sábado, 4 de dezembro de 2010

Perseguição do governo de Evo Morales à Igreja, por suas denúncias contra o narcotráfico

Bolívia: governo de Morales pretende cobrar impostos da Igreja


Novo ataque depois de ameaças ao bispo Solari por alertar sobre tráfico de drogas

LA PAZ, quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - Uma nova crise irrompeu na Bolívia após o anúncio de altos representantes do poder Executivo e Legislativo do Estado boliviano, presidido por Evo Morales, de que se exigirá o pagamento de impostos à Igreja Católica, sob a ameaça de expropriação de bens. É o segundo pico de confronto, no mês de novembro, de relações que nunca foram harmoniosas entre a Igreja Católica e o governo de Morales.


O anúncio da possível expropriação de bens da Igreja foi feito pelas mais altas autoridades do país, enquanto se fazem sentir os efeitos das ameaças dos cocaleros ao bispo Solaris, de Cochabamba, por advertir pastoralmente a seus fiéis sobre o "microtráfico" de cocaína, especialmente usando menores. Os produtores de coca exigem a expulsão do bispo do país.



Na última segunda-feira, o ex-chanceler e ex-embaixador da Bolívia no Vaticano, Armando Loaiza, relembrou que obrigar a Igreja Católica a pagar impostos vai contra os convênios internacionais, assinados no século XIX entre o país e a Santa Sé.



A Igreja Católica paga os impostos fixados por lei, enquanto está isenta de outros, por convênios com o Estado, observou, por sua parte, o bispo Jesús Juárez, de El Alto, uma das dioceses mais carentes da Bolívia.



Estas afirmações já foram corroboradas em dezembro de 2008 pela então presidente do Serviço de Impostos Nacionais (SIN) Marlene Ardaya, que afirmou que a Igreja Católica e outras instituições religiosas não pagam tributos por atividades explicitamente referidas à fé. Entretanto, sobre as atividades que possuem características comerciais, como as universidades ou colégios, o imposto é cobrado e pago devidamente.



O bispo Tito Solari, em cuja diocese se inclui a região cocalera que lançou Evo Morales à vida política, advertiu: "Há jovens do Ensino Médio que, à noite, saem para trabalhar no tráfico de cocaína".



Ainda neste ano, em julho, o jornal Estrela de Iquique, do Chile, publicou que a polícia chilena detivera, na fronteira, um jovem boliviano de 14 anos transportando 160 quilos de droga.



Os seis sindicatos de cultivadores de coca do Chapare, cujo líder é o presidente da Bolívia, deram, no último sábado, um novo prazo de 48 horas para que o bispo se retratasse de suas afirmações.



A ONU revela que a Bolívia, com mais de 30.000 hectares plantados, é o terceiro maior produtor de coca do mundo, com 18% do total, atrás do Peru e da Colômbia. As autoridades colombianas estimam que, desse volume de coca, entre 35 e 40% se desvia ao narcotráfico.



O vice-chefe da bancada do Movimento ao Socialismo (MAS) na Câmara de senadores da República da Bolívia, Eugenio Rojas, anunciou que o governo "reverterá" as propriedades da Igreja Católica se esta não pagar impostos, por considerar que é uma instituição privada [na verdade, "expropriação" parece ser um termo mais adequado, pois, do contrário, se "reverteria" ao Estado imóveis que nunca lhe pertenceram].

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