segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Congo: padres denunciam “regime de terror”

Mensagem publicada após a morte do sacerdote Christian Bakulene

BUTEMBO, domingo, 5 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - O clima de insegurança que se vive no norte de Kivu (noroeste da República Democrática do Congo) levou o clero da diocese de Butembo-Beni a descrever a situação como um genocídio em gestação.


Em uma mensagem aprovada pelo bispo de Butembo-Beni, Dom Mélchisédech Sikuli Paluku, e divulgada nesta semana, os sacerdotes denunciam vários casos recentes de assassinatos, desaparecimentos e saques. Eles lançam um apelo para que se garanta a segurança na região.



"No momento da campanha pelo referendo para a adoção da Constituição, proclamou-se que o ‘sim' traria e marcaria o fim da guerra e o início de uma era de paz e segurança para todos", afirma o documento.



"Esse mesmo objetivo não deixou de ser oficialmente destacado com motivo dos grandes acontecimentos que marcaram a história recente de nosso país."



"Apesar dos slogans de segurança", as populações dessa região do país "continuam sofrendo um regime de terror cada vez maior: todos os dias se registram atos de insegurança, violência, massacres, violações e assassinatos", denuncia.



"Junto aos frequentes assaltos nas estradas, a insegurança encontra e persegue os cidadãos em seus lares."



"Os ataques contra os agentes de pastoral, o clero e os civis pretendem semear o medo e o pânico entre aqueles que são a voz dos sem voz, e deste modo silenciar todo um povo."



A violência ocorre em momentos de repatriação para seus países de refugiados que estão sobretudo na região desde 1994.



Para os sacerdotes, "os incêndios sistemáticos de casas já conhecidos no território de Lubero, o acirramento contra as populações de Lubero e Beni, junto à forte aplicação de uma política de ‘terra queimada' para criar espaço para os demais" constituem um verdadeiro "genocídio em gestação".



O clero de Butembo-Beni denuncia o "silêncio culpável" das autoridades do país e a falta de intervenção da MONUSCO (Missão de Estabilização da ONU na RDC), que "tem permanecido passiva".

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