sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Visita do Papa ao Reino Unido (2)

Escoceses enfileiram-se nas ruas para ver o Papa

Bento XVI completa seu primeiro dia da viagem ao Reino Unido
Por Edward Pentin
EDIMBURGO, quinta-feira, 16 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI aterrissou no aeroporto de Edimburgo um pouco antes das 10h30 de uma manhã marcada pelo vento e a humidade.



Mas o sol também estava brilhando, e o Santo Padre surgiu descansado, demonstrando paz e alegria ao sair do avião.



Ele foi saudado pelo duque de Edimburgo, um gesto sem precedentes, significando o quanto a Coroa valoriza a primeira visita de Estado de um Papa. Também foram recebê-lo o arcebispo primaz da Escócia, Inglaterra e Gales, cardeal Keith Patrick O'Brien, o arcebispo Vincent Nichols, e o coordenador do governo da visita, Lord Patten of Barnes.



Os fiéis enfileiraram-se na rota da comitiva que levou o Papa ao Palácio de Holyroodhouse, onde a rainha Elizabeth II o aguardava. Ali estavam ainda o arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, e autoridades políticas.



A grandeza da ocasião não foi despercebida pelo Papa. Enquanto a Guarda Escocesa tocava o hino nacional, ele fez uma saudação de respeito. Então caminhou – ainda sorrindo – pelo Palácio com a rainha, momento em que se detiveram para uma reunião fechada de 20 minutos, da qual também participou o príncipe Phillip.



Mas foram as saudações formais, na sequência, que evidenciaram o teor da visita, verdadeiramente histórica, e os temas que surgirão nos próximos três dias. O Santo Padre falou com ênfase da contribuição da Grã-Bretanha para o mundo, ressaltando que o bem que o país alcançou se deve a suas “profundas raízes cristãs”.



O pontífice criticou o “secularismo agressivo”, advertiu quanto à exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública, que conduz a uma visão redutiva da pessoa e de seu destino.



Ele também dirigiu algumas palavras aos meios de comunicação, especialmente os britânicos, convidando a promover “a paz das nações, o desenvolvimento integral dos povos e a difusão dos autênticos direitos humanos”.



Herança comum



Em seu discurso, a rainha, que é também a Suprema Governadora da Igreja da Inglaterra, afirmou que a presença do Papa “recorda-nos nossa comum herança cristã”. Ela se referiu à contribuição da Igreja Católica para o bem do mundo e destacou a importância do diálogo. Pediu que os britânicos e o Papa “permaneçam unidos” na convicção de que as “religiões jamais podem-se tornar veículos de ódio”.



Uma breve recepção, para 400 convidados, incluindo bispos, líderes religiosos e políticos, foi realizada antes do Papa seguir no papamóvel para almoçar com os bispos da Escócia. A polícia estima que 100 mil pessoas foram às ruas de Edimburgo para saudar o pontífice em sua passagem. A multidão o aplaudiu calorosamente. O Papa estava acompanhado no trajeto pelo cardeal O'Brien e por monsenhor Georg Gaenswein, seu secretário.



As ameaças de protesto não se concretizaram na Escócia. Além de um pequeno grupo de pessoas colando cartazes sobre episódios de abuso sexual, não houve outros incidentes. Em contrapartida, uma viva multidão compareceu ao Bellahouston Park, um grande espaço verde nos arredores de Glasgow, para participar da Missa ao ar livre no entardecer.



Estimativas apontam entre 70 mil e 100 mil pessoas. Um ambiente de festa era a cena quando o Papa chegou, com os peregrinos acenando com bandeiras.



“É maravilhoso e nós, como escoceses, temos o privilégio do Papa ter vindo aqui”, disse a peregrina Alice Boyle, que também participou quando João Paulo II ali esteve em 1982.



Tom Emans, outro peregrino que acenava com uma bandeira do Vaticano, disse esperar que esta visita “ajude as pessoas a pensar sobre a religião e também no próximo; será um momento de testemunho dos valores cristãos”.



Em sua homilia, o Papa disse que a evangelização da cultura é de máxima importância, em um tempo em que a ditadura do relativismo ameaça obscurecer a verdade da natureza humana, seu destino e seu bem último.



Segundo o pontífice, há quem queira excluir a religião do discurso público, privatizá-la ou pintá-la como uma ameaça à igualdade e à liberdade, mas a religião, de fato, é garantia de liberdade e respeito autênticos”.



Aos jovens, diante das tentações do mundo, o pontífice afirmou que só uma coisa dura verdadeiramente: o amor pessoal de Jesus Cristo por cada pessoa.



Após a Missa, o Papa dirigiu-se ao aeroporto de Glasgow e, tendo cumprido uma agenda cheia, voou para Londres. Um outro dia histórico será esta sexta-feira, quando ele falará no Westminster Hall, lugar onde São Thomas More, o padroeiro dos políticos, foi julgado e condenado por defender os princípios cristãos, em oposição ao Estado.



Por essa razão e pelo grande simbolismo que envolve, alguns aguardam este discurso como um dos mais importantes de seu pontificado.

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