quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tomada de posse

No próximo domingo tomarei posse da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Cruz de Rebouças-Igarassú - PE. Agora posso me expressar, pois ainda faltava alguns detalhes a serem considerados para avisar sobre o evento. Faz exatos 06 meses que cheguei nessa paróquia. É um povo bom e cordial, no geral. Digo no geral, pois também como seres humanos que somos há aqueles que naturalmente olham de "bandinha", como é dito numa linguagem mais simples. As comunidades são encantadoras e desafiadoras também, pois a distância é grande e algumas em determinadas épocas do ano para se chegar é preciso espírito de aventura. São as comunidades chamadas rurais. Isso não considero, de nenhum modo, um problema nem grande dificuldade, apenas constatação e realidade. "O Senhor me chamou a trabalhar, a messe é grande a ceifar. A ceifar, o Senhor me chamou. Senhor, aqui estou." Esse é um antigo canto, que já cantava em minha cidade. Considero importante e desafiador animar todos os cristãos a mim confiados para a urgente necessidade da evangelização passando das crianças até os mais idosos. Do meu ponto de vista o preocupante, não desconsiderando outras realidades como as seitas, é o crescente materialismo e indiferentismo religioso. Tudo isso pregado, propagado, anunciado por todos os grandes meios de comunicação. Como fazer com que os cristãos e cristãs percebam o problema e se empenhem cada vez mais? Não é raro encontrarmos nas famílias que somente um vivencia a fé cristã e os demais ignoram completamente essa realidade, apesar de serem batizados e algumas vezes crismados e feito a Primeira Comunhão. Outro desafio que considero a fazer com nós pensemos cada dia mais na Igreja em seu todo, ouseja perceber o grande esforço do Papa no diálogo ecumênico com os irmãos orientais, com os luteranos e as principais correntes protestantes, e assim deixarmos de nos preocupar tanto em bater-boca com membros de seitas, pois eles são infelizmente enganados pela conversa e promessa de algo que afronta o Criador pensando somente em si. Esses são alguns desafios dentre outros que me inquieta, e que peço as luzes do Espírito Santo para orientar da melhor forma aqueles e aquelas que buscam verdadeiramente e com sinceridade evangelizar. Súplico a oração e a prece por mim de todos e todas que passam por este blog. Nossa Senhora do Rosário, interceda a Deus por este seu pobre servo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Festa de São Paulo Apóstolo - Grande Discípulo do Senhor

Meditação: 8º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Chamados ao ministério da reconciliação
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 24 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o 8º dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 25 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Gênesis 33, 1-4: Esaú correu ao encontro de Jacó, apertou-o ao peito... eles choraram



Salmo 96, 1-13: Dizei entre as nações: o Senhor é rei



2 Coríntios 5, 17-21: Deus nos reconciliou consigo pelo Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação



Mateus 5, 21-26: Deixa a tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão



Comentário



Nossas orações desta semana nos levaram a uma caminhada em conjunto. Guiados pelas Escrituras, fomos chamados a retornar a nossas origens cristãs - aquela Igreja apostólica de Jerusalém. Ali temos visto fidelidade ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. No fim de nossas reflexões sobre o ideal de comunidade cristã que nos é apresentado em At 2,42, voltamos ao nosso próprio contexto - as realidades das divisões, os descontentamentos, decepções e injustiças. Neste ponto da reflexão, a Igreja de Jerusalém nos coloca a questão: para que, então, ao concluir esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, somos chamados aqui e agora?



Os cristãos em Jerusalém hoje nos sugerem uma resposta: somos chamados, acima de tudo, ao ministério da reconciliação. Tal chamado tem a ver com reconciliação em muitos níveis, no meio de uma complexidade de divisões. Oramos pela unidade dos cristãos para que a Igreja possa ser um sinal e um instrumento para a cura de divisões e injustiças políticas e estruturais; oramos pelo convívio justo e pacífico de judeus, cristãos e muçulmanos; oramos pelo crescimento da compreensão entre pessoas de todas as crenças e também dos que não têm nenhuma. Em nossa vida pessoal e familiar também o chamado à reconciliação precisa encontrar uma resposta.



Jacó e Esaú, no texto de Gênesis, são irmãos e ainda assim se estranham. Sua reconciliação acontece mesmo quando seria de se esperar a permanência do conflito. A violência e os hábitos de rancor são abandonados quando os irmãos se encontram e choram juntos.



O reconhecimento de nossa unidade como cristãos - e de fato como seres humanos - diante de Deus nos leva ao grande canto do salmo de louvor ao Senhor que governa o mundo com amorosa justiça. Em Cristo, Deus busca reconciliar consigo todos os povos. Descrevendo isso, São Paulo, em nossa segunda leitura, celebra uma vida de reconciliação como "uma nova criação". O chamado a reconciliar é o chamado para permitir que o poder de Deus em nós faça novas todas as coisas.



Mais uma vez, sabemos que essas "boas novas" nos chamam a mudar o nosso modo de viver. Como nos desafia Jesus, no relato dado por São Mateus, não podemos continuar fazendo nossas ofertas no altar sabendo que somos responsáveis por divisões ou injustiças.



O chamado à oração pela unidade dos cristãos é um chamado à reconciliação. O chamado à reconciliação é um chamado a ações, mesmo ações que venham a interferir em nossas atividades eclesiais.



Oração
Deus da Paz, nos te damos graças porque enviaste teu Filho Jesus, para que possamos nele nos reconciliar contigo. Dá-nos a graça de sermos servos ativos de reconciliação dentro de nossas Igrejas. Assim, ajuda-nos a prestar serviço à reconciliação de todos os povos, particularmente em tua Terra Santa , o lugar onde derrubaste a muralha de separação entre os povos e uniste a todos no Corpo de Cristo, sacrificado no Monte Calvário. Enche-nos de amor mútuo. Que a nossa unidade possa prestar serviço à reconciliação que desejas para toda a criação. Oramos no poder do Espírito Santo. Amém.

Meditação: 7º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Vivendo a fé da ressurreição

CIDADE DO VATICANO, domingo, 23 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o 7º dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 24 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Isaías 60,1-3.18-22: Chamarás as tuas muralhas de Salvação e as tuas portas de Louvor



Salmo 118, 1.5-17: Não, não morrerei, viverei



Romanos 6, 3-11: Pelo batismo nós fomos sepultados com ele em sua morte...a fim de que também nós levemos uma vida nova



Mateus 28, 1-10: Então Jesus lhes disse: não temais



Comentário



A fidelidade dos primeiros cristãos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações tornou-se possível, sobretudo, pelo vivo poder de Jesus Ressuscitado. Esse poder ainda está vivo, e hoje os cristãos de Jerusalém dão testemunho disso. Sejam quais forem as dificuldades da atual situação em que se encontram – não importa quanto ela se pareça com o Getsemane ou Gólgota – eles sabem, pela fé, que tudo isso é transformado pela verdade da ressurreição de Jesus dos mortos.



A luz e a esperança da ressurreição mudam tudo. Como profetiza Isaías, é a transformação da escuridão em luz; é a iluminação para todos os povos. O poder da ressurreição brilha a partir de Jerusalém, o lugar da Paixão do Senhor, e conduz todas as nações ao seu brilho. Isso é uma nova vida, na qual a violência é abandonada e a segurança é encontrada na salvação e no louvor.



No Salmo temos palavras para celebrar a experiência cristã central de passagem da morte para a vida. Esse é o sinal permanente do firme amor de Deus. Pois, como ensina São Paulo, no batismo entramos no túmulo com Cristo e ressuscitamos com ele. Morremos com Cristo e vivemos para partilhar sua vida ressuscitada. E assim podemos ver o mundo de forma diferente – com compaixão, paciência, amor e esperança – porque em Cristo as lutas presentes nunca podem ser a história toda. Mesmo como cristãos divididos, sabemos que o batismo que nos une é suportar a cruz à luz da ressurreição.



Para o Evangelho cristão essa vida de ressuscitado não é meramente um conceito ou uma idéia que pode ajudar. Está enraizada num evento vivenciado no tempo e no espaço. É esse evento que ouvimos recontado na leitura do Evangelho com grande sentimento de humanidade e drama. De Jerusalém o Senhor Ressuscitado envia saudações a seus discípulos através das eras, nos chamando a segui-lo sem medo. Ele vai à nossa frente.



Oração
Deus, protetor da viúva, do órfão e do estrangeiro – num mundo onde tantos conhecem o desespero, ressuscitaste teu Filho Jesus para dar esperança à humanidade e renovar a terra. Continua a fortalecer e unificar tua Igreja em suas lutas contra as forças da morte no mundo, onde a violência contra a criação e a humanidade obscurece a esperança da nova vida que ofereces. Assim oramos em nome do Senhor Ressuscitado, no poder do Espírito Santo. Amém.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Meditação: 5º e 6º dias da Semana pela Unidade dos Cristãos

Esperança e oração


CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o 5º e 6º dias da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 22 e 23 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Dia 5: Partindo o pão na esperança



Êxodo 16, 13b- 21a: É o pão que o Senhor vos dá para comer



Salmo 116, 12-14.16-18: Eu te oferecerei um sacrifício de louvor



1 Coríntios 11, 17-18.23-26:Fazei isto em memória de mim



João 6, 53-58: Este é o pão que desceu do céu



Comentário



Da primeira Igreja de Jerusalém até agora, a "fração do pão" tem sido um ato central para os cristãos. Para os cristãos de Jerusalém hoje, a partilha do pão é sinal tradicional de amizade, perdão e compromisso com o outro. Somos desafiados, nessa fração do pão, a buscar uma unidade que possa falar profeticamente a um mundo marcado por divisões. Esse é o mundo pelo qual, de diferentes maneiras, fomos moldados. Na fração do pão os cristãos são formados de novo pela mensagem profética de esperança para toda a humanidade.



Hoje nós também partimos o pão com coração alegre e generoso; mas também experimentamos, a cada celebração da Eucaristia, uma dolorosa lembrança de nossa desunião. Neste quinto dia da Semana de Oração, os cristãos de Jerusalém reúnem-se na sala superior, o lugar da Última Ceia. Aqui partem o pão em esperança. Aprendemos essa esperança nas maneiras como Deus chega a nós nas agruras dos nossos desgostos. O Êxodo conta como Deus responde aos murmúrios do povo que ele havia libertado, fornecendo-lhes o que precisavam - não mais e não menos. O maná no deserto é um presente de Deus, não para ser acumulado, nem mesmo completamente compreendido. É, como nosso salmo celebra, um momento que pede simplesmente ação de graças - porque Deus "abriu os grilhões".



O que São Paulo reconhece é que partir o pão não significa apenas celebrar a Eucaristia, mas ser um povo eucarístico - tornar-se corpo de Cristo no mundo. Essa breve leitura permanece, em seu contexto (1 Cor 10-11), como um lembrete de como a comunidade cristã deve viver: na comunhão em Cristo, produzindo conduta correta num difícil contexto mundano, guiada pela realidade de nossa vida nele. Vivemos "em memória dele".



Sendo povo da fração do pão, somos povo da vida eterna - vida em plenitude - como nos ensina a leitura de São João. Nossa celebração da Eucaristia nos desafia a refletir sobre como tão abundante dom de vida se expressa no dia a dia, enquanto vivemos na esperança, bem como nas dificuldades. Apesar dos desafios diários dos cristãos de Jerusalém, eles testemunham como é possível se alegrar na esperança.



Oração



Deus da esperança, nós te louvamos pelo dom que nos deste na Ceia do Senhor, onde, no Espírito, continuamos a encontrar teu Filho Jesus Cristo, o pão vivo do céu. Perdoa por não sermos dignos desse grande dom - por nossa vida em divisões, por nosso conluio com as desigualdades, nossa complacência na separação. Senhor, oramos para que apresses o dia em que a tua Igreja possa partilhar em conjunto a fração do pão, e para que, enquanto esperamos esse dia, possamos aprender mais profundamente a ser um povo formado pela Eucaristia para o serviço em benefício do mundo. Oramos em nome de Jesus. Amém.



Dia 6: Fortalecidos para a ação na oração



Jonas 2, 1-9: Ao Senhor é que pertence a salvação



Salmo 67, 1-7: Que os povos te rendam graças, ó Deus!



1 Timóteo 2, 1-8: Façam-se preces por todos os homens, pelos reis e todos os

que detêm autoridade



Mateus 6, 5-15: Que venha o teu Reino, que se realize a tua vontade



Comentário



Seguindo-se à devoção aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna e a fração do pão, a quarto marco da Igreja dos primórdios em Jerusalém é a vida de oração. Ela é percebida hoje como fonte necessária do poder e da força de que os cristãos necessitam em Jerusalém como em outros lugares. O testemunho dos cristãos hoje em Jerusalém nos convida a um reconhecimento mais profundo das maneiras pelas quais enfrentamos situações de injustiça e desigualdade em nossos contextos. Em tudo isso, é a oração que dá força aos cristãos para a missão em conjunto.



Para Jonas, a intensidade de sua oração é seguida da dramática libertação da barriga do peixe. Sua prece é cheia de sentimento, brota do seu próprio senso de arrependimento por ter tentado escapar da vontade de Deus. Ele tinha rejeitado o chamado de Deus à profecia, e acabou num lugar sem esperança. E aqui Deus responde a sua prece com uma libertação para a missão. O salmo nos convida a orar para que a face de Deus brilhe sobre nós - não apenas para nosso benefício mas para que sua lei se espalhe entre todas as nações.



A Igreja apostólica nos recorda que a oração é uma parte da força e do poder da missão e da profecia para o mundo. Aqui a carta de Paulo a Timóteo nos ensina a orar especialmente por aqueles que têm poder no mundo, para que possamos viver juntos em paz e com dignidade. Oramos pela unidade de nossas sociedades e países e pela unidade de toda a humanidade em Deus. Nossa oração pela unidade em Cristo se estende ao mundo inteiro.



Essa vida dinâmica de oração está enraizada no ensinamento do Senhor a seus discípulos. Em nossa leitura do evangelho de Mateus, ouvimos falar da oração como um poder secreto, que não vem de exibição ou bom desempenho, mas de humilde apresentação diante do Senhor. O ensinamento de Jesus é resumido na Oração do Senhor. Fazendo juntos essa oração nos tornamos um povo unido que busca a vontade do Pai e a construção do seu Reino na terra; ela nos chama a uma vida de perdão e reconciliação.



Oração
Senhor Deus, nosso Pai, nos alegramos porque em todos os tempos, lugares e culturas, há pessoas que te buscam em oração. Acima de tudo, te agradecemos pelo exemplo e

ensinamento de teu Filho, Jesus Cristo, que nos ensinou a aguardar em oração a chegada

do teu Reino. Ensina-nos a orar melhor juntos como cristãos, para que possamos sempre

estar conscientes da tua orientação e encorajamento ao longo de nossas alegrias e tristezas,

pelo poder de teu Santo Espírito. Amém.

Meditação: 4º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Partilha, uma expressão de nossa unidade

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o 4º dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 21 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Isaías 58, 6-10: Não é partilhar o teu pão com o faminto?



Salmo 37, 1-11: Confia no Senhor e faze o bem



Atos 4, 32-37: Punham tudo em comum



Mateus 6, 25-34: Procurai primeiro o Reino de Deus



Comentário



O sinal de continuidade em relação à Igreja apostólica de Jerusalém é a fidelidade "ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações". A Igreja de Jerusalém de hoje, porém, nos relembra a conseqüência prática de tal fidelidade - a partilha. Os Atos dos Apóstolos dizem simplesmente: " Todos os que abraçavam a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam as suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada um" (Atos 2, 44-45). A leitura que fazemos hoje do Livro de Atos conecta essa partilha radical com o poderoso testemunho apostólico da ressurreição do Senhor Jesus e da grande graça que veio sobre eles. Os perseguidores romanos que vieram depois observaram com certa pertinência: "vejam como eles se amam".



Tal partilha de recursos caracteriza a vida do povo cristão em Jerusalém hoje. É um sinal de sua continuidade em relação aos primeiros cristãos; é um sinal e um desafio para todas as Igrejas. Isso liga a proclamação do Evangelho, a celebração da Eucaristia e a comunhão fraterna da comunidade cristã com uma radical igualdade e justiça para todos. Na medida em que tal partilha é um testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e um sinal de continuidade com a Igreja de Jerusalém, é igualmente um sinal da unidade que temos uns com os outros.



Há muitas maneiras de partilhar. Há a partilha radical da Igreja apostólica, onde ninguém passava necessidade. Há a partilha mútua de cargas, lutas, dores e sofrimentos. Há a partilha nas alegrias e conquistas, nas bênçãos e curas do outro. Há também a partilha de dons e compreensões entre uma tradição eclesial e outra, mesmo no meio de nossa separação, uma partilha ecumênica de dons. Tal generosa partilha é uma conseqüência prática de nossa fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna; é uma conseqüência de nossa oração pela unidade cristã.



Oração
Deus de justiça, teus dons são gratuitos. Nós te agradecemos porque nos tens dado o que precisamos para que todos possamos estar alimentados, vestidos, abrigados. Guarda-nos do pecado egoísta da acumulação de bens e inspira-nos para que sejamos instrumentos de amor, partilhando tudo que nos deste, em um testemunho da tua generosidade e justiça. Como seguidores de Cristo, leva-nos a agir juntos onde houver necessitados: onde famílias são privadas de suas casas, quando os mais vulneráveis sofrem nas mãos dos poderosos, onde a pobreza e o desemprego destroem vidas. Oramos em nome de Jesus, na unidade do Espírito Santo. Amém.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Papa prevê avanços no diálogo com luteranos

Ao receber uma delegação da Finlândia


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 18 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Rezar e viver segundo a vontade de Deus são as bases onde se deve avançar para alcançar a unidade dos cristãos.



Foi o que Bento XVI explicou no sábado, quando recebeu em audiência uma delegação ecumênica da Igreja Luterana da Finlândia, por ocasião da peregrinação anual a Roma para celebrar a festa de São Henrique de Uppsala, padroeiro do país.



“Se bem que ainda não alcançamos o objetivo do movimento ecumênico ou a plena unidade da fé, no diálogo amadureceram muitos elementos de acordo e de aproximação, que nos reforçam em nosso desejo geral de cumprir a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ‘que todos sejam um’”, explicou o Papa, em um discurso que dirigiu aos seus hóspedes.



Um resultado “digno de atenção, recentemente alcançado” – recordou –, foi o informe final sobre o tema da justificação na vida da Igreja, redigido pelo grupo de diálogo católico-luterano na Finlândia e Suécia, cujos membros se reuniram no ano passado.



“Na teologia e na fé tudo está unido e, portanto, uma maior e mais profunda compreensão comum nos ajudará também a compreender melhor, juntos, a natureza da Igreja”, observou Bento XVI.



Isso – acrescentou – permitirá “encontrar a unidade da Igreja de forma concreta e assim ser capazes de expor a fé aos homens de hoje que interrogam, e torná-la mais compreensível, para que vejam que Ele é a resposta, que Cristo é o Redentor de todos nós”.



Assim “se mantém viva nossa esperança de que, sob a guia do Espírito Santo, muitas diligentes e competentes pessoas que trabalham no âmbito ecumênico possam dar sua contribuição para conquistar esta grande tarefa ecumênica sempre guiados pelo Espírito Santo”.



No entanto, “a eficácia de nossos esforços não pode vir só do estudo e do debate, mas depende sobretudo de nossa oração constante, de nossa vida conforme a vontade de Deus, porque o ecumenismo não é obra nossa, mas fruto da ação de Deus”, disse o Papa.



O Papa disse ser consciente de que nos últimos anos “o caminho ecumênico se tornou, desde certos pontos de vista, mais difícil e certamente mais exigente”, sobretudo em relação a “questões quanto ao método e às conquistas ecumênicas dos últimos anos, além da incerteza do futuro, dos problemas de nosso tempo com a fé em geral”.



À luz disso, a peregrinação a Roma da delegação finlandesa constitui “um evento importante, um sinal e alento a nossos esforços ecumênicos, e de nossa certeza de que devemos caminhar juntos e de que Cristo é o caminho para a humanidade”.



Esta visita – acrescentou o pontífice – “ajuda-nos a olhar para trás com alegria para ver o que se conseguiu até agora e a mirar o futuro com o desejo de assumir um empenho cheio de responsabilidade e de fé”.



“Todos desejamos fortificar nossa crença de que o Espírito Santo, que nos desperta, acompanha-nos e fez frutífero o movimento ecumênico, continue assim também no futuro”, observou o Papa, desejando que esta peregrinação “fortaleça a futura colaboração entre luteranos e católicos, entre todos os cristãos da Finlândia”.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Meditação: 3º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

A fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos nos une

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o 3º dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 20 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Isaías 51, 4-8: Dai-me atenção, meu povo



Salmo 119, 105-112: Tua Palavra é lâmpada para os meus passos



Romanos 1, 15-17: Desejo vos anunciar o Evangelho



João 17, 6-19: Eu manifestei o teu nome



Comentário



A Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos estava unida por sua fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos, apesar da grande diversidade de língua e cultura entre seus membros. O ensinamento dos apóstolos era seu testemunho da vida, do ensino, do ministério, da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Seu ensinamento é o que São Paulo chama simplesmente de "o evangelho". O ensinamento dos apóstolos é o que São Pedro exemplifica em sua pregação em Jerusalém no dia de Pentecostes. Usando palavras do profeta Joel, ele conecta a Igreja com a história bíblica do povo de Deus, levando-nos para dentro da narrativa que começa com a própria criação.



Apesar das divisões, a Palavra de Deus nos congrega e nos une. O ensinamento dos apóstolos, a boa nova em sua plenitude, estava no centro da unidade na diversidade da primeira Igreja de Jerusalém. Os cristãos em Jerusalém nos relembram hoje que não foi simplesmente o "ensinamento dos apóstolos" que uniu a primitiva Igreja, mas a fidelidade àquele ensinamento. Tal fidelidade transparece quando São Paulo identifica o evangelho como "o poder de Deus para a salvação".



O profeta Isaías nos recorda que o ensinamento de Deus é inseparável da sua justiça, que é "luz dos povos", ou, como diz o salmista, "tua palavra é lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho... Tuas exigências são para sempre minha herança; são a alegria do meu coração".



Oração
Deus da luz, nós te damos graças pela revelação da tua verdade em Jesus Cristo, tua palavra viva, que recebemos através do ensinamento dos apóstolos, ouvidos primeiramente em Jerusalém. Que o teu Espírito Santo continue a nos santificar na verdade do teu Filho, para que unidos nele possamos crescer na devoção à palavra, e juntos servir teu Reino em humildade e amor. Em nome de Cristo oramos. Amém.

Meditação: 2º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Muitos membros de um só corpo

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 18 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o 2º dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 19 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Isaías 55, 1-4: Vinde para as águas



Salmo 85, 8-13: Sua salvação está bem próxima



1 Coríntios 12, 12-27: Fomos batizados em um só Espírito para formarmos um só corpo



João 15, 1-13: Eu sou a verdadeira videira



Comentário



A Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos é o modelo da unidade que buscamos hoje. Como tal, ela nos lembra que a oração pela unidade dos cristãos não pode ser um pedido de uniformidade, porque a unidade desde o começo foi caracterizada por uma rica diversidade. A Igreja de Jerusalém é o modelo ou ícone da unidade na diversidade.



A narrativa de Pentecostes no Livro dos Atos nos conta que estavam representadas em Jerusalém naquele dia todas as línguas e culturas do antigo mundo mediterrâneo e, além disso, que as pessoas que ouviram o evangelho em suas diversas línguas foram unidas umas às outras, pela pregação de Pedro, no arrependimento, nas águas do Batismo e através do derramamento do Espírito Santo. Ou, como escreveria São Paulo mais tarde, "todos nós fomos batizados em um só Espírito, para formarmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres, e todos nós bebemos de um único Espírito." Não se trata de uma comunidade uniforme de pessoas com pensamento semelhante, de pessoas unidas pela língua e pela cultura que se tornaram um no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Mas era uma comunidade ricamente diversificada, cujas diferenças poderiam facilmente explodir em controvérsias, como foi o caso entre os helenistas e os cristãos hebreus sobre o descaso em relação às viúvas gregas, que São Lucas relata em At 5,1. Ainda assim, a Igreja de Jerusalém em unidade consigo mesma e era uma com o Senhor Ressuscitado que diz "Eu sou a vinha, vocês são os sarmentos: aquele que permanece em mim e no qual eu permaneço, esse produzirá frutos em abundância".



Rica diversidade caracteriza hoje as Igrejas em Jerusalém, bem como no mundo inteiro. Isso pode facilmente descambar para a controvérsia em Jerusalém, que tem agora um acentuado clima de hostilidade política. Mas, como na primeira Igreja de Jerusalém, os cristãos em Jerusalém hoje nos recordam que há muitos membros num corpo, uma unidade na diversidade. Antigas tradições nos ensinam que a diversidade e a unidade existem na Jerusalém celeste. Elas nos relembram que diferença e diversidade não são o mesmo que divisão e desunião, e que a unidade cristã pela qual oramos sempre preserva a autêntica diversidade.



Oração
Deus, de quem flui toda a vida em sua diversidade, chamas tua Igreja, como corpo de Cristo, a estar unida no amor. Possamos nós aprender mais profundamente nossa unidade na diversidade, e buscar trabalhar juntos na pregação e na construção do teu Reino de amor abundante para todos, enquanto nos acompanhamos uns aos outros em cada lugar, em todos os lugares. Que tenhamos sempre em mente Cristo, como fonte de nossa vida em comum. Oramos na unidade do Espírito. Amém.

Meditação: 1º dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

A Igreja de Jerusalém


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 17 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário aos textos bíblicos e de oração escolhidos para o primeiro dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 18 de janeiro.



Este texto faz parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição, do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos de Jerusalém.



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Dia 1: A Igreja em Jerusalém



Joel 2, 21-22.28-29: Derramarei meu Espírito sobre toda a carne.



Salmo 46: Deus está no meio da cidade



Atos 2, 1-12: Quando chegou a dia de Pentecostes



João 14, 15-21: É ele o Espírito da verdade



Comentário



A caminhada desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos começa em Jerusalém no dia de Pentecostes, no início da própria caminhada da Igreja.



O tema desta Semana diz: “eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. “Eles” são a primitiva Igreja de Jerusalém, nascida no dia de Pentecostes quando o Defensor (Paráclito), o Espírito de verdade, desceu sobre os primeiros fiéis, como tinha sido prometido por Deus através do profeta Joel, e pelo Senhor Jesus na noite anterior ao seu sofrimento e sua morte. Todos os que vivem em continuidade com o dia de Pentecostes vivem em continuidade com a primitiva Igreja de Jerusalém, com seu líder São Tiago. Essa Igreja é a Igreja mãe de todos nós. Ela nos proporciona a imagem ou ícone da unidade cristã pela qual oramos nesta Semana.



De acordo com uma antiga tradição oriental, a sucessão na Igreja vem através da continuidade em relação à primeira comunidade de Jerusalém. A Igreja de Jerusalém nos tempos apostólicos é ligada à Igreja celeste de Jerusalém, que por sua vez se torna o ícone de todas as Igrejas cristãs. O sinal de continuidade com a Igreja de Jerusalém para todas as Igrejas é a manutenção das “marcas” da primeira comunidade cristã através do nosso empenho em estar “assíduos aos ensinamentos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”.



A atual Igreja de Jerusalém vive em continuidade com a Igreja apostólica de Jerusalém, particularmente por seu penoso testemunho da verdade. Seu testemunho do Evangelho e sua luta contra a desigualdade e a injustiça nos lembram que a oração pela unidade dos cristãos é inseparável da oração pela paz e pela justiça.



Oração
Todo poderoso e Misericordioso Deus, com grande poder reuniste os primeiros cristãos na cidade de Jerusalém, pelo dom do Espírito Santo, desafiando o poder terreno do Império Romano. Concede-nos que, como essa primeira Igreja de Jerusalém, possamos nos unir corajosamente na pregação e na vivência das boas novas da reconciliação e da paz, onde houver desigualdade e injustiça. Oramos em nome de Jesus, que nos liberta da servidão do pecado e da morte. Amém.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bebês “descartáveis”

Aumenta o número de fetos com deficiência que são abortados
Pe. John Flynn, LC



ROMA, domingo, 16 de janeiro de 2011(ZENIT.org) - Os pró-aborto sempre defenderam o direito das mulheres de controlar seus corpos e de ter o nascituro como quiserem. Em uma decisão estranha, um tribunal belga aprovou esse raciocínio até afirmar que uma criança tem o direito de ser abortada.


A revista belga Revue Générale des Assurances et responsabilité publicou a sentença do Tribunal de Apelação em Bruxelas, de 21 de setembro, sobre o caso de uma criança nascida com deficiência, após um erro no diagnóstico pré-natal, de acordo com a revista Gènéthique de 29 de novembro a 3 de dezembro.



O tribunal decidiu que os pais da criança poderiam exigir indenização dos médicos que não conseguiram detectar a incapacidade. Eles alegaram que, ao legalizar o aborto terapêutico, os legisladores pretendiam que as mulheres pudessem evitar dar à luz crianças com deficiências graves, "tendo em conta não só os interesses da mãe, mas também os do nascituro em si".



Assim, os juízes consideraram que a criança deve ter o "direito" ao aborto, se a sua deficiência for diagnosticada corretamente.



Esta reportagem sobre a sentença não explicou como o tribunal chegou a considerar o nascituro como capaz de ser sujeito de direitos, e por que esse direito era apenas o de ser assassinado, e não o de viver.



Uma boa mãe?



A escritora britânica Virginia Ironside deu mais um passo a mais na aceitação cada vez mais comum da visão de que é melhor abortar bebês com deficiência, ao declarar que preferiria afogar seu filho para acabar com seu sofrimento, informou a 5 de outubro o jornal Daily Mail.



Ela fez o comentário durante um programa de rádio na BBC1, Sunday Morning Live. Ironside disse também que abortar um bebê indesejado ou com deficiência "é o ato de uma mãe amorosa".



Suas declarações provocaram muitas críticas. Peter Evans, falando em nome da Christian Medical Fellowship, disse: "Para nós, fazer julgamentos de que uma pessoa não é digna de viver, não é digna da oportunidade de viver, é algo perigoso", informou o Daily Mail.



Ian Birrell, pai de uma filha com deficiência, de 16 anos, assinou um artigo adjunto em que reconhecia as dificuldades de cuidar de uma criança deficiente, mas também disse que é uma experiência intensamente gratificante. Acusou Ironside de mostrar uma maneira de pensar muito comum, segundo a qual as pessoas com deficiência seriam inferiores.



"Imagine a indignação se a Sra. Ironside tivesse dito que as crianças negras ou os adolescentes gays deveriam ser exterminados", disse Birrell.



Outros, porém, a defenderam. O colunista do jornal Guardian, Zoe Williams, afirmou que ela tinha "uma opinião válida e foi corajosa ao expressá-la" em um artigo em 5 de outubro.



Williams disse que o argumento de Ironside era um passo crucial, pois ela tinha formulado a dimensão moral de ser pró-aborto. Foi como um golpe ao que William descreve como "a autoproclamada superioridade moral dos antiabortistas".



O Sunday Times deu oportunidade a Virginia Ironside para que explicasse melhor o seu raciocínio, em um artigo de opinião publicado em 10 de outubro. Argumentou que as mortes misericordiosas de pessoas idosas e doentes acontecem e que os juízes, em geral, se mostram clementes com elas. Estender esta prática ao feto ou ao recém-nascido é exatamente o que faria uma boa mãe, disse.



Novos testes



A postura de eliminar aqueles considerados indignos receberá ajuda dos novos exames que tornarão mais fácil a detecção de anormalidades na gravidez. Foi desenvolvido um exame de sangue para as mulheres grávidas capaz de detectar quase todas as doenças genéticas, informou em 9 de dezembro o Times de Londres.



Se os exames mais amplos confirmarem os resultados preliminares, o teste poderia substituir técnicas mais invasivas e arriscadas, como a amniocentese, que exige a inserção de uma agulha no útero para retirar uma amostra de tecido fetal.



Da mesma forma, o exame poderá ser usado a partir da primeira semana de gravidez, assim como na oitava, bem antes dos processos atualmente em uso, dando à mulher mais tempo para decidir abortar ou não, acrescentou o Times.



Alasdair Palmer, comentando estas notícias no jornal Telegraph de 11 de dezembro, afirmou que exames como esse evitariam que pessoas como ele nascessem. Palmer, que sofre de esclerose múltipla, falou da preocupação sobre um possível aumento no número de abortos de bebês com defeitos genéticos, incluindo os menos importantes, como o lábio leporino.



Rotineiramente, seriam abortados os bebês com síndrome de Down e, após a aceitação desta forma de pensar como uma prática aceitável, seria mais difícil traçar uma linha. "Devemos abortar aqueles que sofrem de autismo, dislexia, ou os são excessivamente baixos?", perguntou-se.



"Não vejo base alguma que permita que a lei especifique, e muito menos que imponha, um princípio que diga: este defeito genético é suficientemente ruim e é melhor que o bebê não nasça, mas este outro não é tão ruim", refletiu Palmer.



Mesmo sem os novos exames, já houve um significativo declínio no nascimento de crianças com doenças genéticas devido ao aborto seletivo. Uma longa reportagem da Associated Press, publicada em 17 de fevereiro, citou a Dra. Wendy Chung, diretora de genética clínica da Universidade de Columbia, quem disse que, devido aos diagnósticos, diminuiu a porcentagem de doenças como a de Tay-Sachs.



Nos últimos anos, têm aumentado os exames para a fibrose cística e, em Massachusetts, por exemplo, o nascimento de bebês com esta doença caiu de 29, em 2000, para apenas 10, em 2003.



Na Califórnia, relatou a Associated Press, Kaiser Permanente, uma organização de saúde de grande porte, oferece diagnóstico pré-natal. De 2006 a 2008, 87 casais com mutações de fibrose cística concordaram em examinar seus fetos e foi constatado que 23 tinham a doença; 16 dos 17 fetos que teriam uma forma grave desta doença foram abortados, e também 4 dos 6 cujo prognóstico seria menos grave.



Às vezes, os casais optam por abortar mesmo se não há problemas genéticos, conforme relatado em 10 de dezembro pelo jornal Canadian National Post.



Quando um casal descobriu que estava esperando gêmeos, os cônjuges acharam que não poderiam lidar com dois filhos, além do menino que já tinham. Então, eles decidiram fazer o que é chamado de "redução seletiva", e um dos gêmeos foi abortado.



O artigo citou uma obstetra de Nova York, Mark Evans, especialista nesta técnica, quem disse que muitos casos têm a ver com casais que estão em seu segundo casamento e já têm filhos, então só querem mais um.



Cada ser humano é único



"Deus ama cada ser humano de maneira única e profunda", declarou Bento XVI em 13 de fevereiro, em seu discurso aos membros da Academia Pontifícia para a Vida.



O Papa destacou que a bioética é um campo de batalha crucial na luta entre a supremacia da tecnologia e a responsabilidade moral do ser humano. Neste conflito, é vital manter o princípio da dignidade da pessoa humana como fonte de direitos dos indivíduos.



"Ao invocar o respeito à dignidade da pessoa, é essencial que este seja pleno, total e sem sujeições, exceto a de reconhecer que se está sempre diante de uma vida humana", disse ele.



O Pontífice advertiu que a história mostra quão perigoso pode ser o Estado quando proclama que é a fonte e o princípio da ética e legisla sobre assuntos que afetam a pessoa e a sociedade.



O passo do direito a abortar ao direito de ser abortado demonstra claramente o perigo de abandonar os princípios éticos fundamentais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Artigo interessante do Padre Zezinho...leiam

10/01/2011


DEUS PARA OS INTELIGENTES















Conheço pessoas inteligentes que não crêem em Deus. E conheço outras, também elas inteligentes, que crêem. Então é assunto para além de qualquer brilhantismo cultural. Inteligente é aquele que lê dentro dos fatos. Vai além do que se vê: “intus legit”. Não fica na superfície nem na casca. Vê mais do que o visível. Elucubra, tira conclusões, faz ilações, situa, vê as concomitâncias, interliga os dados... Enfim, vai mais longe do que os olhos e os ouvidos.



O discurso sobre Deus, terá que ser muito mais inteligente e racional do que tem sido se quisermos que o mundo volte a procurá-lo de maneira serena. Há pregadores inteligentes que dizem coisa com coisa. Amigos ateus gostam de ouvi-los porque o discurso é o de quem sabe por que e no que crê. Inteligente também é o discurso de muitos ateus que fundamentam suas dúvidas.



Foi Carl Sagan que disse no seu livro Variedades da Experiência Científica; Uma Visão Pessoal da Busca por Deus, que o fato de ele dizer que não tinha fé em Deus não significava afirmar que Deus não existe. Afirmava apenas não crer nele. Situou de maneira inteligente a questão da fé e da descrença. Quem diz que Deus existe, está dizendo que crê nele. Mesmo que Deus não existisse, ele ainda creria nele. Quem diz que não crê está dizendo que não vê provas suficientes para afirmar que Deus existe. Mesmo que Deus exista, ele continuará tendo dificuldade de crer.



E não apressemos em chamar de estúpido ou mal intencionado quem crê ou deixa de crer. Sem compreender os meandros daquela mente não temos como julgar suas abstrações. O fato de hoje milhões o procurarem Deus de maneira sôfrega, desfundamentada, histérica, sedenta e famélica e, por isso mesmo aceitarem tudo sem maiores reflexões é altamente questionador. Sua fome os submete a pregadores peremptórios e enlouquecidos que esmurram mesas e altares para expressar suas certezas absolutas, que de absoluto não têm nada. É puro jogo de cena; melhor dizendo, impuro jogo de cena! É vitória do marketing religioso sobre a ética da fé.



No passado e ainda recentemente multidões também seguiram ditadores e pregadores de ideologias de força, sem jamais questionar aquelas mortes e prisões. Hitler também dava socos e berrava suas idéias diante de multidões sequiosas de vitória e resgate da dignidade alemã. A condenação da Igreja às idéias de Hitler repercutiram pouco nos alemães daqueles dias. O bispo de Mainz, proibiu aos católicos inscrever-se no Partido Nazista. O motivo não era o ateísmo de Hitler, mas o tipo de ateísmo que ele apregoava. A diocese de Kohln também emitiu a mesma proibição. A Igreja não foi ouvida. Racistas e enlouquecidos acreditaram mais em Hitler do que nos bispos. A mídia daqueles dias e o marketing poderoso do III Reich, derrotaram as cátedras episcopais. Milhões resolveram ouvir o Partido.



Hitler, Stálin e Pol Pot e, não esqueçamos Fidel Castro mataram e prenderam quem se lhes opunha. Alguns como Hitler assassinaram se dó nem piedade milhões de opositores ou pessoas de etnia que desprezavam. Não o fizeram por serem ateus porque muitos ateus discordaram deles. Fizeram por acharem que se as armas não se disciplina um povo e não se derrota um sistema. Bin Laden, hoje, usa do mesmo argumento! Por que dialogar se a violência os leva mais depressa aos seus objetivos?



O nosso não é um mundo equilibrado, mas nele moram os que não precisam de Deus e nunca precisaram e cada vez precisam menos. Moram no mesmo planeta os que precisaram, precisam e buscam os sinais de Deus na sua vida e no mundo. Também moram ao nosso lado os que vivem depressa, comem depressa, querem tudo depressa e não poucas vezes também aceitam e proclamam milagres depressa demais. A serenidade continua sendo uma das melhores provas de que alguém de fato se encontrou. Encontrando-se é bem mais fácil encontrar outras respostas.



Respeitemos o ateu e o crente sereno; questionemos os sôfregos, os exigente e os gritalhões. Não é por que urrava que Hitler estava certo. E não é porque discursava cinco a seis horas que Fiel tinha razão. Diga-se o mesmo de outros ditadores de esquerda ou direita e pregadores que falavam com Deus 24 horas por dia!



A busca de Deus não é um jogo de crer ou não crer. E é muito mais do que fazer torcida, xingar um ao outro e destruir o bom nome da mãe do juiz. Crer ou descrer com fundamento é coisa para pessoas serenas. Deve ser por isso que crentes e ateus tranqüilos conseguem ser amigos. O mesmo já não se pode afirmar dos exaltados. Não admitem que as coisas não sejam com eles as interpretam. Se ainda não leu livros de crentes e de ateus fanáticos perdeu uma boa chance de ver aonde levam as ojerizas e as intolerâncias !


domingo, 16 de janeiro de 2011

Bento XVI manifesta solidariedade às vítimas das chuvas no Rio de Janeiro

 Sáb, 15 de Janeiro de 2011 15:10 cnbb


Nova Friburgo
O papa Bento XVI enviou, nesta sexta-feira, 14, mensagem de solidariedade às vítimas das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. Em telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, o papa se diz “consternado com as trágicas consequências das fortes chuvas que atingiram a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, particularmente Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo”.



Bento XVI manifesta sua “solidariedade espiritual ao querido povo fluminense, nessa hora difícil” e "recomenda as vítimas a Deus misericordioso e implora a assistência e consolação divina para os desalojados e quantos sofrem física e moralmente, enviando-lhes uma propiciadora bênção apostólica”. O telegrama foi enviado ao bispo de Petrópolis, dom Filippo Santoro.



Os números da maior tragédia climática do país não param de crescer. Os mortos já passam de 580 e são milhares de desabrigados e desalojados na região serrana do Rio. A presidente Dilma Rousseff decretou ontem luto oficial de três dias pelas vítimas dos temporais que assolaram vários municípios do País. Neste sábado, o governador do Rio, Sérgio Cabral, decretou luto oficial de sete dias no Estado.



Solidariedade

A solidariedade vem de toda parte do país. O bispo de Petrópolis, dom Filippo Santoro, e o de Nova Friburgo, dom Edney Gouvêa Mattoso, percorreram as áreas atingidas de suas respectivas dioceses cujos padres, seminaristas e religiosos estão trabalhando no atendimento às famílias desabrigadas ou desalojadas. As paróquias e casas religiosas estão recebendo as famílias que perderam tudo e não têm onde dormir e como se alimentar. Também se transformaram em postos de arrecadação de donativos.



Os seminaristas da diocese de Petrópolis passaram o dia 13 doando sangue para o atendimento emergencial dos feridos mais graves. Foi aberta também uma conta chamada “SOS Serra”, no Bradesco – agência 4014, conta 114134-1 – da mitra diocesana.



"A situação na Diocese de Petrópolis é dramática, sobretudo nos dois focos da própria cidade de Petrópolis, em particular Itaipava, no Vale de Cuiabá, e em Teresópolis, onde o desastre é ainda maior. Os padres estão todos mobilizados, as igrejas estão à disposição, recolhendo desabrigados em primeiro lugar, dando primeiros socorros, as refeições diárias e recolhendo mantimentos", ressaltou Dom Filippo Santoro.



A CNBB e a Caritas Brasileira também lançaram a campanha SOS SUDESTE. As doações podem ser feitas pelas contas Caixa Econômica Federal - Agência 1041 – OP. 003 - Conta Corrente 1490-8 ou

Banco do Brasil - Agência 3475-4 - Conta Corrente 32.000-5.



Veja outras formas de ajudar.

Liturgia da Palavra: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

SÃO PAULO, quinta-feira, 13 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – II do Tempo Comum Is 49, 3. 5-6; 1 Cor 1, 1-3; Jo 1, 29 -34 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.



II DOMINGO DO TEMPO COMUM





Leituras: Is 49, 3. 5-6; 1 Cor 1, 1-3; Jo 1, 29 -34



Com a semana que segue ao Batismo de Jesus, inicia-se o chamado Tempo Comum do ano litúrgico. Antes de entrar na reflexão sobre as leituras deste domingo, gostaria de oferecer uma breve introdução sobre o sentido teológico e espiritual deste tempo que, pela sua extensão, acompanha por meses o caminho espiritual da Igreja. Para valorizar de maneira apropriada este tempo, é preciso conhecer um pouco mais de perto a estrutura do ano litúrgico e os critérios que orientam a distribuição das leituras bíblicas nas celebrações.



O conhecimento destes dois elementos facilita a compreensão da Liturgia da Palavra proporcionada pelo Lecionário festivo e ferial e orienta a reflexão espiritual sobre os textos bíblicos que compõem a Liturgia da Palavra.



O Tempo Comum é constituído por 33/34 semanas, distribuídas entre o Batismo de Jesus e a Quaresma (primeiro período) e entre o domingo da Trindade e a solenidade de Cristo Rei (segundo período). O Tempo Comum não celebra um ou outro aspecto particular do mistério de Cristo, como acontece, por exemplo, com o Advento-Natal ou a Quaresma-Páscoa, mas celebra o mesmo mistério na sua globalidade. Realiza isso pela constante referência à páscoa que caracteriza os domingos, assim acompanhando e orientando o caminho pascal do povo de Deus no seguimento de Jesus, rumo ao cumprimento da história.



Dois elementos são fundamentais para compreender o significado e a importância espiritual e pastoral do tempo comum: o Lecionário e o Domingo.



O Lecionário é o livro litúrgico que proporciona as leituras bíblicas da Liturgia da Palavra de todas as celebrações e, como tal, não deveria ser substituído por um simples folheto. Os textos da sagrada escritura iluminam o mistério pascal de Cristo e o caminho da Igreja. Sendo Cristo o centro e o cumprimento da história da salvação, celebrada na liturgia e dinamicamente ativa na vida de cada fiel, a Igreja se torna sempre mais conforme ao seu Mestre e Esposo. A leitura semi-contínua dos Evangelhos marca o caminho dos domingos assim como dos dias de féria, seguindo sábios critérios bíblicos, litúrgicos e pedagógicos, que se encontram bem ilustrados na Introdução ao Lecionário Litúrgico, elaborado pela reforma promovida pelo Concílio Vaticano II.



A centralidade do Evangelho na Liturgia da Palavra reflete a centralidade de Cristo na história da salvação, que tem como sua primeira etapa de preparação profética, eventos, personagens e escritos do AT. O texto do Evangelho, de consequência, determina a escolha da primeira leitura, tomada do AT. Esta se caracteriza como promessa e profecia a respeito de Cristo e do texto do Evangelho. “O Novo Testamento está latente no Antigo e o Antigo se torna claro no Novo”, afirma a constituição do concílio Dei Verbum (n.16), repetindo uma famosa frase de Santo Agostinho. A segunda leitura, porém, geralmente composta de um texto das cartas de Paulo ou de outro apóstolo, ilumina a vida nova que anima o discípulo de Jesus pela ação do Espírito Santo e sua vocação a conformar-se sempre mais a Cristo. O novo Lecionário realiza o desejo do Concílio, que pedia para oferecer a todo o povo de Deus os tesouros da Sagrada Escritura em medida mais abundante (SC 51).



Na ação litúrgica a Palavra de Deus é acompanhada pela ação íntima do Espírito Santo que a torna operante no coração dos fiéis. “Por isso – afirma o Papa Bento XVI na Exortação apostólica Verbum Domini – para a compreensão da palavra de Deus, é necessário entender e viver o valor essencial da ação litúrgica. Em certo sentido, a hermenêutica da fé relativamente à sagrada escritura deve ter sempre como ponto de referência a liturgia, onde a Palavra de Deus é celebrada como Palavra atual e viva. A Igreja, na liturgia, segue fielmente o modo de ler e interpretar as Sagradas Escrituras seguido pelo próprio Cristo, quando, a partir do ’hoje’ do seu evento, exorta a perscrutar todas as Escrituras (cf. Ordenamento das leituras da missa, 3)” (VD 52).



As leituras do 2º Domingo do tempo ordinário constituem um exemplo muito claro desta visão de fé e da maneira de entender e viver a palavra de Deus e a liturgia.



O Evangelho de João (Jo 1, 29-34), com o testemunho do Batista que aponta para Jesus como o Cordeiro/Servo do Senhor que carrega sobre si mesmo o pecado, tirando-o do mundo inteiro e não somente de Israel (cf. Jo 2, 21-22), apresenta Jesus como cumprimento da profecia de Isaías (Is 49,3. 5-6). O profeta promete o envio do Servo por parte de Deus, por ele escolhido e fortalecido com seu espírito. O servo tem a missão de restaurar a liberdade e a unidade de Israel e de Judá e de tornar-se luz capaz de iluminar o caminho de todos os povos e salvá-los. Paulo, na carta aos Coríntios, coloca a si mesmo e o seu ministério apostólico na linha do Servo e do Cordeiro, lembrando seu chamado por Deus e seu apostolado entre os Coríntios, “santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor 1,2). A dimensão universal da salvação em Cristo será a nota específica da pregação da Boa-Nova do Novo Testamento, e da missão entregue por Jesus aos Apóstolos e à Igreja.



A celebração do Domingo, como dissemos, é o segundo elemento que caracteriza o tempo comum. No sentido literal, a palavra Domingo significa “dia do Senhor”, isso é, dia em que se celebra e se vive na comunidade dos discípulos a presença de Jesus, “Senhor”, enquanto vencedor da morte. Isso acontece sobretudo através da celebração da Eucaristia, que alimenta o povo de Deus com a dupla mesa do pão vivo da Palavra de Deus e do corpo de Cristo, e o constitui como corpo vivo de Cristo (DV 21). O Domingo, dia do Senhor, é desse modo igualmente dia da Igreja. Marca o início da nova história inaugurada por Cristo ressuscitado (primeiro dia), enquanto é, ao mesmo tempo, seu cumprimento e plenitude do descanso de Deus e do homem (oitavo dia). Sobre este assunto tão importante para a espiritualidade cristã e para a pastoral, gostaria de sugerir a meditação atenciosa da carta encíclica do Papa João II, “Dies Domini - O dia do Senhor” (1998), luminosa nos seus horizontes teológicos e espirituais e rica de sugestões pastorais.



Às vezes, o Tempo Comum é considerado como um “tempo menor”, um tempo “pouco significativo”. Pelo contrário, assim como a túnica sem costura de Cristo crucificado envolvia o seu corpo, assim também o tempo comum envolve o corpo e o tempo da Igreja, esposa de Cristo, e a faz habitar no jardim da ressurreição ao longo do ano inteiro. De semana em semana, ficam emergindo, como pérolas preciosas engastadas no tecido unitário do tempo, os domingos, que deixam brilhar a sóbria preciosidade dos dias feriais, escondidos na trama do cotidiano, mas coloridos pela luz da páscoa como fios de ouro.



A semana vive do respiro do Espírito recebido no domingo, e ela mesma se torna os dons colocados sobre a mesa do altar no dia de festa, e transformados por Cristo no seu corpo e no seu sangue vivificante. São Bento, o pai espiritual dos monges e das monjas, diz na sua Regra, que os instrumentos com que eles e elas trabalham durante a semana nos campos e nas oficinas do mosteiro têm o mesmo valor dos vasos sagrados do altar.



A Oração e o Trabalho, segundo o conhecido lema beneditino “Ora et Labora”, constituem, para cada cristão, duas faces indivisíveis do caminho cotidiano, animado pelo Espírito e vivenciado na presença de Deus. Esta consciência resgata o homem e a mulher do nosso tempo - tecnológicos e mercantilistas - das ambigüidades do progresso técnico e da posse de bens materiais, esperados como fonte da própria salvação, enquanto os submetem a novas formas de escravidão, de vazio interior e provocam o desgaste do meio ambiente, da natureza.



Para o discípulo e a discípula de Jesus, o cotidiano é a carne do festivo, e o festivo é a alma do cotidiano. Da mesma maneira como, no mistério do Verbo encarnado que acabamos de celebrar, a divindade vivifica a humanidade de Jesus e a sua humanidade nos permite encontrar sua divindade. Na relação pessoal com Cristo na Palavra, na Liturgia e no cotidiano, temos a graça de alimentar de maneira unitária o nosso caminho espiritual, caminho marcado por uma espiritualidade encarnada na vida de cada dia.



A oração eucarística 4ª tem uma maravilhosa estrutura que abrange as etapas da história da salvação inteira, do seu inicio até a vida de cada dia da comunidade. Ela envolve toda atividade do homem e da mulher na ação transformadora do Espírito, como parte integrante da ação de louvor e agradecimento a Deus, junto com o evento da morte e ressurreição de Jesus. Enquanto tal, esta oração eucarística interpreta muito bem e alimenta o sentido unitário da experiência cristã. Por isso é a mais apta a ser utilizada nas celebrações feriais durante o Tempo Comum e como fonte riquíssima de oração, de espiritualidade e de catequese. Infelizmente esta pérola da liturgia renovada fica quase que desconhecida – até mesmo por muitos padres! – pois é “sacrificada” em prol da oração eucarística 2ª, preferida nem sempre pela sua bela simplicidade, mas muitas vezes em nome da sua “brevidade”!



Não faz maravilha que esta visão unitária e nobre do cotidiano, proposta na pedagogia espiritual da Igreja através da liturgia, encontre certa dificuldade, em razão da nossa mentalidade atual.



O caminho espiritual fica fragmentado entre oração, vida moral, atividade profissional, serviço nas pastorais e empenho para dar testemunho cristão na sociedade civil. Falta muitas vezes um fio condutor que unifique os vários aspectos da existência dos homens e das mulheres cristãos no nosso tempo.



Somos filhos da mentalidade dos “efeitos especiais” e dos “produtos descartáveis”, substituídos rapidamente em toda atividade. Às vezes também pessoas devotas vão à procura de emoções fortes, em experiências supostamente “mais espirituais” do que o caminho alimentado pela Palavra de Deus e pela liturgia. É possível até mesmo encontrar quem nos ofereça “milagres ao vivo”, proporcionados por certas reportagens religiosas na TV. Tentações que acompanham o homem e a mulher religiosa desde sempre.



A liturgia exige e promove uma grande conversão de mentalidade, de coração e de pedagogia espiritual, para reconhecer que a força de Deus que nos salva se encontra no Verbo feito carne, nos gestos e nas palavras humanas dos sacramentos, no cotidiano animado pelo Espírito e vivenciado conforme seus impulsos interiores. “A carne é o eixo da salvação”, dizia o grande padre da Igreja do séc. 3º, Tertuliano.



Os concidadãos de Jesus em Nazaré não se escandalizavam por ser ele o filho do carpinteiro e membro de uma família da qual todo mundo conhecia os componentes? (cf. Mt 13, 53-58).



O próprio João Batista passa através da mesma tentação. No início da sua missão, narrada pelo evangelho de hoje, reconhece em Jesus “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Com humildade e coragem o indica a seus discípulos e ao povo como o verdadeiro mestre e messias a seguir. Ele pode atestar ter visto que sobre Jesus desceu o Espírito de Deus e que nele atua sua potência (Jo 1, 29 -34).



Na obscuridade da prisão, na vigília do sacrifício da sua vida por parte de Herodes por ter sido fiel à sua missão, é apanhado pela obscuridade ainda mais sofredora da dúvida: “És tu, aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” (Mt 11,2-3). O estilo de atuar por parte de Jesus lhe parece condescendente demais com pecadores e marginalizados, pouco “messiânico”, segundo o modelo do messias forte e de juiz implacável, imaginado e pregado por ele mesmo. Mas Jesus continua curando cegos, paralíticos e a Evangelizar os pobres. É assim que está presente nele o reino de Deus. E acrescenta: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim” (Mt 11,6). É a mensagem definitiva também para nós no início deste novo Tempo Comum, tão precioso!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Purgatório não é um lugar, mas um "fogo do amor", afirma Papa

Dedica a catequese a Santa Catarina de Gênova

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - O purgatório não é tanto um "espaço" onde as almas são purificadas, mas um "fogo interior" que purifica a pessoa e a torna capaz de contemplar Deus, afirmou hoje Bento XVI, durante a audiência geral.



Como de costume nos últimos meses, o Papa quis dedicar a catequese de hoje, realizada na Sala Paulo VI, a uma mulher, Santa Catarina de Gênova, conhecida por suas reflexões sobre a natureza do purgatório.



Esta mulher italiana, que viveu no século XVI, teve uma forte experiência interior de conversão, que a levou a renunciar à vida mundana que tinha levado até então, dedicando-se a cuidar dos doentes, até sua morte.



Catarina teve uma série de revelações místicas, que narrou em seu Tratado sobre o Purgatório e no Diálogo entre a alma e o corpo.



Ainda que nunca tenha tido revelações particulares sobre o purgatório, explicou o Papa, "nos escritos inspirados por nossa santa, é um elemento central, e a maneira de descrever isso tem características originais com relação à sua época".



A santa descreve o purgatório não tanto como um "lugar", como era habitual em sua época: "Não é apresentado como um elemento da paisagem das entranhas da terra: é um fogo interior, não exterior".



"Isso é o purgatório, um fogo interior", sublinhou o Papa.



A santa, em seus escritos, "fala do caminho de purificação da alma até a comunhão com Deus, partindo de sua própria experiência de profunda dor pelos pecados cometidos, em contraste com o amor infinito de Deus".



Catarina, no momento de sua conversão, "sente de repente a bondade de Deus, a distância infinita de sua própria vida dessa bondade e um fogo abrasador dentro dela. E este é o fogo que purifica, é o fogo interior do purgatório".



Outra das características de Catarina é que "não parte do Além para narrar os tormentos do purgatório - como era costume na época e talvez ainda hoje - e, em seguida, apontar o caminho para a purificação ou a conversão".



Ao contrário, "parte da experiência interior e pessoal de sua vida no caminho rumo à eternidade".



"Catarina afirma que Deus é tão puro e santo, que a alma, com as manchas do pecado, não pode se encontrar na presença da divina majestade."



Assim, "a alma é consciente do imenso amor e da perfeita justiça de Deus e, portanto, sofre por não ter respondido correta e perfeitamente a esse amor e, por isso, o próprio amor a Deus torna-se uma chama, o próprio amor a purifica das suas escórias de pecado".



Utilizando uma imagem da época, a santa explicava que Deus ata o ser humano "com um fio finíssimo de ouro, que é o seu amor, e o atrai a si com um carinho tão forte, que o homem permanece como superado, vencido e todo fora de si mesmo".



"Assim, o coração humano é invadido pelo amor de Deus, que se torna o único guia, o único motor da sua existência", acrescentou.



"Esta situação de elevação até Deus e de abandono à sua vontade, expressa na imagem do fio, é utilizada por Catarina para exprimir a ação da luz divina sobre as almas do purgatório, luz que as purifica e as eleva aos esplendores dos raios resplandecentes de Deus."



Assim, concluiu o Papa, "a santa nos recorda uma verdade fundamental da fé que se torna para nós um convite a rezar pelos defuntos, para que possam chegar à visão beatífica de Deus, na comunhão dos santos".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

FESTA SCJ-DEHONIANOS

Dom Murilo Krieger é o novo arcebispo de Salvador
Qua, 12 de Janeiro de 2011 09:09 cnbb


dommurilokriegerO papa Bento XVI nomeou nesta quarta-feira, 12, o arcebispo de Florianópolis (SC), dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, 67, novo arcebispo de Salvador (BA) e primaz do Brasil [título ao arcebispo de Salvador – por ser esta a primeira diocese criada no Brasil]. Ele sucede o cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, 77, que teve sua renúncia aceita pelo pontífice por limite de idade (75 anos), conforme o Código de Direito Canônico, cânon 401.



Dom Murilo Krieger nasceu em Brusque (SC) em 19 de setembro de 1943. Foi ordenado presbítero em 1969 e sua nomeação episcopal aconteceu no dia 16 de fevereiro de 1985. Ele é arcebispo de Florianópolis desde fevereiro de 2002.



Nos estudos, o novo arcebispo de Salvador fez filosofia em Brusque, teologia no Instituto Teológico SCJ, em Taubaté (SP); especialização em espiritualidade em Roma [Itália] e letras, na Faculdade Anchieta de São Paulo (SP).



Como bispo, dom Murilo foi auxiliar de Florianópolis (1985 – 1991); bispo de Ponta Grossa (PR) (1991 – 1997); presidente do Regional Sul 2 (Paraná) em (1995 – 1999); e (1999 – 2002); arcebispo de Maringá (PR) (1997 – 2002); presidente do Regional Sul 4 (Santa Catariana) de (2007 – 2011).



Dez livros já foram publicados por dom Murilo, entre eles, Deixa meu povo ir (Paulus); O primeiro, o último, o único Natal ( Loyola); Com Maria, a mãe de Jesus (Paulinas).



Seu lema episcopal é “Deus é amor”.



A posse de dom Murilo está marcada para o dia 25 de março.



Cardeal Geraldo Majella Agnelo

domgeraldomajjelaagneloDom Geraldo Majella nasceu em 1933, em Juiz de Fora (MG). Foi ordenado padre em 1957 e nomeado bispo 1978, ambas em São Paulo.



Dom Geraldo foi bispo de Toledo (PR), arcebispo de Londrina (PR); presidente da Comissão Litúrgica da CNBB; secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, em Roma; vice-presidente do Regional Sul 2 da CNBB (Paraná); segundo vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM); membro do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes e presidente da CNBB de 2003 a 2007.



Após 54 anos de vida religiosa, dom Geraldo deixa inúmeros livros, artigos e teses publicados, como o “Liturgia, Serviço Cultural do Povo de Deus”; Pastoral dos Sacramentos” e Os Sacramentos e os Ministérios de Santo Ambrósio.



Seu lema episcopal foi “A caridade com a fé”.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Nota Informativa da Santa Sé sobre suas relações diplomáticas

BRIEFING




Existem actualmente 178 Estados que mantêm relações diplomáticas plenas com a Santa Sé. Somados a estes são a União Européia ea Soberana Ordem Militar de Malta e um caractere especial em Missão: A Secretaria da Organização pela Libertação da Palestina (OLP).

No que diz respeito às organizações internacionais, a Santa Sé na ONU como "Observador de Estado" é também um membro de sete organizações ou agências do sistema das Nações Unidas, observado em 8 e de outros membros ou observadores em cada cinco organizações regionais.

No decurso de 2010 foi assinado um acordo de 06 de abril Santa Sé eo Land da Baixa Saxónia (Alemanha), que altera o § 6 º do anexo da Concordata de 1965 e regula a situação jurídica de algumas escolas católicas da diocese de Hildesheim, Münster e Osnabrück, a troca dos instrumentos de ratificação do presente Acordo é ocorreu 28 de junho.

Em 08 de abril, foi assinado em Sarajevo Acordo entre a Santa Sé ea Bósnia-Herzegovina sobre a assistência religiosa aos fiéis católicos, membros das Forças Armadas da Bósnia e Herzegovina, a primeira aplicação e significativa do Acordo de Base entre a Santa Sé ea Bósnia-Herzegovina, que foi assinado em Sarajevo em 19 de abril de 2006. A troca dos instrumentos de ratificação do Acordo assinado em 08 de abril foi o caso no Vaticano em 14 de setembro.

Em 18 de maio passado, foi assinado um acordo entre a Santa Sé ea Livre e Hanseática de Hamburgo, cidade para a construção de um centro de treinamento para a teologia católica e Pedagogia da Religião na Universidade de Hamburgo.



Durante a segunda reunião do Grupo de Trabalho Conjunto do Vietnã - Santa Sé, que teve lugar no Vaticano, 23-24 junho de 2010, a fim de aprofundar as relações entre a Santa Sé eo Vietnã, bem como os laços entre a Santa Sé ea Igreja Católica local, que foi acordado como um primeiro passo, a nomeação pelo Papa para que um representante não-residentes da Santa Sé para o Vietnã.

Em 2010, três países Africano - Chade, Gabão, Malawi e - tem estabilizado a presença da missão diplomática da Santa Sé (a presença do encarregado de negócios).



[00043-01.01]
[B0017-XX.02]

sábado, 8 de janeiro de 2011

Liturgia da Palavra: Batismo de Jesus

Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração


SÃO PAULO, quinta-feira, 6 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do Batismo de Jesus – Leituras: Is 42, 1- 4; 6-7; At 10, 34 -38; Mt 3, 13 -17 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.



BATISMO DE JESUS



Batizados com Cristo e em Cristo para uma vida nova



Leituras: Is 42, 1- 4; 6-7; At 10, 34 -38; Mt 3, 13 -17





Com o domingo do Batismo de Jesus, terminará o tempo litúrgico da “manifestação do Senhor”. Iniciado com o primeiro domingo do Advento, este tempo teve seu centro na celebração do Natal e da Epifania, e hoje enfoca o Batismo de Jesus por mãos de João Batista. Este caminho iluminado pela liturgia, nos fez acompanhar o Senhor na sua descida progressiva através da fraqueza humana, feita própria com a sua Encarnação. Desde os primeiros passos no Advento, o coração contemplativo da Igreja teve seu olhar orientado para a páscoa do Senhor, cume da manifestação paradoxal da glória de Cristo no trono da cruz e na luz da Ressurreição. É a Páscoa que ilumina o sentido profundo do mistério da Encarnação e o conduz a seu cumprimento .



O evangelista Mateus nos apresenta a procura de Jesus por João e seu pedido de ser batizado junto com as demais pessoas que se reconhecem pecadoras e querem converter-se a Deus. Essa cena nos é apresentada como uma escolha bem consciente de Jesus. Ele defende esta alternativa mesmo frente às resistências do próprio João, motivando-a como uma obediente submissão de ambos ao projeto do Pai (Mt 3, 13-15). A Palavra de Deus, que por amor assumiu a fragilidade e as contradições da condição humana, quis descer até o fundo dessa situação assumindo sobre si até o pecado, para reconciliar todos e tudo com Deus (cf. Cl 1,20), dando início em si mesmo ao retorno do mundo à ordem e à paz original na submissão perfeita a Deus. “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2 Cr 5,21). “Nas águas é lavado/ o celestial cordeiro; / O que não tem pecado / nos lava em si primeiro” (Hino das Vésperas – tempo do Natal a partir da Epifania).



O mergulhar de Jesus nas águas do rio Jordão desenvolve o processo da sua descida na carne (Natal) e antecipa a sua conclusão no “batismo” da sua Paixão e Morte (Páscoa) (cf. Mc 10, 39), com a descida aos infernos, onde o crucificado, que deu sua própria vida por amor, chama novamente Adão e Eva, as raízes simbólicas da existência humana, à vida nova dos resgatados como filhos e filhas de Deus. “Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água”. Com ele é o mundo inteiro que sai das obscuridades do pecado e inicia um novo caminho.



“No seu batismo Jesus é o lugar de contato entre a miséria humana e a misericórdia divina. Em seu coração se desfaz a massa triste do mal realizado pela humanidade e se renova a vida” (Bento XVI, Catequese de 7 de Jan, 2009).



Em Jesus, solidário como o Servo Sofredor do Senhor com os homens e as mulheres de todos os tempos em busca de salvação (1ª leitura de Is 42, 1-7), o Pai revela que na realidade “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3,17). O profeta promete que no futuro, o espírito do Senhor será derramado sobre o Servo do Senhor para atuar sua missão libertadora em favor de Israel e das nações pagãs. Ele tomará cuidado com mansidão, perseverança e fortaleza de todas as situações de fragilidade, pois Deus faz justiça antes de tudo para os pobres (cf. 1ª leitura). Agora esse Espírito desce sobre Jesus na forma simbólica da pomba da paz, que somente o coração filial de Jesus vê descer do Pai e pousar sobre ele (Mt 3, 16). Em Jesus, o filho bem amado, se cumpre plenamente a profecia de Isaías, como o próprio Jesus afirmará no início da sua missão na sinagoga de Nazaré: “Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da escritura” (Lc 4, 21).



As expectativas de todos os necessitados, prisioneiros de qualquer falha e constrangimento, podem voltar a esperar e enxergar a luz de um novo futuro, pois para todos chegou “o ano da graça do Senhor”, que não tem tempo limitado, mas é oferecido para os homens e as mulheres de todo tempo (cf. Lc 4,18-19).



Eis acontecer no batismo de Jesus a surpreendente revelação do amor sacrificado e criador do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Neste evento a fé da Igreja contempla mais uma vez a santa Trindade enquanto fica atuando o misterioso plano divino de salvação, dentro da história humana, através do Verbo de Deus feito carne. Essa mesma fé nos convida a ficarmos mergulhados nesta mesma comunhão com a santa Trindade, na qual estamos inseridos por força do nosso batismo. Afinal, não fomos nós batizados “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”?



A Igreja do Oriente interpreta muito bem este dinamismo da salvação através da humilhação-glorificação de Jesus no batismo e paixão, por meio da composição dos ícones do batismo de Jesus e da sua ressurreição, composição que exprime na linguagem simbólica da arte o profundo sentido teológico dos mistérios. Nos dois ícones a água do Jordão e a gruta dos infernos apresentam a mesma obscuridade, que Jesus, ao descer nela, penetra e vence com a energia luminosa e transformadora do Espírito Santo, pelo qual é permeado no batismo e ressuscitado da morte.



Os evangelhos dizem que após o batismo, Jesus, “pleno do Espírito Santo, voltou do Jordão; era conduzido pelo Espírito através do deserto durante quarenta dias e tentado pelo diabo” (Lc 4, 1-2). Jesus vive novamente o caminho de Israel no deserto, enfrenta as mesmas tentações, mas ele sai vencedor do diabo enganador, renovando a obediência ao Pai na força que vem da sua palavra e do Espírito.



Logo depois inicia a sua missão anunciando o reino de Deus e a exigência de entrar no seu caminho, manifestando-o já presente na potência da sua palavra e das suas obras de cura e de libertação, atuando num estilo de compaixão e misericórdia. A Igreja, corpo vivo de Cristo, vive desta experiência cotidiana da potência humilde e transformadora do Espírito e da misericórdia do Pai manifestada na mansidão acolhedora de Jesus. Aqui a Igreja reconhece a fonte da sua vida, a sua razão de existir, e o lugar de onde tem de modelar o estilo do seu ministério para anunciar a boa nova aos homens e às mulheres do nosso tempo.



Ela vive no “hoje” de Deus para que todas as pessoas possam gozar da vida plena de Deus a partir das próprias condições, curadas e sanadas pela sua misericórdia. O batismo de Jesus é fonte de graça para todos, mas também critério para examinar a si mesmos sobre a autenticidade do próprio caminho e do próprio serviço ao evangelho.



A liturgia das Horas do tempo da Epifania procura unir e contemplar juntos o evento da Epifania, o batismo de Jesus e a transformação da água em vinho nas núpcias de Caná (Jo 2, 1 -12), como partes de um único processo de revelação da glória de Cristo na humildade da carne. Os textos evangélicos que narram os episódios correspondentes são proclamados nos três domingos sucessivos. Nesta maneira a liturgia destaca também a unidade existencial entre os mistérios celebrados e a nossa experiência cotidiana no caminho da fé.



A antífona do Cântico do Benedictus, nas Laudes do dia da Epifania, canta: “Hoje a Igreja se uniu a seu celeste esposo, porque Cristo lavou no Jordão o pecado (batismo de Jesus ); para as núpcias reais correm magos com presentes (epifania –magos); e os convivas se alegram com a água feita vinho. Aleluia ” (núpcias de Caná).



Esta magnífica antífona apresenta, numa visão sintética e mística, o mistério da Encarnação e da revelação do Verbo de Deus na expansão das suas potencialidades. É o cumprimento das promessas a Israel (núpcias de Caná – Jo 2, 1-11) e a manifestação universal a todos os povos, culturas e religiões (epifania/magos – Mt 2, 1-12), através da solidariedade de Jesus com o pecado do mundo inteiro (batismo – Mt 3, 13-17) .



Epifania – Batismo – transformação da água em vinho em Caná constituem três painéis de um único trítico, de um único mistério que tem dimensões cósmicas: a celebração das núpcias de Deus com Israel e com toda a humanidade na Encarnação do Verbo e na sua manifestação humilde e potente.



No batismo da cruz, afirma São Paulo, Jesus “prepara e enfeita” a noiva para o casamento que ele está para realizar com a Igreja, e através da Igreja, com toda a humanidade. Ele a purifica de toda mancha, pelo banho do batismo que os cristãos vão receber no seu nome ( cf. Ef 5, 25 -27).



A purificação ascética e interior e a vida moral que os cristãos são chamados a conduzir, em força do próprio batismo em Cristo, têm a beleza e o sabor da preparação das vestes nupciais da esposa. É um processo interior que exige cuidado de si mesmo, sensibilidade, tempo, acompanhamento por parte de quem tem experiência e conhece a arte de guiar a si mesmo e o caminho dos outros. A arte da vida no Espírito. Crescer na vida espiritual até chegar a seguir, com a apropriada veste nupcial, o Cordeiro que vai festejar suas bodas com a Igreja, exige mais que o batismo pontual: pretende que se aprenda a viver sempre mergulhados nas águas batismais do amor (cf. Ap 7, 9 – 17). Esta visão da vida cristã proporcionada pela escritura e pela Igreja na liturgia natalina nos dá uma diferença de perspectiva e de pedagogia espiritual. Aqui nasce uma autêntica consciência moral capaz de orientar os cristãos nas escolhas de cada dia, a partir da experiência da transformação interior sustentada pelo Espírito de Jesus, e da relação esponsal com o Senhor, própria dos filhos e filhas de Deus renascidos com Cristo e em Cristo!



O texto da antífona das Laudes da Epifania nos envia ao mesmo tempo às profecias do Antigo Testamento e ao seu cumprimento definitivo no éscaton do Apocalipse.



Os profetas descreveram a relação do Senhor para com Israel em termos de relação nupcial estipulada por iniciativa gratuita do mesmo Senhor. Ele chega a renovar a sua esposa – depois das repetidas traições que esta cometeu – reconstituindo até sua virgindade e oferecendo-lhe como dote atitudes interiores autênticas (cf. Os. 2, 16; 21-22).



São João chama de “primeiro sinal” o gesto da transformação da água em vinho, cumprido por Jesus nas núpcias de parentes ou amigos em Caná, e acrescenta que “neste gesto Jesus manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele” (Jo 2,11).



Jesus é o “esposo” que cumpre finalmente aquela “aliança nova e eterna”, aquele “casamento inabalável” entre Deus e o novo Israel/humanidade preanunciado pelos profetas e inscrito no coração pelo Espírito de Deus (Jer 31, 31-34; Ez 36,26-27). A transformação da água em vinho, e vinho de ótima qualidade, diz simbolicamente a passagem definitiva da antiga à nova e perfeita aliança!



O batismo de Jesus – enquanto expressão da sua submissão ao Pai no amor e da sua solidariedade com o pecado dos homens – assim como o nosso encontro na fé e no batismo com Cristo, são eventos dinâmicos, um processo aberto. Jesus foi impelido pelo seu batismo até a cruz. O nosso batismo está sendo atuado com o progresso da nossa transformação nele e do nosso empenho a transformar a realidade em que vivemos.



Nos momentos mais significativos da vida da comunidade, como a grande Vigília pascal, ou periodicamente nos domingos, renovamos as promessas do nosso batismo, como confirmação e desenvolvimento da nossa participação no dinamismo renovador do batismo e da páscoa de Cristo, no “hoje” sempre novo de Deus.



Que o Senhor nos conceda chegar a cantar de verdade, em primeira pessoa, e em comunhão com a Igreja e a humanidade inteira: “Hoje a Igreja se uniu a seu celeste esposo, porque Cristo lavou no Jordão o pecado; para as núpcias reais correm magos com presentes; e os convivas se alegram com a água feita vinho. Aleluia ”.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Homilia do Papa na solenidade da Epifania do Senhor

Palavra de Deus, verdadeira estrela que ilumina nossa vida


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - A Palavra de Deus é a verdadeira estrela que nos dá o esplendor da verdade divina, afirmou Bento XVI nesta quinta-feira, solenidade da Epifania do Senhor, na Missa que presidiu na Basílica Vaticana.



Em sua homilia, o Papa referiu-se à experiência dos Magos, que seguiram a estrela para chegar ao Menino Jesus no humilde estábulo de Belém.



"Eles provavelmente eram sábios que estudavam o céu, mas não para tentar ‘ler' o futuro nos astros, eventualmente para ganhar algum dinheiro - explicou; eram homens de ‘em busca' de algo mais, em busca da verdadeira luz, capaz de indicar o caminho a percorrer na vida."



"Eram pessoas seguras de que, na criação, existe o que nós podemos definir como a ‘assinatura' de Deus, uma assinatura que o homem pode e deve tentar descobrir e decifrar."



Como homens sábios, continuou o Papa, sabiam também "que não é com um telescópio qualquer, mas com os olhos profundos da razão em busca do sentido último da realidade e com o desejo de Deus, movido pela fé, que Ele pode ser encontrado; e assim é possível inclusive que Deus se aproxime de nós".



A linguagem da criação, de fato, "nos permite percorrer um longo trecho do caminho até Deus, mas não nos dá a luz definitiva", disse o Pontífice.



"Em última análise, para os Reis Magos, foi fundamental ouvir a voz das Sagradas Escrituras: só ela poderia mostrar-lhes o caminho."



"A Palavra de Deus é a verdadeira estrela que, na incerteza dos discursos humanos, nos oferece o grande esplendor da verdade divina", afirmou Bento XVI.



"Deixemo-nos guiar pela estrela, que é a Palavra de Deus, sigamos essa estrela em nossas vidas, caminhando com a Igreja, onde a Palavra tem a sua morada - exortou. Nosso caminho será sempre iluminado por uma luz que nenhum outro sinal pode nos dar."



"E também poderemos nos tornar estrelas para os outros, um reflexo dessa luz que Cristo fez brilhar sobre nós", acrescentou.



O Papa convidou a se perguntar se, como os especialistas que sabem tudo sobre as Escrituras, "não está em nós a tentação de considerar as Sagradas Escrituras, este tesouro riquíssimo e vital para a fé da Igreja, mais como um objeto de estudo e discussão dos especialistas que como o livro que nos mostra o caminho para chegar à vida".



Para combater isso, sugeriu fazer "nascer de novo em nós a disposição profunda de conceber a palavra da Bíblia, lida na Tradição viva da Igreja, como a verdade que nos diz o que é o homem e como ele pode se realizar plenamente".



Deus: aliado, não rival



O Papa também recordou a figura do rei Herodes, "interessado no Menino sobre quem os Reis Magos falavam", mas não com o objetivo de adorá-lo, "e sim de eliminá-lo".



"Deus lhe parece um rival, um rival especialmente perigoso, que privaria os homens do seu espaço vital, da sua autonomia, do seu poder; um rival que indica o caminho a percorrer na vida e evita, assim, que se faça tudo o que se quer."



Bento XVI exortou a perguntar-se se "há talvez algo de Herodes em nós"; se, "talvez, também nós, às vezes, vemos Deus como uma espécie de rival" e "somos cegos diante dos seus sinais, surdos às suas palavras, por acharmos que Ele coloca limites na nossa vida".



Quando Deus é visto dessa maneira, observou, "acabamos nos sentindo insatisfeitos e infelizes, porque não nos deixamos guiar por Aquele que é o alicerce de todas as coisas".



Por isso, acrescentou, "devemos eliminar da nossa mente e do nosso coração a ideia da rivalidade, a ideia de que dar espaço a Deus é um limite para nós mesmos".



Pelo contrário, concluiu, "devemos nos abrir à certeza de que Deus é o amor onipotente que não tira nada, não ameaça, senão que é o único capaz de oferecer-nos a possibilidade de viver em plenitude, de experimentar a verdadeira alegria".

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Comissão Médica aprova milagre de João Paulo II

 Qua, 05 de Janeiro de 2011 13:26 cnbb


joao_pauloIIA Comissão Médica consultada pelo Vaticano aprovou um milagre atribuído a João Paulo II, e assim a causa de beatificação do pontífice polonês, falecido em 2005, avança significativamente, informaram os meios de comunicação italianos ontem, 4.



Os médicos e teólogos consultados pela Congregação para as Causas dos Santos, reunidos no mais estrito sigilo, estimaram que a cura da freira francesa Marie Simon-Pierre, que sofria de mal de Parkinson, foi "imediata e inexplicável". A comissão liderada pelo médico particular de Bento XVI, Patrizio Polisca, aprovou o milagre apresentado.



A freira francesa, que era enfermeira, curou-se inexplicavelmente após suas orações e pedidos a João Paulo II poucos meses depois de sua morte, em abril de 2005.



A aprovação dos especialistas deverá ser ratificada por uma comissão de cardeais e bispos da Congregação para a Causa dos Santos.



A beatificação é o primeiro passo no caminho para a canonização, que exige a prova de intercessão em dois milagres.



No dia 19 de dezembro de 2009, o papa Bento XVI aprovou as "virtudes heróicas" do papa polonês João Paulo II venerado já em vida.



Com elas, iniciou-se a investigação do "milagre" atribuído, que deve ser examinado por várias comissões.



O processo de beatificação de João Paulo II foi iniciado por Bento XVI dois meses após a morte, no dia 2 de abril de 2005, de seu predecessor.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dom João Braz é o novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica

 Ter, 04 de Janeiro de 2011 10:18 cnbb

domjoobrazdeavizO arcebispo de Brasília foi nomeado pelo papa Bento XVI como novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. O anúncio foi realizado na manhã desta terça-feira, 4, pelo Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.



Dom João Braz de Aviz sucederá o cardeal francês Franc Rodé, 76, que pediu renúncia da função por limite de idade (75 anos), conforme prevê o cânon 401 § 1º do Código de Direito Canônico.



O arcebispo de Brasília nasceu em Mafra (SC), em 24 de abril de 1947. Após frequentar os estudos filosóficos no Seminário Maior Rainha dos Apóstolos, de Curitiba, e na Faculdade de Palmas (PR), completou os estudos teológicos em Roma, junto à Pontifícia Universidade Gregoriana, e foi laureado em Teologia Dogmática junto à Pontifícia Universidade Lateranense, em 1992.



Foi ordenado padre da diocese de Apucarana (PR) em novembro de 1972. Foi reitor do Seminário Maior de Apucarana e de Londrina e professor de Teologia Dogmática junto ao Instituto Paulo VI, em Londrina (PR). Foi também membro do Conselho presbiteral e do Colégio dos Consultores, bem como coordenador geral da pastoral diocesana de Apucarana.



Em 6 de abril de 1994, foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de Vitória (ES). Foi também bispo de Ponta Grossa (PR) e arcebispo de Maringá (PR). Em 28 de janeiro de 2004 foi nomeado arcebispo de Brasília. Em maio do ano passado organizou o 16º Congresso Eucarístico Nacional, que aconteceu paralelo ao 50º da Capital Federal.

Papa pede ao mundo “autêntico espírito de paz”

E aos cristãos, que não cedam ao desânimo nem à resignação

CIDADE DO VATICANO, sábado, 1º de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Em um mundo no qual os cristãos continuam sendo vítimas de ataques sanguinários, o Papa Bento XVI pediu um "autêntico espírito de paz" e a coragem de enfrentar as dificuldades.



Esta foi sua mensagem durante a homilia que presidiu na Basílica Vaticana hoje, solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz, recordando que esta última já se tornou uma "tradição consolidada" na Igreja.



"É bom iniciar um novo caminhar andando com decisão em direção à paz", afirmou o Papa, querendo recolher "o grito de tantos homens, mulheres, crianças e idosos, vítimas da guerra, que é o rosto mais horrível e violento da história".



"Diante dos trágicos acontecimentos que marcam a história, diante das lógicas de guerra que infelizmente ainda não foram superadas, somente Deus pode tocar o coração humano e assegurar esperança e paz à humanidade", constatou o Papa.



A paz, sublinhou, "tem suas raízes no mistério de Cristo", mas é também "um valor humano a ser realizado no campo social e político".



Neste contexto, a humanidade "não se pode mostrar resignada à força negativa do egoísmo e da violência, não se pode habituar a conflitos que provocam vítimas e põem em risco o futuro dos povos".



"Diante das ameaçadoras tensões do momento, diante especialmente das discriminações, arbitrariedades e intolerâncias religiosas, que hoje agridem particularmente os cristãos, mais uma vez renovo o convite para que não cedam ao desânimo e à resignação", declarou o Pontífice, exortando todos a rezarem para que "cheguem a bom fim os esforços realizados em toda parte para promover e construir a paz no mundo".



Para levar a cabo esta "difícil tarefa", acrescentou, "não bastam palavras", senão que é necessário "o empenho concreto e constante dos responsáveis das nações, mas é sobretudo necessário que cada pessoa esteja animada pelo autêntico espírito da paz".



O exemplo de Maria



Bento XVI prosseguiu sua homilia recordando que este Dia Mundial da Paz, comemorado cada ano desde 1968 em nome da Mãe de Deus, manifesta que esta paz, que é "dom messiânico por excelência", chegou por meio de Maria.



Maria, afirmou o Papa, "é verdadeira Mãe de Deus, precisamente em virtude da sua total relação a Cristo. Portanto, glorificando o Filho, honra-se a Mãe e, honrando a Mãe, glorifica-se o Filho".



O título de "Mãe de Deus" celebrado pela liturgia "põe em relevo, sublinha a missão única da Virgem Santa na história da salvação: missão que está na base do culto e da devoção que o povo cristão lhe reserva".



"De fato, Maria não recebeu o dom de Deus só para si, mas para levá-lo ao mundo: na sua virgindade fecunda, Deus deu aos homens os bens da salvação eterna"; e Ela "oferece continuamente sua mediação ao Povo de Deus que peregrina na história, rumo à eternidade, como antes a ofereceu aos pastores de Belém".



"Ela, que deu a vida terrena o Filho de Deus, continua dando aos homens a vida divina, que é Jesus Cristo e seu Santo Espírito. Por isso, é considerada a Mãe de todo homem que nasce para a Graça e, ao mesmo tempo, é invocada como Mãe da Igreja", concluiu o Papa.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Descanso...

Esses primeiros dias de janeiro tirei para repousar e descansar a cabeça. Isso se faz importante cada dia mais, pois vivemos num mundo turbulento e de grande adversidade. O corpo não ressente tanto, mas a cabeça sim. É preciso dar uma pausa para a mente, respirar novos ares. Todos podem fazer isso, na sua medida.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Chegou 2011

Chegou 2011. 
Agora, o que vamos fazer?!
O que pretendemos fazer?!
O que planejamos fazer?!
Mais ainda,
o que buscamos ser?!
O que pretendemos ser?!