativas e, até mesmo, haja um plebiscito com resultado a favor do aborto legal, não se irá tornar ético um ato profundamente anti-ético, anti-social e, sobretudo, anti-natural e sangrento.



Nesse período de campanha eleitoral quando se procura uma renovação dos quadros executivos e legislativos do país e dos estados brasileiros o tema do aborto e demais temas correlatos – eutanásia, anticoncepção abortiva, distanásia, segurança pública, atendimento hospitalar público – podem ficar escondidos, sob o manto midiático de manchetes chamativas a respeito das pesquisas de opinião pública ou do crescimento econômico-social promovido por governantes e partidos a eles ligados.



O povo brasileiro não pode continuar sendo ingênuo e continuar na atitude de omissão política. O exemplo que ele deu na campanha ficha limpa é demonstrativo do seu poder transformador da sociedade.



É necessário que os brasileiros tirem a venda dos olhos e enxerguem com nitidez nos olhos dos seus candidatos e vejam neles a intenção, sem eufemismos de palavras, de defender realmente a vida humana desde a sua concepção até o seu final natural, que eles e elas mostrem nos seus programas de governo e nos seus projetos legislativos a vontade política de promover a natureza e a finalidade social da família brasileira fundada sobre o casamento entre o homem e a mulher, e que respeitem de verdade a inteligência dos cidadãos, não enganando-os mais com palavras e slogans políticos vazios.



Votar conscientemente é um direito e não só um dever político! Enganar conscientemente e “marqueteiramente” os eleitores é um crime contra a nação! Governar e legislar a favor da Vida Limpa, sem manchas ou poças sanguinolentas, é a esperança dos milhões de eleitores que são a favor da vida do brasileiro!

Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Ainda sem net

Gostaria de avisar aos visitantes e amigos deste blog, que ainda estou sem net fixa. Por incrível que pareça. Mesmo numa realidade hoje cibernética e informatizada, ainda é uma aventura conseguir colocar internet em determinados lugares. E, olhe, que estou na região metropolitana de Recife. No entanto, percebo que a mentalidade do Brasil colônia ainda é fortemente impregnada. Bom, vamos ter paciência e rezar que se apressem e chegue a oportunidade também para os menos favorecidos, por conta da localização. Por enquanto vou atualizando o blog sempre que for possível.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

E o drama continua - Peço orações pelos Padres SCJ no Congo (LEIAM E REZEM)

Vivemos mesmo um clima de total intranqüilidade e insegurança. Ontem, dia 8 de agosto, pelas 19h30m, quando estávamos terminando de jantar, um aviso de militares que fazem a guarda do quarteirão, nos comunicava que os Mai-Mai estavam de novo se posicionando para nos atacar.



Sem perda de tempo toda a comunidade dos noviços, mestre e os dois outros formadores, inclusive os militares que estavam cuidando de nossa casa, partimos em fuga para a cidade. Passando pela Radio MOTO, dos assuncionistas, fiz um comunicando, dizendo de nossa fuga e em seguida fomos ao bispo diocesano, D. Melquisedeck. Contamos-lhe toda a nossa tragédia. Entrou imediatamente em contato com o comandante do exercito. Sem grandes garantias imediatas, pois o exercito aqui é bem pobre e nem viaturas possui para ir em socorro de emergência.



Do palacio do bispo, fomos ao convento das Irmãs Orantes que nos acolheram fraternalmente. Em pouco temppo arrumaram dormitórios para os noviços e quartos para nós. Passamos uma noite de pesadelos novamente.



De manhã, meus colegas da equipe de formação, comunicaram que iriam abandonar Kiragho imediatamente. Um voltaria para Kisangani; outro para Mambassa. Disse-lhes francamente que permaneceria no meu posto, mesmo se todos quiserem partir.



O dia estava muito triste. Inclusive em vez do sol, uma chuva que entristecia mais ainda nossas horas. Fui conversar com o bispo, falando de minha decisão.



Hoje à tarde, depois do almoço, vamos voltar à Kiragho e conversarei com os noviços. Tenho certeza que todos vão querer partir; ir para Kisangani.



De minha parte não vou me opor à decisão de cada um. Mesmo se todos os noviços quiserem também ir embora, eu fico, pois o Sr. bispo pede insistentemente que não abandonemos o local, e que hoje mesmo ele vai falar com o Ministro do Interior, para nos dar uma grande cobertura e proteção. O clima é tenso.



Tenho que agüentar a barra sozinho. A grande questão: os noviços que vão a Kisangani, deverão voltar para casa? ou a Província lhes dará um novo local para continuarem o noviciado desse ano? Vamos interromper o noviciado desse ano?



Infelizmente a província não dispõe de local para abrigar essa grande turma. Que fazer? Que o Senhor nos ilumine! D Melkisedeck vai visitar os noviços refugiados no convento das irmãs, esta tarde. Aproveitei um momento de folga para lhes comunicar essa triste noticia! Peço que rezem! Vivemos um momento bem difícil!



P. Osnildo Carlos Klann, mestre dos noviços

sábado, 7 de agosto de 2010

Semana da Família no Brasil

Brasil: Igreja celebra semana da família


BRASÍLIA, sexta-feira, 6 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – A Igreja no Brasil celebra a partir deste domingo, dia 8, a Semana Nacional da Família.



A edição deste ano, a 14ª realizada, repete o tema do 6º Encontro Mundial das Famílias (México, janeiro de 2009): “Família, formadora de valores humanos e cristãos”.



“Nessa semana, as comunidades eclesiais, escolas, clubes, associações, animadas pela Pastoral Familiar, têm um espaço para preparar e organizar programações diversas, revigorando a integração familiar e ressaltando as virtudes e valores da família”, afirmou no site da CNBB o presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, Dom Orlando Brandes.



Segundo o bispo, a Igreja quer cada vez mais criar a tradição da Semana Nacional da Família nas dioceses e nas paróquias de todo o Brasil. “Fazer com que as famílias possam refletir sobre os temas, não somente na Semana Nacional, mas todos os dias”, disse.



Durante a semana, as paróquias trabalharão o tema de acordo com o livro “A Hora da Família 2010”, elaborado pela Comissão. O livro traz roteiros para celebrações nos lares, nos grupos e escolas.

Na internet: http://www.cnbb.org.br

Votar com dignidade é o que importa!

Votar em pessoas que sejam dignas dos cargos e funções, indica cardeal
Ano de eleições é sempre muito importante, comenta Dom Geraldo Agnelo

SALVADOR, terça-feira, 3 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – O arcebispo de Salvador, cardeal Geraldo Agnelo, indica que os eleitores tenham responsabilidade para votar “em pessoas que sejam dignas” dos cargos e funções que serão preenchidos a partir do pleito de outubro no Brasil.



“Faltam poucos dias para as eleições. Momento de grande responsabilidade para o exercício da democracia e do dever da cidadania”, afirma o cardeal, em artigo enviado a ZENIT nessa segunda-feira.



Segundo Dom Geraldo Agnelo, todos os cidadãos “têm o dever de tomar parte na atividade política, entendida como serviço ao bem comum. A autoridade pública tem o dever de guiar e coordenar, respeitando os direitos das pessoas e das comunidades intermédias”.



“Infelizmente – afirma o arcebispo –, muitos desconfiam da política, preferindo manter-se à distância. Outros entram nela para fortalecer interesses pessoais ou de grupo. Outros, por fim, fazem disso uma espécie de messianismo, por pretender libertar o homem de todos os males.”



O cardeal explica que a Igreja “tem em alta estima a genuína ação política; diz que é ‘digna de louvor e de consideração’ e aponta-a como ‘forma exigente de caridade’”.



“Reconhece que a necessidade de uma comunidade política e de uma autoridade pública está inscrita na natureza social do homem, e, por isso, deriva da vontade de Deus. Por outro lado, mostra os limites da política e vela por que não se torne açambarcadora ou até totalitária.”



De acordo com o arcebispo de Salvador, o Estado “assume um rosto demoníaco quando, esquecido do seu papel subsidiário de serviço, se torna totalitário e toma o lugar de Deus. Em situações semelhantes, os cristãos têm o dever de resistir”.



Dom Geraldo Agnelo explica que, segundo a doutrina da Igreja, a ação política autêntica é serviço para o bem comum, com transparência e competência.



“Os cidadãos são, ao mesmo tempo, destinatários e protagonistas da política. Têm o direito-dever de aprovar o sistema político, de eleger os governantes e de controlar o seu trabalho. Inseridos nas comunidades intermédias e nas associações, participam na gestão de numerosos serviços especialmente nos setores da educação, da cultura, da saúde, da assistência e promoção humana.”



Este ano de 2010 “é muito importante”, afirma o arcebispo, recordando a eleição de presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.



“Nós, os eleitores, teremos a responsabilidade de votar em pessoas que sejam dignas desses cargos e funções. Um voto dado irresponsavelmente, quem vai sofrer é o povo”, afirma.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Momento triste e de terror no Congo (África)

Noite de terror

Tínhamos terminado de rezar a oração da noite. 20h30m. 3 de Agosto de 2010.

Quando íamos saindo da capela, três bandidos, bem armados, nos obrigaram a entrar de novo e começaram a tirar, em primeiro lugar, os telefones celulares ( dois somente, pois os noviços não têm celular) e mesmo algumas jaquetas. Ajuntaram todos os noviços perto do altar. A mim deixaram no banco atrás. Ninguém podia falar. Eles falavam kinande e swahili. A um noviço que tinha algumas unidades ameaçaram com o punhal exigindo o telefone, que ele não tinha.

Sentado no banco de trás, rezava o terço pedindo a Deus, à Virgem Maria e ao Padre Dehon que nos protegesse. Aconselhava os noviços a se manterem calmos e a rezarem.

Dirigiram-se a mim, e através de um intérprete, exigiram dinheiro. Conduziram-me ao meu quarto. Tive de abri-lo. Insistiam : « dinheiro, dinheiro.. » Eu dizia : « não tenho mais. » Dei para eles o que ainda tinha na gaveta : 5 dólares e alguns francos congoleses. O chefe, olhou ; ficou furioso, jogou o dinheiro na minha cara, e com a espingarda no meu peito dizia : « um padre jà morreu porque não quis entregar o dinheiro ». Eu repetia : « não tenho mais nada. » Enquanto isso, dois outros bandidos revistavam meu quarto. Reviraram tudo. Eram ignorantes. Um pegou minha câmara fotográfica, mas não sabia do que se tratava. Olhava curioso, guardou-a na sua sacola e mais tarde perguntou a um noviço que fazia as vezes de intérprete : quanto valia. Respondi que mais ou menos 300 dolares. Ficou contente. Guardou e levou para si. Sem os acessórios naturalmente. Enquanto isso, o chefe, ordenou-me que deitasse de costas para cima e colocasse os braços para trás. Ali começou o suplício, a tortura física. Com a corda que ele arrancou de uma cortina do quarto, amarrou-me fortemente. Eu gritava de dor. Os noviços que estavam presos na capela escutavam meus gritos. E cada vez ele apertava mais as cordas. Eu gritava. Os noviços pensavam : eles estão matando o padre mestre ; depois eles vão nos matar também. Finalmente terminou de apertar, pegou-me pelo colarinho e me levantou. Sempre com ameaça. « Não estou brincando. Quero dinheiro ». Repetia sempre a mesma coisa : « não tenho mais, não tenho mais ». Depois de saquear o quarto, levaram-me para a frente da capela. Ali soltaram um pouco as cordas. Que alivio ! Enquanto isso, eles pegavam dois ou três noviços e os levavam para os seus respectivos quartos, onde roubavam tudo o que podiam. Depois os trancavam em seus quartos. Assim até passarem os 26 noviços. Limparam o que podiam.

Depois de 2 horas de tormento, eles pediram o vinho de missa. Tinha metade de uma garrafa. Eles levaram.

Saíram da capela e me disseram : vai dormir.

Graças a Deus, eles não tentaram profanar o sacrário. Estava firmemente decidido a não permitir tal profanação, mesmo sofrendo as ameaças de punhal e de espingarda.

Segundo os noviços o grupo era numerosíssimo. Nossa casa estava rodeada de bandidos bem armados.

Não eram militares. Quando chegaram, imobilizaram o guarda nocturno e perguntaram imediatamente se havia militares na casa.

Os noviços ficaram traumatizados. Mantive-me calmo durante todo o tempo, fazendo silenciosamente minhas preces.

Depois do assalto, reuni os noviços na capela para agradecer a Deus, à Virgem Maria e ao P Dehon a graça de nos preservarem com vida.

Com apenas um telefone conseguimos entrar em contato com Kisangani. Kisangani chamou as autoridades de Butembo. A resposta : estamos a caminho. Não chegaram até o dia seguinte. Somente dois militares, de moto, vieram aqui, às 8 horas da manha do dia seguinte, para fins de estatística de assaltos.

Infelizmente essa é a nossa realidade : Butembo està nas mãos dos bandidos ! Vive-se aqui uma guerra cruel : o pobre povo, sem proteção, contra os marginais, os bandidos bem armados, e às vezes mesmo até contra os próprios militares.

A tempo : quando deixaram nossa casa, de noite, os assaltantes encontraram um pobre homem. Esse resistiu ao assalto. Eles o mataram.

Butembo, 4 de agosto de 2010

P. Osnildo Carlos Klann, scj

Mestre de noviços

Momento triste e de terror no Congo (África)

Noite de terror

Tínhamos terminado de rezar a oração da noite. 20h30m. 3 de Agosto de 2010.

Quando íamos saindo da capela, três bandidos, bem armados, nos obrigaram a entrar de novo e começaram a tirar, em primeiro lugar, os telefones celulares ( dois somente, pois os noviços não têm celular) e mesmo algumas jaquetas. Ajuntaram todos os noviços perto do altar. A mim deixaram no banco atrás. Ninguém podia falar. Eles falavam kinande e swahili. A um noviço que tinha algumas unidades ameaçaram com o punhal exigindo o telefone, que ele não tinha.

Sentado no banco de trás, rezava o terço pedindo a Deus, à Virgem Maria e ao Padre Dehon que nos protegesse. Aconselhava os noviços a se manterem calmos e a rezarem.

Dirigiram-se a mim, e através de um intérprete, exigiram dinheiro. Conduziram-me ao meu quarto. Tive de abri-lo. Insistiam : « dinheiro, dinheiro.. » Eu dizia : « não tenho mais. » Dei para eles o que ainda tinha na gaveta : 5 dólares e alguns francos congoleses. O chefe, olhou ; ficou furioso, jogou o dinheiro na minha cara, e com a espingarda no meu peito dizia : « um padre jà morreu porque não quis entregar o dinheiro ». Eu repetia : « não tenho mais nada. » Enquanto isso, dois outros bandidos revistavam meu quarto. Reviraram tudo. Eram ignorantes. Um pegou minha câmara fotográfica, mas não sabia do que se tratava. Olhava curioso, guardou-a na sua sacola e mais tarde perguntou a um noviço que fazia as vezes de intérprete : quanto valia. Respondi que mais ou menos 300 dolares. Ficou contente. Guardou e levou para si. Sem os acessórios naturalmente. Enquanto isso, o chefe, ordenou-me que deitasse de costas para cima e colocasse os braços para trás. Ali começou o suplício, a tortura física. Com a corda que ele arrancou de uma cortina do quarto, amarrou-me fortemente. Eu gritava de dor. Os noviços que estavam presos na capela escutavam meus gritos. E cada vez ele apertava mais as cordas. Eu gritava. Os noviços pensavam : eles estão matando o padre mestre ; depois eles vão nos matar também. Finalmente terminou de apertar, pegou-me pelo colarinho e me levantou. Sempre com ameaça. « Não estou brincando. Quero dinheiro ». Repetia sempre a mesma coisa : « não tenho mais, não tenho mais ». Depois de saquear o quarto, levaram-me para a frente da capela. Ali soltaram um pouco as cordas. Que alivio ! Enquanto isso, eles pegavam dois ou três noviços e os levavam para os seus respectivos quartos, onde roubavam tudo o que podiam. Depois os trancavam em seus quartos. Assim até passarem os 26 noviços. Limparam o que podiam.

Depois de 2 horas de tormento, eles pediram o vinho de missa. Tinha metade de uma garrafa. Eles levaram.

Saíram da capela e me disseram : vai dormir.

Graças a Deus, eles não tentaram profanar o sacrário. Estava firmemente decidido a não permitir tal profanação, mesmo sofrendo as ameaças de punhal e de espingarda.

Segundo os noviços o grupo era numerosíssimo. Nossa casa estava rodeada de bandidos bem armados.

Não eram militares. Quando chegaram, imobilizaram o guarda nocturno e perguntaram imediatamente se havia militares na casa.

Os noviços ficaram traumatizados. Mantive-me calmo durante todo o tempo, fazendo silenciosamente minhas preces.

Depois do assalto, reuni os noviços na capela para agradecer a Deus, à Virgem Maria e ao P Dehon a graça de nos preservarem com vida.

Com apenas um telefone conseguimos entrar em contato com Kisangani. Kisangani chamou as autoridades de Butembo. A resposta : estamos a caminho. Não chegaram até o dia seguinte. Somente dois militares, de moto, vieram aqui, às 8 horas da manha do dia seguinte, para fins de estatística de assaltos.

Infelizmente essa é a nossa realidade : Butembo està nas mãos dos bandidos ! Vive-se aqui uma guerra cruel : o pobre povo, sem proteção, contra os marginais, os bandidos bem armados, e às vezes mesmo até contra os próprios militares.

A tempo : quando deixaram nossa casa, de noite, os assaltantes encontraram um pobre homem. Esse resistiu ao assalto. Eles o mataram.

Butembo, 4 de agosto de 2010

P. Osnildo Carlos Klann, scj

Mestre de noviços

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Desculpas pela ausência

Bom dia a todos os que frequentam esse espaço, feito com muito carinho. Estou numa nova moradia. Infelizmente, lá ainda não tem internet fixa. E a minha net móvel também num está surtindo o efeito esperado. Contudo, nesses dias estarei regularizando tudo direito, para atualizar esse espaço. Rezemos uns pelos outros.

domingo, 1 de agosto de 2010

18 Domingo do Tempo Comum - Dia do Padre (1 Domingo de Agosto)

Hoje é o primeiro domingo de agosto, e a Igreja no Brasil continua com a salutar tradição de dedicar os domingos desse mês a todas as vocações suscitadas na Igreja. A começar hoje pelo Dia do Padre, por conta da proximidade da festa de São João Maria Vianney, que é no dia 04 de agosto próximo. Rezem por nós, apesar dos nossos pecados queremos levar Cristo aos irmãos e irmãs. Queremos semear o amor e a paz, embora que muitas vezes apareça mais o ódio e a discórdia, a briga. Contudo, creio que no fundo todos queremos um mundo mais fraterno e humano, justo e solidário. São valores mais que cristãos. São João Maria Vianney, rogai a Deus por nós. Intercedei a Deus por todos, que são cristãos e cristãs. Homens e mulheres que lutam, a fim de que os valores do Reino sobressaiam em um mundo cada vez marcado pelo não-Deus, pelo não-Amor.

Descanso acabando...

Bom, como todos sabem tirei uns dias de descanso. Considero importante estes dias, pois restabeleço minhas energias para o semestre que está apenas começando. Como falei em outra oportunidade, é importante tirar uns dias de descanso. Ainda que sejam poucos, mas é importante. Você se restabelece, se fortifica, se desliga um pouco das atividades cotidianas, e isso ajuda no seu humor, na vida e nas relações com as pessoas. O semestre para mim promete muita coisa e atividade. Isso é bom. Sinto que estou no caminho certo dentro das atividades que me concederam, e daquelas que comecei a trilhar. Como diz a própria Sagrada Escritura "ad maioram Dei gloriam", ou seja, tudo para a maior glória de Deus. É nessa perspectiva que realizo meus singelos trabalhos, e meus novos desafios na pastoral e na vida cristã. Que o Senhor me ajude e derrame efusivamente suas graças e bençãos a todos e todas vocês que me acompanham com orações e palavras de estimulo. São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes, interceda por todos os padres e por todos os fiéis de Cristo. Amém.