sexta-feira, 29 de abril de 2011

Beatificação do Papa João Paulo II

Próximo domingo será a beatificação do Papa João Paulo II. Momento de muita emoção, gratidão e alegria para toda a Igreja. Acompanhemos todos rezando por toda a Igreja, e pedindo ao novo beato Papa João Paulo II que interceda a Deus por todos nós e por nossa Paróquia de Cruz de Rebouças, Igarassu - PE.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Feliz Páscoa

A todos e todas desejo uma Feliz Páscoa. Aqui na Paróquia foi algo emocionante e bem vivenciado esses dias da Semana Santa e o Tríduo Pascal. Muita movimentação em todas as comunidades. Evangelizar é preciso. E contamos nesses preciosos dias com a colaboração dos seminaristas da Arquidiocese de Olinda e Recife, os seminaristas dos Dehonianos, e ainda com as Irmãs Filhas de Santana. Foi um tempo de enriquecimento espiritual para todos. Sem contar com a imensa colaboração e ajuda dos inúmeros leigos e leigas engajados da Paróquia. Ressuscitou como disse - Aleluia!

terça-feira, 5 de abril de 2011

A ética abortista

Os argumentos pela vida não são apenas religiosos

Por padre John Flynn, L.C.



ROMA, domingo, 3 de abril de 2010 (ZENIT.org) - Os defensores do direito ao aborto costumam criticar os que apoiam a vida por supostamente tentar impor suas crenças religiosas aos demais. Ainda que a religião proporcione ao debates sólidos argumentos, estes não são apenas religiosos, como destaca um livro de recente publicação.



Christopher Kaczor, em ‘The Ethics of Abortion: Women's Rights, Human Life and the Question of Justice’ (A Ética do Aborto: Direitos das Mulheres, Vida Humana e a Questão da Justiça) (Editora Routledge), toma uma postura filosófica perante o aborto e explica por que não é justificável.



Um dos pontos chave que Kaczor enfrenta é: quando se começa a ser pessoa. Alguns defensores do aborto sustentam que se pode distinguir os humanos das pessoas. Um exemplo dado é o de Mary Anne Warren, que oferece critérios para se levar em conta antes de dizer de alguém que ele é uma pessoa.



Ela propõe que as pessoas têm consciência dos objetos e dos acontecimentos e a capacidade de sentir dor. Têm também a força da razão e a capacidade para atividade auto-motivada, junto à capacidade de comunicação.



Como resposta a tais argumentos, Kaczor assinala que, usando tais critérios, seria difícil sustentar razões contra o infaticídio, posto que um bebê recém-nascido não cumpre tais critérios.



Por outro lado, não deixamos de ser pessoas quando estamos dormindo ou sedados em uma operação cirúrgica, ainda que nesses momentos não sejamos conscientes nem estejamos em movimento. De igual forma, quem sofre de demência ou os deficientes não satisfazem os critérios de Warren para ser pessoas.



Uma questão de lugar



Outro posicionamento para justificar o aborto é o que se baseia na localização, quer dizer, se se está fora ou dentro do útero. Kaczor afirma que a pessoa vai muito além da simples localização. Se admitimos este argumento, segue-se que, quando há uma fecundação artificial fora do útero, o novo ser teria o status de pessoa, mas logo o perderia quando fosse implantado, voltando a ganhá-lo quando saísse do útero.



Há também casos de cirurgia fetal aberta, procedimento em que o feto humano é extraído do útero. Se determinarmos o ser pessoa por uma existência fora do útero, nos veríamos na inverossímil situação de que em tais casos o feto é uma ‘não-pessoa’, que depois passa a ser ‘pessoa’, para depois voltar a ser ‘não pessoa’, já que retorna ao útero, para depois tornar-se ‘pessoa’, quando nascer.



Excluindo portanto a localização como critério para ser considerado pessoa, Kaczor discute a questão de se a condição de pessoa se estabelece em algum ponto entre a concepção e o nascimento. Ele observa que a viabilidade, quer dizer, se o feto no útero é potencialmente capaz de viver fora do ventre materno, era citada pelo Supremo Tribunal dos EUA no processo ‘Roe v. Wade’ como um modo de determinar se os fetos humanos merecem alguma proteção legal.



Contudo, segundo Kaczor, esta postura tem seus problemas. Por exemplo, os gêmeos unidos dependem em ocasiões um do outro para viver e, ainda assim, ambos são considerados pessoas.



A viabilidade também estabelece um problema, porque nos países ricos, com avançados cuidados médicos, os fetos se tornam viáveis antes que nos países pobres. E os fetos femininos são viáveis antes que os masculinos. As diferenças de sexo e de riqueza deveriam influir em quem é pessoa ou não?



Outra ideia é considerar que a capacidade de sofrer dor ou desfrutar do prazer é o que poderia marcar o começo do direito à vida, continua Kaczor. Isso tampouco é suficiente, pois exclui os que estão sob anestesia ou em coma. Ademais, alguns animais têm esta capacidade.



Ética ‘gradual’



A resposta pró-abortista às críticas anteriores adota a forma do ponto de vista ‘gradual’. Kaczor explica que isso consiste em sustentar que o direito à vida aumenta em força de modo gradual conforme se desenvolve a gravidez, e quanto mais similar um feto é de uma pessoa como nós, maior proteção deveria ter.



No entanto, Kaczor observa que há uma diferença entre o direito à vida e o restante dos direitos. Há restrições de idade para votar, dirigir ou ser eleito para um cargo público. Isso acontece porque o direito em questão exige uma capacidade para assumir as responsabilidades implicadas.



Pelo contrário, o direito à vida não contém implicitamente nenhuma responsabilidade e, por isso mesmo, pode ser desfrutado sem ter em conta a idade ou as capacidades mentais.



Outro problema da postura ‘gradual’ é que o desenvolvimento humano não termina com o nascimento. Se o status moral se vincula ao desenvolvimento psicológico, matar alguém de 14 anos iria requerer uma justificativa maior que matar um de 6.



Kaczor afirma que o erro desses argumentos nos leva à conclusão de que, se não há diferenças eticamente relevantes entre os seres humanos em suas diversas etapas de desenvolvimento que faça com que alguém não seja uma ‘pessoa’, a dignidade e o valor de uma pessoa não começa depois de seu nascimento, nem em momento algum de sua gestação. Todo ser humano é também uma pessoa humana.



A história nos apresenta muitos exemplos da necessidade de respeitar todo ser humano como pessoa portadora de dignidade. Kaczor argumenta que em teria ninguém atualmente, ao menos no Ocidente, defenderia a escravidão, a misoginia ou o antissemitismo.



A pessoa começa com a concepção?



Segundo Kaczor, essa questão não é a princípio moral, mas científica. Ele cita textos científicos e médicos que afirmam que com a concepção há o início de nova vida humana e uma mudança fundamental com a criação de um ser com 46 cromossomos.



Após a fecundação não há presença de nenhum agente exterior que mude o organismo recém-concebido em algo que seja diferente. Pelo contrário, o embrião humano se auto-desenvolve para futuras etapas.



“Fazendo uma analogia, o embrião humano não é um mero modelo detalhado da casa que se construirá, mas uma casa minúscula que se faz cada vez maior e mais complexa, através de seu auto-desenvolvimento ativo para a maturidade”, esclarece o autor.



Após isso, os últimos capítulos do livro analisam alguns argumentos utilizados pelos defensores do aborto. Examina-os um por um, mostrando suas debilidades.



Por exemplo, tem-se sustentado que, posto que nas primeiras etapas há a possibilidade de que haja uma divisão em dois irmãos, o embrião não é um ser humano individual. Kaczor rebate isso dizendo que, ainda que se possa dividir em dois seres, isso não significa que não seja um ser individual.



Ele comenta que a maioria das plantas pode dar lugar a mais plantas individuais, mas isso não significa que uma planta não possa ser uma planta individual e diferente.



O autor analisa também alguns casos difíceis como as gravidezes resultado de violação ou incesto. A personalidade do feto, insiste Kaczor, não depende da forma como foi concebido. “És o que és, sem importar as circunstâncias de tua concepção e nascimento”, afirma.



O livro de Kaczor, como uma argumentação sólida, contém muitos raciocínios cuidadosamente elaborados, o que o torna uma valiosa fonte de inspiração para os que lutam por defender a vida humana.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Globalizar a solidariedade

Entrevista com um responsável da Cáritas para a África

ROMA, domingo, 3 de abril de 2011 (ZENIT.org) - A trágica história da África ecoa em seu difícil presente, mas, segundo um responsável para a África da rede Cáritas, sua situação seria realmente dramática se não fosse pela Igreja Católica.



Nascido no Congo, o padre Pierre Cibambo Ntakobajira viu com seus próprios olhos a contribuição da Igreja para o continente. “Não sei qual seria a situação da África hoje se a Igreja não fosse tão dinâmica”, afirma.



Nesta entrevista, o sacerdote fala de sua própria história como católico e da necessidade permanente de “globalizar a solidariedade”.



–O senhor nasceu na República Democrática do Congo. Cresceu em um ambiente católico?



–Padre Ntakobajira: Em 1955, quando nasci, meus pais não eram cristãos. Não eram católicos. Viviam sua religião tradicional. Alguns de meus irmãos e irmãs já eram católicos, mas meus pais não.



–Custou-lhes aceitar a notícia de seu desejo de ser sacerdote?



–Padre Ntakobajira: Comecei a escola primária aos 7 anos e fui batizado em 1966. Tinha 11 anos e recebi o batismo dois anos antes de minha mãe, porque frequentava uma escola católica. Para mim era fácil ter contato com a fé católica.



–Você deixou Bukavu, no Congo, e foi para a Bélgica, estudar na Universidade Católica dali. Depois foi para o Canadá, ao Instituto Canadense para a Resolução de Conflitos. Por que deixou Bukavu?



–Padre Ntakobajira: Foi meu bispo que me pediu que fosse estudar para melhorar nossa participação no trabalho social e de desenvolvimento. Por isso fui à Bélgica. Estive ali três anos. Voltei ao meu país em 1994. Foi precisamente durante o genocídio em Ruanda. Pediram-me para assumir o escritório diocesano da Cáritas, para ajudar a organizar o trabalho em minha diocese, para auxiliar os muitos refugiados de Ruanda que naquele momento cruzavam a fronteira para entrar no Congo.



–Em um estudo da ONU de mais de 50 países subdesenvolvidos, 34 nações africanas formam parte da lista. Por que a África parece o continente do sofrimento?



–Padre Ntakobajira: Creio que levaria muito tempo para falar disso. Mas diria que é o resultado de uma combinação de muitos fatores: a perspectiva histórica, os sistemas econômicos internacionais, o governo e a cultura. É uma combinação de todos esses fatores. Ao fazer referência à história da África, é necessário que compreendamos que a história do continente é triste – a escravidão, por exemplo, e suas consequências. É uma história de colonialismo e exploração. Não é suficiente para explicar e justificar a situação atual, mas tem muito a ver com o que estamos dizendo da situação da África.



–Isso também tem a ver com a política e os governos atuais?



–Padre Ntakobajira: Durante muitos anos, o continente africano, e muitos dos países do continente, estiveram nas mãos de pessoas que foram postas ali não por serem adequadas, mas porque serviam aos interesses de outros. Durante a Guerra Fria, no Congo, por exemplo, tivemos Mobutu durante 32 anos, um homem que não fez nada para o Congo. O que sofremos no Congo hoje tem suas raízes naquela era. Mobutu foi posto no contexto da Guerra Fria, apoiado e com dinheiro da comunidade internacional, mas fazendo seus próprios negócios com este dinheiro e não desenvolvendo o país. É um país quatro vezes maior que a França, com 60 milhões de pessoas. Temos todos os recursos naturais que se podem imaginar. É como um paraíso e, ainda assim, as pessoas morrem de fome. Imagina isso?



–A África tem algumas das maiores riquezas naturais, mas sofre uma grande pobreza. É uma contradição que exige resposta.



–Padre Ntakobajira: Estes vários recursos naturais têm sido explorados por empresas externas e podemos ver que este mesmos recursos naturais são a principal razão da guerra que está causando estragos em países como o Congo. Em muitos países onde há petróleo, ouro e diamante, estabelece-se a miséria. Ter todas essas riquezas em seu solo parece ser uma maldição... Estes recursos são explorados e os lucros se gastam em armas que são trazidas para o país. No Congo, sobretudo na região oriental, sofremos com os que foram responsáveis pelo genocídio em Ruanda. Eles entraram no Congo e agora ocupam várias áreas do país, onde estão extraindo os recursos naturais e vendendo tudo para as companhias do exterior. Assim compram armas e se preparam para a guerra, para assassinar a população local e ameaçar a segurança da região. É um desastre.



–A Igreja católica é vital. Falando da educação na África, oferece educação para cerca de 1 milhão de crianças e tem mais de 2 mil hospitais, sem mencionar clínicas e orfanatos. Até que ponto é importante o trabalho da Igreja católica, ao manter essa infra-estrutura nas nações africanas?



–Padre Ntakobajira: Na África, graças a Deus, temos a Igreja, sobretudo a Igreja católica. Não sei qual seria a situação do continente hoje se a Igreja não fosse tão dinâmica. No Congo, eu venho da arquidiocese de Bakuvu, que gerencia 10 hospitais e mais de 200 centros de saúde. Assim se pode imaginar o compromisso e o impacto que a Igreja local tem nesta área, e todo mundo reconhece. A Igreja contribui muito para melhorar a situação das pessoas, sobretudo na educação e na saúde.



–Até que ponto é importante o trabalho de organizações como Cáritas, Ajuda à Igreja que Sofre e outras organizações beneficentes?



–Padre Ntakobajira: João Paulo II fez um apelo a todo o mundo que dizia: é necessário que globalizemos a solidariedade. As organizações católicas como AIS e Cáritas são uma forma concreta de globalizar a solidariedade, segundo o Evangelho e a doutrina social da Igreja. Por isso, é muito importante que estas organizações apoiem as Igrejas locais, porque elas necessitam de apoio em sua luta diária.


Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Onde Deus chora", um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

Mais informação em www.aisbrasil.org.br, http://www.fundacao-ais.pt/