sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ 2011!!!

FELIZ 2011
A VOCÊ QUE ME ACOMPANHA
E ME QUER BEM.
MUITA PAZ, SAÚDE
E ALEGRIA EM DEUS.
ANIMAÇÃO E DISPOSIÇÃO
PARA A MISSÃO.
Pe. Valdir

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Evangelho do dia - O menino crescia e ficava forte

O menino crescia e ficava forte



Lc 2,36-40



Havia ali também uma profetisa chamada Ana, que era viúva e muito idosa. Ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser. Sete anos depois que ela havia casado, o seu marido morreu. Agora ela estava com oitenta e quatro anos de idade. Nunca saía do pátio do Templo e adorava a Deus dia e noite, jejuando e fazendo orações. Naquele momento ela chegou e começou a louvar a Deus e a falar a respeito do menino para todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

Quando terminaram de fazer tudo o que a Lei do Senhor manda, José e Maria voltaram para a Galiléia, para a casa deles na cidade de Nazaré.

O menino crescia e ficava forte; tinha muita sabedoria e era abençoado por Deus.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Evangelho do dia - Jesus é apresentado no Templo

Lc 2,22-35


Chegou o dia de Maria e José cumprirem a cerimônia da purificação, conforme manda a Lei de Moisés. Então eles levaram a criança para Jerusalém a fim de apresentá-la ao Senhor. Pois está escrito na Lei do Senhor: "Todo primeiro filho será separado e dedicado ao Senhor." Eles foram lá também para oferecer em sacrifício duas rolinhas ou dois pombinhos, como a Lei do Senhor manda.

Em Jerusalém morava um homem chamado Simeão. Ele era bom e piedoso e esperava a salvação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele, e o próprio Espírito lhe tinha prometido que, antes de morrer, ele iria ver o Messias enviado pelo Senhor. Guiado pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais levaram o menino Jesus ao Templo para fazer o que a Lei manda, Simeão pegou o menino no colo e louvou a Deus. Ele disse:

- Agora, Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz.

Pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação, que preparaste na presença de todos os povos:

uma luz para mostrar o teu caminho a todos os que não são judeus e para dar glória ao teu povo de Israel.

O pai e a mãe do menino ficaram admirados com o que Simeão disse a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus:

- Este menino foi escolhido por Deus tanto para a destruição como para a salvação de muita gente em Israel. Ele vai ser um sinal de Deus; muitas pessoas falarão contra ele, e assim os pensamentos secretos delas serão conhecidos. E a tristeza, como uma espada afiada, cortará o seu coração, Maria.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Festa dos Santos Inocentes

Santos Inocentes


Século I



Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus para evitar que vivesse o rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez.



Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os “santos inocentes”, cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem “confessar” sua crença.



Quem narrou para a história foi o apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou, então, os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina.



Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que, depois de encontrarem o “tal rei dos judeus”, voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois “também queria adorá-lo”.



Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.



Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano, ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.



A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V, agora santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que “Raquel choraria a morte de seus filhos” quando o Messias chegasse.



Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus.

Fonte: http://evangelhosanto.wordpress.com/2009/12/28/santos-inocentes-28-de-dezembro

Hoje a Liturgia celebra a Festa dos Santos Inocentes

Papa na noite de Natal: homem não pode redimir a si mesmo

Compõe uma oração para que acabe o tempo das “vestes manchadas de sangue”


CIDADE DO VATICANO, sábado, 25 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - Na missa do Galo deste Natal, Bento XVI refutou o falso moralismo, segundo o qual o homem pensa que pode redimir a si mesmo, e mostrou como Deus, ao fazer-se Menino, foi ao seu encontro para que a humanidade pudesse descobrir o Amor.



Em sua homilia durante a celebração, que começou duas horas antes da meia-noite, o Papa explicou o significado do Natal, constatando que nele "fica superada a distância infinita entre Deus e o homem"; e compôs uma oração para pedir que termine a época da tirania da violência e das "vestes manchadas de sangue".



Falso espiritualismo e moralismo



Ao explicar o mistério do Natal e da ação de Deus, o Pontífice convidou a superar dois extremos da vida espiritual. Em primeiro lugar, o de quem reconhece "apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa".



"Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio", sublinhou.



"As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho."



"Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho - afirmou. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco."



"Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra", disse.



Uma oração de Natal



O Papa afirmou que ainda que, com a encarnação do Filho de Deus, tenham surgido "ilhas de paz" - "em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus" - também "é verdade que ‘o bastão do opressor' não foi quebrado'", segundo falava o profeta Isaías.



"Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a ‘veste manchada de sangue'", à qual fazia alusão o profeta do Antigo Testamento.



Por isso, o sucessor do apóstolo Pedro compôs esta oração para o Natal: "Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de ‘uma paz sem fim' (Isaías 9, 6)".



E concluiu: "Nós vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor - o ‘reino da justiça, do amor e da paz'".



No final da Missa, algumas crianças levaram a imagem do Menino Jesus ao portal de Belém preparado dentro da Basílica Vaticana. O Papa se recolheu em oração silenciosa diante da representação artística.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Nota da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o livro "Luz do Mundo"

Qui, 23 de Dezembro de 2010 19:08 cnbb


Depois da polêmica pelas interpretações de alguns setores da imprensa sobre um extrato do livro-entrevista do Papa Bento XVI “Luz do Mundo”, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou ontem, terça-feira uma Nota na qual afirma que o Santo Padre não mudou a doutrina da Igreja sobre o preservativo.



Na nota publicada com o título “Sobre a banalização da sexualidade. A propósito de algumas leituras de Luz do mundo”, a Congregação para a Doutrina da Fé denuncia que as palavras do Papa sofreram “diversas interpretações não corretas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual”.



Não raro, - destaca a nota - o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se forem lidos inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do projeto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização da mesma, hoje generalizada.



Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns viram como uma mudança positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a ação eclesial na luta contra o HIV-AIDS. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. “Luce del mondo”, 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.



Como resulta da leitura da página em questão, - continua a nota da a Congregação para a Doutrina da Fé - o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que “se exclui qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação”. A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento.



Pelo contrário, - afirma a Congregação para a Doutrina da Fé - a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer “mais e melhor” (“Luce del mondo”, p. 206), ou seja, os caminhos que respeitam integralmente o vínculo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada ato conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável.



Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativa à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: “Fugi da imoralidade” (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição deve ser combatida, e as entidades assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.



A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da atual difusão do vírus HIV-AIDS, em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento, comete também um pecado contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública.



A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem “a solução autêntica e moral” do problema do HIV-AIDS e afirma também que “se concentrar só no preservativo significa banalizar a sexualidade”, porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso, é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, “com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode, entretanto, representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana”. Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: “Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV”.



Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado “mal menor”. Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a ação que pelo seu objeto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente desejada. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.



Na conclusão a nota afirma: na luta contra o HIV-AIDS, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimônio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. “Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade” (“Luce del mondo”, p. 170).



Fonte: Rádio Vaticano

Liturgia da Palavra: Natal do Senhor

Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

SÃO PAULO, quinta-feira, 23 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do Natal do Senhor – Leituras: Noite: Is 9,1-6; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14; Aurora: Is 62, 11-12; Tt 3, 4-7; Lc 2, 15-20; Dia: Is 52, 7-10; Hb 1, 1-6; Jo 1, 1-18 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.


NATAL DO SENHOR



“Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo Senhor!”



Leituras: Noite: Is 9,1-6; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14



Aurora: Is 62, 11-12; Tt 3, 4-7; Lc 2, 15-20



Dia: Is 52, 7-10; Hb 1, 1-6; Jo 1, 1-18



“A festa de hoje renova para nós os primeiros instantes da vida sagrada de Jesus, nascido da Virgem Maria. E enquanto adoramos o nascimento do nosso Salvador, celebramos também o nosso nascimento. Efetivamente, a geração de Cristo é a origem do povo cristão. O natal da cabeça é também o natal do corpo” (São Leão Magno, LH, dia 31 de Dez).



Será que nos surpreendem essas afirmações tão categóricas sobre a participação de todo o povo cristão e de cada fiel no mistério do nascimento de Cristo em força do batismo e do dom do Espírito Santo?



Talvez sim... E de certo modo, a responsabilidade é nossa...



Pois talvez estejamos de fato bem longe do horizonte de Deus por causa de uma visão redutiva das festas litúrgicas, consideradas como simples memória devota e emocional dos acontecimentos da vida de Jesus que elas celebram. Se reduzidas a esta limitada compreensão, as celebrações litúrgicas podem até ser capazes de suscitar nossa admiração, nossa devota compaixão em relação à solidariedade de Jesus para conosco, do pobre amparo de Belém até à generosa e cruel morte na cruz. Mas esses eventos estariam inevitavelmente relegados ao tempo passado. Seriam apenas fatos de ontem.



Pelo contrário as palavras do grande bispo e papa de Roma do século V, afirmam que o nascimento de Jesus é também o nosso nascimento para a vida nova em Deus. Que aquele evento é o nosso, hoje! Que nós estamos ainda nascendo com ele e ele em nós, pela potência do mesmo Espírito Santo que o gerou no seio da virgem Maria.



Papa Leão nos proporciona o centro da boa nova evangélica, da fé e da experiência cristã. Cabe destacar que quando ele propunha dessa forma os alicerces da nossa identidade cristã e da nossa esperança, não estava falando apenas para um grupo escolhido de estudantes de faculdade de teologia, mas partilhando sua fé e alegria de pastor com o povo simples de Roma, enquanto estava oferecendo sua homilia na solenidade do Natal!



Esta é a boa nova cantada pelos anjos na noite luminosa de Belém ao anunciar o nascimento de Jesus aos pobres pastores. Este é o âmago do Evangelho, anunciado pelo próprio Jesus, pregado pelos apóstolos e com tanto destaque evidenciado por Paulo nas suas cartas, proclamado e celebrado na liturgia deste santo tempo de Natal. Em Jesus, pelo dom do Espírito Santo derramado em nós pelo batismo, todos recebemos novamente a condição de filhos e filhas do Pai, e nos tornamos partícipes da sua mesma vida!



“Hoje Jesus Cristo nasceu, apareceu o Salvador!”.



Esta profissão de fé e este grito de alegria destacam a perene atualidade do evento da Encarnação do Verbo/Palavra de Deus, e atravessam como um refrão de fundo toda a liturgia eucarística e a liturgia das horas do tempo de Natal até a solenidade da Epifania.



“Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade! - acrescenta o mesmo papa Leão - E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que Cabeça e de que corpo és membro.... Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede” (São Leão Magno, LH, Natal do Senhor).



O Natal de Jesus é o início do processo do nosso nascimento. É como a gestação que vai formando o corpo inteiro de Cristo, que é a Igreja, Ele que é a cabeça e o coração da mesma, segundo a mística visão de Paulo. Este corpo está formando-se e crescendo em nós até alcançar sua maturidade no fim dos tempos. Até àquela misteriosa meta que somente o Pai conhece, continuaremos sofrendo as dores do parto, na espera do nascimento da nova criatura, e ao mesmo tempo, gozando da alegria do seu próximo aparecer na cena da história (cf. Rm 8, 22-25). Este processo que vai formando em nós a nova personalidade segundo o Espírito de Deus, acompanha a nossa progressiva conformação a Cristo, através da experiência transformadora da sua páscoa (cf. 2 Cor 5, 17).



Os textos litúrgicos do tempo natalino destacam a vinda do Senhor que “vem com potência”, e ao mesmo tempo com humildade e simplicidade. É o paradoxo do amor de Deus, que em extrema solidariedade para conosco, assume com o Verbo Encarnado toda nossa fraqueza, carregando sobre si nossos pecados, renovando até a raiz nossa inconsistência de criaturas pecadoras e nos doando sua própria vida.



Com grande estupor e alegria a Igreja canta esta extraordinária reviravolta da situação humana em Cristo: “Admirável intercâmbio! O criador da humanidade, assumindo corpo e alma, quis nascer de uma Virgem. Feito homem, nos doou sua própria divindade” (Oitava de Natal – Vésperas e Prefácio 3 de Natal).



A partir da contemplação deste centro do Mistério da Encarnação, a liturgia deste tempo faz emergir muitos aspectos da fé da Igreja, da sua esperança, do seu amor esponsal por Cristo, assim como de seu materno carinho e preocupação para com todas as pessoas humanas. Esses mesmos aspectos emergem e tornam a encontrar-se com ricas variações, como temas de fundo de uma grande sinfonia. As modalidades de expressar a fé (lex credendi) e as modalidades de celebrar o mistério de Cristo (lex orandi), se iluminam e se alimentam reciprocamente.



Natal é o tempo de nos aproximar-nos e ficarmos contemplando em silêncio o amor do Pai revelado no menino de Belém. Nele vislumbramos a antecipação profética de Jesus, cheio de compaixão pelos pobres e pecadores, e de Jesus que na cruz, com a última gota do seu sangue, derrama o Espírito renovador do universo.



A Páscoa com seu drama de amor sacrificado, de despojamento de toda glória divina até a descida nas profundezas da morte, e de vida nova pelo poder do Espírito, atua e revela plenamente o mistério do Natal.



A Igreja, como sábia mãe e mestra de vida, nos convida a mergulharmos neste mistério central da história da salvação. Em maneira excepcional nos proporciona a oportunidade de celebrar três vezes a eucaristia na noite-dia de Natal e de ficar contemplando o mistério do nascimento de Jesus por oito dias, quase como para saborear aos poucos o dom de Deus, gota à gota. O número oito, no simbolismo bíblico e litúrgico, diz plenitude. O dom de Deus em Cristo é total e inesgotável, porém nossa experiência dele é sempre parcial e incipiente. Os dias “normais” que seguem à festa guardam em si mesmos o dinamismo da plenitude, e transmitem à vida cristã de cada dia o sabor da festa autêntica, na espera da definitiva.



Para alimentar em profundidade o caminho espiritual pessoal e dar consistência e eficácia espiritual ao ministério pastoral, seria importante cultivar uma meditação atenta, de conjunto da liturgia eucarística - assim como da liturgia das horas - do inteiro ciclo da manifestação do Senhor, de Natal até a Epifania. O olhar da Igreja é essencialmente contemplativo, enquanto mira a transformação interior da pessoa e do mundo através da ação, do testemunho e do desenvolvimento da missão, que caracterizam toda verdadeira experiência da fé.



Redescobrir, através do mistério do Natal, a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja e na própria vida pessoal significa também redescobrir o sentido do recolhimento e da tranquilidade interior, do silêncio que guarda o mistério de Deus, como Maria que “guardava esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2,16; missa da aurora).



O clima de festa destes dias nas assembleias litúrgicas e nas famílias poderá ser autêntico se porventura faltar a doce companhia do silêncio interior que o torne fecundo?



O Advento destacou a aliança de Deus com Israel, acompanhada pelas promessas e a espera do Messias. Igualmente destacou o caminho na história do novo povo de Deus que é a Igreja de Cristo, a qual vive em comunhão com ele, enquanto espera sua vinda definitiva.



O Natal celebra o cumprimento das promessas de Deus e a participação de todas as criaturas humanas em Cristo à vida divina, como filhos e filhas.



A Epifania, com a narração simbólica da visita e da adoração dos reis magos vindos do oriente, destaca que o dom de Deus em Cristo é estendido a todos os povos, culturas e pessoas.



As três etapas deste tempo litúrgico constituem um verdadeiro caminho espiritual, pessoal e comunitário, e destacam as atitudes espirituais que é preciso cultivar ao longo da vida.



Percorrendo este caminho com a Igreja e contemplando no presépio o menino Jesus, descobriremos, à luz da Palavra de Deus e da fé, que a manjedoura é algo mais significativo do que uma comovente reconstrução cênica do nascimento de Jesus na pobreza. É o lugar da presença permanente de Deus no meio de nós, e o lugar do nosso nascimento para a vida e para o estilo de Deus, como indivíduos e como comunidade: vida de amor e estilo de humildade, de nudez e de paz.



Os textos evangélicos de Lucas (missas da noite e da aurora), as leituras do profeta Isaías (missas da noite, da aurora e do dia), e as cartas de Paulo (missas da noite, da aurora e do dia), compõem na maior parte a Liturgia da Palavra das missas do Natal. Nos introduzem na contemplação, com um movimento progressivo, à presença cuidadosa e fiel de Deus na história para seus filhos e filhas. Mostram como ele realiza seu desígnio de amor até o cumprimento pleno em Cristo de maneira unitária, progressiva, e sempre surpreendente, além das expectativas dos homens e das mulheres.



“O Novo Testamento, afirmava Santo Agostinho, está escondido no Antigo, e o Antigo se torna claro plenamente no Novo”. Este é o critério hermenêutico, iluminado pela fé, segundo o qual os textos dos profetas acompanham, com maravilhosa sintonia, as leituras dos Evangelhos e as cartas do apóstolo na liturgia do Natal. Em nós “acontece” ainda esta palavra de vida e encontra seu cumprimento. Pois, afirma São Gregório Magno, “A Palavra de Deus cresce com quem a lê”.



O Evangelho de João, proclamado na missa do dia, nos faz subir até o mistério da comunhão íntima do Verbo divino com o Pai, e nos faz vislumbrar quanto próximo a nós se tornou o mesmo Verbo de Deus, ao assumir nossa condição humana e nos doar sua própria vida divina. “A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).



Esta mesma Palavra, que é o próprio Jesus, Verbo de Deus encarnado, nos revela o coração do Pai e nos introduz na vida dele pelo dom do seu Espírito. “A todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus ... E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigénito, cheio de graça e de verdade... Da sua plenitude todos nós recebemos graça por graça” (Jo, 1, 12; 14; 16).



Natal, tempo da manifestação do Senhor na fraqueza humana, tempo de contemplação e de estupor frente a este mistério de amor, tempo de louvor e agradecimento, tempo de empenho, de testemunho e de serviço no estilo potente e humilde de Deus.



“Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso filho, que se dignou assumir a nossa humanidade” (Oração da missa do dia)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Bispo emérito de Limoeiro do Norte recusa comenda concedida pelo Senado

Bispo emérito


Escrito por Info SBC Informativo

Qua, 22 de Dezembro de 2010 16:09


O bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson da Cruz, 86, recusou a Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Camara, entregue hoje, 21, no Senado Federal, a pessoas que se destacaram na defesa dos Direitos Humanos. Dom Edmilson, que teve seu nome indicado pelo senador Inácio Arruda (CE), disse que receber a Comenda seria "um desrespeito aos direitos humanos do contribuinte" por causa do aumento de 61% do salário que os parlamentares se deram na semana passada.





"A condecoração hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Camara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os Senhores e Senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la!", disse o bispo.



Para dom Edmilson, o aumento do salário recebido pelos parlamentares deveria ser na mesma proporção do aumento do salário mínimo e do aposentado. "O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isto não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os Direitos Humanos do nosso povo".



Além de dom Edmilson, foram condecorados o bispo emérito de São Felix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga; os defensores públicos, Wagner de La Torre e Antônio Roberto Cardoso e o deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo. A escolha dos nomes foi feita pelo Conselho da Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, e pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal (CDH).



Confira a íntegra do discurso de dom Edmilson



Discurso de Dom Manuel Edmilson da Cruz, Bispo Emérito da Diocese de Limoeiro do Norte - CE, durante a outorga da Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Camara, conferida pelo Senado Federal, no dia 21 de dezembro de 2010





A surpresa chegou aos meus ouvidos à noitinha, quinta-feira 16 de dezembro. Como o alvorecer da aurora e a vibração cantante de um bom-dia. Mais que surpresa: era como se alguém de extraordinária generosidade tivesse enfocado uma libélula projetando a sua leveza e levando-a a atingir as proporções de um águia ou de um condor.



Passa por esse crivo o meu cordial agradecimento ao senhor Senador Inácio Arruda, aos seus ilustres Pares que o apoiaram e a todo Congresso Nacional.



Pensei, em vista dos meus oitenta e seis anos, em receber essa honraria por meio de um representante. Mas Congresso Nacional merece respeito. Verdadeiro Congresso Nacional é sinal de verdadeira democracia.



A honrosa condecoração, porém, dos Pais da "Pátria", (como diriam os Romanos "Patres Conscripti"), me faz refletir. Precatórios que se arrastam por décadas; aposentados, idosos com suas aposentadorias reduzidas; salários mínimos que crescem em ritmo de lesmas... depois de três meses de reivindicações e de greves, os condutores de ônibus do transporte coletivo urbano de Fortaleza, dos cerca de 26% de aumento pretendido, mal conseguiram e a duras penas, pouco mais de 6%, quer para a categoria, quer para o povo, principalmente os pobres da quinta maior cidade do nosso Brasil.



Pois é exatamente neste momento que o Congresso Nacional aprova o aumento de 61% dos honorários de seus Parlamentares que em poucos minutos chegam a essa decisão e ao efeito cascata resultante e o impõe ao povo brasileiro, o seu, o nosso povo. O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera Parlamentares? Graças ao bom Deus há exceções decerto em tudo isso. Mas excetuadas estas, a justiça, a verdade, o pundonor, a dignidade e a altivez do povo brasileiro já tem formado o seu conceito. Quem assim procedeu não é Parlamentar. É para lamentar. Prova disto? Colha na Internet.



Bem verdade é que a realidade não é assim tão simples e a desproporção numérica, um dado inarredável. Já existe - e é de uma grandeza bem aventurada! - o SUS; o bolsa família. Aí estão trinta milhões de brasileiros, que da linha de pobreza, às vezes até da indigência, alcançaram a classe média. É verdade a atuação do Ministério da Saúde. Existe o Ministério da Integração Nacional. É verdade! Mas não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta. Maldita realidade desumana, desalmada! Ela já é em si uma maldição. E me faz proclamar em pleno Congresso Nacional, como já o fiz em Assembléia Estadual e em Câmara Municipal: Quem vota em político corrupto está votando na morte! Mesmo que ele paradoxalmente seja também uma pessoa muito boa, um grande homem. Ainda não do porte de um Nelson Mandela que, ao ser empossado Presidente da República do seu país, reduziu em 50% o valor dos seus honorários.

Considerações finais



Senhores e Senhoras,



Sinto-me primeiro, perplexo; depois, decidido. A condecoração hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Camara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os Senhores a Senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la! Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, a cidadã contribuintes para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade do seu trabalho. É seu direito exigir justiça e eqüidade em se tratando de honorários e de salários. Se é seu direito e eu aceitar, estou procedendo contra os Direitos Humanos. Perderia todo o sentido este momento histórico. O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isto não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os Direitos Humanos do nosso povo.



A atitude que acabo de assumir, assumo-a com humildade. A todos suplico compreensão e a todos desejo a paz com os meus sinceros votos e uma oração por um abençoado e Feliz Natal e um próspero e Feliz Ano Novo!

DEUS SEJA BENDITO PARA SEMPRE!

Novena de Natal

Quem está fazendo a novenda do Natal? Acredito que muitas paróquias, grupos e movimentos etc. É um tempo de renovação espiritual e de esperança n'Aquele que veio e virá, Jesus Cristo. No entanto, a Liturgia da Igreja desde longos séculos tem uma novena toda particular e rica de significados, que nos vai apontando diretamente para a noite de Natal. Infelizmente, hoje em dia foi praticamente esquecida. Creio que muitos irão lembrar das famosas antífonas do Ó. Ficaram assim chamadas, segundo meu pequeno conhecimento, por ser a primeira letra iniciada no cântico latino na oração das Vésperas. Claro que não é ela que é o mais importante, mas a palavra que vem em seguida. Ela melodiosamente faz chamar a atenção do que virá depois. E a partir de quando se canta essas famosas antífonas? Do dia 17 até 24 de dezembro. O Diretório da Liturgia da CNBB nos dá as primeiras palavras de cada uma delas. Além disso, a riqueza litúrgica delas nos aponta ao final todo o seu significado, pelo qual elas foram recitadas e do seu profundo significado bíblico-teológico-litúrgico. Prestem rapidamente atenção em cada uma delas:

17/12 - O Sapientia (ó Sabedoria)
18/12 - O Adonai (ó Senhor)
19/12 - O Radix (ó Raiz)
20/12 - O Clavis (ó Chave)
21/12 - O Oriens (ó Sol)
22/12 - O Rex Gentium (ó Rei dos Povos)
23/12 - O Emmanuel (ó Deus conosco)

As letras que estão em negrito e sublinhadas tem nos dá e aponta a nossa esperança, Cristo Senhor. Ele virá mais uma vez nascer em nossos corações em nossa vida e em nossa família. Olhando de cima pra baixo não encontramos nenhuma palavra, mas olhando de baixo pra cima cada letra grifada iremos ter a seguinte palavra: E R O  C R A S (AMANHÃ ESTAREI), são palavras latinas que significam "ERO = estarei - 1a. pessoa do futuro do verbo SER latino, CRAS = amanhã - termo que retrata o tempo".
Amanhã, mais uma vez, Ele estará conosco. Nascerá em nossa manjedoura, em nossa vida. Ele quer nascer em nosso coração empobrecido pela maldade, mas onde Ele toca faz brotar vida. Que a luz de Cristo brilhe em nossa família e em nossa vida. FELIZ NATAL!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NOMEAÇÕES E RENUNCIAS ACEITAS PELO PAPA PARA O BRASIL, 2010/12/22

NOMEAÇÃO DE BISPO Joaçaba (BRASIL)



Papa Bento XVI nomeou bispo de Joaçaba (Brasil), Dom Mário Marquez, OFM Cap., na medida da NASA e do Titular Bispo Auxiliar de Vitória.



Dom Mário Marquez, OFM Cap.

Dom Mário Marquez, OFM Cap., nasceu 23 de novembro de 1952, em Lucerna, na Diocese de Joaçaba, Estado de Santa Catarina . Entrou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, com quem cursou o ensino médio no seminário de Santa Maria em Engenheiro Gutierrez e completou seus estudos de filosofia no Convento dos Capuchinhos Bom Jesus em Ponta Grossa, estudou Teologia nell'ITESC - Instituto Teológico de Santa Catarina , em Florianópolis.

Ele fez sua primeira profissão como um franciscano capuchinho 22 de fevereiro de 1976 e outubro perpétua 6, 1979. Ele foi ordenado sacerdote 22 de novembro de 1980.

Religiosos como pertencente à Província dos Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina fez as seguintes tarefas: Padre da Paróquia São Pedro de Rancho Alegre e da paróquia de Nossa Senhora Aparecida , em Uraí (1980 - 1982), capelão da Força Aérea, Base da Força Aérea Capelão Curitiba (1983 - 1984), Vigário da paróquia de Nossa Senhora da Misericórdia e de Nossa Senhora da Luz , em Curitiba (1992 - 1993), capelão do II Comando Aéreo Regional de Recife (1994 - 1996), pastor da Catedral da Rainha Paz do Militar no Brasil, em Brasília (1996-2006).

Em mai 31, 2006 era designado Bispo titular de NASA e auxiliares dos Diocese de Vitória, capixaba. Ele recebeu sua consagração episcopal em 06 de agosto do mesmo ano.



[01836-01.01]





NOMEAÇÃO DE AUXILIAR DE PORTO ALEGRE (BRASIL)



O Papa nomeou Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre (Brasil) Rev.do Agenor Girardi P, MSC, até agora pároco de São José da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, atribuindo-lhe o bispo titular de Fornos mais.



Rev.do P Agenor Girardi, MSC

Rev.do O Agenor Girardi P, MSC, nasceu 02 de fevereiro de 1952 na cidade de Orleans, Estado de Santa Catarina, na diocese de Tubarão. Ele fez sua profissão religiosa na Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, em 1 de Fevereiro de 1982 e foi ordenado sacerdote em 05 de setembro.

Após os estudos preparatórios no Seminário Menor de São José Francisco Beltrão (1966 - 1975), estudou filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1975 - 1977) e na Faculdade de Teologia de Teologia Nossa Senhora da Assunção , em São Paulo. Obteve a Licença em Teologia Espiritual na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

Exerceu os seguintes cargos: vigário paroquial da Paróquia de Santa Rita de Cássia de Marmeleiro (1982), padre e reitor do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração em Curitiba (1999-2001), vigário paroquial da paróquia e, em seguida, São José Francisco Beltrão (desde 2002), membro do Conselho Presbiteral da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão (desde 2007). Como parte da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração realizou os seguintes cargos: Diretor do Seminário São José Francisco Beltrão (1984 - 1988), Mestre de Noviços em Pirassununga (1991 - 1995), Reitor da Casa de Teologia de Curitiba (2001 -) o consultor da Conferência dos Religiosos do Brasil, para obter orientações espirituais e exercícios de treinamento sobre a Vida Consagrada. 2002



[01837-01.01]





NOMEAÇÃO DE AUXILIAR São Luis do Maranhão (Brasil)



O Santo Padre nomeou Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Luís do Maranhão (Brasil) Rev.do P. José Carlos Chacorowski, CM, anteriormente Diretor das Filhas da Caridade da Província do Amazonas, na Arquidiocese de Belém do Pará, atribuindo-lhe o bispo titular de casas pretas.



Rev.do P. José Carlos Chacorowski, CM

O Rev.do P. José Carlos Chacorowski, CM, nasceu 26 de dezembro de 1956, em Curitiba, Paraná. Em 15 janeiro de 1977 fez a entrada na Congregação da Missão (Vicentinos), na qual ele fez seus votos religiosos, 16 de abril de 1980.

Foi ordenado sacerdote em 2 de julho de 1980 pelo Papa João Paulo II, no Rio de Janeiro.

Ele completou seus estudos superiores em filosofia no Seminário e São Vicente de Paulo de Araucária. Ele recebeu seu bacharelado em Teologia no Studium theologicum em Curitiba. Ele então completou alguns cursos Criatividade, técnica vocal, Leitura e Conversação Básica dinâmica RELAÇÕES Humanas , bem como um curso de língua francesa em Bruxelas e um curso no Centro Internacional de Formação em Paris.

Após a ordenação exerceu os seguintes cargos: Instrutor no Seminário Diocesano de Palmas-Francisco Beltrão (1980 - 1982), Missão na República Democrática do Congo (1982 - 1987), responsável pelo Ministério de arremessos (1987 - 1996); Conselheiro Nacional de Juventude Marial Vicentina e Diretor das Filhas da Caridade da Província de Curitiba (1996 - 2005), pároco da paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões de Guaraqueçaba, na Diocese de Paranaguá (2005-2009).

Atualmente é Diretor das Filhas da Caridade da Província do Amazonas, na Arquidiocese de Belém do Pará.



[01838-01.01]

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Relativismo e falta de moral propiciaram abusos sexuais, afirma Papa

Em seu discurso à Cúria Romana por ocasião da troca de votos natalícios


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - Bento XVI reconheceu a gravidade e responsabilidade da Igreja nos abusos sexuais cometidos por sacerdotes, mas também o contexto de relativismo moral em que ocorreram.



Ele fez isso no tradicional discurso à Cúria Romana por ocasião da troca de votos natalícios, ao receber em audiência no Vaticano os membros do Colégio Cardinalício, representantes da Cúria Romana e do governo.



A questão dos abusos sexuais por parte de membros do clero ocupou a primeira e maior parte do discurso do Papa à Cúria Romana.



"Estamos cientes da particular gravidade deste pecado cometido por sacerdotes e da responsabilidade que nos cabe. Mas não podemos deixar de falar também sobre o contexto do nosso tempo que é testemunha destes acontecimentos."



Em referência a este contexto, indicou que "existe um mercado da pornografia que envolve as crianças, e que de algum modo parece ser considerado cada vez mais pela sociedade como algo normal".



"A devastação psicológica de crianças, na qual pessoas humanas são reduzidas a um artigo de mercado, é um terrível sinal dos tempos", disse.



E continuou o diagnóstico acrescentando que "todo o prazer se torna insuficiente e o excesso no engano da alucinação torna-se uma violência que dilacera regiões inteiras, e isto em nome de um equívoco fatal da liberdade, no qual a própria liberdade do homem acaba minada e por fim completamente anulada".



Segundo o Pontífice, "para nos opormos a estas forças, devemos lançar um olhar sobre os seus alicerces ideológicos".



Neste sentido, explicou que, "nos anos 70, teorizou-se sobre a pedofilia como sendo algo totalmente consentâneo ao homem e também à criança", mas na verdade "isto fazia parte duma perversão fundamental do conceito de vida moral".



"Defendia-se - mesmo no âmbito da teologia católica - que o mal em si e o bem em si não existiriam", recordou, "nada seria em si mesmo bem ou mal; tudo dependeria das circunstâncias e do fim pretendido".



"A moral é substituída por um cálculo das consequências, e assim deixa de existir. Os efeitos de tais teorias são, hoje, evidentes."



Segundo o Papa, "o mundo, com todas as suas novas esperanças e possibilidades, sente-se ao mesmo tempo angustiado com a impressão de que o consenso moral se esteja a dissolver, um consenso sem o qual as estruturas jurídicas e políticas não funcionam; consequentemente, as forças mobilizadas para a defesa de tais estruturas parecem destinadas ao insucesso".



Bento XVI comparou a situação atual à do período de decadência do Império Romano, em que "o desmoronamento dos ordenamentos basilares do direito e das atitudes morais de fundo, que lhes davam força, causou a ruptura das margens que até então protegeram a convivência pacífica entre os homens".



Despertar



O Pontífice se referiu à passagem do Evangelho em que Jesus está dormindo na barca dos discípulos, agitada pela tempestade, prestes a afundar-se e, depois de apaziguar a tempestade, reprova os discípulos por sua incredulidade.



"Também em nós, muitíssimas vezes, a fé dorme. Por isso, peçamos-Lhe que nos acorde do sono de uma fé que se sente cansada e restitua à fé o poder de mover os montes, isto é, de conferir a ordem justa às coisas do mundo."



O Bispo de Roma indicou como "nossa responsabilidade tornar de novo audíveis e compreensíveis" as bases essenciais da ação moral, os critérios, como os que aparecem na encíclica Veritatis splendor.



Este texto de 1993, de João Paulo II, "hoje deve-se colocar de novo no centro este texto como caminho na formação da consciência", indicou Bento XVI.



Ano Sacerdotal



Em seu discurso, o Papa recordou que, "com grande alegria, tínhamos começado o Ano Sacerdotal e, graças a Deus, pudemos concluí-lo também com imensa gratidão, apesar de se ter desenrolado muito diversamente de como o tínhamos esperado".



Com relação a esses meses, afirmou que "renovou-se a consciência do grande dom que representa o sacerdócio da Igreja Católica".



"De novo nos demos conta de como é belo que seres humanos estejam autorizados a pronunciar, em nome de Deus e com pleno poder, a palavra do perdão, tornando-se assim capazes de mudar o mundo, a vida", disse.



"Como é belo que seres humanos estejam autorizados a pronunciar as palavras da consagração, pelas quais o Senhor atrai para dentro de Si um pedaço de mundo, e assim, num determinado lugar, transforma-o na sua substância", continuou.



"Como é belo poder estar, com a força do Senhor, junto dos homens nas suas alegrias e sofrimentos, tanto nas horas importantes como nas horas negras da existência; como é belo ter na vida por missão não esta pessoa ou aquela, mas pura e simplesmente o ser mesmo do homem, procurando ajudar para que se abra a Deus e viva a partir de Deus."



"Com tal consciência, ainda mais atônitos ficamos quando, precisamente neste ano e numa dimensão que não podíamos imaginar, tivemos conhecimento de abusos contra os menores cometidos por sacerdotes, que desvirtuam o Sacramento no seu contrário", reconheceu.



Bento XVI se referiu à realidade desses sacerdotes que, "sob o manto do sagrado, ferem profundamente a pessoa humana na sua infância e causam-lhe um dano para a vida inteira".



E afirmou que eles sujam a Igreja, recolhendo uma visão de Santa Hildegarda de Bingen, que em 1170 viu uma bela mulher com o rosto coberto de pó e o vestido rasgado.



"Na visão de Santa Hildegarda, o rosto da Igreja está coberto de pó, e foi assim que nós o vimos. O seu vestido está rasgado, por culpa dos sacerdotes. Como ela o viu e expressou, assim nós o vimos neste ano."



O que fazer agora?



Bento XVI indicou que "devemos acolher esta humilhação como uma exortação à verdade e um apelo à renovação", recordando que "só a verdade salva".



Ofereceu seis indicações para a Igreja, depois do conhecimento dos casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes.



"Devemos interrogar-nos sobre o que podemos fazer para reparar o mais possível a injustiça sucedida", indicou em primeiro lugar.



"Devemos perguntar-nos o que estava errado no nosso anúncio, em todo o nosso modo de configurar o ser cristão, para que pudesse acontecer semelhante coisa", continuou.



"Devemos encontrar uma nova determinação na fé e no bem. Devemos ser capazes de penitência. Devemos esforçar-nos por tentar tudo o possível, na preparação para o sacerdócio, a fim de que uma tal coisa não possa voltar a acontecer", disse.



E quis, por último, "agradecer de coração a todos quantos se empenham por ajudar as vítimas e suscitar neles de novo a confiança na Igreja". e "também a tantos bons sacerdotes que transmitem, humilde e fielmente, a bondade do Senhor e, no meio das devastações, são testemunhas da beleza não perdida do sacerdócio".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tribunal europeu: não existe o direito ao aborto

Defende a proibição de abortar da Constituição irlandesa

ESTRASBURGO, sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – O Tribunal Europeu de Direitos Humanos afirmou que não há um “direito humano ao aborto”, em um caso relativo a uma contestação à Constituição irlandesa.



A Grande Sala do Tribunal emitiu nessa quinta-feira uma sentença sobre o caso A, B e C versus Irlanda, destacando que a proibição constitucional irlandesa de abortar não viola a Convenção Europeia de Direitos Humanos.



A contestação à norma irlandesa foi levada ao tribunal em dezembro passado por três mulheres que afirmavam ter sido “obrigadas” a ir ao exterior para abortar, alegando que colocavam em risco sua saúde.



O tribunal sentenciou que as leis do país não violam a Convenção Europeia de Direitos Humanos, que destaca “o direito ao respeito à vida privada e familiar”.



O Centro Europeu de Direito e Justiça, parte terceira neste caso, elogiou o reconhecimento do tribunal ao “direito à vida do não nascido”.



O diretor do centro, Grégor Puppinck, explicou a ZENIT a preocupação de que o tribunal “pudesse reconhecer um direito ao aborto” como um “novo direito derivado da interpretação cada vez mais ampla do artigo 8”.



No entanto – acrescentou – “o tribunal não reconheceu este direito”, mas “reconheceu o direito à vida do não nascido como um direito legítimo”.



Puppinck esclareceu que “o tribunal não reconhece o direito à vida do não nascido como um direito absoluto, mas como um direito que deve ser avaliado com outros interesses em conflito, como a saúde da mãe ou outros interesses sociais”.



Equilíbrio de interesses



No entanto, “os Estados têm uma ampla margem de apreciação ao ponderar esses interesses em conflito, inclusive ainda que exista um vasto consenso pró-aborto na legislação europeia”.



“Isto é importante: o amplo consenso pró-aborto na legislação europeia não cria nenhuma nova obrigação, como em outros temas social e moralmente debatidos”, disse.



Segundo ele, “assim, um Estado é livre para proporcionar um grau muito elevado de proteção do direito à vida da criança não nascida”.



“O direito à vida da criança não nascida pode superar legitimamente outros direitos em conflito garantidos.”



Segundo Puppinck, “como tal, não existe um direito autônomo a se submeter a um aborto baseado na Convenção”.



O diretor do Centro Europeu de Direito e Justiça afirmou: “não recordo nenhum caso anterior que reconheça claramente um direito autônomo à vida da criança não-nascida”.



Um comunicado do Centro Europeu de Direito e Justiça destaca que “o objetivo natural e o dever do Estado é proteger a vida de seu povo; as pessoas, portanto, mantêm o direito a ter suas vidas protegidas pelo Estado”.



“A reciprocidade entre os direitos das pessoas e o dever do Estado no campo da vida e da segurança se considera tradicionalmente como o fundamento da sociedade pública; ademais, é o fundamento da autoridade e da legitimidade estatal”, indica.



E acrescenta que “a autoridade para abrir mão da proteção do direito à vida corresponde originariamente ao Estado e se exerce no contexto de sua soberania”.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Liturgia da Palavra: “E lhe porá o nome de Emanuel – Deus está conosco”!

Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

SÃO PAULO, quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – IV do Advento (Ano A) Is 7, 10-14; Rm 1, 1-7; Mt 1, 18-24 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.



* * *



IV Domingo do Advento - A



Leituras: Is 7, 10-14; Rm 1, 1-7; Mt 1, 18-24



“A origem de Jesus Cristo foi assim” (Mt 1,18a).



É uma afirmação muito simples. Ou pelo menos tal parece à primeira vista.



Parece que irá descrever em detalhes “como” aconteceu o nascimento de Jesus, registrando cuidadosamente o acontecimento. Porém, se ficarmos mais atentos ao texto, talvez descubramos algo mais profundo. O evangelista nos conduz gradativamente a uma aproximação não só das circunstâncias exteriores do nascimento de Jesus, ao “como”, mas sobretudo do descobrimento de seu “significado” teológico e existencial, seja para Israel, para a humanidade e para cada homem e mulher que ao longo do tempo receberão a “boa nova” (= evangelho, em grego) de tal evento. O que significa a origem de Jesus para nós, para mim, hoje?



A palavra “origem” (= gênesis, em grego) nos convida a contemplar o movimento da história de Deus com a humanidade desde os seus inícios (o livro do “Gênesis” é o primeiro livro da Escritura). A partir dessa contemplação, subimos até as misteriosas profundezas do coração de Deus, à fonte divina do amor do qual brotou seu plano para nos fazer partícipes, por graça, de sua própria vida.



A narração da origem/nascimento de Jesus, na visão teológica de Mateus, é o ponto final no qual desemboca a história da humanidade inteira. O nascimento de Jesus é apresentado como o cumprimento do plano que Deus traçara para a humanidade, plano que atinge seu ápice, mesmo através das vicissitudes complicadas das gerações, não raramente marcadas pelo pecado. Mas seu nascimento é também o início da etapa final desta mesma história, a sua plenitude na qual nós estamos vivendo por graça.



Mateus nos revela este sentido teológico e espiritual através da chamada “genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi e filho de Abraão” (Mt 1,1), colocada por ele no início do seu Evangelho como uma porta que nos introduz a seu sentido geral. O movimento da genealogia nos põe na grande aventura humana e, ao mesmo tempo, na trajetória de fé da Virgem Maria e de José seu esposo, ambos chamados a colaborar misteriosamente no cumprimento daquela história santa. É necessário olhar para a unidade entre a genealogia das gerações que precederam o nascimento de Jesus e este evento central de toda a história santa.



A palavra de Deus deste quarto domingo de Advento projeta já uma grande luz sobre o mistério da Encarnação do Verbo de Deus e sobre sua perene atualidade para todos. A “carne” que o Verbo assume, fazendo sua casa no meio de nós, não é somente a carne biológica de Maria. É toda a realidade humana, cultural, espiritual dos antigos pais de Israel e da humanidade. Por isso a Igreja ao celebrar o Mistério Pascal de Jesus na liturgia dos domingos, nos propõe sempre juntas as leituras do Antigo e do Novo testamento.



Nossa fé proclama e celebra no Natal o Verbo de Deus “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.



Com a linguagem e a estrutura simbólica do texto da genealogia, o evangelista nos diz que a história de Israel e da humanidade é uma história complicada: ela está ferida pelo pecado e pelas infidelidades à aliança. Deus, porém, é fiel às promessas feitas aos patriarcas e aos profetas, em particular a Abraão e a Davi, no seu compromisso de conduzir todos à salvação através do Messias nascido da linhagem real do próprio Davi e da fé de Abraão, no qual todos os povos hão de receber a benção.



A longa fila dos antepassados de Jesus, aos quais ele está ligado através de José, parece quase nos dizer que o Verbo de Deus foi assumindo carne “aos poucos” ao longo da história de Israel e da humanidade, através de tantas pessoas e das suas complicadas vicissitudes. Mas “quando enfim chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial”(Gl 4,5). No Filho, pela fé e pelo batismo, todos recebem a mesma graça e dignidade de filhos e filhas do Pai, sem discriminação (Gl 3, 25-29).



A “origem/nascimento” de Jesus Cristo está no centro da história: orienta a fase que a precede, assim como continua atuando no presente, ou melhor, até seu cumprimento escatológico, o qual, com toda a Igreja e a humanidade, ansiamos.



Contemplando com estupor o mistério de Jesus, com Paulo podemos afirmar: “tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de tudo e tudo nele subsiste. É a cabeça da Igreja, que é o seu corpo” (Cl 1,16-18). Que grande luz a contemplação do mistério de Jesus projeta sobre nosso caminho, ao seu seguimento! Contemplar com fé o menino Jesus na pobreza de Belém ou na simplicidade dos nossos presépios, deveria suscitar sentimentos bem mais profundos e ricos do que uma carinhosa compaixão pela sua pobreza e humildade.



O encantamento frente à história de Deus conosco em Jesus - assim como diante dos acontecimentos às vezes complicados mas sempre surpreendentes da nossa vida, pessoal, familiar, eclesial - é a atitude e a experiência fundamental para encontrar e reconhecer o Senhor, que sempre está próximo. “Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu reino” (Prefácio do Advento I A). É a resposta mais apropriada à misteriosa iniciativa de Deus que nos precede, nos acompanha e nos chama para que nos tornemos seus parceiros, livres e obedientes, do seu grande designo de vida.



O famoso filósofo e místico judeu Abraham J. Heschel, um homem que conhecia profundamente a escritura e deixou um vivíssimo testemunho de autêntica experiência de Deus, escreveu: “Os profetas não falam tanto do interesse do homem por Deus, como do interesse de Deus pelo homem” (Deus em busca do homem, pg 517). Esta afirmação vale tanto pelo Antigo como para o Novo testamento. Nossa procura de Deus, na realidade é uma tentativa para responder à sua procura por nós!



Esta é a história de Maria e de José que nos oferece Mateus no Evangelho de hoje. Um drama altamente humano e divino, no qual Deus se revela e atua mais uma vez de maneira surpreendente. A história simples de dois jovens israelitas da Galileia de dois mil anos atrás - que com o entusiasmo e as esperanças de todos os jovens noivos, têm já programado o próprio casamento e o próprio futuro - se torna de repente o lugar e o tempo onde irrompe o Deus dos antigos pais e dos profetas de Israel e que pretende realizar seu plano de encontro e salvação em favor de toda a humanidade. Deus chama este jovem casal a despojar-se do próprio presente e do próprio futuro, a dilatar ao infinito de Deus o próprio ninho de amor, e a tornar-se parceiros Dele por todos e em nome de todos. Mas é também a história de cada um e cada uma de nós.



Mateus com muita discrição coloca Maria apenas no pano de fundo desta história humana e divina, lembrando que ela “ficou grávida pela ação do Espírito Santo, antes de viverem juntos” (1,18). Na lógica da narração de Mateus, no primeiro plano se destaca a pessoa de José, o descendente de Davi. Lucas, por outro lado, nos descreve o caminho interior através do qual Maria chega a se submeter com fé incondicionada ao anúncio inesperado do anjo sobre sua misteriosa maternidade do filho do Altíssimo e a entregar-se sem reserva ao Senhor: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra” (Lc 1, 38). O caminho interior de José não pôde ser diferente, nem separado daquele de Maria. São chamados juntos a colaborar ao mesmo projeto de Deus, cada um na sua maneira, mas trilhando o mesmo caminho de fé.



José de verdade é homem de fé (“justo”), que procura entender e cumprir a vontade de Deus e agir segundo as prescrições da lei na sua relação com Maria, sua amada noiva. Ele também fica vivendo o drama de um acontecimento que não se deixa compreender na lógica das relações humanas (Mt 1, 19). Com a misteriosa intuição reveladora que na linguagem bíblica têm os sonhos (cf. Gen 28: o sonho de Jacó; Gen 40: os sonhos de José), uma luz que vem de Deus ao final fornece a José a chave para interpretar sua situação e aquela de Maria na perspectiva de Deus, e lhe dá a coragem para superar o medo do ignoto e aceitar a inimaginável tarefa de ser parceiro de Deus em prol do seu povo (Mt 1, 20-21).



A narração concisa do evangelista não pode esconder o trabalho interior sofrido, pelo qual José passou para chegar à inteligência iluminada pelo Espírito de Deus e que o fez se render. Ele vive uma experiência nova de Deus e acaba fazendo uma viagem de iniciação à nova presença dele que o guiará ao longo da sua vida junto com Maria e Jesus. Este caminho conhecerá momentos exaltantes da alegria que brota de Deus (cf. Lc 2,16-18) e momentos de inquietação (Lc 2,33; 48), de dificuldade a compreender o que está de verdade acontecendo no Filho amado, em Maria e nele mesmo (Lc 2,19). Junto com ela José deverá aprender mais de uma vez a guardar tais acontecimentos no coração, meditando sobre eles (Lc 2,19;51). É o caminho de todo discípulo do reino de Deus. É o caminho que permite a nós também, como dizia Santo Ambrósio, participarmos na geração do Verbo de Deus pela fé, como Maria, como José.



Ao contrário do rei Acaz (1ª leitura), José, junto com Maria, aceita entrar no jogo de Deus. Mesmo frente à desconfiança do rei, Deus não abandona seu povo e promete que ele mesmo fará nascer de uma jovem mulher o rebento real, através do qual ele mesmo salvará seu povo. O nascituro, fruto da promessa de Deus, vai receber um nome que no seu simbolismo exprime o compromisso de Deus e a sua ação libertadora. “Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel - Deus está conosco” (Is 7, 10-14).



Mateus destaca que a promessa de Deus tem seu cumprimento no nascimento de Jesus do seio de Maria, por obra do Espírito Santo (Mt 1,22-23). A tradição cristã, apoiando-se sobre uma tradução grega do texto hebraico, e sobretudo guiada pela luz da Páscoa, reconhecerá na virgem Maria o cumprimento da profecia sobre a jovem mulher de Is, 7,14. Desse modo se evidencia a unidade admirável da única história da salvação guiada por Deus, através da profecia do Antigo Testamento, do cumprimento na pessoa de Jesus e no Novo Testamento, da continuidade na vida da Igreja e de cada alma, até seu cumprimento definitivo na plenitude do reino de Deus no éscaton.



Paulo na Carta aos Romanos (2 leitura), põe em evidência a consistência permanente desta trama divina da história, e como sua vocação e seu ministério apostólico estejam totalmente ao serviço do seu pleno desenvolvimento, a fim de que “trazidos à obediência da fé” pela pregação do Evangelho, todos os povos e as pessoas se tornem um canto de glória ao nome do Senhor.



Que cada um de nós, progredindo na conversão ao Senhor propiciada pelo Advento, possa chegar a cantar com verdade, junto com Maria e José, e acompanhados pelas vozes festivas da assembleia litúrgica do iminente Natal do Senhor: “O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!” (Sal. Responsorial).

A autêntica surpresa dos documentos de WikiLeaks sobre o Vaticano

Entrevista com o historiador Matteo Luigi Napolitano
Por Jesús Colina

ROMA, sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – A verdadeira surpresa dos documentos sobre o Vaticano redigidos pelos diplomatas norte-americanos e filtrados por WikiLeaks é que não há surpresas. O que se reafirma é a obra diplomática, humanitária e caritativa da Igreja Católica, explica um dos historiadores de referência no estudo dos arquivos vaticanos.



Matteo Luigi Napolitano, professor associado de História das Relações Internacionais na Universidade Marconi, em Roma, e delegado internacional do Comitê Pontifício de Ciências Históricas para os problemas de História Contemporânea, analisa nesta entrevista a ZENIT os documentos dirigidos ao Departamento de Estado pelas missões diplomáticas dos EUA relativos à Santa Sé.



ZENIT: Que pensa dos documentos de WikiLeaks sobre o Vaticano?



Napolitano: Nas revelações de WikiLeaks, os elementos de fachada obscureceram a essência de documentos que, sendo autênticos, dão uma visão da diplomacia vaticana muito diferente da que aparece nos jornais.



ZENIT: Quais são os elementos que não os meios de comunicação não levaram em conta?



Napolitano: Muitos. Dou uns poucos exemplos. Os diplomatas norte-americanos observam em várias ocasiões que o Vaticano está a favor do desenvolvimento do Terceiro Mundo e que quer o perdão da dívida dos países pobres. Afirmam também que o Papa quer o diálogo entre as confissões religiosas. O Papa, para os norte-americanos, é sem dúvida “o líder mais conhecido no âmbito mundial, junto com o presidente dos Estados Unidos”. Os documentos nos dizem que a atenção da Santa Sé pelo Oriente Médio é constante, se bem que sua política não coincidisse com a do presidente George W. Bush. Com a administração republicana, há desacordo também na guerra no Iraque.



Impressiona também o que se lê sobre a China: “A Santa Sé tem excelentes fontes de informação sobre os dissidentes, sobre os direitos humanos, sobre a liberdade religiosa e sobre o controle governamental sobre a população”. É o que diz o Departamento de Estado dos EUA, que fala do Vaticano como um observatório privilegiado para conhecer profundamente os assuntos chineses.



A atenção do Vaticano pela Índia também é máxima, especialmente depois dos atos de violência contra os cristãos. Na Índia, lemos nos documentos, “o Vaticano, os bispos locais [...] e várias organizações missionárias são e continuarão sendo observadores atentos dos abusos sobre os direitos humanos”.



A diplomacia pontifícia se interessa também pela Coreia do Norte, onde organizações de ajuda católicas visitam periodicamente o país. Enquanto que na região africana dos Grandes Lagos, o Vaticano se apoia na obra da Comunidade de Santo Egídio, que “tem um papel importante nos esforços internacionais para mediar as crises”.



Cuba é outro tema de interesse. O Vaticano espera uma transição democrática e que Fidel Castro deixe o cenário, mas tem medo de uma sucessão pior. De todos os modos, os diplomatas papais pensam que melhores relações entre Cuba e os EUA poderiam ter o efeito de isolar o perigo revolucionário representado por Hugo Chávez, presidente da Venezuela. O que os norte-americanos sabem é que “a Igreja é em Cuba a única instituição de importância independente do governo”.



A diferença de atitude entre o Vaticano e os EUA se evidencia também nas críticas contínuas que o primeiro lança contra o “materialismo e o comercialismo norte-americano”. Há também atividades humanitárias que Washington destaca: o Vaticano combate o tráfico de seres humanos e é contra a pena de morte.



Sobre as questões europeias, o Vaticano é favorável à entrada da Turquia na União Europeia, se forem respeitados os parâmetros de Copenhague. Lê-se que o então cardeal Ratzinger expressou reservas sobre essa adesão. Mas uma vez eleito Papa, mostra-se tão decidido quanto seu sucessor, na hora de favorecer a plena participação turca na União Europeia.



Entre os numerosos elementos que os jornais não levaram em conta está também a ação da Santa Sé nas Nações Unidas. Ali, a diplomacia vaticana está comprometida no combate ao turismo sexual, sobretudo o que tem por vítimas os menores de idade, nas ajudas aos países mais pobres, na reforma do sistema de ajudas humanitárias, na condenação do antissemitismo.



Em resumo, dessas correspondências emerge um imenso prestígio diplomático. Os diplomatas norte-americanos informam ao presidente Obama: “Depois dos EUA, o Vaticano é o segundo em número de países com que mantém relações diplomáticas (188 e 177)”, e o Papa é muito próximo das posições de Obama sobre os direitos humanos e sobre o fechamento da prisão de Guantanamo, e aprecia o apoio do presidente norte-americano na defesa da liberdade religiosa no mundo. Bento XVI, escrevem desde Washington, “tem o respeito inclusive dos não católicos” e é “um alto-falante moral que não tem igual”.



ZENIT: Se os documentos revelam toda essa obra, como é possível que a atenção recaia na suposta falta de comunicação dentro da Cúria Romana e em uma diplomacia que para os norte-americanos nem sequer fala inglês?



Napolitano: Porque é mais fácil tomar um documento e levantar uma teoria que fazer uma análise de todos os textos colocados à disposição. Todos se detém no fato de que na Cúria só há um Blackberry, como se o Blackberry fosse o único telefone inteligente no mercado. Diz-se que o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, não fala inglês, mas fala outros idiomas, além do italiano. Além disso, o Vaticano é poliglota por natureza; seu serviço implica e se traduz perfeitamente em cada idioma, e é sabido que para evitar mal-entendidos linguísticos, aos intérpretes se deixa a tarefa de traduzir as negociações mais delicadas, uma regra clássica da diplomacia, não só pontifícia.



ZENIT: Diz-se também que o secretário de Estado é um “homem do sim” do Papa, com pouca iniciativa pessoal. Parece-lhe um julgamento justificado?



Napolitano: Com elegância, o cardeal Bertone disse que está muito contente por ser conhecido como um “homem do sim” do Papa. Mas quero sublinhar que o documento de WikiLeaks lança um falso problema. Todas as sociedades bem estruturadas, incluídas as democracias avançadas, também a norte-americana, regem-se segundo estruturas hierárquicas, com ordens dadas do cume e executadas em organismos inferiores. Que Bertone obedeça às ordens do Papa, e que por sua vez as distribua, é totalmente normal. Como é normal que a secretária de Estado Hillary Clinton execute as ordens do presidente Obama e por sua vez transmita as ordens.



Mas a questão não termina aqui: o diplomata que julga Bertone como um “homem do sim” ou “sim, senhor” do Papa não tem documentos da Cúria, não tem acesso às atas das reuniões com o Papa, não sabe como se toma uma decisão vaticana, que talvez tenha surgido a partir de propostas ou de contrapropostas analisadas e discutidas entre o Papa e a Cúria. Talvez o cardeal Bertone compartilhe com o Papa as decisões importantes, ou o próprio Papa decida uma linha de conduta a partir de uma proposta do secretário de Estado. Como podem os norte-americanos considerar o cardeal Bertone um “sim, senhor”? Como podem julgar?



ZENIT: Que juízo final um especialista como o senhor faz dessas observações sobre o Vaticano?



Napolitano: Falou-se muito dos efeitos midiáticos, sem refletir sobre o fundo. O balanço é que, a partir de uma leitura menos superficial, estes documentos dão à diplomacia vaticana o prestígio moral que conhecemos. Mas à maioria escapou outro elemento. A Igreja Católica pensa e fala em termos de séculos, e mais, de milênios, fala com muitas civilizações e em muitos idiomas. Isso também pode-se constatar nos documentos de WikiLeaks. Ter concentrado a atenção (e o que é pior, ter inventado teorias) só no que pensavam os norte-americanos, e não no que viam, nos parece que só confunde.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Bento XVI propõe uma sexualidade responsável

Entrevista com o professor Arturo Cattaneo
Por Jesús Colina



ROMA, quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - O filósofo suíço Martin Rhonheimer havia desenvolvido, em 2004, uma tese que agora foi retomada por Bento XVI, em seu livro-entrevista com Peter Seewald, ao tratar do tema da sexualidade. Quem explica é o Pe. Arturo Cattaneo, professor da Faculdade de Direito Canônico de Veneza e da Faculdade de Teologia de Lugano (Suíça), nesta entrevista concedida a ZENIT.



Entre os temas abordados pelo Papa em "Luz do Mundo" (Herder), o foco dos meios de comunicação tem se centrado no trecho definido por muitos como a "abertura ao preservativo". É sabido que a Igreja sempre condenou os métodos contraceptivos, de modo que uma "abertura" ou "giro" deste calibre no seu ensinamento não poderia passar despercebido. Isso gerou entusiasmo e perplexidade, especialmente entre aqueles que o consideraram como uma reformulação, ou até mesmo uma revogação dessa convicção que até agora parecia definitiva.



ZENIT: A afirmação de Bento XVI sobre o preservativo é uma mudança na doutrina da Igreja?



Pe. Cattaneo: Eu não falaria de mudança, mas de desenvolvimento, de uma contribuição corajosa, no sentido de que se expressa em uma matéria sobre a qual a Igreja até agora preferiu manter silêncio. Neste sentido, parece fundamental distinguir entre a condenação da contracepção (que o Papa não quis alterar) e o uso de preservativos, que em "alguns casos" pode significar "um primeiro ato de moralização". O próprio Papa confirmou em seu livro-entrevista que "as perspectivas da Humanae Vitae continuam sendo corretas".



ZENIT: Em um recente artigo publicado no jornal suíço Il Giornale del Popolo (11 de dezembro de 2010), você afirma que, neste desenvolvimento, o Papa foi inspirado por uma tese avançada há vários anos pelo filósofo suíço Martin Rhonheimer, professor na Universidade da Santa Cruz, em Roma. Poderia nos explicar como?



Pe. Cattaneo: O próprio Pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, afirmou em nota (cf. ZENIT, 21 de novembro de 2010), publicada imediatamente após a antecipação de alguns trechos do livro no L'Osservatore Romano, que "muitos teólogos moralistas e autorizadas personalidades eclesiásticas afirmaram e afirmam posições análogas; no entanto, é verdade que não as havíamos escutado ainda com tanta clareza da boca de um papa". Segundo alguns especialistas, incluindo o jornalista do Vaticano Sandro Magister e um artigo do Neue Zürcher Zeitung, Rhonheimer é quem iniciou de maneira mais decisiva o caminho para a abertura que o Papa fez hoje.



ZENIT: Mas de que caminho se trata?



Pe. Cattaneo: Na nota citada, o Pe. Lombardi disse que o Papa ofereceu "uma importante contribuição para esclarecer e aprofundar em uma questão debatida há muito tempo". Para entender o que queremos dizer, acho que precisamos recordar as palavras de Rhonheimer, por exemplo, no The Tablet, em 10 de julho de 2004: "O que eu vou dizer, como um sacerdote católico, a pessoas promíscuas, a homossexuais infectados pela AIDS, que utilizam o preservativo? Procurarei ajudá-los a viver uma vida sexual moral e bem ordenada. Mas não lhes direi que não usem preservativos. Simplesmente não falarei sobre isso e darei por entendido que, se decidirem ter relações sexuais, pelo menos, manterão certo senso de responsabilidade. Com uma atitude como esta, respeito totalmente a doutrina da Igreja Católica sobre a contracepção. Este não é um apelo a favor de "exceções" à norma que proíbe a contracepção. Esta norma tem valor sem exceções: a contracepção é intrinsecamente má. Mas, obviamente, a regra só se aplica aos atos de contracepção, tal como definido na Humanae Vitae".



ZENIT: E como se definem estes atos?



Pe. Cattaneo: De acordo com a Humanae Vitae, o ato contraceptivo é definido como "qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação"; isso foi retomado pelo Catecismo da Igreja Católica no número 2370. Assim, podemos compreender a razão pela qual, em alguns casos, como o mencionado pelo Papa, o uso do preservativo não é um ato de contracepção, mas, como o Papa disse, pode ser "um primeiro ato de moralização, um primeiro passo de responsabilidade". Nesse sentido, devemos levar em consideração a contribuição de Rhonheimer no esclarecimento do objeto moral de toda ação humana, uma contribuição que encontrou aceitação plena na encíclica Veritatis splendor .



ZENIT: Que importância pode ter a declaração do Papa sobre o uso de preservativos na luta contra a AIDS?



Pe. Cattaneo: Eu acredito que o esclarecimento do Papa é oportuno, uma vez que estava se espalhando a falsa impressão de que a Igreja condena qualquer tipo de uso do preservativo, contrariando todas as campanhas que estão lutando para conter a propagação da AIDS. A questão tinha explodido após algumas palavras proferidas pelo Papa na sua viagem à África, em 2009. Neste contexto, o Papa interveio agora com seu esclarecimento, confirmando que os preservativos não podem ser "a" solução; é necessário, de fato, fazer muito mais: prevenir, educar, ajudar, aconselhar, estar perto das pessoas, tanto para que não contraiam o vírus, como no caso dos que o contraíram. O preservativo em si, continua o Papa, "não resolve o problema", pois tenderia a uma "banalização da sexualidade", enquanto, por outro lado, é necessário promover a sua "humanização".

Advento e Natal: esperança para o homem, não estamos sozinhos no universo

Igreja proclama essa Boa Nova ao mundo, comenta o cardeal Scherer

SÃO PAULO, quarta-feira, 15 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – “Coragem, homens e mulheres do nosso tempo! Coragem, jovens e anciãos apreensivos quanto ao futuro! Não tenhais medo!”, afirma o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer.



“Deus não abandonou a humanidade ao seu destino, sem mais se importar conosco! Coragem, não estamos sozinhos neste mundo! Nossas angústias não ficam sem resposta, nem nossas buscas, sem sentido.”



Em artigo desta semana do jornal O São Paulo, Dom Odilo afirma que “a Boa Nova do Advento e do Natal refletem a antropologia da fé cristã e uma visão sobre o mundo, que traz esperança ao homem: Não estamos sozinhos no universo!”



“Não somos frutos do acaso, nem somos impelidos por um sonho impossível: Deus sabe de nós, olha por nós e nos estende a mão com infinita ternura e compaixão: ‘Misericórdia e piedade é o Senhor; Ele é amor, paciência e compaixão!’ (cf Sl 144/145).”



Segundo Dom Odilo, a Igreja “não pode deixar de proclamar essa Boa Nova ao mundo, como luz que brilha nas trevas e água que irriga o deserto”. Isso apesar de que o mundo “nem sempre compreende, nem dá ouvidos a este bom anúncio da Igreja”.



“Muitas vezes, o homem ainda prefere as fantasias e ilusões criadas por ele mesmo. Cria todo um clima de festa, enfeita ruas e praças, compra e distribui presentes, as satisfações são medidas pelo tamanho dos pacotes e a quantidade de comida na ceia de Natal! A festa é preparada, mas o homenageado não foi lembrado... E convida-se Papai Noel em lugar do Menino Jesus!”



De acordo com o arcebispo, ainda está em tempo de “dizer à cidade que no Natal foi Deus que veio ao encontro de todos nós, com infinita ternura e compaixão. Ainda é tempo de nos prepararmos espiritualmente, para celebrar com fé e intenso júbilo as alegrias da salvação”.



“Abramos espaços em nossa vida e no convívio social para acolher o Deus que veio e continua a vir ao nosso encontro. Se o Natal virou uma grande festa do consumo para muitos, não cessemos de propor e testemunhar ao mundo o seu significado cristão”, convida Dom Odilo.



O arcebispo recorda que no início da Novena Litúrgica do Natal, nesta quinta-feira, serão novamente abençoados e inaugurados os sinos do carrilhão da Catedral da Sé.



“Mais de 60 sinos voltarão a tocar festivamente, para lembrar nossa cidade distraída e sempre ocupada que é preciso parar, dar tempo e espaço para o Deus que vem ao nosso encontro”, afirma.



Segundo Dom Odilo Scherer, “trabalhar, ganhar dinheiro, divertir-se, ter êxito na profissão e nos negócios ainda não é tudo. Os sinos da Sé convidam à alegria e anunciam a chegada daquele que é o motivo da verdadeira festa da humanidade!”

Descanso em família

Tirei alguns dias em família. Vim visitar os meus. É sempre um momento agradável e legal. É preciso ter tempo para valorizar esses momentos também. Já aproveitamos para dar uma volta em Caruaru, e hoje vou fazer umas visitas familiares e de amigos. Depois retorno pra minhas atividades em geral.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Site novo sobre a Jornada Mundial da Juventude

Esse é o novo blog daqueles que pretendem ir pra Jornada Mundial da Juventude 2011, na Espanha. Depois olhem.

http://penajornada.blogspot.com/

Arquidiocese de Salvador ganha nova área pastoral

 Qua, 15 de Dezembro de 2010 09:01 cnbb


areapastoraldesalvadorPara articular as ações da Igreja de Salvador na Avenida Paralela, região em larga expansão imobiliária e crescimento populacional, a arquidiocese de Salvador (BA) cria a Área Pastoral Ascensão do Senhor. Com sede na Igreja da Ascensão do Senhor, no Centro Administrativo da Bahia, a área ficará sob a responsabilidade do padre Manoel Filho, que também coordena a Pastoral de Comunicação, passando a acumular o cargo de delegado episcopal.



Durante a missa de instalação da área, o cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo revelou que a nova área é um desdobramento do pedido de estado permanente de missão proposto pelo Documento de Aparecida. “A Paralela, até poucos anos atrás, era uma região anônima e hoje é uma das mais populosas de Salvador, Por isso, vemos a necessidade de cria novos projetos para evangelizar”.



O padre Manoel Filho já prepara alguns projetos para serem desenvolvidos na localidade e tem feito contatos com os padres e autoridades da região. “Estou feliz, até porque gosto de um desafio. A missão dessa nova pastoral é articular as dez paróquias que margeiam a Paralela. É tornar a Igreja uma presença significativa por aqui”, explicou o padre.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dioceses celebram festa de Nossa Senhora da Conceição com romaria

 Seg, 13 de Dezembro de 2010 15:00 cnbb


romariaA diocese de Campina Grande (PB) celebrou no fim de semana a festa de sua padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Uma romaria foi o ponto alto das comemorações e reuniu várias dioceses do estado. O trajeto da caminhada foi iniciada pelo bispo diocesano, dom Jaime Vieira da Rocha e pelos padres, seminaristas e acólitos de toda a diocese.



Na chegada ao Parque do Povo, uma multidão aguardava a romaria que foi recebida com grande festa. No local foi celebrada a missa, presidida por dom Jaime e concelebrada pelos padres da diocese. Com muita fé e devoção, os fiéis saudaram Nossa Senhora da Conceição em momentos de homenagem, onde a imagem foi erguida sob grande queima de fogos.



Pela manhã, a catedral diocesana realizou o 10º Café com Maria, um café da manhã beneficente que conta com o apoio de várias empresas e instituições que fazem doação de tudo que é servido. O Café com Maria aconteceu após a missa da alvorada. Às 10h foi celebrada missa por dom Jaime.



A festa de Nossa Senhora da Conceição teve início no dia 28 de novembro, com missas, terços, novenário, ofícios e shows musicais no pavilhão montado no Pátio da catedral.



Santarém



A festa da Imaculada Conceição também foi celebrada na diocese de Santarém (PA), neste domingo, 12. A procissão aconteceu às 18h, com saída da catedral de Santarém, percorrendo as principais avenidas da cidade. A procissão, porém, deveria ter acontecido no último dia 8, dia da Imaculada Conceição e encerramento da festa da padroeira da diocese de Santarém, mas foi cancelada devido ao forte temporal que caiu sobre o município no fim da tarde daquele dia.



A decisão foi tomada pela coordenação da festa, depois de uma rápida avaliação, na qual foi levada em consideração que muitos féis devotos, iriam, na procissão, agradecer por graças alcançadas e pagar promessas.

Pastoral Carcerária recebe Prêmio Direitos Humanos da Presidência da República

 Seg, 13 de Dezembro de 2010 15:48 cnbb


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Nesta segunda-feira, 13, aconteceu a cerimônia de entrega do 16º Prêmio Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Entre os vencedores, estava a Pastoral Carcerária (PCr), da CNBB, que foi reconhecida pelo seu trabalho de combate à tortura nas prisões.



De acordo com o coordenador nacional da Pastoral Carcerária, padre Valdir João Silveira, o prêmio reconhece o difícil trabalho desempenhado pelos mais de 6 mil agentes da Pastoral em todo o país. “O prêmio é sem dúvida alguma, um importante reconhecimento da luta difícil e desgastante que a Pastoral trava dia após dia com o fim de levar o mínimo de dignidade àquelas e àqueles que estão esquecidos, invisíveis, sob a sombra mais escura e remota de nossa sociedade”. No entanto, padre Valdir destaca que além das premiações, o Governo deve prezar pela garantia dos direitos dos presos. “Esperamos das autoridades governamentais postura firme no sentido de esvaziar as prisões, de garantir direitos de quem está preso [...]”.



A cerimônia aconteceu no Palácio do Planalto, em Brasília, e contou com mais seis entidades agraciadas. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da entrega.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Papa assina decreto de beatificação de irmã Dulce

 Sex, 10 de Dezembro de 2010 17:11 cnbb


irmadulceO papa Bento XVI assinou, na manhã desta sexta-feira, 10, o decreto que conclui o processo de beatificação de Irmã Dulce. A expectativa agora é pela cerimônia de beatificação que deve acontecer no primeiro semestre de 2011, em Salvador (BA).



Irmã Dulce é a primeira baiana a tornar-se beata e agora está a um passo da canonização. O título de santa só poderá ser conferido após a comprovação de mais um milagre intercedido pela religiosa e reconhecido pelo Vaticano.



A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 pelo próprio Dom Geraldo Majella. Desde junho de 2001, o processo tramitava na Congregação das Causas dos Santos do Vaticano.



Fonte: Arquidiocese de Salvador

Ciclo do Natal do Senho - Tempo do Advento

O ciclo é um período maior, em que se vivencia uma dimensão do mistério da salvação. Por exemplo, se fala do ciclo da vida, do ciclo de gestação etc. É uma etapa definida que pode conter vários outros elementos. No nosso caso ele é chamado “tempo”. No ciclo do Natal temos dois tempos: tempo do advento e tempo do Natal. Quando começa e terminada cada um? O tempo do advento começa na véspera do Domingo após a Solenidade de Cristo Rei, que é chamando de 1º Domingo do Advento, e termina na véspera do dia de Natal, na tarde do dia 24. A cor litúrgica usada no Tempo do Advento é o roxo. A famosa Missa do Galo inicia o tempo do Natal, que vai terminar na festa do Batismo do Senhor. Com isso se conclui não somente o tempo do Natal, mas também o ciclo do Natal. A cor do Tempo do Natal é o branco. E qual o mistério que é celebrado? Muito fácil! É vivenciado a vinda, o nascimento de Jesus Cristo e sua manifestação aos povos.

domingo, 12 de dezembro de 2010

As imagens sagradas e o magistério da Igreja

Por Rodolfo Papa*

ROMA, domingo, 12 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Um distante concílio, o II Concílio de Niceia, no ano 787, definiu a correção do uso das imagens na Igreja, colocando de forma autorizada fim às tendências iconoclastas.



E no entanto em nossa contemporaneidade, dominada pelo uso obsessivo do que se vê, as igrejas frequentemente são projetadas e realizadas com uma postura que, quando se olha de perto, parece novamente iconoclasta: as paredes estão desnudas, não há imagens, quando muito, elementos estilizados, que aplicam linguagens emprestadas de experiências artísticas distantes do cristianismo, quando não inclusive contrárias a ele.



É oportuno portanto percorrer a antiga via da legitimação das imagens. Partamos precisamente do II Concílio de Niceia, analisando suas preciosas indicações: “nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico, quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e nas mesas, nas casas e ruas”. As imagens sagradas se colocam no mesmo plano que a representação da cruz, e à semelhança da cruz devem ser expostas em todo lugar: no contexto da liturgia, nos lugares sagrados, mas também na vida cotidiana, nos lugares privados como as casas, e nos lugares públicos como as ruas. A universalidade da mensagem cristã indica a medida dos lugares nos quais expor as imagens, quer dizer, todos os lugares. As imagens sagradas devem além disso estar presentes nos ornamentos sagrados e também nos paramentos. Não se detalha a técnica, de fato, as imagens podem ser pintadas, em mosaico, ou em qualquer outra técnica oportuna, mas se necessita do sujeito: “que sejam a imagem do senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos”. Portanto, trata-se claramente de imagens que representam prioritariamente Jesus Cristo, cuja encarnação é o princípio fundacional da arte sacra figurativa, e também a Mãe do Senhor, os anjos, os santos e os justos, quer dizer, todo o corpo da Igreja, seu mistério e sua história.



O Concílio precisa também os motivos e as finalidades das imagens sagradas: “de fato, quando mais prudentemente estas imagens forem contempladas, tanto mais aqueles que contemplam serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originais e a tributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração”. A contemplação das imagens induz à recordação e ao desejo dos sujeitos representados; trata-se portanto de uma dinâmica cognoscitiva e afetiva, que parte da imagem representada, mas termina no sujeito real; é análoga, poderíamos dizer, à função que as fotografias de nossos entes queridos têm, que nos recordam as pessoas amadas. Manter viva recordação e o desejo constitui um cuidado importante da própria fé, o cultivo da própria vida espiritual.



Trata-se de uma relação não idolátrica, porque a finalidade da adoração não é a imagem, mas o sujeito representado. De fato, o Concílio cuida em prevenir e deixar à margem os excessos que tinham estado presentes no Oriente cristão, e que tinham também induzido, em contrapartida, a reação iconoclasta. Não se trata, certamente, de uma verdadeira adoração (latria), reservada por nossa fé só à natureza divina, mas de um culto similar ao que se faz à imagem da cruz preciosa e vivificante, aos santos evangelhos e aos demais objetos sagrados, honrando-os com a oferenda do incenso e de luzes segundo o piedoso costume dos antigos. A honra feita à imagem, na realidade, pertence àquele que está representado, e quem venera a imagem venera a realidade de quem nela está reproduzido. Trata-se portanto de uma honra feita à realidade e não à representação, mas que através do culto feito à imagem se alimenta e se expressa a adoração por Deus, o único digno de ser adorado. Observemos que o correto parâmetro do culto da imagem está constituído pelo culto da cruz, preciosa e vivificante, e posto em analogia com o culto que se dá ao Evangelho, que obviamente não significa adoração do livro, mas da Palavra de Deus.



O Concílio sublinha que o culto das imagens forma parte da tradição da Igreja: “Assim se reforça o ensinamento dos nossos santos padres, ou seja, a Tradição da Igreja universal, que de um extremo ao outro da Terra acolheu o Evangelho. Assim nos tornamos seguidores de Paulo, que falou em Cristo, do divino colégio apostólico e dos santos Padres, mantendo a tradição que recebemos. Assim podemos cantar para a Igreja os hinos triunfais à maneira do profeta: “Alegra-te, filha de Sião, exulta filha de Jerusalém; goza e regozija-te com todo o coração; o Senhor tirou de teu meio as iniquidades dos teus adversários, foste libertada das mãos dos teus inimigos. Deus é rei no teu meio, não mais verás o mal”. O culto das imagens se legitima no ensinamento apostólico, na tradição da Igreja universal. Não só, mas se afirma depois que “o que se confiou à Igreja” é “o Evangelho, a representação da cruz, imagens pintadas ou as sagradas relíquias dos mártires”; portanto, as imagens pintadas formam parte do depósito da fé, do que foi “confiado” à Igreja, fugindo portanto ao arbítrio dos homens: ninguém pode decidir que se pode menosprezar o culto das imagens.



A tradição do culto às imagens é ininterrupta na Igreja Católica que, ao contrário, encontra nesta prática um sinal de distinção das tendências iconoclastas próprias de muitas correntes protestantes. O Concílio Vaticano II se coloca em continuidade com a tradição, e na Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, afirma: “Mantenha-se o uso de expor imagens nas igrejas à veneração dos fiéis”. Analogamente ao Concílio de Niceia, afirma que a devoção deve ser correta, e sobretudo que o sentimento que se suscite não seja a admiração pela imagem, mas a veneração dos sujeitos apresentados: “Sejam, no entanto, em número comedido e na ordem devida, para não causar estranheza aos fiéis nem contemporizar com uma devoção menos ortodoxa”.



Talvez uma das reflexões mais claras e profundas sobre o uso das imagens sagradas está na introdução ao Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (20 de março de 2005): [As imagens] “provêm do riquíssimo patrimônio da iconografia cristã. A tradição secular e conciliar diz-nos que também a imagem é pregação evangélica. Os artistas de todos os tempos apresentaram à contemplação e à admiração dos fiéis os fatos salientes do mistério da salvação, no esplendor da cor e na perfeição da beleza. Indício de que, hoje mais do que nunca, na época da imagem, a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a palavra, pois é muito mais eficaz o seu dinamismo de comunicação e de transmissão da mensagem evangélica” (n. 5).



A imagem, durante os séculos, conseguiu transmitir os fatos sobressalentes do mistério da salvação, e muito mais hoje, na civilização da imagem, deve saber recuperar sua própria importância fundamental, enquanto que a imagem transmite mais que as próprias palavras, em um dinamismo de comunicação e transmissão da Boa Notícia.



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* Rodolfo Papa é historiador da arte, professor de história das teorias estéticas na Universidade Urbaniana, em Roma; presidente da Accademia Urbana delle Arti. Pintor, autor de ciclos pictóricos de arte sacra em várias basílicas e catedrais. Especialista em Leonardo Da Vinci e Caravaggio, é autor de livros e colaborar de revistas.