sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ecumenismo não é “negociar acordo”, diz Papa

Discurso ao Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 19 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – O diálogo ecumênico não tem os objetivos “políticos” de chegar a “compromissos aceitáveis” entre as diferentes confissões cristãs, mas “à unidade na verdade”, assegura Bento XVI.



O pontífice fez essa afirmação nessa quinta-feira, no discurso que dirigiu aos participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, que celebra seus 50 anos de vida.



“Ainda em presença de novas situações problemáticas ou de pontos difíceis para o diálogo, a meta do caminho ecumênico continua imutável, como também o firme empenho em persegui-la”, disse o Santo Padre.



“Não se trata, no entanto, de um empenho segundo categorias, por assim dizer, políticas, em que entram em jogo a capacidade de negociar ou a maior capacidade de encontrar compromissos, pelo que se poderia esperar, como bons mediadores, que após um certo tempo se chegasse a acordos aceitáveis para todos.”



“A ação ecumênica tem um duplo movimento” – afirmou –. De um lado está “a busca convencida, apaixonada e tenaz para encontrar toda a unidade na verdade, para idear modelos de unidade, para iluminar oposições e pontos obscuros para alcançar a unidade”.



“E isso no necessário diálogo teológico, mas sobretudo na oração e na penitência, nesse ecumenismo espiritual que constitui o coração latente de todo o caminho: a unidade dos cristãos é e continua sendo, oração, habita na oração.”



Em segundo lugar, citou “outro movimento operativo, que surge da firme consciência de que nós não sabemos a hora da realização da unidade entre todos os discípulos de Cristo e não a podemos conhecer, porque a unidade não ‘a fazemos nós’, Deus ‘a faz’: vem do alto, da unidade do Pai com o Filho no diálogo de amor que é o Espírito Santo; é um tomar parte na unidade divina”.



Segundo o Papa, “isso não deve fazer diminuir nosso compromisso, ao contrário, deve nos tornar cada vez mais atentos a captar os sinais dos tempos do Senhor, sabendo reconhecer com gratidão o que já nos une e trabalhando para que se consolide e cresça”.



Ao concluir, o bispo de Roma reconheceu que “também no caminho ecumênico se trata de deixar para Deus o que é unicamente seu e de explorar, com seriedade, constância e dedicação, o que é tarefa nossa, tendo em conta que ao nosso compromisso pertencem os binômios de atuar e sofrer, de atividade e paciência, de cansaço e alegria”.

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